A “resposta Islandesa” à Recessão Global e o seu mais recente adepto: o FMI

Islândia (http://go.hrw.com)

Islândia (http://go.hrw.com)

A Troika anda toda ufana a propalar que a receita austeritária é a única via possível para os países intervencionados. E apesar de a Troika ser dominada em dois terços pelos alemães (“imperadores” da CE e do BCE) o FMI parece estar a afastar-se cada vez mais do mantra austeritário: com efeito, o FMI acaba de apontar a Islândia como um exemplo a seguir para os países europeus em crise!

Segundo Daria Zakharova, chefe da missão do FMI na Islândia: “A Islândia atingiu objetivos significativos desde o início da crise. Temos perspetivas muito positivas para o crescimento económico do país, especialmente para este ano e para o próximo, porque parece-nos que esse crescimento é sustentado” e disse mesmo mais: “tendo em conta a profundidade da crise no final de 2008, a recuperação da Islândia foi impressionante”.

E qual foi a natureza da resposta islandesa à crise financeira de 2008?… o país – resistindo à pressão internacional (inglesa e holandesa, sobretudo) recusou assumir as dívidas ruinosas dos seus bancos e ao contrário do que se fez e faz hoje por toda a Europa fora em fez de proteger os credores (estrangeiros) deu prioridade aos seus próprios cidadãos. Em consequência, a moeda islandesa tombou de forma espetacular, aumentando assim pela via desta desvalorização a dívida externa do país de uma forma automática. Mas a Islândia não se limitou a recusar assumir as dívidas externas dos Bancos e a deixar desvalorizar a sua moeda. Lançou também uma série de barreiras à fuga de capitais… coisa que não se fez ainda em Portugal e na Grécia, razão pela qual temos hoje fugas massivas de capital para Paraísos Fiscais no norte da Europa.

A “resposta islandesa” colheu frutos: a economia da ilha nórdica cresce hoje a uns confortáveis 2.4% ao ano, o desemprego está abaixo daquele valor a que os economistas chamam de “pleno emprego” (4.8%) e até as caprichosas Agências de Rating começam a melhorar as notações do país…

Moral da história: recusar pagar dívidas impagáveis (a divida total dos bancos era superior ao PIB, como em Portugal), desvalorizar a moeda e bloquear a saída de capitais é a solução. Pelo menos, para o FMI. Falta agora o FMI conseguir influenciar os “imperadores” germânicos que mandam hoje na Europa, e consequentemente, na Troika e fazer com que: Portugal e os demais países intervencionados sigam o conselho de muitos economistas de primeiro plano (como Stiglitz e Krugman) e que reestruturem as suas dívidas, declarando bancarrota parcial (como a Islândia), que o Euro se desvalorize (imprimindo moeda e diminuindo para pelo menos 5% o patamar máximo de inflação) e que se todos os Paraísos Fiscais que hoje prosperam em plena União Europeia (Gibraltar, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Suécia, etc) sejam alvo de uma proibição de transferências bancárias. Depois desta reação tríplice, talvez a Europa possa começar a tornar a crescer e a gerar Emprego… talvez… mas terá sempre que resolver o seu grande problema, que é o da destruição do seu tecido produtivo e a sua deslocalização massiva para o estrangeiro e esse problema, não tem solução fácil… exige soluções ainda mais radicais e corajosas que nenhum líder europeu atual quer assumir.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-apresenta-islandia-como-exemplo-para-paises-resgatados_150180.html

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 13 comentários

Navegação de artigos

13 thoughts on “A “resposta Islandesa” à Recessão Global e o seu mais recente adepto: o FMI

  1. Thor

    O FMI se arrependeu dos seus pecados? E viva a Islândia! 🙂

    • Vamos ver se a nova interpretacao chega tambem a Portugal… infelizmente, a troika e composta em dois tercos por europeus do norte e por isso e que as suas politicas tem sido tao radicais….

      • Thor

        Embora eu seja simpatizante da UE (mas não mais do euro), eu hoje acho que a UE andou rápido demais, devia ter ido mais devagar. Devia ter esperado mais tempo para trocar as moedas nacionais pelo euro, e também para a adesão de países do leste europeu ao bloco. Eu percebo na verdade um “choque” cultural entre o norte germano e o sul mediterrânico. Os alemães, os holandeses, os finlandeses têm uma forma mais “metódica” de lidar com a economia. Os gregos e latinos são mais “sentimentais”* (não consegui encontrar uma expressão para definir a diferença) do que os do norte. E um 2º grupo do norte, os nórdicos e os ingleses, nem sequer entraram no euro. A Noruega e a Islândia nem na UE entraram, são povos que não têm “espírito” de bloco, querem ter a sua própria moeda, as suas próprias regras de conduzir a economia.
        Era melhor que os países do norte e do sul entrassem num acordo, e desfizessem o euro lenta e gradualmente, pelo menos deixassem os países do sul saírem.

        • Penso que houve aqui o cruzamento de um genuíno otimismo por parte de muitos idealistas paneuropeus, mas tambem jogos de sombra por parte de muitos grupos obscuros que se movem nos subterraneos da politica e da alta finanças. Ambos, levaram-nos a este ponto.
          Que terá uma de duas saidas: ou um federalismo (que parece cada vez mais formal) ou a uma dissolução da UE.

          • Thor

            Eu acredito que acontecerá o federalismo, é Portugal fará parte da futura Federação Europeia.

            • Vamos ver… tudo se desenha no sentido de que esse é plano já em execução e que toda esta crise é apenas um contexto favorável a esse desfecho (engenhosamente fabricado para o apresentar como inevitável).
              Em tese, até não sou contra um “federalismo europeu” (isto vai espantar o Otus).
              Mas rejeito violentamente qualquer forma mascarada de IV Reich ou de Império das Multinacionais. E essas são as variantes hoje mais prováveis… não o idealismo das primeiras decadas da CEE nem a compatibilidade com as soberanias nacionais nem com a ligação lusofona de Portugal.

              • Thor

                O fenômeno do federalismo europeu é uma “ante-sala” do que vai acontecer com todo o planeta. Possivelmente, a América Latina vai seguir os passos da Europa, o mundo árabe também, o extremo oriente asiático também, a África ao sul do Sahara também… cada região do mundo vai ter o seu período de transição. Depois, o federalismo global, de forma que a elite mundial controle tudo com mais facilidade.

                • Esse era o plano dos Bilderberg e a Europa era o seu balão de ensaio… a experiência europeia (e a do Euro) está a patinar (aparentemente…) e se falhar pode bloquear esse plano de que o Mercosul era um emulo.

      • Thor

        Outra alternativa é dividir a UE em blocos menores, 1 para os do sul(Espanha, Portugal, Itália, Grécia e países que prefirirem alinhamento com os do sul) 1 para os do norte (Alemanha, Áustria, França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Finlândia e países que preferirem alinhamento com a Alemanha). E os que não quiserem integrar nenhum dos dois blocos, ou que façam bloco(s) à parte ou permaneçam sós.

        • Mas repara como atualmente esses paises do sul nao se preocupam em formar um eixo, um pacto, algo que contrabalance o eixo hoje existente em torno de Berlim e onde holandeses, finlandeses, checos e austríaco competem por se mostrarem os mais fieis ao dono…

          • Thor

            Porque para a classe política europeia, o interesse é o federalismo europeu.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

PEDAÇOS DE SABER

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

<span>%d</span> bloggers like this: