Agostinho da Silva: “Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo”

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

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“Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo. As coisas são difíceis; aquilo que se tem que fazer dá muito trabalho, e então é preciso que o menino, logo desde o princípio, saiba que aquilo que ele tem que aprender é efetivamente trabalhoso e exige aplicação total.”
Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Agostinho não chegou a viver na época de facilitismos e de martelação descarada das avaliações e exames por forma a fazer com que Portugal ascendesse de forma artificial nas escalas internacionais… se tivesse, ainda teria sido mais agudo nesta sua análise.

A exigência está afastada enquanto objetivo do sistema de ensino (público e privado) e e onde deveríamos ter um quadro que premiasse o mérito e os melhores – pela via do reconhecimento público e do prémio financeiro para pais e alunos – temos um sistema baseado na memorização bruta e bovina que visa formar classes de escravos dóceis e obedientes e não pensadores livres e independentes. Sejamos claros: o sistema educativo não é como é por “erro” ou inépcia dos seus agentes, é como é porque é exatamente assim que deve ser para que nada mude nunca e que tudo permaneça exatamente como está.

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Categories: Agostinho da Silva, Educação, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Portugal, Psicologia | 9 comentários

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9 thoughts on “Agostinho da Silva: “Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo”

  1. Eduarda Andresen

    Não concordo. Só se Tanto o Baden Powell como o professor Agostinho estavam a falar do riso da chacota. Ensinar meninos enquanto eles se riem com o riso que vem do coração é uma arte, e uma coisa que fixa o aprendizado através da compreensão do ser interior do que da memória de papagaio.

  2. operator

    E o mais estranho é ser um filósofo a dar voz a um erro destes. Nada aprendeu com a Academia de Platão ou o Liceu de Aristóteles. Não seria pouco frequente o riso na forma de ensino de ambos os pensadores. A estimulação da mente, o encontrar duma solução para um problema deve ser recompensada com emoções positivas.
    O riso é apenas um sintoma de felicidade. E um aluno feliz aprende muito mais facilmente. O tentar endoutrinar matéria é que leva os alunos a olhar para a escola com maus olhos e displicência.

    • Agostinho tinha a capacidade dos verdadeiros filosofos: deixar frases soltas com mais sentidos internos do que normalmente é possível conceber…
      A oposicao das vantagens da pressao e da exigencia sobre a felicidade e o lazer no Ensino dariam muito para escrever. Na verdade, o ideal é combinar ambas. Mas a exigencia (infeliz?…) tem vantagens notórias sobre a felicidade (uma escola facilista, plena de jogos e entretenimentos? )

  3. Lusitan

    Agostinho da Silva confunde risos com facilitismo. Não preciso de ser austero nos risos para manter a disciplina e o empenho numa sala de aula. E não é necessário ceder autoridade para manter uma sala de aula alegre. Essa teoria de que um líder deve ser severo e autoritário é muito portuguesa e vê-se nos tipos de liderança existentes tanto nas escolas como nas empresas portuguesas.
    Em Portugal ainda se acha que a liderança é adquirida por graça divina e como tal não é necessário manter os que sob ela existem felizes. É apenas esperado que obedeçam à lei divina. Os líderes (professores) não entendem que a autoridade se conquista por gestos e palavras para com os seus subordinados (alunos) e que só podem exigir na medida em que dão. Agostinho da Silva cometeu o mesmo erro.
    Concordo com muito do que disse e escreveu Agostinho da Silva, mesmo com as suas utopias. No entanto, neste caso, acho que neste aspecto Agostinho é influenciado pelo zeitgeist reinante na época em que foi professor. Até me custa a crer que uma alma como ele nunca tenha motivado risos e alegria entre os seus alunos. A frase parece-me até contranatura nele.

    • Bem, agostinho tem algumas frases assim… parece que às vezes estava sobretudo interessado em provocar o debate ou o pennsamento num dado tempo. Pot exemplo, dizia que não queria ter discipulos, que todos deviam pensar pela sua própria cabeça,mas ao dize-lo nao estava também a contradizer-se?….

  4. Thor

    “Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo.”
    Eu tenho muito respeito pelo Agostinho da Silva, mas aqui eu não concordo com ele. Aritmética é difícil de se ensinar com humor, reconheço. Mas Geografia eu discordo completamente. Os meus professores me ensinavam e faziam os alunos rir na classe. E ninguém perdeu o respeito pelos professores por causa do bom humor deles. Assim como História, Português, Inglês e outros idiomas, Biologia, são disciplinas que dão espaço para comentários de humor.
    CP, eu adoraria poder ter algumas aulas de História de Portugal e Império Português, Geografia de Portugal e Português com um professor ou uma professora de Portugal. 🙂 Seria muito interessante conhecer principalmente a História pelo ponto de vista lusitano. 😉

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