Sobre o fiasco colossal do Comité Olímpico Português nos Jogos Olímpicos de Londres: Uma reflexão que urge fazer num país em falência técnica

No momento em que escrevo estas linhas ainda há possibilidades de Portugal conseguir obter alguma medalha nas Olimpíadas de Londres 2012. As hipóteses são cada vez mais remotas e começa a aproximar-se rapidamente o momento de levar algumas questões incómodas e, provavelmente, impopulares a este respeito.

Desde logo, há que perguntar porque é o Comité Olímpico Português, depois do fiasco colossal que foi presença portuguesa em Pequim em 2008 ainda é presidido pelo mesmo energúmeno, um certo José Vicente de Moura que há uns anos andava como sonhos loucos sobre a organização de um Jogos Olímpicos em Portugal (pagos pelo contribuinte tuga, claro. Feita esta pergunta, já que perguntar porque é um país tecnicamente falido e onde todos os dias mais e mais portugueses são atirados para o pesadelo do desemprego crónico, gastou ainda mais que em 2008, apostando 14,6 milhões de euros ao longo de quatro anos de preparação (mais 600 mil euros que em 2008 e em menos atletas!) e apesar de aumento de 10% nas bolsas não conseguiu nem uma medalha! Países menos ricos e bem menos populosos que Portugal já conseguiram mais que uma medalha (Lituânia, Eslováquia, Sérvia, Croácia, Azerbaijão, Geórgia, Guatemala, etc). De facto, até a igualmente falida Grécia conseguiu duas medalhas de bronze!

Um resultado tão mau como aquele que se desenha com contornos cada vez mais nítidos no horizonte não pode deixar de merecer reflexão e ação: Em que estado está o desporto escolar em Portugal? Qual o dano provocado nas outras práticas desportivas por esta obsessão nacional pelo futebol? Qual é a ação dos grandes clubes desportivos (FCP, Sporting, Benfica, etc) nas modalidades? E, sobretudo, qual é a responsabilidade da comunicação social neste autêntico desastre nacional e colocar a grande pergunta: Vale a pena gastar 14,6 milhões de euros num fiasco destes? Nas próximas olimpíadas (e se Portugal continuar falido, como se espera) será racional realizar tal nível de despesa?

Fontes:
http://www.ionline.pt/desporto/missao-olimpica-menos-atletas-objectivos-mais-vagos
http://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Vicente_de_Moura
http://www.huffingtonpost.com/2012/08/01/olympic-medals-map-gdp_n_1729090.html

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Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 16 comentários

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16 thoughts on “Sobre o fiasco colossal do Comité Olímpico Português nos Jogos Olímpicos de Londres: Uma reflexão que urge fazer num país em falência técnica

  1. Ricardo

    Uma das grandes razões para que os EUA tenham o domínio que têm a nível desportivo é precisamente a forma como o desporto escolar é encarado – por vezes de forma até excessiva, em detrimento do aproveitamento intelectual dos alunos. Em que outro país é que se vêem coisas como bolsas de estudo universitárias desportivas?

    • Mas funciona… e nao ha como negar a importancia do desenvolvimento fisico para o desenvolvimento total do individuo, algo que na europa é completamente descurado! Aliás, ao que sei a educação desportiva no primário e no secundario está numa bela de uma confusão… e pergunto se por aqui nao estará a explicação do porque enviamos 77 atletas para as olimpiadas e trazemos uma das 906 medalhas…

  2. CP

    acho que falaste cedo demais e a tua raiva (compreensível) ao futebol leva-te a dizer coisas indevidas.

    os clubes que citas, os 3 Grandes, também são pilares do ecletismo, sobretudo o Sporting Clube de Portugal.
    graças a eles (também) que existem medalhas.
    hoje a Dupla Fernando Pimenta e Emanuel Silva ganhou a Medalha de Prata em canoagem (K2) e devemos dar os parabéns.
    o Sporting “foi buscar” o Emanuel a Prado, Vila Verde e fez dele campeão olímpico, são os seus terceiros jogos!!!

    portanto há que analisar com cuidado, caso-a-caso, mas dou-te razão quanto à avaliação que devemos fazer e ao modo de funcionamento do COP.

    • Essa unica medalha, foi recebida em Portugal de uma forma exagerada e que revela bem a escala monumental do fiasco. A modalidade foi alias a menos apoiada pelo famigerado COP e o seu idiota-presidente ja veio ate arrotar que “nao importava se nao ganhassemos medalhas” (!)
      Ate cavaco (de ferias em paaradeiro incerto) até ja veio juntar-se a esta vaga nacional de miserabilismo por causa de uma medalha de prata!
      O problema do desporto é a Bola, claro, modalidade que como os eucaliptos tudo devora à sua volta, absorvendo todas as verbas e recursos dos clubes, autarquias e particulares.
      Portugal viva uma doenca psicologica obsessiva terminal pela Bola que muito tem sido da conveniencia dos politicos, pela sua potencial e efetiva bovinizacao do pais.

