António Costa: “Desde o princípio do século XX que os estudiosos apontavam para o risco de os partidos, enquanto instrumento de mediatização dos cidadãos com o sistema político; serem sucessivamente capturados por estruturas internas e irem deixando de ser espaços de cidadania”

“Não considera estranho que não haja contacto entre os grupos e os movimentos sociais saídos da manifestação de há um ano no dia de apoio de março e os partidos,  nomeadamente com o PS?  São pessoas que têm uma agenda política clara,  querem  ser representados pelos partidos,  mas estes não os ouvem.
António Costa: Desde o princípio do século XX que os estudiosos apontavam para o risco de os partidos, enquanto instrumento de mediatização dos cidadãos com o sistema político; serem sucessivamente capturados por estruturas internas e irem deixando de ser espaços de cidadania. Os partidos têm feito um esforço para se tentarem reorientar,  criando fundações, think tanks, introduzindo eleições diretas.  Têm consciência de que há um problema de representação.

Segundo o Observatório da Democracia, só 10% dos portugueses se sente,  representados pelos partidos políticos.
António Costa: Tenho também tido a experiência de que há também uma desconformidade entre o que é a declaração geral das pessoas em relação à política e aquilo que é o relacionamento efetivo e concreto de cada um com a política.”

Público, 14 março de 2012

Existe um grande fechamento dos partidos políticos e especialmente naqueles com representação parlamentar à sociedade civil. Enredados nas densas teias dos seus aparelhos profissionais ou semi-profissionais, os partidos políticos são muito ciosos do seu monopólio na vida política. Este afastamento – que António Costa não reconhece – explica a baixa percentagem de cidadãos ativamente envolvidos em atividades políticas, quando comparamos o nosso país com outros países europeus, mas sobretudo com os países escandinavos.

Os partidos têm que em primeiro lugar, que se “despartidarizar”, isto é, têm que deixar de ser maquinas de propaganda profissionais e altamente hierarquizadas onde só é possível progredir a partir de dentro e tendo sempre em conta mais os interesses corporativos e internos de grupo do que os interesses das comunidades e do país. Devem ser – literalmente – invadidos pelos cidadãos e expurgados dos profissionais que hoje deles dependem.  devem tornar-se estruturas voluntárias e deixar de ser “empregos” e espaços de “carreira”.

Categories: Política Nacional, Portugal | 5 comentários

Navegação de artigos

5 thoughts on “António Costa: “Desde o princípio do século XX que os estudiosos apontavam para o risco de os partidos, enquanto instrumento de mediatização dos cidadãos com o sistema político; serem sucessivamente capturados por estruturas internas e irem deixando de ser espaços de cidadania”

  1. Lusitan

    Chama-se a esse processo a Iron Law of Oligarchy!

  2. otusscops

    cada vez gosto mais do Tó Costa, estou a falar a sério!!!
    (a não ser que seja uma táctica apenas para ele parecer bem perante os eleitores – esta família Costa é poderosa e experiente)

    • Podes crer… e quando se escreve e diz (até no PS) de que Seguro é apenas um “lider de transição” (i.e. “para queimar”) é precisamente isto que se quer dizer: de transição para Costa.

  3. Lusitan

    Vamos ver… Os que diziam dentro do PS que o Seguro era de transição, agora já começam a lamber-lhe as botas em busca do tacho e devo relembrar-lhes que o Seguro ganhou quase todas as eleições recentes dentro do PS, inclusivé a homens fortes próximos de Costa. O aparelho partidário está de momento com Seguro… que é bem mais honesto que o nosso amigo Costa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

PEDAÇOS DE SABER

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

%d bloggers like this: