Daily Archives: 2012/09/12

Portugal está hoje bem pior do que estava à um ano

Apesar do otimismo de Passos Coelho e do distanciamento cínico e calculista de Paulo Portas quanto ao “sucesso” do ajustamento troikista em curso, com o empolamento de fatores como o aumento das exportações (onde o saque de ouro a residências toma um lugar muito importante) e da contenção das despesas (por via de um irrepetível corte dos subsídios) Portugal está hoje bem pior do que estava à um ano.

Perante um agravamento consistente de todos os indicadores (desemprego, recessão, défice orçamental etc) e de uma continuada sanha fiscal que parece não ter fim, nem limites, é de esperar que a bovinização do povo termine, mais cedo ou mais tarde. A estratégia de reduzir mais e mais os rendimentos do trabalho (pela via do aumento das taxas da Segurança Social, dos escalões do IRS e do fim da base salarial do ano anterior nas negociações salariais) vão empobrecer ainda mais portugueses e reforçar uma contestação surda que pode finalmente crescer até se tornar notada.

Essa contestação que agora germina será reforçada com a imposição de uma sucessão de escândalos morais ou jurídicos que correm os órgãos do Estado, desde as negociatas da EDP e da REN, onde se entregaram empresas estratégicas a torpes interesses estrangeiros em troca de um nabábico tacho para Cartroga. Passando pela venda do Pavilhão Atlântico a um eticamente nebuloso genro de Cavaco e terminando por um Relvas com uma fibra moral de incerta existência…

Órgãos de Estado desprestigiados e com agentes que não pugnam pela sua exemplaridade moral, Desemprego galopante e cronico, depressão económica de longa duração e, sobretudo, o eixo principal da nossa política das últimas décadas: a Europa em tornar desnorte. Estão criadas para uma explosão social de graves proporções e praticamente impossível de controlar.

Categories: Política Nacional, Portugal | 15 comentários

Mistérios cartagineses e fenícios das ilhas dos Açores e sobretudo, da Ilha do Corvo

1. Introdução

A lenda do “Cavaleiro do Corvo” data de 1452, do momento em que os primeiros portugueses desembarcara, na Ilha do Corvo. A lenda descreve que os navegadores ao contornarem a ilha terão descoberto numa elevação junto ao litoral uma estátua equestre. Segundo alguns, esta elevação situar-se-ia na extremidade oeste da caldeira do vulcão. A estátua mostraria um alazão, erguido sobre as suas patas traseiras e com um cavaleiro com uma espada e apontando para Ocidente. A escultura seria de basalto, o que sugeria que teria sido realizada na própria ilha do Corvo e não trazida da Europa ou de um outro local.

2. A Gruta da Ponta do Marco

A gruta da Ponta do Marco situa-se (naturalmente) na Ponta do Marco, na costa norte da Ilha do Corvo. Trata-se de uma caverna costeira, de grandes dimensões e que pode ser visitada apenas por via marítima. O maior interesse desta caverna reside no facto se ter sido – segundo a tradição – no promontório onde ela se encontra que foi encontrada a estátua equestre referida no primeiro ponto deste texto.

3. A Estátua Equestre

Esta misteriosa estátua surge referida pela primeira vez na Crónica do Príncipe D. João, Cap. IX, 1567:
“…uma estátua de pedra posta sobre uma laje, que era um homem em cima de um cavalo em osso, e o homem vestido de uma capa de bedém, sem barrete, com uma mão na crina do cavalo, e o braço direito estendido, e os dedos da mão encolhidos, salvo o dedo segundo, a que os latinos chamam índex, com que apontava contra o poente.
“Esta imagem, que toda saía maciça da mesma laje, mandou el-rei D. Manuel tirar pelo natural, por um seu criado debuxador, que se chamava Duarte D’Armas; e depois que viu o debuxo, mandou um homem engenhoso, natural da cidade do Porto, que andara muito em França e Itália, que fosse a esta ilha, para, com aparelhos que levou, tirar aquela antigualha; o qual quando dela tornou, disse a el-rei que a achara desfeita de uma tormenta, que fizera o inverno passado. Mas a verdade foi que a quebraram por mau azo; e trouxeram pedaços dela, a saber: a cabeça do homem e o braço direito com a mão, e uma perna, e a cabeça do cavalo, e uma mão que estava dobrada, e levantada, e um pedaço de uma perna; o que tudo esteve na guarda-roupa de el-rei alguns dias, mas o que depois se fez destas coisas, ou onde puseram, eu não o pude saber.
Duarte de Armas, que anteriormente havia sido encarregado pelo rei de fazer o levantamento das fortalezas da fronteira com Espanha, fora também encarregado de fazer um debuxo da estátua, que infelizmente se perdeu.” Mais tarde, Gaspar Frutuoso (1522-1591), natural da Ilha de São Miguel, escrevia na sua obra “Saudades da Terra”:
“...um vulto de um homem de pedra, grande, que estava em pé sobre uma laje ou apoio, e na laje estavam esculpidas umas letras, e outros dizem que tinha a mão estendida ao nor-nordeste, ou noroeste, como que apontava para a grande costa da Terra dos Bacalhaus [Terra Nova]; outros dizem que apontava para o sudoeste, como que mostrava as Índias de Castela [Antilhas] e a grande costa da América com dois dedos estendidos e nos mais, que tinha cerrados, estavam uma letras, ou caldeias ou hebreias ou gregas, ou doutras nações, que ninguém sabia ler, que diziam os daquele ilhéu e ilha das Flores dizerem: Jesus avante. Os construtores teriam sido na sua opinião dos cartagineses pela viagem que eles para estas partes fizeram, … e da vinda, que das Antilhas alguns tornassem, deixariam aquele padrão com as letras por marco e sinal do que atrás deixavam descoberto.”