  3. Pedro

    Antes de analisar-mos a questão pela generalidade, temos que nos focar na particularidade que é o facto de que as medalhas que deveríamos ter conseguido terem fugido, nomeadamente no judo, eram campeões europeus nas suas categorias com provas dadas e chegaram aos jogos na melhor forma e com as melhores condições de treino o que falhou? Capacidade de resistência à pressão, numa prova do europeu ou mundial não tem os olhares postos enquanto nuns jogos olímpicos a pressão por medalhas é enorme e natural tendo em conta o seu palmarés.
    Ao contrário os dois medalhados da canoagem ganharam uma medalha de prata, porque além de terem valor e se ter apostado e dado condições para a prática desta modalidade bem como o remo, estes atletas não sentiram a pressão porque ninguém esperaria nada deles.
    Portanto aqui há falta de psicologia de alta competição e que não existe, e é justamente naqueles atletas que estão sujeitos à maior pressão que deverão ser acompanhados antes das provas, creio que neste aspecto as modalidades amadoras terão de aprender com o que se faz no desporto profissional nesta área.
    Não concordo com aqueles que dizem que se devam levar poucos e bons, senão vejamos por exemplo a representação brasileira que levou aos jogos olímpicos de Londres 258 atletas, tendo até agora um número de medalhas de 8, atendo ao facto de que desses atletas uma percentagem pertencem a modalidades colectivas ou seja valem uma medalha, podemos dizer que aproximadamente o rácio brasileiro em termos se sucesso rondará até agora em 4%, no caso português temos que levamos aos jogos 75 atletas e apenas quatro atletas formam equipe (2 na vela e 2 na canoagem) temos que o rácio português de sucesso ronda até agora os 1,4%.
    Ou seja se fizermos as contas para que Portugal tivesse um taxa de sucesso idêntica à brasileira, teria de ter levado aos jogos aproximadamente cerca de 214 atletas em modalidades individuais ou cerca de 272 atletas em modalidades individuais e colectivas.
    Quer dizer que se Nelson Évora, Naide Gomes e Vanessa Fernandes, três potenciais medalhados tivessem ido aos jogos e se Telma Monteiro e o Pina tivessem ganho as medalhas previstas, estaríamos sem esforço com um taxa de sucesso de cerca de 7,7% o que convenhamos seria muito bom.
    Acho que temos que relativizar, apostar no desporto sim, mas acima de tudo acompanhar nos tempos de preparação e competição com equipas de psicologia do treino que é o que tem faltado às nossas delegações.

    • Sim, a questao da pressao psicologica parece recorrente no (mau) desempennho olimpico dos nossos atletas… eu proprio me lembro de Mamede “quebrando” nas competicoes devido ao stresse psicologico… e parece evidente que ha trabalho a fazer por ai.
      Mas o desempenho do COP, a nivel dos seus responsaveis tem que ser avaliado e produzir efeitos rapidos. Nao se compreende porque é que depois de quatro anos, 14 milhões de euros (telma monteiro recebia p. Ex. Tres mil euros mensais) conseguimos uma medalha de prata em quase mil medalhas possiveis. Muito mau e exigindo acao rapida e eficaz.
      Num pais onde tudo se corta, a ineficiencia do cop nao pode tornar a ficar em claro.

      • Pedro

        Se olharmos apenas pelo lado do dinheiro investido claro que deveríamos ter agora pelo menos mais duas medalhas na bagagem, mas como digo faltou o acompanhamento certo na altura certa e de facto o nosso comité olímpico não foi profissional até ao fim, curiosamente quando ouvi na rádio as declarações de Telma Monteiro antes de embarcar para Londres, pensei para comigo “esta será um fiasco, pode ser que me engane…” porque estava claro para mim que faltava ali qualquer coisa nomeadamente uma equipa de psicologia do desporto de alta competição para acompanhar este tipo de atletas candidatos a medalhas, se olhar-mos com pormenor os contingentes dos melhores países, veremos que estão lá discretamente equipas de pessoas apenas exclusivamente para uma tarefa simples, apoio psicológico para fazer face à pressão, por exemplo no futebol americano esse apoio é feito pelo próprio agente do jogador.

        • o resultado do investimento (especialmente no grave contexto económico atual) é do pior que se poderia imaginar. E apesar do que diz o COP, sim, as medalhas, contam, como todos os países (que as ganham), sabem, dizem e objetivam. Esse discurso é desculpador e típico do laissez-faire-laisser-passez tuga…

    • Vejo Tae

      O Brasil levou 214 atletas, mas levou 1 equipa de futebol, uma de volei duas de basquete. Só aí estarão uns 60 atletas…

  4. Eu considero uma vergonha igual o fato do Brasil não estar entre os dez primeiros, uma vergonha colossal.

    Bem a Coreia do Norte tem alguns bons conselhos:

    http://portuguese.ruvr.ru/2012_08_03/coreia-do-norte-olimpiada/

    • Pois… tenho acompanhado tambem a prestação olimpica do Brasil e aqui (como no Espaço e na Diplomacia internacional) temos de novo um gigante timido em ação…

  5. Rui Miguel

    O COP é um grão de areia no deserto. 15 milhões de euros para 4 anos é uma pequena brincadeira, comparados com os orçamentos anuais das melhores equipas de futebol. A questão não está no dinheiro investido essencialmente nas bolsas a atletas, treinadores e federações. Poderiam triplicar a verba que o resultado seria muito semelhante.
    A grande questão está numa estruturação da atividade desportiva e competitiva na sociedade. Num claro aumento da cultura desportiva do país. Na articulação de programas concretos de desenvolvimento da prática de vários desportos, aumentando significativamente a base da pirâmide.
    É claro que tudo isto custa dinheiro. E capacidade técnica. E arrojo politico. O que não abunda muito por aí.

    • Mas dividamos entao esses 15 milhões por 77 atletas e por quatro anos. Dá uma mensalidade individual muito apreciavel e certamente muito superior ao orcamento de muitos paises que conseguiram bem mais medalhas que nos.
      A solução tem que passar pelo desporto escolar, obviamente, mas tambem por um controlo do retorno do investimento muito mais concertado e por uma responsabilizacao direta das estruturas e dos responsaveis pelos resultados.
      Especialmente quando sao consistentemente tão maus.
      (Curiosamente, o Brasil em termos relativos está ainda pior do que nós…)

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