Daily Archives: 2012/07/18

A Islândia já perdeu todo o entusiasmo em aderir ao Euro e à União Europeia

Pouco depois do colapso do seu sistema financeiro em 2008, a Islândia procurou aderir rapidamente à União Europeia, como forma de impedir a recorrência de turbulências futuras do mesmo tipo. Mas a atual confusão no sistema financeiro europeu fez os islandeses mudarem de opinião… isso e o facto de a sua economia estar a recuperar rapidamente. Nas ruas, e entre as elites económicas e políticas o sentimento dominante tornou a ser contrário à integração política e monetária na Europa. O turismo está em franco crescimento, beneficiando do facto de a Coroa islandesa valer hoje metade do que valia em 2008, o que tornou o país muito atrativo ao turismo estrangeiro. A indústria da pesca também está de boa saúde, com os stocks piscícolas em bom estado e as exportações beneficiando do baixo valor da moeda nacional. De facto, a imposição de partilha das águas islandesas, determinada por Bruxelas, está até a funcionar como um dissuasor contra a adesão…

Com efeito, com a adesão ao Euro, a Islândia perderia a moeda competitiva que hoje possui e que lhe permitiu recuperar de forma muito sensível as suas exportações e tornar mais atrativo do que nunca o setor do Turismo. Com a adesão à União Europeia, veria as suas reservas piscícolas invadidas pelas frotas de arrastões espanholas, britânicas e francesas. E esse setor é estratégico para esta ilha, já que 3% do seu PIB depende diretamente da Pesca, enquanto que a média europeia é de apenas 1%.

A Islândia, depois de em 2008, nos ter dado a lição de que é preferível deixar os credores perder os seus investimentos especulativos a reduzir pensões, benefícios sociais e criar o caos na sociedade. Em vez de salvar os seus Bancos a todo o custo e sacrificando em seu nome toda a sociedade, a Islândia preferiu deixá-los falir de forma controlada, salvando a economia.

Fonte:
http://www.voanews.com/content/iceland-turns-away-from-eu-as-economy-grows-again/1381587.html

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | Etiquetas: | 61 comentários

Rendimento Médio Garantido: Uma forma radical de resolver os crescentes níveis de Desemprego?

As sociedades do mundo desenvolvido da atualidade estão hoje confrontadas com um problema que não pode ser resolvido sem uma reflexão muito profunda e uma abordagem completamente radical e inovadora. Esse grande problema é – obviamente – o do Desemprego crónico, genericamente falando, ou mais especificamente, o do desemprego júnior e/ou sénior. Na prática, desde a década de noventa que temos assistido ao desmantelamento do setor industrial europeu executado pelas grandes multinacionais e a serviço dos Grandes Interesses económicos e financeiros. Ironicamente comandado por capitalistas e financeiros europeus, este movimento deslocalizante tercializou a Europa e tornou-a subserviente da capacidade produtiva da China e de outros países do Extremo Oriente. Para trás ficou um continente viciado em altos padrões de consumo, com níveis de desemprego crónicos sempre crescentes e uma dependência doentia de crédito, necessário para adquirir os produtos das fabricas tercializadas para o Oriente.

A Economia de Serviços já provou nestas últimas décadas que não consegue compensar o Emprego perdido pela evaporação do setor primário, assim, para resolver o gravíssimo problema do desemprego crónico restam duas abordagens: ou bem que se reindustrializa a Europa, repondo as barreiras alfandegárias suprimidas na década de noventa ou bem que se concebe um sistema de distribuição de rendimentos completamente inovador. Ou bem que… se seguem simultaneamente as duas vias.

