Portugal está hoje bem pior do que estava à um ano

Apesar do otimismo de Passos Coelho e do distanciamento cínico e calculista de Paulo Portas quanto ao “sucesso” do ajustamento troikista em curso, com o empolamento de fatores como o aumento das exportações (onde o saque de ouro a residências toma um lugar muito importante) e da contenção das despesas (por via de um irrepetível corte dos subsídios) Portugal está hoje bem pior do que estava à um ano.

Perante um agravamento consistente de todos os indicadores (desemprego, recessão, défice orçamental etc) e de uma continuada sanha fiscal que parece não ter fim, nem limites, é de esperar que a bovinização do povo termine, mais cedo ou mais tarde. A estratégia de reduzir mais e mais os rendimentos do trabalho (pela via do aumento das taxas da Segurança Social, dos escalões do IRS e do fim da base salarial do ano anterior nas negociações salariais) vão empobrecer ainda mais portugueses e reforçar uma contestação surda que pode finalmente crescer até se tornar notada.

Essa contestação que agora germina será reforçada com a imposição de uma sucessão de escândalos morais ou jurídicos que correm os órgãos do Estado, desde as negociatas da EDP e da REN, onde se entregaram empresas estratégicas a torpes interesses estrangeiros em troca de um nabábico tacho para Cartroga. Passando pela venda do Pavilhão Atlântico a um eticamente nebuloso genro de Cavaco e terminando por um Relvas com uma fibra moral de incerta existência…

Órgãos de Estado desprestigiados e com agentes que não pugnam pela sua exemplaridade moral, Desemprego galopante e cronico, depressão económica de longa duração e, sobretudo, o eixo principal da nossa política das últimas décadas: a Europa em tornar desnorte. Estão criadas para uma explosão social de graves proporções e praticamente impossível de controlar.

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Categories: Política Nacional, Portugal | 15 comentários

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15 thoughts on “Portugal está hoje bem pior do que estava à um ano

  1. Não sonhem…tal e qual o Brasil, aí também tem futebol de graça na televisão…

    • Pois. Ópio! E novelas, e concursos… também temos ca disto.
      Mas. Portugal foi o palco da primeira revolução burguesa da História (1383) e a da revolucao de Abril.
      Tudo pode acontecer.

      • Olha…no Ocidente, as pessoas estão tão acomodadas e materialistas que o que elas querem é participar do sistema; querem que o sistema lhes sorria. Elas não querem romper com o sistema.
        Farão de tudo, portanto, para manter o status quo caso haja a mínima esperança de virem a participar dele – e nisso, são ajudadas pela mídia e pelo populismo de mercado, que sempre dizem que, se uma pessoa (ou mesmo uma sociedade) fracassa, a culpa é dela mesma (pessoa ou sociedade), e dão mais e mais receitas para que venham a participar de quem lhes cospe na cabeça; nem que estas receitas só agravem a situação.
        Rupturas são necessárias por vezes, mas estas só acontecem quando se chega a uma situação limite, quando uma maioria (ou uma minoria poderosa) percebe que não ganhará mais nada com o estado de coisas vigente.

        • Mas quando o Sistema as começar a excluir em grandes números … e é precisamente isso que está a acontecer com a explosão descontrolada dos números do desemprego jovem e senior (com mais de 45 anos): pessoas sem perspetivas, desesperadas e furiosas com um sistema que as exclui.
          É nesta mole de desempregados que reside a semente de uma revolta social incontrolavel e que vai comecar onde sao maiores as desigualdades. E Portugal é o terceiro país mais desigual da Uniao Europeia…

          • Os portugueses ficaram quase 50 anos debaixo de um regime que os excluía em sua maior parte, comandado por um homem que não era dos mais brilhantes. Preferiram emigrar.
            A Revolução dos Cravos teve, como a Revolução de 64 no Brasil, motivações externas. O povão, mesmo, não derrubou ninguém.

            • Thor

              Mas a Revolução dos Cravos teve o efeito oposto do Golpe de 1964. A 1ª derrubou uma ditadura e um império obsoleto enquanto a 2ª implantou uma ditadura. Há diferenças gritantes entre a redemocratização portuguesa pós-salazarismo e a redemocratização brasileira pós-regime militar. Eu sei que lá em Portugal existem políticos “autoritários” (como o Sócrates) e desagradáveis (como o Jardim e o Mota Amaral), que o sistema eleitoral com voto em partidos e não em candidatos é polêmico, mas a democracia deles funciona melhor do que a nossa. Eles concederam a independência às colônias africanas e ao Timor Leste, tomaram a iniciativa de devolver Macau para a China, só ficaram com os Açores e a Madeira porque os arquipélagos têm população de maioria portuguesa mesmo. Eles investiram na educação de qualidade da sua população, alfabetizaram quase todo mundo, lutaram pelo desenvolvimento do país deles, visando a integração européia. Mas fizeram. Portugal é um país unitário, mas os Açores e a Madeira têm mais autonomia interna do que qualquer estado brasileiro. Lá o povo não é humilhado por leis ridículas como voto obrigatório e serviço militar obrigatório. As motivações externas no caso beneficiaram os portugueses(povo) e prejudicaram os brasileiros(povo).

              • Não estou comparando quem é “melhor” ou “pior” no atendimento às necessidades das respectivas populações. O que estou comparando é a inapetência de ambos os povos (portugueses e brasileiros) de tomar as rédeas do próprio destino e promover mudanças, golpes e revoluções.

                • Será um carater comum? Nao tenho problemas em assumir que sim, que tendemos a ser governados (ou a escolher ou deixar escolher) maus governantes. Mas por vezes, aparecem, brotam do mais fundo da nacao lideres geniais e providenciais, que emanam diretamente da vontade popular. Falo de Dom Manuel, Afonso Henriques, Dom Pedro (todos), Lula e de outros.
                  No momento certo, ele aparece. E o momento certo para Portugal é agora. Veremos o que aparece.

                • Thor

                  Mas ainda sim, a inapetência dos brasileiros consegue ser pior. O nosso povo precisa mudar de mentalidade.

                • Hão-de de lá chegar… assim que o Brasil logre vencer a batalha daEducacao, especialmente ao nivel dos primeiros graus de ensino (no universitario, ja tem excelentes faculdades).

            • Nope. Nao recentemente, pelo menos… 1383 foi a primeira revolução burguesa a escala nacional da História e, mais tarde, foi pela via da revolta popular que Portugal expulsou a maior potencia militar de entao: França. E claro, Abril era para ser uma revolta militar de ambito muitto restrito mas ao sair entusiasticamente para a rua o povo “obrigou” os militares a alargarem muito mais os seus objetivos do que aquilo que previam inicialmente.
              Ou seja: é dificil, mas por cá, viramos mesmo regimes.
              E agora, podemos, de novo, estar prestes a faze-lo.

              • Thor

                Clavis Prophetarum,
                referente ao dia 19/09, quero te dar os meus parabéns. Feliz aniversário, desejo-te muitos anos de vida com saúde, paz e prosperidade. Desejo tudo de bom para ti. 🙂

  2. HSMW

    Se este país é para acabar que se faça a “festa”…
    Senão nem o pai morre nem agente almoça…

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