Após estas duas referências históricas, outros terão gisado sobre elas – aparentemente sem terem à disposição outras fontes – e propagado esta descoberta. Falamos de António Cordeiro (1641-1722) e de Manuel de Faria e Sousa (1590-1649).

4. Os Trabalhos do arqueólogo Benedikt Isserlin na Ilha do Corvo

Um dos maiores especialistas europeus na área dos “Estudos Semitas, o Professor Isserlin da Universidade de Leeds (Reino Unido) conduziu escavações na Ilha do Corvo em quatro locais distintos. Num desses locais encontrou restos de cerâmica que, contudo, não foi possível datar, mas que corresponderiam a “um tipo fenício”.

5. As Moedas Cirenaicas da Ilha do Corvo

Em 1790, o numismata sueco Johann Frans Podolyn, narra a descoberta de moedas cartaginesas na Ilha do Corvo, mas acrescenta que estas se teriam perdido, depois de desenhadas. Assim conta o numismata:
“No mês de novembro de 1749, após alguns dias de ventos tempestuosos de oeste, que puseram a descoberto parte dos alicerces de um edifício em ruínas na costa da Ilha do Corvo, apareceu uma vasilha de barro negro, quebrada que continha um grande número de moedas, as quais, juntamente com a vasilha, foram levadas a um convento” [ o Convento de São Boaventura, na vila de Santa Cruz das Flores? ], “onde as moedas foram repartidas por pessoas curiosas residentes na ilha. Algumas dessas moedas foram enviadas para Lisboa e dali mais tarde remetidas ao Pe. Enrique Flórez, em Madrid.”
“O número de moedas contidas na vasilha não se conhece e nem quantas foram mandadas de Lisboa, mas a Madrid chegaram nove moedas. … O padre Flórez fez-me presente destas moedas quando estive em Madrid em 1761, e disse-me que no todo do achado havia apenas moedas destas nove variedades.” (Achados Arqueológicos nos Açores, José Agostinho, em Açoreana, Vol. 4, fasc. 1, 1946, pág. 101-2

Estas moedas terão assim sido encontradas após uma forte tempestade que terá levantado os sedimentos sob os quais elas se encontravam num local indeterminado na costa da Ilha do Corvo. As moedas seriam (segundo os desenhos) cartaginesas e cirenaicas e datáveis de entre 300 a 320 a.C. Tratar-se-iam de duas moedas cartaginesas de ouro, cinco moedas, também cartaginesas, de cobre e duas moedas cirenaicas, também de cobre. Outras moedas teriam sido encontradas, mas segundo o padre Flórez estas seriam aquelas “melhor representariam a coleção”.

Os estudos realizados na década de sessenta sobre as moedas concluíram pela sua genuinidade, sobretudo porque teria sido difícil reunir na época (século XVII) moedas de um período tão curto, uma vez que não se conhecia a sua datação com tanta exatidão como hoje.

6. As Ruínas do Caldeirão na Ilha do Corvo

Alguns autores referem a presença de “ruínas desconhecidas” nas duas margens da lagoa do Caldeirão. Oficialmente, tratar-se-ão de três moinhos, de inspiração flamenga e construidos de pedra e cal. Serão muito antigos, talvez da primeira tentativa (falhada) de colonização empreendida no século XVI pelo flamengo Willem van der Haghe.

