Em 2010, os super-ricos do mundo tinham uma fortuna tinham mais de 32 triliões de euros em Paraísos Fiscais

“Um estudo de um ex-consultor da McKinsey, o economista James Henry, para a Tax Justice Network, uma rede independentes preocupados com a evasão fiscal, apresentou uma conclusão estonteante sobre o dinheiro em Paraísos Fiscais. Em 2010, os super-ricos em todo o mundo tinham uma fortuna avaliada em 21 triliões de dólares nas Ilhas Caimão. Henry avisa que serão 32 triliões, um valor similar ao das economias americana e japonesa. Os números são eloquentes quanto aos motivos por que as Paraísos Fiscais continuam a existir.”
Carla Hilário Quevedo
SOL
27 de julho de 2012

Quantas “austeridades” caberiam neste imenso poço sem fundo que os Paraísos Fiscais representam para a economia europeia? Quantos “choques fiscais” (sempre prometidos, nunca cumpridos) estariam aqui, se apenas 5% destas quantias realmente astronómicas fossem submetidas aos mesmos níveis de taxação a que estão submetidos os trabalhadores por conta de outrem? Quanta corrupção, quanto tráfego de droga veria os seus mecanismos de branqueamento de capitais bloqueados se estes Paraísos Fiscais fossem encerrados?…

É do máximo interesse de todo o planeta resolver de vez este grande problema que são os Paraísos Fiscais. Os países emergentes são espoliados todos os anos por quantias imensas, desviadas pelos seus políticos corruptos e que nunca chegam a contribuir para o verdadeiro desenvolvimento dos seus países. Se não fossem estes mesmos políticos que lideram estes países, estaríamos hoje a ver os emergentes (e na sua vanguarda, os BRIC) liderando um processo global de extinção dos Paraísos Fiscais… O mesmo se pode dizer do Ocidente, com a notável exceção de que aqui, os principais beneficiários são novamente políticos corruptos e, não esquecer, os especuladores e financeiros que têm acumulado fortunas crescentes desde a desregulação financeira e comercial que começou na década de 1990. Esta densa rende de cumplicidades e interesses cruzados explica porque ainda há hoje Paraísos Fiscais e porque é que no primeiro aperto orçamental a classe política prefere ir buscar recursos aos pensionistas e aos trabalhadores e não coloca sequer em equação a recuperação de uma parte destes 32 triliões de euros “lavados” nos Paraísos Fiscais.

Mas este artigo de Carla Quevedo (na revista do SOL) peca por uma imprecisão: Não é preciso ir às Ilhas Caimão para encontrar Paraísos Fiscais. Aqui mesmo, na soberba Europa, temos países inteiros, Estados Soberanos de pleno direito e que se arrogam a supremos defensores da Lei e da Justiça funcionando como autênticos Paraísos Fiscais: Além da já conhecida Suíça (que recebeu calorosamente as fortunas dos gregos ricos), também o Liechstein, o Monaco e o Vaticano funcionam como Paraísos Fiscais. No seio do próprio território europeu da União Europeia, Gibraltar. Jersey, Gueneysey, Sark e Alderney, Ilha de Man (Reino Unido) aparecem nas listas internacionais de Paraísos Fiscais mais opacos. Dois Estados membros inteiros, Malta e Chipre, constam também nesta vergonhosa lista… e noutros critérios (menos exigentes) países como a Suécia, a Holanda e até a arrogante Alemanha são considerados como Paraísos Fiscais. Isto mostra, que havendo vontade política (não há), a Europa podia resolver este problema que estrangula toda a economia e que porque reduz a exposição fiscal aos trabalhadores por conta de outrem e exclui desta os mais ricos acabará por comprimir de tal forma os rendimentos dos Estados que o colapso económico global será inevitável e terrível. Sejamos mais claros: não é impossível continuar a cortar despesas aplicando o sagrado mantra austeritário e deixar de fora destes cortes e destes aumentos desbragados de impostos os mais ricos, refugiados nos seus Paraísos Fiscais dourados. Vamos chegar a um ponto em que o aumento brutal de impostos sobre o trabalho e as reduções de salários e pensões deixam de produzir aumento das receitas e passam a reduzi-las cada vez mais. Portugal, teve no primeiro semestre de 2012 uma amostra deste refluxo que devia ser estudado com grande cuidado pelos economistas e defensores fanáticos da minarquia… ou pagamos todos (pelo menos um pouco) ou vamos todos ao ar. A escolha é dos políticos e daqueles que os elegem: comecem por proibir Paraísos Fiscais no território europeu e depois, bloqueiam todas as transações bancárias de bancos europeus tendo como destino Paraísos Fiscais… e o problema acabará (por arrasto) por se resolver também no resto do mundo. Cabe à Europa esse papel de liderança moral. Estarão os líderes europeus à altura?

Categories: Economia, Justiça, Política Internacional, união europeia | 1 Comentário

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One thought on “Em 2010, os super-ricos do mundo tinham uma fortuna tinham mais de 32 triliões de euros em Paraísos Fiscais

  1. não acho que seja diferente na America Latina e Africa em Geral

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