Daily Archives: 2012/08/23

Breve antevisão de uma eventual saída de Portugal do Euro

É cada vez mais provável que a Grécia tenha que sair do Euro… essa é a tese que é dada com elevada certeza nos meios financeiros mundiais e se a Grécia sair, não há dúvidas que Portugal entrará logo na primeira linha de fogo dos especuladores, o que (especialmente depois do fim do programa da Troika, em meados de 2013) poderá obrigar o nosso país a regressar ao Escudo, ou, numa hipótese mais moderada e recentemente sugerida por Manuela Ferreira Leite adotar um sistema híbrido Escudo-Euro (Escudo para uso interno, e Euro para externo).

Mas imaginemos que regressávamos ao Escudo. E que o fazíamos em clima de Bancarrota e de iminente rotura de pagamentos internacionais. Qual seria o cenário?

Desde logo, poderíamos contar com uma explosão nos números do desemprego. Dos quase 20% de desemprego efetivo, poderíamos passar muito rapidamente para 30% ou mesmo 40%. A pressão sobre a Segurança Social forçaria a uma alteração rápida do valor dos subsídios pagos ou da sua duração, com um notável feedback em famílias já muito prejudicadas pela Recessão… Esta, aliás, seria intensificada, sendo provável superior a -7% do PIB só no primeiro ano. Nestas condições, e dependendo da situação em Espanha, seria de esperar uma explosão na emigração de portugueses para a Europa e para o mundo lusófono. A prazo, isso iria pressionar ainda mais o sistema de pensões, naturalmente, e levar ao seu colapso ou à aplicação de uma série de reduções muito draconianas. Portugal, como a Grécia representam – juntos – pouco menos de 5% de toda a economia europeia, mas perante o seu colapso, a onda choque (sobretudo se ambos falissem e saíssem do Euro) teriam uma escala continental, tamanha é volatilidade e nervosismo dos Mercados… ou seja 5% derrubariam facilmente todo o continente e tem sido apenas por esta única razão que alemães, finlandeses e holandeses ainda não defendem publicamente a expulsão do Euro dos países do sul.

Regressando a Portugal, a saída do Euro evaporaria de um dia para a noite mais de 20% do PIB e atiraria a inflação para valores da ordem dos 30 a 40% e colocaria o Escudo em pelo menos 30% do valor do Euro (estas projeções resultam de um estudo recente de Ferreira do Amaral e de paralelismos com projeções semelhantes para a Grécia). Consequentemente, se não estivesse ainda em bancarrota, esta teria que ser declarada.

Em termos mais práticos, na véspera do dia em que fosse declarada (uma sexta-feira), o Governo irá declarar o congelamento de todas as contas bancárias e criar barreiras a transferências online para contas no estrangeiro. Nos dias seguinte, uma Lei definindo a nova moeda e antecipadamente preparada será votada de emergência e promulgada pelo Presidente. Nesse fim-de-semana já a Casa da Moeda deverá estar a imprimir notas e a cunhar moeda ao seu ritmo mais alto… para começar a distribuição logo a partir da segunda-feira seguinte. O exemplo eslovaco é a esse exemplo bem ilustrativo: quando o país se separou da República Checa, já o seu Banco Central estava a imprimir a nova moeda há seis meses… O mesmo pode de resto estar a acontecer em Portugal e na Grécia neste preciso momento… não sabemos!
A quebra súbita de liquidez aquando da saída do Euro pode levar o governo a patrocinar a criação de novos bancos, provavelmente públicos, para compensar os Bancos que o difícil processo de recuperação de soberania monetária pode criar. Isso foi o que aconteceu na Islândia, em 2008, com os bons resultados que hoje se conhecem.
A turbulência social e económica da saída do Euro será tremenda. O isolamento comercial e o fecho de fronteiras com Espanha será muito provável e as falências de pequenas empresas – sobretudo comerciais – serão sem precedentes. A Recessão irá transformar-se em Depressão, com quedas dos já baixos níveis de consumo que poderão ser superiores a 40%, mas o valor pode ser ainda maior… o caso argentino é neste contexto, exemplar: a maior bancarrota jamais registada (93 mil milhões de dólares) levou a uma quebra de 60% do consumo interno e dos preços do imobiliário, assim como uma explosão da inflação. Portugal, com uma dívida externa de mais de 550 mil milhões, seria um caso ainda mais grave… comparável apenas com o previsível colapso grego.
A depreciação relativamente ao Euro, do novo Escudo tornaria – de um dia para a noite – todos os bens importados mais caros, isto levaria a uma inflação sistémica que rapidamente contaminaria também os produtos fabricados localmente (por indução e devido à estrutura de custos implícita). As empresas industriais e agrícolas que trabalhassem com margens mais curtas seriam levadas à falência em grande escala e isso somaria à explosão do desemprego criada pelas falências das empresas comerciais levando ao aumento do desemprego e à multiplicação das saídas de emigrantes, especialmente, jovens sem família constituída. As fugas de capitais na Bolsa e nos Títulos de Dívida seriam notáveis e levariam para a estratosfera os juros de dívida no mercado secundário. Na prática, Portugal estaria fora dos Mercados durante pelo menos dez anos, como sucedeu recentemente com a Argentina. Em resultado, teria que recorrer ao FMI durante esse período (com os correspondentes pacotes austeritários durante esse período) ou reduzir para cerca de metade a despesa corrente… da qual 60% são salários da função pública e pensões. Consequentemente, ou reduzia em mais de 50% o funcionalismo público ou aplicava uma redução de salários e de pensões equivalente.
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A “resposta Islandesa” à Recessão Global e o seu mais recente adepto: o FMI

Islândia (http://go.hrw.com)

Islândia (http://go.hrw.com)

A Troika anda toda ufana a propalar que a receita austeritária é a única via possível para os países intervencionados. E apesar de a Troika ser dominada em dois terços pelos alemães (“imperadores” da CE e do BCE) o FMI parece estar a afastar-se cada vez mais do mantra austeritário: com efeito, o FMI acaba de apontar a Islândia como um exemplo a seguir para os países europeus em crise!

Segundo Daria Zakharova, chefe da missão do FMI na Islândia: “A Islândia atingiu objetivos significativos desde o início da crise. Temos perspetivas muito positivas para o crescimento económico do país, especialmente para este ano e para o próximo, porque parece-nos que esse crescimento é sustentado” e disse mesmo mais: “tendo em conta a profundidade da crise no final de 2008, a recuperação da Islândia foi impressionante”.

E qual foi a natureza da resposta islandesa à crise financeira de 2008?… o país – resistindo à pressão internacional (inglesa e holandesa, sobretudo) recusou assumir as dívidas ruinosas dos seus bancos e ao contrário do que se fez e faz hoje por toda a Europa fora em fez de proteger os credores (estrangeiros) deu prioridade aos seus próprios cidadãos. Em consequência, a moeda islandesa tombou de forma espetacular, aumentando assim pela via desta desvalorização a dívida externa do país de uma forma automática. Mas a Islândia não se limitou a recusar assumir as dívidas externas dos Bancos e a deixar desvalorizar a sua moeda. Lançou também uma série de barreiras à fuga de capitais… coisa que não se fez ainda em Portugal e na Grécia, razão pela qual temos hoje fugas massivas de capital para Paraísos Fiscais no norte da Europa.

A “resposta islandesa” colheu frutos: a economia da ilha nórdica cresce hoje a uns confortáveis 2.4% ao ano, o desemprego está abaixo daquele valor a que os economistas chamam de “pleno emprego” (4.8%) e até as caprichosas Agências de Rating começam a melhorar as notações do país…

Moral da história: recusar pagar dívidas impagáveis (a divida total dos bancos era superior ao PIB, como em Portugal), desvalorizar a moeda e bloquear a saída de capitais é a solução. Pelo menos, para o FMI. Falta agora o FMI conseguir influenciar os “imperadores” germânicos que mandam hoje na Europa, e consequentemente, na Troika e fazer com que: Portugal e os demais países intervencionados sigam o conselho de muitos economistas de primeiro plano (como Stiglitz e Krugman) e que reestruturem as suas dívidas, declarando bancarrota parcial (como a Islândia), que o Euro se desvalorize (imprimindo moeda e diminuindo para pelo menos 5% o patamar máximo de inflação) e que se todos os Paraísos Fiscais que hoje prosperam em plena União Europeia (Gibraltar, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Suécia, etc) sejam alvo de uma proibição de transferências bancárias. Depois desta reação tríplice, talvez a Europa possa começar a tornar a crescer e a gerar Emprego… talvez… mas terá sempre que resolver o seu grande problema, que é o da destruição do seu tecido produtivo e a sua deslocalização massiva para o estrangeiro e esse problema, não tem solução fácil… exige soluções ainda mais radicais e corajosas que nenhum líder europeu atual quer assumir.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-apresenta-islandia-como-exemplo-para-paises-resgatados_150180.html

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Agostinho da Silva: “O essencial na vida não é rir: o essencial é estar alegre, o que só vem de um caráter forte, de não ter medo a coisa alguma e de estar disposto cada um a realizar na vida o que se lhe meteu na cabeça, a despeito de todos e a despeito de tudo.”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“O essencial na vida não é rir: o essencial é estar alegre, o que só vem de um caráter forte, de não ter medo a coisa alguma e de estar disposto cada um a realizar na vida o que se lhe meteu na cabeça, a despeito de todos e a despeito de tudo.”
Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Mas como se chega a uma sociedade em que este tipo de atitude é mais a regra que a exceção, onde existem prémios sociais a esta atitude desafiante e criativa e não à passividade e docilidade bovinas?

É nossa convicção que uma tal sociedade deve ser de pequena escala, isto é, quanto menor for a comunidade em que o indivíduo se insere, mais livre ele será nela e mais criativo e dinâmico poderá ser. As grandes sociedades encerram sempre em si a mácula do autoritarismo, do “sacrifício do uno para o bem comum” e este sacrifício é tanto maior quanto maior for a escala demográfica dessa sociedade.

Razões adicionais para mantermos a nossa defesa de uma Descentralização Municipalista de Portugal…

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