António Telmo e o “O Horóscopo de Portugal” de Fernando Pessoa

António Telmo (http://www.oribatejo.pt)

António Telmo (http://www.oribatejo.pt)

“Em 1997 António Telmo publicou O Horóscopo de Portugal para completar a História Secreta de Portugal editada vinte anos antes. (…) entre 1980, (esse horóscopo elaborado por Fernando Pessoa) e 1990, quando o sol transitava do signo da Balança para o de Escorpião se daria uma mutação importante.  Ora, Portugal aderiu à CEE precisamente em 1985!”
(…)
“Ao terceiro Portugal no qual hoje passamos em escuridão e noite, se seguirá o quarto Portugal de que fala Pessoa e ainda um quinto, depois, ambos no alvor prévio ao hemiciclo diurno. Pelas contas que fizemos o quarto Portugal iniciar-se-á em 2008 e correspondera à morte histórica (…) o quinto Portugal trespassara o seu início em 2130.
(…)
“No Horóscopo de Portugal (de Pessoa) há uma frase que muito inquieta a alma e aguça a intuição: “assim no signo oposto ao do Touro que é o Escorpião, o socialismo judaico-cristão, quando estiver realizada na prática a ideia de ser genérico, desembocara numa forma de terror, cuja natureza não saberemos  ainda imaginar.” (António Telmo)

A Crise e o Engenho
Carlos Aurélio
Nova Águia, número oito

Obviamente,  dada a nossa formação científica, não acreditamos na astrologia… mas essa não é aqui a questão: Fernando Pessoa acreditava numa intuição que era sua e que lhe dizia que Portugal iria atravessar nas próximas décadas por uma sucessão de fases refundacionais, que o recentrariam em torno de si mesmo após o confronto com contradições internas que levariam a um momento de Crise,  seguido pouco depois, de Solução, consubstanciada num “quarto Portugal” (o Portugal endividado, improdutivo e desalmado da integração europeia) a que se seguiria um Quinto, o verdadeiro Portugal, oculto pelas cangas da repressão do ultra-catolicismo, da Inquisição, do Índex e da Censura.

Pessoa e Telmo anteviam nas brumas incertas mas seguras da profecia um outro Portugal que cumprisse a potência presente na sua alma coletiva e que na época do Infante se esteve prestes a realizar, algo que não se alcançou fruto da mercantilização da sociedade,  do centralismo cesarista e de um bloqueio à inovação e à criatividade induzido pelo catolicismo radical introduzido em Portugal a partir de Dom João III.

Categories: História, Mitos e Mistérios, Nova Águia | 5 comentários

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5 thoughts on “António Telmo e o “O Horóscopo de Portugal” de Fernando Pessoa

  1. Francisco Napoleão

    Fiquei algo confuso irritado e receoso. Teremos de esperar até 2130 para refundar Portugal. Até lá vamos viver nisto na aniquilação de Portugal? Eu acredito pouco nisso. Se este processo de aniquilação aguentar mais 30 anos não haverá qualquer Portugal para resgatar em 2130, em 30 anos o nome Portugal será uma longincua memória, perdida na velocidade mediática. Para que em 2130 Portugal resurgisse era necessário ter havido uma castastrofe tão grande que tivesse aniquilado a maioria da população do planeta, e uns aldeões ou hippies da serra da estrela das montanhas descessem e refundassem um Portugal das suas memórias castrejas.

    Há vários processos a surgir de fora, extra europeus e intra europeus. Cito o da criação de uma máfia transatlântica de língua portuguesa e com ela um grande espaço esconómico apoiados nos diferentes nódulos de desenvolvimento que são os países de língua Portuguesa. É de notar que os outros lusófonos querem um Portugal, o contrário do que quer a UE, e ai haverá confrontos contudo o interesse dos impérios europeus nos outros nódulos da CPLP darão algumas tréguas a Portugal.