7. A Ilha do Corvo na Cartografia antes do seu descobrimento oficial em 1427

A Ilha doo Corvo surge em várias cartas dos séculos XIV e XV, anteriores ao descobrimento oficial da ilha por Diogo de Silve em 1427. Entre todas estas referências, a mais curiosa é a da carta dos irmãos Francesco e Dominico Pizzigani e datada do ano de 1367 onde o historiador Joaquim Fernandes encontrou um desenho a meio do oceano Atlântico, não muito longe da longitude do Corvo, de uma figura humana, apenas com o tronco e um braço direito de grandes proporções. Perto deste desenho encontram-se duas outras figuras com, ao fundo, uma encosta rochosa. A interpretação possível é que as primeira seria a figura da estátua equestre e as segundas a dos seus descobridores ou míticos construtores. A ser assim, a Ilha teria sido descoberta e visitada em época muito anterior à de Diogo de Silves, mas porque navegador de que nacionalidade?…

8. As Inscrições “fenícias” (?) da Ilha de São Miguel

Além das moedas, da cerâmica e da estátua equestre, existem outros possíveis indícios da passagem de fenícios e cartagineses pelo arquipélago açoriano. É, nomeadamente, o caso da descoberta no século XVI de inscrições fenícias numa gruta da Ilha de São Miguel, da descoberta, em 1976 de um amuleto também com carateres da mesma escrita na ilha de São Miguel. Mais recentemente, carateres fenícios teriam sido localizados em rochas nas Quatro Ribeiras, na ilha Terceira tendo sido uma delas recolhida por helicóptero Puma da Força Aérea em 2006.

9. Conclusão

Dos parágrafos anteriores, podemos depreender – com um elevado grau de certeza – que existiram expedições reiteradas para o arquipélago dos Açores e, em particular, para a ilha do Corvo, de navegadores cartagineses. Uma ou duas viagens inconsequentes – explicadas por genuínas viagens de exploração ou por navios desviados para o Atlântico por tempestades – não explicariam tantos vestígios, em locais e de tipos tão diversos. Não existem também vestígios arqueológicos suficientemente assertivos para que possamos crer que tenha havido uma efetiva “colónia” cartaginesa ou tardo-fenícia. Restam apenas duas hipóteses: ou as ilhas eram visitadas no contexto de uma qualquer rota marítima hoje desconhecida ou estes navegadores prepararam a colonização destas ilhas e depois algo correu mal e o projeto teve que ser deixado a meio. Autores clássicos falam de que Cartago depois da derrota frente às legiões de Roma preparou a retirada para as “Ilhas Afortunadas”. Seriam estas ilhas míticas os Açores? Seria a estátua equestre do Corvo, as ruínas onde se encontraram as moedas as primeiras construções de uma colónia depois abandonada? Não há dados suficientes para ter a certeza sobre nenhuma destas teses, apenas de que o Corvo merece ser alvo de uma campanha de prospeção arqueológica muito intensa… especialmente na costa leste.

Fontes:
FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra (livro VI).
FURTADO-BRUM, Ângela. Açores, Lendas e Outras Histórias (2a. ed).. Ponta Delgada: Ribeiro & Caravana Editores, 1999. ISBN 972-97803-3-1 p. 19.
Jornal Diário Insular de 6 de Maio de 2008
Alexander von Humboldt. Examen Critique de la Geographie du Nouveau Monde, in Arquivo dos Açores, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, 1981, edição fac-similada pela edição de 1881, vol. III, pp. 111-112.
José Agostinho. Achados Arqueológicos nos Açores, Açoreana, vol. IV, fasc. 1, 1946. pp. 101-102.
José Agostinho. As Moedas Cartaginesas do Corvo, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1947.
Francisco Pimentel Gomes. A Ilha das Flores: da Redescoberta à Actualidade, Câmara Municipal das Lajes das Flores, Lajes das Flores, 1997, pp. 18-19.
Richard Hennig, Archäologischer Anzeiger, 1927, p. 11-19.
Richard Hennig. Erreichnung der Azoren durch die Karthager und die Frage einer Fruher Kenntniss Amerikas, Terrae Incognitae, vol. III, chap. 19. pp. 138, Leiden, 1953.
Wilhelm Schawalbacher, Schweizer Münzblätter, November 1962, 22 ff.
Lionel Casson. Archaeological Exploration at Corvo, in Archaeology, May/June 1990, pp. 50-55.
Fernandes, Joaquim, “O Cavaleiro da Ilha do Corvo”. Lisboa, Temas & Debates/Círculo de Leitores, 2008.

Na Internet:
http://jornalmilenio.com/online/index.php?option=com_content&view=article&id=307:quem-chegou-pela-primeira-vez-aos-acores-&catid=71:historia&Itemid=216
http://acores.wikia.com/wiki/Est%C3%A1tua_equestre_do_Corvo
http://blog.thomar.org/2008/07/o-cavaleiro-da-ilha-do-corvo-e.html
http://alvor-silves.blogspot.pt/2010/11/candido-costa-2.html
http://tv1.rtp.pt/icmblogs/rtp/comunidades/?m=06&y=2009&d=07
http://www.expressodasnove.pt/interiores.php?id=2316
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=954848
http://nautarch.tamu.edu/shiplab/acores-geral02-columbus.htm
http://opac.regione.sardegna.it/SebinaOpac/Opac?docID=1&sessID=2A622B90EE697FD421914808AB4CCABE@449b98c0&action=documentview

Categories: História, Mitos e Mistérios, Portugal | 3 comentários

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