Os Dez Princípios da “Nova Economia” a partir do pensamento económico de E. F. Schumacher adaptados ao pensamento económico do MIL

E. F. Schumacher (http://designpublic.in)

E. F. Schumacher (http://designpublic.in)

A presente crise global demonstra que a promessa de produzir e entregar bens básicos de forma eficiente à maioria da população dada pela Globalização neoliberal não foi cumprida. Pelo contrario, existe uma cada vez mais evidente incapacidade de alimentar uma população que não para de aumentar, ano após ano.

Urge assim erguer uma Nova Economia assente em dez vertentes principais:

1. Prosperidade partilhada dentro dos limites planetários

É preciso converter a atual economia numa economia verde, justa e sustentável. Esta conversão deve ser de longo prazo e incorporar novas formas de pensamento e modelos económicos revolucionários. O planeamento económico ao nível local e comunitário deve assumir aqui um papel central, assim como a aparição e promoção de novos tipos de liderança empresarial e organizativa, cívica e ambientalmente mais responsáveis e democráticos.

2. Financiando uma Nova Economia

A atual sistema global financeiro falhou de forma absolutamente clamorosa, criando vaga após vaga de perturbação e caos social e económico. Não há duvidas que muito sofrimento pessoal e familiar tem nas atitudes egoístas e cúpidas da Banca e do setor financeiro em geral: neste negro rol de pecados e erros diversos, a perda de lares e o desemprego são apenas duas das mais conhecidas consequências da doentia predominância do setor financeiro sobre a economia real e produtiva. Esta predominância financeira tem que acabar e têm que emerger sistemas económicos alternativos que sejam capazes de garantir um desenvolvimento sustentável de longo prazo em vez da perigosa e insustentável busca de mais valias de curto prazo. Modelos económicos alternativos que incorporem bancos cooperativos e comunitários devem surgir por forma a promover o desenvolvimento de uma economia cidadã capaz de executar programas de financiamento comunitário e às empresas e cooperativas locais.

3. Métricas Alternativas

Existem formas alternativas aos métodos tradicionais utilizados pela economia. O indicador mais conhecido, o do PIB, ou Produto Interno Bruto tem-se revelado muito inadequado para aferir a felicidade ou satisfação dos cidadãos. Não há duvidas de que existem outras formas de medir a felicidade e o progresso de uma sociedade e essas formas devem incorporar métricas mais ricas que aquelas tradicionalmente utilizadas pelos e incorporar fatores como ecologia, ambiente, bem estar, democracia e vida cívica.

4. Comunicando a Nova Economia

A transição para uma Nova Economia vai requerer uma abordagem comunicacional muito desafiante e difícil. A comunicação tem que ser realizada em multi-plataforma, com recurso às novas tecnologias, por forma a ultrapassar o bloqueio mediático imposto pelos meios de comunicação fidelizados ou mercenarizados pelo sistema globalista neoliberal dominante. Toda esta comunicação deve assumir que a adoção de uma Nova Economia tem que passar pela transformação de mentalidades e da própria matriz cultural das sociedades. Trata-se assim, necessariamente de um processo que requer paciência, preservença e… Tempo.

5. Reconstruindo as Economias Locais: os motores para a resiliência

Depois de décadas de predomínio “imperial”: opressivo, empobrecedor e destruidor do Global sobre o Local a necessária renovação da economia deve agora passar por um regresso ao Local. Será a este nível que surgirá a renovação económica que vai levar o globo de forma decidida e firme para fora da recessão. Este ressurgimento da economia local será propulsado pelo ativismo cidadão e não pelo políticos ou governos, tornados à muito em lacaios passivos dos grandes interesses corporativos e financeiros. No reavivar das economias locais, a produção de alimentos tem que ocupar uma parcela principal e o grosso do consumo local deve ter origem local, por forma a poupar em custos de transporte e armazenamento gerando simultaneamente Emprego e desenvolvimento.

6. Sobre a propriedade

Na Nova Economia será imperativo rever o conceito de “propriedade”: o equilíbrio entre Trabalho e Propriedade tem que ser reposta e a organização empresarial repensada. As “novas empresas” não podem ser detidas em exclusivo pelos possuidores do Capital, mas partilhadas pelos seus trabalhadores e acionistas e a atual desigual distribuição dos rendimentos resolvida.

As cooperativas de produção e de consumo serão um aspeto essencial nestas “Novas Empresas” no bom exemplo das cooperativas Mondragon em Espanha, das cooperativas industriais dos EUA, das redes flexíveis fabris do norte de Itália e dos planos de distribuição de ações por trabalhadores em pratica nalgumas empresas norte-americanas. Estes modelos devolvem Justiça Social onde ela rareia cada vez mais.

7. A Reforma da Política e da Vida Cívica

O maior obstáculo a uma reforma profunda e duradoura da economia é a política: A corrupção crónica, generalizada e impune, a influencia opressiva da Finança e dos “grandes interesses” sobre democracias cada vez mais diminuídas e castradas. Campanhas eleitorais cada vez mais caras e de resultados sempre previsíveis. O pernicioso e podre “rotativismo democrático” do bi-partido PS/PSD. Para que a Nova Economia possa vingar é preciso redescobrir a democracia, estimulando a participação e a vida cívica e associativa focando sempre no Local e na Comunidade e abrindo assim caminho para uma contaminação global (pela via do exemplo) desta “nova economia”.

8. Partilhando

A “Nova Economia” terá também que avaliar qual é o lugar que a Terra ocupa neste novo paradigma económico e social. A Terra não pode continuar a ser um “bem” que se comercializa como se se tratasse de um automóvel ou de uma tonelada de trigo. A sua propriedade hereditária não pode prejudicar a comunidade. A posse comunitária da terra, na melhor tradição medieval portuguesa, deve ser recuperada e com ela formas alternativas de posse e exploração da terra e de partilha dos seus frutos.

9. Produção e Consumo Sustentáveis

Os indivíduos terão um papel central na propagação dos valores da “Nova Economia”. Será pelo consumo consciente e voluntário que as empresas serão forçadas a alterarem a sua produção e a forma como fabricam e desenvolvem os seus Bens. Valores com a simplicidade, a resiliência, a autonomia serão recuperados. A importância de consumir local, de viver dentro dos limites razoáveis também… Neste âmbito, a redução da jornada de trabalho (levando a uma otimização dos processos e de um incentivo à economia da cultura e do lazer) será central, assim como os Bancos de Tempo, as meta-moedas e as moedas locais.

10. Transformando a Moeda

O setor Financeiro terá que recuar desde a posição dominante e asfixiante que hoje ocupa para o papel auxiliar e facilitador da atividade económica que é, de facto, o seu. A própria forma da “moeda” deve ser reequacionada e as Moedas Locais devem ser implementadas de forma massiva e generalizada. Exemplos atuais bem sucedidos como a BerkShares nos EUA ou a Palmas no Brasil devem ser estudados, melhorados e seguidos. As plataformas eletrónicas oferecidas agora pela Internet não devem ser esquecidas, pelas tremendas potencialidades que oferecem no campo das moedas locais ou virtuais…

Para saber mais:
http://www.neweconomicsinstitute.org/

Categories: Economia, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Portugal | 3 comentários

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3 thoughts on “Os Dez Princípios da “Nova Economia” a partir do pensamento económico de E. F. Schumacher adaptados ao pensamento económico do MIL

  1. Fenix

  2. Fenix

  3. Fenix

    Não podia estar mais de acordo.

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