    Infelizmente o Brasil e Angola não são garantes para Portugal. A máfia lusófona quer um Portugal europeu, uma porta para a feira de futilidades onde as elites vão comprar quinquelharia e pavonear a pele morena engalanada de ouro e diamantes. Dentro de trinta anos novos-ricos Portugueses, Angolanos e Brasileiros casam-se entre si e passam a ditar os seus interesses politicamente concertados com o interesse mafiano. Ai se Portugal se tornasse num coito mais ou menos desprezado pelos biuros de aniquilação cultural europeista, e o processo de generalização psicosocial que o europeismo introduz fosse atenuado na sua aniquilação de sentido de presença e pertença, ai sim se em 2130 um qualquer evento milagroso que (in)surgisse, será dos restícios católicos que resurgiria uma ideia de fundamento do que era e deverá ser Portugal, resgatado de bibliotecas poeirentas com ideias vagas de realidade. Esse movimento de fundamentalismo seria tão falso como o é a construção europeista ou a redivinação do futuro islâmico ou mesmo o reaproveitamento da professia russa onde ter sido ou vir a ser a nova Roma seja inevitável. Os fundamentos confundem uma ideia idilica, imaginada do passado que se quer tronada futuro ainda mais perfeita.

    Esta previsão do V Portugal é tão horrenda como o Portugal que levianamente desconstruimos hoje.

    Não é num Dom Sebastião de pele morena que devemos esperar milagres. Quer ele venha ou não, há que redescobrir um discursos politico de dinâmica que dê aos Portugueses papel de actores e não de meros espectadores.

    Portugal tem de recomplexificar a sua rede de mercados económicos para não ficar refém de nenhum deles. Temos de diminuir a nossa dependência económica à Europa do euro, agora. Fortalecer as relações com os diferentes nódulos da lusofonia mas sem cair na tentação de colocar Portugal refém das conexões europeias que as elites desses outros nódulos possam ter.

    Reorientar os trajectos formativos das elites culturais vindoras para um espaço multi-orientado, criando plataformas de equilibrio e de concorrencia às existentes (Erasmus, Socrates, bolsas de investigação etc) as quais subornam as identidades com pseudo-mundividencias universiais do europeista legitimada como salvador dum planeta incompetente.

    Resistir às filosofias ideológicas do cosmopolitismo e do multiculturalismo com a criatividade cultural da crioulitude. Manter vivo o discurso real e diário do actractivo da crioulidade cultural. Descontruir os seus argumentos, pois eles são o fundamento do europeismo.

    A lusofonia deve ser mantida numa plataforma de liberdade expressiva onde vários sectores da sociedade, que distantes entre si, aqui interajam. Seduzir europeistas, captar o interesse dos monárquicos, das esquerdas internacionalistas, dos integralismos e especialmente dar ânimo àqueles que perderam a fé na importância do facto político.

    Dom Duarte é um elemento importntissimo num jogo político complicado dentro das elites actuais que tem sido profundamente desaproveitado. Não é evidente que o seu sucessor lhe tenha as mesmas ideias quanto à orientação estratégica de Portugal nem tampouco que o sucessor de Dom Duarte tenha a mesma mão nos grupos monárquicos quanto à lusofonia.

    A crise actual é um momento único para alargar a interacção lusofononista e a crioulitude nas ruas.

    Se o euro cair será uma oportunidade única para afastar o demónio europeista da dominância discursiva deste no processo político. Há que trabalhar!

    • O profetismo milenarista quintano tem simultaneamente um grande risco e uma grande potencia positiva: como todos os milenarismos arrisca-se a ser esteril, a fazer suportar todos os desmandos e abusos do poder para suportar o tal mundo melhor, a utopia, que está mesmo, mesmo, ao virar da esquina. Mas tem tambem a potencia criadora para servir de alavanca para inverter processos historicos aparentemente irreversiveis e levar massas populacionais convitas e motivadas a produzirem grandes revolucoes.
      O quintanismo portugues nao é excepção: pode dar numa ou noutra coisa. Cabe aos homens de bem, informados e informantes orientar e conduzir o processo.

  2. Thor

    “dada a nossa formação científica, não acreditamos na astrologia” – Eu também não acredito. Só acredito nas runas, hehehehehehe. 😀
    Quanto ao anticatolicismo que eu também tenho, nós últimos 10 dias eu sonhei duas vezes que o Catolicismo Romano estava sendo imposto ao mundo por força de lei, sob pena de prisão à quem se recusasse a ser católico. Você incorporou mesmo o Bandarra? 😀 Você está tão profético ultimamente! 😉

  3. otusscops

    acho que Fernando Pessoa precisava de ter tido sexo…

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