Daily Archives: 2012/08/19

Paul Krugman: “Quando muitas pessoas e empresas estão altamente endividadas a economia como um todo torna-se vulnerável quando as coisas correm mal. Pois altos níveis de endividamento tornam a economia vulneravel a uma espécie de espiral de morte, em que os próprios esforços dos indivíduos endividados para reduzirem a sua dívida (desalavancagem) criam um ambiente que agrava ainda mais os problemas de endividamento.”

“Quando muitas pessoas e empresas estão altamente endividadas a economia como um todo torna-se vulnerável quando as coisas correm mal. Pois altos níveis de endividamento tornam a economia vulnerável a uma espécie de espiral de morte, em que os próprios esforços dos indivíduos endividados para reduzirem a sua dívida (desalavancagem) criam um ambiente que agrava ainda mais os problemas de endividamento.”

Fonte:
“Acabem com esta crise, já!”
Paul Krugman (Nobel da Economia)

Se a dívida – e a obsessão irracional – do seu pagamento completo, incluindo juros especulativos, está a arrastar a Europa para uma segunda Grande Depressao de proporcoes impossíveis de antever. Então, os banqueiros e demais especuladores têm que encaixar o Risco que decorre da existência de juros elevados e assumir perdas – ainda que parciais – e encaixar bancarrotas parciais não somente na Grécia (como ja assumiram, mas de forma insuficiente), mas em todo o mundo o desenvolvimento.

Esta transferencia de capital que ocorre desde o começo da desregulacao financeira de 1990s dos Estados para os mais ricos (os tais 1% do Occupy Wall Street) tem que ser travada. A sua acumulacao imoral de riqueza tem que ser travada pelo combate decidido e sistematico a todos os paraisos fiscais (comecando pelos europeus, como o Reino Unido, Holanda e Suécia) e fazendo estes especuladores e senhores da Alta Finança assumirem a contrapartida das suas jogadas arriscadas e altamente lucrativas: a perda de parte desses créditos.

Categories: Economia, Política Internacional | 6 comentários

Análise à situação do Associativismo em Portugal e da sua vital importância para uma Sociedade Civil ativa e dinâmica

Vivemos formalmente em democracia, mas haverá existência democrática além de formal se o sistema – apesar de todas as aparências – não for sustentado numa sociedade civil ativa, dinâmica e interventiva? Um sistema político pode assim ser democrático, mas o regime pode não o ser, se estivermos perante uma sociedade amorfa, incapaz de exprimir a sua opinião e de interferir na gestão da Res Publica de forma vigilante, consciente e ativa. Não pode haver democracia plena se o poder democrático estiver limitado à expressão de um sufrágio num período eleitoral e se nos períodos intermédios entre votações não se abrir espaço para a intervenção dos cidadãos. O poder político não pode ser um exclusivo dos partidos políticos ou do Estado, para que haja democracia plena este poder deve estar distribuído também pelas populações, livremente organizadas em movimentos e associações.

Atualmente, observamos uma nítida alienação da capacidade política das populações, que parecem ter desistido de terem uma vida cívica ativa, “deixando para os políticos profissionais” a política. Julgamos que pode ser encontrada alguma responsabilidade pela presente grave crise social, económica e financeira nesta classe de políticos profissionais que sequestraram a democracia e a transformaram numa partidocracia esclerosada, impermeável e imóvel. A profissionalização desta classe política reduz a eficácia da democracia e a sua qualidade, a democracia torna-se num formalismo esvaziado de sentido e apenas um incremento radical na vida cívica pode recupera-la do estado dormente em que hoje se encontra. Por outro lado,  existe uma concentração do poder político num grupo cada vez mais fechado de indivíduos, que o transferem dentro das mesmas famílias genéticas e de interesse e que se deixam enredar em densas (e opacas) teias de lobbies naquilo que é (a par da passividade dos cidadãos) atualmente a maior ameaça à democracia.

Existe na sociedade portuguesa um profundo défice de participação cívica. Este défice foi contudo preenchido pela partidocracia e pelos interesses económicos e financeiros que financiam a partidocracia e que hoje a manipulam de forma mais ou menos subreptícia. Os elevados níveis de alienação, de controlo dos meios de comunicação e o medo induzido pelo elevado desemprego explicam porque é que a maioria dos cidadãos se deixou subjugar a esta minoria de interesses económicos e políticos e adotou uma atitude passiva perante a realidade e a comunidade em que estão inseridos.

A Sociedade Civil é composta por várias camadas: família, associações de voluntários, movimentos sociais e meios de comunicação social que interagem entre si e se relacionam de forma muito diversa com o Estado e as instituições oficiais.

Mais recentemente, a partir de meados da década de noventa, começaram a surgir novas entidades, mais adaptadas a responderem a crises humanitárias geográfica ou temporalmente limitadas nos espaços e tempos onde as instituições estatais não conseguem responderem com o tempo ou amplitude necessárias. Esse é o espaço dos movimentos sociais e das organizações não-governamentais.

A expressão da liberdade da ação dos cidadãos na democracia exerce-se assim nestes espaços, de forma coletiva, enquanto que de forma individual essa mesma liberdade se exerce apenas durante os sufrágios eleitorais. Só através da participação ativa nestas entidades grupais é que os cidadãos poderão intervir civicamente nas sociedades complementando assim a sua eventual presença numa militância partidária e a expressão da sua orientação de voto no momento dos sufrágios eleitorais.

As associações, movimentos sociais e ONGs constituem assim uma possibilidade efetiva de os grupos afirmarem a sua identidade e defenderem os seus interesses e motivações num processo arbitral nem sempre pacífico, mas produtivo quando ativo,  junto do Estado e perante os administradores da sempre escassa “coisa pública”.

Podemos dizer que uma sociedade democrática de qualidade é sempre uma sociedade onde a vida associativa e de movimentos sociais é rica e intensa. Estas entidades grupais são assim uma das condições a uma boa vida democrática nas sociedades.

Atualmente, Portugal possui o triste recorde de ter o mais baixo índice de associativismo por habitante de toda a Europa. As causas (como em qualquer fenómeno social) são múltiplas, mas buscam no regime do Estado Novo uma das suas causas mais profundas. Sinal disso mesmo foi a explosão de novas associações logo após a revolução de abril de 1975 para poucas décadas depois, tornar a cair expondo assim as grandes fragilidades da democracia em Portugal e os níveis relativamente superficiais de democratização da nossa sociedade.

Se os portugueses não conseguirem vencer estes baixos níveis de participação associativa e cívica, mantendo-se igualmente alheios das lides e militâncias políticas partidárias a nossa sociedade será a cada vez menos democrática e mais oligárquica. Se não soubermos agarrar com ambas as mãos o dever inalienável de interferirmos nas comunidades em que vivemos, de defendermos as causas em que acreditamos e onde estamos dispostos a colocar os nossos melhores esforços, de forma gratuita e abnegada,  não conseguiremos impedir que a democracia degenere em formas cada vez mais decadentes (ainda que mascaradas de forma cada vez mais subtil) de ditadura.

Categories: Política Nacional, Portugal, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

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