“Na Renascença Portuguesa, a fratura instalou-se entre a corrente que defendia o progresso tecnológico e económico, como a solução para um mundo melhor, de influência positivista e materialista, e aquela outra que representava a continuidade da corrente metafisico-cristã dentro do pensamento português”

Teixeira de Pascoaes (http://www.livroscotovia.pt)

Teixeira de Pascoaes (http://www.livroscotovia.pt)

“Na Renascença Portuguesa, a fratura instalou-se entre a corrente que defendia o progresso tecnológico e económico, como a solução para um mundo melhor, de influência positivista e materialista, e aquela outra que representava a continuidade da corrente metafisico-cristã dentro do pensamento português.”
(…)
“António Sérgio via na Economia política “a ciência das róseas esperanças” – a sua tese “é a de que o progresso moral de um povo está dependente do seu progresso económico (…), cada melhoria no material da grande massa da população é uma base para o desenvolvimento espiritual.  Por isso as virtudes democráticas florescem num desafogo suficientemente generalizado, sobre a distribuição equilibrada de riqueza.”
(…)
“Pascoaes sem desprezar o valor do avança científico e tecnológico,  propôs que este se submetesse a um escrutínio moral resultante da compreensão do lado espiritual da Vida.”

Portugal: Ponte entre o passado e o futuro
Clara Tavares
Revista Nova Águia, número oito

Esta oposição conceptual entre Sérgio e Pascoaes é muito profunda: Matéria ou Espírito? Qual dos dois eixos deve nortear a nossa vida? Ambos, de facto. Não temos os patamares de produção agrícola ou industrial para mantermos de forma sustentável ou independente de doses massivas de crédito. Obviamente, depois de décadas em que se desmantelou de forma sistemática a nossa indústria e pescas, cumprindo com primor os mandatos impostos do norte da Europa e pagos a “subsídios” e contando sempre com os sabujos do costume,  os Cavaquistas de ontem…

Portugal tem que consumir menos. E, sobretudo, tem que consumir local, por forma a alavancar a recuperação da economia e emprego nacionais. Produções de substituição devem ser a regra e aquilo que o país não conseguir produzir, então – por regra – deve deixar de consumir. A diferença entre os dois: produção e consumo deve ser tão pequena quanto o possível e o tempo libertado da onda obsessiva de consumismo desbragado e irrefletido preenchido pela cultura, pela leitura, pela reflexão, pelo Espírito, enfim…

Categories: Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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2 thoughts on ““Na Renascença Portuguesa, a fratura instalou-se entre a corrente que defendia o progresso tecnológico e económico, como a solução para um mundo melhor, de influência positivista e materialista, e aquela outra que representava a continuidade da corrente metafisico-cristã dentro do pensamento português”

  1. O progresso é uma promessa de futuro que legitima a não resolução dos problemas eminentes que nos rodeiam. Por vezes legitima a degradação das condições de vida dum dado momento, ainda pior a privação de direitos, em nome de um “futuro” melhor. Este é o progresso cavaquista, tecnocrata.

    O progresso socialista é mais virado para as condições matereiais actuais, mas impõe o tal progresso de forma espiritual, um preciso que não respeita a moral dos homens existentes mas tenta impor essa moral nova de progresso, que promete não a reforma actual da moral existente mas a de um projecto moral futuro novo sem mácula de passado.

    É tudo farinha do mesmo saco. Pois se o progresso não advir quer da moral espiritual de um povo, estamos a estripa-lo da sua cultura, contudo a cultura não desaparece, talvez se refomule mas muitas vezes apenas espera alguma estabilidade para se reimpor, desadequada e conflituosa com a realidade económica. Se o progresso económico não tiver uma continuidade reformuladora com as instituições já existentes, e as suas actividades económicas, não passa de um processo destruitor e reformulador que espelha as intenções da elite sábia que os desenha. É o progresso de começar tudo de novo, de base iluminista.

    Um pogresso democratizado que integre o sonho de uma sociedade, e que talvez não se reveja apenas na produção de bens de consumo para trazer felicidade, ou um progresso que tem comum objectivo fazer felicidade, em processo continuo de reformulação.

    É extremamente interessante ler Amical Cabral nestes assuntos. Um homem crítico das armadilhas das correntes convencionais surtidas dos erros basilares dos iluministas.

    Pascoaes é um filosofo de uma acção tímida, António Régio o de uma acção que se impõe vigorosa e revolucionária. Vivem em tempos diferentes, um do Liberalismo e Fontismo avassaladores de reformas e o outro de um Salazarismo rural perdido na simplificação da vida aos mínimos (estranho o Cabrismo de Cabo Verde pós-independência ter caido no mesmo erro apesar de Cabral ter sido um critico como Régio dos fundamentos do Salazarismo).

    • A questão é de uma extrema profundidade e importancia no contexto atual: parece cada vez mais certo que é impossível manter crescimentos continuos e infinitos dos padrões de vida material (so temos uma Terra para consumir!) E que logo, teremos que cada vez mais assumir formas de vida mais assentes em “felicidade” imaterial (cultural) do que em materiais ou coisas.
      Este será um mundo bem melhor que o nosso, mas a transição poderá ser bem complicada e – até – violenta.

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