Defendemos a re-instalação das barreiras alfandegárias que existiam no começo da década de noventa e que defendiam a Europa das várias formas de Dumping executadas pela China: fiscal (com subsídios descarados à exportação), ambiental (não tendo ou cumprindo leis ambientais ou tratados internacionais), laboral (reduzindo ao mínimo os direitos e remunerações do trabalho) e humano (usando a censura, a repressão e a ditadura para manter as massas ausentes de qualquer contestação ou revolta social). A reposição destas barreiras permitiria criar um ambiente económico propício ao regresso das indústrias perdidas para o Oriente e reorganizar, assim, a criação de Emprego e Valor na Europa.

A segunda via é menos convencional e passa pela necessidade de refletir sobre formas diferentes de repartição da riqueza. E uma reflexão que pode ser feita é aquela de saber se o “salário” ou remuneração direta do trabalho como principal forma de rendimento do cidadão deve ser reequacionado. Talvez tenha chegado a época de converter estas economias do “trabalho” em economias do “lazer”, entendendo aqui “lazer” não como ócio ou indolência, mas como o espaço que a sociedade abre para que os cidadãos possam dedicar o seu tempo e os seus recursos à produção e consumo de bens imateriais (como a Cultura) e a fazerem gratuitamente aquilo que melhor os realiza ou de onde retiram mais satisfação intelectual, reconhecimento social ou maior capacidade criativa. Esse “lazer” ocuparia assim todo o espaço ocupado pelas tarefas repetitivas e que não requerem ao Homem a sua inteligência ou criatividade e libertaria a totalidade da tremenda energia criativa que existe latente e desaproveitada em todos nós.

Neste modelo de sociedade, todos teriam trabalho, mas ninguém teria emprego. Não no sentido de haver obediência a um horário ou a uma hierarquia. Toda a obediência seria em função de objetivos pessoais e deveres comunitários, assumidos contratualmente por objetivo e livres de qualquer forma de remuneração. As entidades empregadoras (públicas ou privadas) seriam responsáveis por pagar os seus impostos (mais elevados que atualmente), mas não pagariam salário a ninguém, cabendo posteriormente ao Estado ou às Câmaras Municipais (descentralização municipalista) a missão de distribuírem de forma uniforme e equitativa esses rendimentos assim recolhidos às empresas. Esta fórmula inovadora permitiria resolver o problema crescente da desigualdade de rendimentos (particularmente grave em Portugal), aliviaria as empresas da carga administrativa de terem que manter complexos e sempre questionáveis sistemas de remunerações e benefícios, facilitaria de forma radical o recrutamento da massa cada vez maior de desempregados qualificados e experientes que hoje ilustram de forma perfeitamente cabal o disfuncionamento do mercado laboral e incitaria todos a trabalharem melhor e apenas nas áreas que efetivamente possuem vocação, vontade ou qualificações, já que o sistema garantiria a todos o indispensável para satisfazer todas as necessidades básicas. Obviamente, haveriam tarefas que por serem demasiado desumanas ou perigosas não seriam disputadas por ninguém, mas aí entraria a automação e a robótica…

O sistema do Rendimento Médio Garantido resolveria assim o problema hoje insolúvel do desemprego júnior e sénior crónicos, fazendo regressar a uma profissão ativa os milhões de inativos das sociedades ocidentais modernas, estimulando todos a exercerem apenas as atividades profissionais onde são mais capazes e as organizações a libertarem-se dos traumas e penas associados ao recrutamento.

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Civil, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

R. A. Gallop: “Os portugueses são um povo tolerante com a porcaria, a distinção racial, a deformidade e doença dos mendigos, embora sejam excecionalmente amigos das crianças e, para um povo do Sul, dos animais”

“Os portugueses são um povo tolerante com a porcaria, a distinção racial, a  deformidade e doença dos mendigos, embora sejam excecionalmente amigos das crianças e, para um povo do Sul, dos animais.”
R. A. Gallop “Notas sobre o Caráter Português”

Prefiro assim. Prefiro que os portugueses sejam amigos das crianças, que racistas como os ingleses, excelso exemplo daquela europa a que Portugal não quer, não pode e não deve estar ligado.

Categories: História, Portugal | 16 comentários

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