O projeto de uma colónia marciana privada Mars One

Colónia Mars One (http://digitaljournal.com)

Colónia Mars One (http://digitaljournal.com)

O projeto Mars One é uma iniciativa do empresário holandês Bas Lansdorp que visa a constituição de uma base permanente em Marte. O projeto foi apresentado à imprensa em junho de 2012 e terá a sua primeira fase cumprida com o envio de um satélite de comunicações para Marte, seguindo-se depois várias fases até chegar ao ponto em que os quatro primeiros colonos serão enviados para o Planeta Vermelho em 2023 inaugurando então uma instalação permanente a um custo estimado de seis mil milhões de dólares. Depois de 2023, o plano é enviar mais um grupo de colonos a cada dois anos.

Todo o projeto Mars One se baseia em tecnologias já disponíveis hoje em dia. Em 2016 a Mar One espera enviar uma carga com abastecimentos para o solo marciano e um Rover dois anos depois. Ambas as missões serão realizadas através do mesmo “Mars Lander”.

Neste momento, a Mars One está a reunir apoiantes e financiadores, assim como interessados em participar nessa colonização fazendo assentar a sustentação financeira do projeto no facto de se tratarem apenas de missões de ida (sem volta) o que reduz substancialmente os custos astronómicos que as agências espaciais atribuem a uma missão tripulada a Marte.

Em termos tecnológicos, o projeto Mars One assenta no foguetão Falcon Heavy atualmente em desenvolvimento pela SpaceX, engenho que será testado pela primeira vez entre finais de 2012 ou começos de 2013. A outra peça essencial do projeto será o supracitado “Mars Lander”. Desenvolvido também pela SpaceX, trata-se de uma variante da cápsula Dragon, já testada em 2010, mas maior e concebido para suportar cinco configurações diferentes: Unidade de Abastecimentos, Unidade de Vida, Unidade de Suporte de Vida, Lander para os astronautas e ainda, Lander para o Rover. As primeiras variantes serão parte essencial da colónia marciana, ligadas entre si por passagens estanques.

A energia para a colónia será fornecida painéis solares extrafinos levados para Marte em densos rolos que depois serão estendido pela superfície, ao lado da base marciana. A produção de água doce estará a cargo de um sistema que recebe cerca de 60 kg de solo e extrai a agua aqui contida e, posteriormente, o oxigénio. A recolha e transporte desse solo será a tarefa principal do Rover. O sistema deverá ter a capacidade de recolher 1500 litros de água e 120 kg de oxigénio, que serão armazenados no “Mars Lander” configurado como “Unidade de Suporte de Vida” onde a filtragem do azoto e do árgon e injeção no ar da base será também realizada.

O “Mars Lander” configurado “Unidade de Vida” terá um anexo insuflável com uma comporta que permitirá o acesso aos colonos. Será o Rover que montara esta estrutura que depois será preenchida pela atmosfera produzida na unidade dedicada. No Lander ficarão estruturas como a cozinha e a casa-de-banho.

Um componente crucial deste projeto será o “Mars Transit Vehicle”, uma estação espacial compacta e que levará os quatro astronautas até Marte numa viagem com sete meses de duração. O veículo será montado em órbita terrestre a partir de vários componentes dispersos: dois estádios de propelente, um módulo de vida e um Lander.

Se tudo correr como o planeado e especialmente se o financiamento ambicionado for almejado em 2033 a Mar One espera ter vinte colonos em Marte em 2033. Um grande “se”.

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_One
http://mars-one.com/en/

Categories: SpaceNewsPt | 10 comentários

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10 thoughts on “O projeto de uma colónia marciana privada Mars One

  1. HSMW

    Um novo “Wild West”?
    E as regras seriam ditadas por quem? Porque não demoraria muito para a militarização de Marte.

    E quanto aos nascimentos? Humanos de Marte? Marcianos?
    Outra luta pela independência mas à escala interplanetária…
    Olhando para este planeta… Seria apenas o alastrar do caos.

  2. Luís Teixeira Neves

    Isto de o privado já ter chegado ao espaço… Será que os “ricos” querem ir para Marte e deixar-nos a nós que somos “pobres” aqui na Terra?! Hum…

    • Pois… se um bilhete para um voo subespacial na Virgin custa trezentos mil dolares, um (ainda que apenas de ida) será provavelmente um bocadinho mais caro 🙂
      Mas desde que alguém vá, se isto por cá pifar mesmo (aquecimento global descontrolado, meteorito, guerra nuclear, fome global, colapso economico global, etc) pelo menos fica alguém lá fora…

  3. LuisM

    Eu pessoalmente acho este tipo de “notícias” inconsequentes tal como aquela de milionários andarem a “adquirir” propriedades na Lua. Chega até a ser caricato face ao desenvolvimento que tem de ser feito para lá chegar (o mais importante).
    Todo este projecto está assente em pressupostos teóricos e “preso por cordeis”. A realidade se encarregaria de demonstrar a inviabilidade disto logo no início.

    Obviamente que são sonhos de entidades privadas e tirando uns tímidos avanços para atingir as baixas órbitas terrestres, não passam disso mesmo.

    E deixo um verdadeiríssimo cabeçalho do jornal Público:

    “1930-2012
    Armstrong: o primeiro a pisar a Lua morreu
    quando o Homem está longe do Espaço.”

    • Bem, eu “want to believe”… e a Spacex (empresa bem credivel) já apresentou um plano bem semelhante…
      RIP para Armstrong, um autentico e completo Senhor da História mundial da astronautica.

  4. Creio sinceramente nao ser uma boa ideia enviar humanos numa missão sem volta. em caso de um desastre como alguma dessas unidades falhar, vamos ver os astronautas [homens e mulheres, ou no minímo ‘apaixonados’, pq deverão ir sem volta] morrerem sem q possamos fazer alguma coisa.

    É simples na verdade. Os primeiros descobridores nunca ficaram nas ilhas. Somente as viam, voltavam para suas terras para dizer “como é”, só depois é q se enviava uma missão so de ida.

    abraços

    • Bem. De qualquer forma – sendo mortais – teriam que morrer, cedo ou tarde… e sem dúvida que em Marte nao terao acesso a todos os cuidados médicos que estão ao dispor no mundo desenvolvido.
      Essa questão faz parte da equação e nao invalida de per si, o projeto: de facto, foi exatamente assim com todas as colonizacaoes da Historia: viagens só de ida, sem volta.

      • Oi clovis…bom continuo discordando. Como disse no seg. arg. os descobridores voltavam para seus burgos, e somente depois da certeza q poderiam se estabelecer lá [coloniais], ficavam indefinidamente. — por exemplo, nós nao vemos coloniais ‘reais’ no polo sul, creio eu, pela extrema dificuldade de se viver por la, como uma comunidade. Sobre o primeiro arg. da morte…olhaa..eu nao queria ser um dos homens no centro da missao num momento como esse. Como disse, antes de uma missao ‘sem volta’ seria melhor primeiro uma ‘com volta’ para saber como é de fato viver por la. para Abraços.

        • Bem, mas olha que muitos, mesmo engenheiros ou gente de grande valor e até milionários (que podem pagar o bilhete…) quererão ir e ficar, para sempre.
          A questao dos cuidados de saude é a mais grave, mas um individuo saudavel, com bons genes, boa condicao fisica e bom regime alimentar pode facilmente ultrapassar os setenta anos, mesmo sem o apoio de retaguarda de um dispendioso sistema de saude.

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