Daily Archives: 2012/10/08

O Governo de Iniciativa Presidencial de Tecnocratas pró-europeus e cavaquistas que se cozinha

Pacheco Pereira não tem muita influência no Passismo atual, decerto. .. mas é ouvido pelos sequazes do Cavaquismo e por todos aqueles que no PSD – não sendo Cavaquistas – repudiam o estilo merkeliano, austeritário ou fiscalocrata de Passos. E de permeio, também, por todas as forças que na retaguarda manobram para tornar a atual União Europeia numa falsa “federação”, não-democrática, dominada pelos países do norte da Europa e muito pouco “europa dos povos” e muito mais “europa dos Interesses”.

Há sinais crescentes que Portas após a aprovação do OGE2013 se prepara para sair do governo e, sem fazer cair o Governo, apoia-lo, caso a caso, a partir das bancadas do Parlamento, resguardando assim a sua base eleitoral das enxurradas que ai vêm (autárquicas, IMI, IRS, descarrilar do défice, etc). Perante esta iminente saída de Portas, Cavaco pode tomar duas opções: ou mantém Passos no poder, sem maioria, ou demite Passos e nomeia um governo de iniciativa presidencial.

Como antes na Grécia e na Itália, sabemos que essa tese, a de um governo de iniciativa presidencial formado por tecnocratas preocupados apenas com o cumprimento do Memorando com a Troika e sem preocupações com eleições (que não disputam) que é favorecida nas chancelarias do norte da europa, se Passos perder a maioria parlamentar automática de que agora goza é nesse sentido que a “europa” empurra: um governo tecnocrático (não eleições antecipadas) que dure até ao fim do programa de ajustamento (agora chutado para 2013).

Um governo tecnocrático, respondendo apenas perante Cavaco e a troika seria muito contestado nas ruas e a punição eleitoral ao PSD nas autárquicas do ano seguinte seria astronómica, razão pela qual Passos tudo fará para a evitar. Mas levou muito longe a obsessão pelo aumento da carga fiscal e a incapacidade para enfrentar os lobbies da Despesa, e agora, não lhe restam opções, além de aguentar o mais possível até que a europa acorde (se acordar) e acorra a Portugal com um verdadeiro “plano Marsahll”. Mas tal coisa não se vislumbra no horizonte, nem convém a esta Eurocracia que nos rege…

Não duvidemos: um governo de tecnocratas escolhidos entre os Cavaquistas e fiel apenas a Bruxelas fará o atual governo parecer – por comparação – com um bando de coelhinhos brancos, broncos, mas inocentes. Um tal governo será insensível à força das ruas, resguardado pela polícia de choque e por futuros cargos dourados em Bruxelas. Um tal governo não respondera jamais a eleições ou aos cidadãos, mas aos interesses do merkelismo, dos credores e dos países do norte. Um tal governo será a prometida “suspensão da democracia” que outros pediam por seis meses, mas que agora teremos que gramar durante dois anos. E findo este período a europa já se terá transformado nessa “federação” não-democrática, regida pelo norte que hoje se cozinha lá pelas bandas do norte…

Categories: Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | 4 comentários

Paul Krugman: “O efeito da desregulação não foi tanto encorajar a eficiência mas sim encorajar o assumir de riscos”

“O efeito da desregulação não foi tanto encorajar a eficiência mas sim encorajar o assumir de riscos. Deixar os bancos concorrerem entre si pela oferta da taxa de juros sobre depósitos parecia ser um bom negócio para os consumidores. Mas isso acabou por transformar cada vez mais a banca num caso de sobrevivência dos mais imprudentes, em que somente aqueles que estavam dispostos a fazer empréstimos de cobrança duvidosa podiam dar-se ao luxo de pagar aos depositantes uma taxa de juro competitiva.”
Fonte:
“Acabem com esta crise, já!”
Paul Krugman (Nobel da Economia)
E sobretudo porque a partir de então foram criados cada vez mais mecanismos que premiavam os gestores, funcionários e CEOs do setor financeiro em função dos balanços de curto prazo. Muitos investimentos foram a partir da década de 1990 assumidos numa perspetiva temporal de dois anos, sem terem em conta a sua solidez a médio prazo nem a real capacidade dos devedores para manterem os seus compromissos de crédito para além de um prazo muito curto. Os prémios de desempenho continuam hoje a ter horizontes demasiado curtos, a maioria dos gestores e responsáveis bancários continuam a não serem devidamente responsabilizados pelos erros de gestão mais graves e incorporam inclusivamente “cláusulas de rescisão” que lhes garantem avultadas indemnizações mesmo quando são forçados pelos próprios acionistas a deixarem esses cargos. Urge implementar Moral e Decência no meio financeiro, já que este não parece (os anos desde 2008 e os mais recentes escândalos do Barclays, Deuthsche Bank e HSBC provam-no) de se auto-regular.

