Sobre a Estratégia de Empobrecimento e a Desigualdade Galopante em Portugal

As doses massivas e crescentes de austeridade que o governo PS-PSD está a aplicar sobre os portugueses a mando da troika (dois terços europeia, é preciso recordar) estão a provocar uma consequência social que agrava ainda mais a situação: estão a agravar a desigualdade económica entre os extremos de rendimentos da nossa sociedade.

Portugal não para de cair nas tabelas que medem a desigualdade de rendimentos. Em 2011 Portugal ultrapassou mesmo a Bulgária e a Lituânia e tornou-se o país mais desigual da União Europeia. O aumento recente do número de trabalhadores que recebem apenas o salário mínimo e os altos (e explosivos) números do desemprego indicam que estamos ainda apenas na infância deste problema e que nos próximos anos ele se irá agravar ainda mais.

A continuação da lógica de uma austeridade em camadas sucessivas e sem fim à vista , com o aumento dos impostos indiretos, cortes de salários no privado e na função pública e o aumento dos preços de vários serviços públicos vão aprofundar ainda mais este fosso ja que incidem especialmente nas classes de rendimentos mais baixos.

Especialmente graves são as restrições em vigor (e em intensificação) na Educação e na Saúde, já que é precisamente aqui que os cortes têm mais impacto nas camadas mais baixas de rendimentos desde logo porque foi devido aos investimentos públicos nas décadas do pós-25 de abril mais avanços na desigualdade se fizeram.

O propósito assumido da Troika e obedientemente seguido pelo Governo é o de empobrecer os portugueses, diminuindo os salários e reduzindo o seu consumo. Não é objetivo assumido realizar esta redução de forma proporcional ou equitativa. Destruir rendimento, para poder subir mais tarde, ganhando assim um impulso que permita recuperar a queda que nos colocou nos níveis de rendimentos que existiam em meados da década de 1990 seria o objetivo. Mas sem inscrição da desigualdade nesse objetivo, com um exagero na sua aplicação através de uma compressão excessiva dos rendimentos e de uma sanha fiscal sem precedentes (onde até os fiscais já andam armados!) não só não se conseguirão os objetivos de longo prazo como a turbulência social, o sentimento de injustiça, a motivação coletiva e o apoio a estas camadas sucessivas de austeridade vão colocar tudo em causa.

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, união europeia | 7 comentários

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7 thoughts on “Sobre a Estratégia de Empobrecimento e a Desigualdade Galopante em Portugal

  1. O PS(não pela cor) tem a oportunidade única de oferecer aos portugues um ESTADO SOCIAL COM DIGNIDADE e uma alternativa sociológica que eu apresentei aqui meses atrás(nada a ver com os profetas da união dos PALOP…)
    Enfim, os rosas hoje estão entre os vermelhos, um bloco falido que se aliou à direita pela sua própria concepção e um PS sem cérebro (continuamente governado por Mário Soares e pelos interesses da Maçonaria Portuguesa associados ao IDP e a D. Duarte Nuno de Bragança!
    Beijo queridos!

  2. Thor

    É lamentável! É triste! É decepcionante! Alguém devia fazer alguma coisa. Alguém devia reagir à situação. Será que o Passos Coelho será visto no futuro como uma “versão” portuguesa do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso?

  3. Thor

    “Como ja disse: voces tiveram a sorte (e mérito) de terem dois grandes presidentes seguintes…”
    Tivemos a sorte? Você sabe porquê o Lula conseguiu ser eleito? Porque o Fernando Henrique Cardoso seguiu tanto as regras ditadas pelo FMI, com tanta fidelidade, que o povo brasileiro ficou cansado. Ele fez coisas boas em seu mandato. E mesmo antes. Como ministro do governo Itamar Franco, criou a atual moeda brasileira, o Real. Antes, a hiperinflação torturava o consumidor brasileiro. É claro que o FHC fez coisas boas para o Brasil. Só um petralha (petista) fanático nega. Mas o Brasil do FHC e a Argentina da época tinham políticas econômicas muito parecidas. E a Argentina foi à bancarrota no fim de 2001. O Brasil quase foi junto. O povo brasileiro ficou cansado de sofrer. Então teve coragem de pôr o Lula e o PT no governo pela 1ª vez. Porque entendia que não tinha mais nada a perder. Mas até 2001, o povo tinha medo do PT no governo federal. Era visto como um partido comunista, que ia tirar a liberdade do povo, que ia “cubanizar” o Brasil. Agora eu quero ver, como o PSDB vai conseguir tirar o PT do poder e voltar? Como os tucanalhas(PSDB) vão vencer os petralhas(PT)?
    E eu acredito(não tenho certeza) que o vosso PSD vai passar pela mesma situação. O povo daí vai se cansar da Troika e do Passos e vai ou pôr o PS de volta ou o PCP, nas próximas presidenciais e legislativas. E o PSD mais o CDS vão amargar na oposição por um bom tempo, tal como o PSDB mais o DEM no Brasil.

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