“Os gestores portugueses tiveram um aumento médio de remunerações de 5.3% relativamente a 2010 (…) [mas] os custos com pessoal foram reduzidos em média, em 11%”

José Manuel Pureza (http://www.ces.uc.pt)

José Manuel Pureza (http://www.ces.uc.pt)

“Os gestores portugueses tiveram um aumento médio de remunerações de 5.3% relativamente a 2010 (…) os custos com pessoal foram reduzidos em média, em 11%. (…) os grandes executivos das empresas cotadas passaram, em 2011, a ganhar mais 44 vezes que os seus trabalhadores (em 2010 a diferença era de apenas 37 vezes). Portugal é o país mais desigual no espaço da União Europeia. E o que a austeridade está a operar é uma radicalização dessa austeridade. Sob a retórica descarada da distribuição dos sacrifícios por todos escancarar-se uma realidade de polarização social cada vez maior, em que um empobrecimento geral contrasta com um enriquecimento obsceno de uns poucos (…) nisto como em tanto mais Portugal é a Grécia. A política de austeridade está a conseguir o seu intuito de destruir a classe média precarizando-a, proletarizando-a e empobrecendo-a.”

José Manuel Pureza
Diário de Notícias
18 de maio de 2012

Portugal já foi o terceiro país mais desigual em termos de rendimentos da OCDE. No ano passado, passamos a uma inglória primeira posição nesse nefasto ranking… algo está a correr muito mal na distribuição de riqueza em Portugal e tinha que correr, num contexto de grande austeridade e perda de rendimentos por parte da classe média! Sem esta justa distribuição de rendimentos criam-se condições para uma revolta social de proporções sem semelhantes na nossa História! O grande problema está em que os “mecanismos automáticos” de auto-regulação empresarial que supostamente deviam impedir esta ascensão insustentada dos rendimentos dos gestores e o aprofundamento do fosso salarial entre estes e os trabalhadores destas empresas não está a funcionar. Impõe-se assim que o Estado intervenha e determine alguma regulação na distribuição dos rendimentos.

Se o Estado abandonar os dogmas neoliberais de “não-intervenção” na política salarial das empresas privadas e determinar, por exemplo, distancias máximas entre o salário mais alto e o mais baixo, a incorporação obrigatória dos subsídios no salário base, limitações legais dos prémios de gestão, participações percentuais obrigatórios dos trabalhadores no capital das suas empresas, etc, poder-se-á corrigir algumas destas disfunções e reduzir a profundidade deste fosso. Mas para isso é preciso coragem política.

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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