Chegou a altura dos políticos e dos cidadãos tomarem a rédea sobre um setor financeiro que parece cada vez mais fora de qualquer controlo. Mas haverá coragem e poder de decisão suficientes para tal “ousadia”?

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional | Deixe um comentário

Fernando Pessoa: Programa geral do Neopaganismo Português

Fernando Pessoa (http://noticiasongs.org)

Fernando Pessoa (http://noticiasongs.org)

“Rejeitamos a democracia, todas as suas formas de governo não aristocrático, todas as fórmulas humanitárias, todas as formas de desiquilíbrio como, por exemplo, o imperialismo germânico ou a democracia aliada”

Este primeiro segmento de um texto pessoano sobre o “movimento neopaganista português”, um movimento mais ou menos virtual que o poeta promoveu nos anos que antecederam a década de vinte do Século XX apresenta a razão pela qual, aquando da instauração do Estado Novo em Portugal, Pessoa se contou entre os inteletuais que apoiaram o regime saído da revolta militar de 28 de maio. A ilusão não duraria muito tempo, decerto, mas encontrava nestas reservas atavicas à democracia (entendida aqui como expressao política da vontade popular) e na defesa de um regime “aristocratico” contra as formas de democracia, parlamentares e representativas, muito ao estilo britânico e que – como bem observa Agostinho da Silva – são tão desconformes ao espírito e ao temperamento profundo português. Fernando Pessoa preferia uma meritocracia, desconfiava dos governos eleitos por sufrágio e que haviam conduzindo ao caos da Primeira República, com uma paralisante “alternancia democrática”, falência do Estado e desprestigio internacional. Pessoa amava profundamente Portugal e o estado a que a República havia levado o país desesperava o poeta. E fazia-o desejar um governo melhor, de gente melhor, menos dependente da boçal vontade da maioria, mas nem por isso menos ilustrada, como rapidamente haveria de constatar, como exprimem outros textos – escritos mais perto do termo da sua vida em 1935 – e que o colocam já muito claramente Salazar, não temendo até atribuir-lhe termos fortemente ridículos e pejorativos.

“rejeitamos a ternuras anticientíficas, como o vegetarianismo, o antialcoolismo, o antivivisseccionismo, não admitindo direitos aos animais inferiores ao homem.”

Noutro segmento muito revelador do seu pensamento político, Pessoa revela-se aqui um crítico ferrenho de todas as formas misticismo estéril (ainda que tenha pensado seguir a carreira de astrologo profissional e admirado, numa sua fase, o teosofismo), atribuindo o notável sucesso dos Descobrimentos henriquinos precisamente à devoção pela ciência e pelo método científico demonstrado pelos nossos antepassados. Embora noutros textos, exprima alguma admiração (contida) pelo budismo e por outras vias de ascetismo, distancia-se delas ao recusar o antialcoolismo e a “deriva química” dos sentidos que adotam na sua maioria. Como Omar Kayyam, nao recusa ao alcool o seu papel iniciático ou, pelo menos, potenciador de um “estado alterado de consciência”, criador e gerador de ideias. É igualmente curiosa a sua recusa de direitos aos animais, numa posição que muito chocaria os defensores dos Direitos dos Animais da atualidade, mas que no contexto social e político da época encontra também a sua explicação.

“Rejeitamos o principio pacifista; rejeitamos os imperialismos modernos, de índole católica todos – todo o sacro império romano que cada Inglaterra ou cada Alemanha ocultadamente quer ser.”

Ainda que nunca tenha cumprido o serviço militar, o poeta não se considerava um “pacifista”: não recusava a guerra como uma forma de expressao legítima da política, nem como um direito que estivesse além das capacidades dos Estados e das Nações. As liberdades concedidas ao expansionismo nazi, nos anos que precederam a Segunda Grande Guerra, em nome da “paz a todo o custo” haveriam aliás de dar razão a esta recusa automática da guerra e da capacidade de defesa doos Estados. Mas esta recusa do Pacifismo não significa que Pessoa advogue a validade moral da “imposicao da vontade alheia pela força”, sendo um aqui e em varios outros textos um severo crítico do expansionismo militar tão carateristico da forma germanica de estar no mundo e que carateriza todos os imperialismos históricos dos povos do norte da Europa.

“Rejeitamos o spartanismo idiota dos eugenistas, e do aperfeiçoamento à máquina das raças.”

Na época de Pessoa, o Eugenismo – uma corrente de pensamento pseudo-científica fundada pelo inglês Francis Galton em 1883 estava no seu apogeu: muitos pensadores seguiam um fio condutor que radicava no Evolucionismo darwiniano e que pela via do melhoramento genético pretendia aperfeiçoar as sociedades e os seres humanos. Mas estas correntes haveriam de levar ao extremado eugenismo nazi, a essa “máquina de raças” que o poeta de uma forma algo profética ja antevia em 1917 e que estaria alguns anos depois na direta origem do maior pecado coletivo alemão: o Holocausto.

A partir de um segmento da fase neopaga de Fernando Pessoa, escrito em 1917.

Categories: Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade