Daily Archives: 2012/05/18

Sobre o Obsoleto Paradigma do Crescimento Constante

“O sistema económico atual prevê e necessita de um crescimento contínuo e acelerado devido às regras impostas pelas mecânicas modernas de criação e movimento de dinheiro, um ritmo exponencial segundo a matemática. Os empréstimos são o melhor espelho desse mesmo crescimento. Num planeta de recursos finitos isso simplesmente não é possível, traduzindo-se na prática em recessões cíclicas seguidas de recuperação. Uma das maneiras de impedir que isso aconteça é equilibrando a balança do consumo com a da produção. Uma primeira aproximação seria limitar a produção de certos bens de modo a que só o fossem à medida que o mercado os conseguisse escoar. Contudo, essa alternativa não é compatível com o desejo de crescimento exponencial. Quando chega a altura de aprovar as leis, é notório o peso que lobbies com grande volume de capital têm nesse processo. No plano prático, só resta aumentar o consumo, sendo o método mais comum o da publicidade. Todavia, é fácil de adivinhar que nem mesmo a possibilidade mais perfeita pode aumentar indefinidamente o consumo, pois a certa altura deixa de haver potenciais clientes com meios para comprá-los.”

Ensaio sobre o futuro de Portugal, do seu povo e da sua cultura
Pedro Cipriano
Nova Águia, número 8

O Crescimento Zero, advogado na década de setenta como uma resposta possível das economias ocidentais ao Choque Petrolífero, tem que ser hoje novamente equacionado. Atualmente é evidente aos olhos de quem quiser olhar além do horizonte de uma década que o atual modelo de desenvolvimento está fadado ao desastre: não só o petróleo já alcançou o seu Pico de produção e daqui em diante o seu preço vai subir sem parar,  de forma descontrolada, algo que será evidente quando o consumo regressar aos valores de pré-recessão, como outras matérias primas se encontram também com as reservas perigosamente baixas, como o carvão e o ferro.

O modelo que pressupunha crescimentos constantes e imparáveis está esgotado e à beira no fim. Nós, que vivemos hoje, somos a geração que vai assistir ao colapso deste mundo e ao começo da sua transformação num novo paradigma que terá que ser o do crescimento zero, privilegiando as economias e moedas locais onde antes se via neoliberalismo financeiro, a desregulação comercial e a globalização como uma tríade imbatível de alienação das massas e de imposições do Poder financeiro às democracias. Contudo, esta não será uma transição doce ou suave: as contradições acumuladas hoje no sistema de dominação capitalista são de tal forma grandes, o seu grau de domínio sobre os Estados, tamanho, que não há espaço (nem tempo) para transições suaves ou graduais. Quando ocorrer esta transição, ela será violenta e súbita, implicando anos de grande agitação social e humana.

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Começam a chegar à Guiné-Bissau os primeiros militares da ECOWAS

Exército do Burkina Faso (http://www.armyrecognition.com)

Exército do Burkina Faso (http://www.armyrecognition.com)

Cerca de 70 militares do exército do Burkina Fase entraram na noite de 17 de maio na Guiné-Bissau começando assim a construção da força multinacional que a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (ECOWAS) vai enviar para este país lusófono depois do último golpe de Estado militar. No total, esta força da ECOWAS ascenderá a 629 homens e tem como missão “libertar” (SIC!) o pessoal militar angolano e “restaurar a Constituição”. A própria missão da ECOWAS enferma de graves problemas: Desde logo, os 600 militares angolanos estavam na Guiné-Bissau com a missão de reformar o narcoexército guineenses. A aceitação por parte da ECOWAS das críticas dos narcomilitares e a sua colaboração na expulsão desta força consagra em efetivo apoio aos narcomilitares e não vai contribuir (pelo contrário) para a resolução desta crise eterna na Guiné-Bissau. Por outro lado, o objetivo desta força da ECOWAS inscrito como “restaurar a constituição” é simplesmente falso: nem o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, nem o Presidente da República Raimundo Pereira serão repostos nos cargos por esta força da ECOWAS que, bem pelo contrário, vai apoiar militarmente o “governo de transição”, ilegítimo, golpista e anticonstitucional.

Em Bissau, entretanto, o surrealismo adensa-se: o suposto “primeiro ministro transacional” Rui Duarte Barros “apelou” a que Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira não fossem detidos (!) se regressarem a Bissau. De facto, era este impostor a soldo dos narcomilitares é que devia ser detido por cumplicidade nesta grave violação do regime democrático e constitucional… É caso para dizer que lata é coisa que não falta nem aos narcomilitares, nem aos seus narcosabujos… Outro cúmplice, nomeado pelos narcomilitares, o “presidente transacional” Manuel Serifo Mhamadjo, recomendou a criação de uma “comissão independente” para “auditar a gestão do país e a última eleição presidencial” (interrompida pelo Golpe depois de queixas do perdedor da primeira volta, Kumba Yala”). Não consta, contudo, que esta comissão “independente” esteja mandatada para investigar as motivações por detrás do golpe militar nem para investigar os golpistas nem as suas conhecidas ligações ao narcotráfico nigeriano e colombiano.

Entretanto, durante a noite de dia 18 de maio, os 70 militares do Burkina Faso deverão ser reforçados com um contingente mais numeroso de soldados da Nigéria, ao qual se seguirá – dias depois – um contingente numericamente inferior de militares senegaleses. A força da ECOWAS ficará estacionada em Cumere, a uns confortáveis (para os narcomilitares) 32 km de Bissau.

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/First_troops_of_west_African_force_arrive_in_GBissau_999.html

Não confiamos nesta força da ECOWAS. Quem devia estar já no terreno, e em força, era a CPLP: http://www.peticaopublica.com/?pi=cplpgb

 

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Portugal: Onde estaremos daqui a cem anos?

Perante um clima de aparente decomposição da União Europeia e do projeto de construção europeia que serviu de pilar mono-temático para Portugal nos últimos trinta anos, há que colocar a questão: há alternativas ao processo de integração europeia?

Há sempre alternativas a qualquer curso estratégico já que na diplomacia e nos desígnios estratégicos de uma Nação há sempre vias laterais e outras opções. Perante a presente crise também as há. Aliás, a presente crise (aparentemente fatal e terminal) pode oferecer a oportunidade que a modorra e placitude de um aparentemente bem sucedido processo de integração europeu impediam de surgir. Agora, desafiados perante uma crise que ameaça aquilo que se assumiu como pilar único da própria construção da democracia em Portugal: a Europa, Portugal tem condições para embarcar numa reflexão criadora sobre si próprio e o seu futuro.

Existe em Portugal um grave défice de reflexão sobre o estado do país e sobre os seus desígnios estratégicos. Essa carência de pensamento estratégico ressurgiu na época do Salazarismo, regime paternalista que reservava a uns quantos “iluminados” o exclusivo e monopólio do pensamento enquanto o resto da sociedade seguia bovinamente o pensamento do “líder”, mas radica de forma mais profunda e indelével nas perseguições da Inquisição. A carência de reflexão estratégica foi depois mascarada pela importação de modelos civilizacionais alheios (o comunismo, a social-democracia e a democracia cristã) depois da revolução de 1975. Mais tarde, a “fuga em frente” da adesão europeia, oferecida como ultima saída para um país cronicamente falido e várias vezes intervencionado pelo FMI dispensou as elites inteletuais nacionais da tarefa de produzirem pensamento estratégico original e criativo. O clima do “pensamento único” era então aparentemente claro e não tolerava derivações: a solução para todos os males portugueses era uma só: Europa e mais Europa.

Agora, contudo, chegou o momento de refletir. E de refletir urgentemente, sem desprezar a busca de ações e medidas concretas de curto prazo. E nessa reflexão sobre a via estratégica que Portugal deve agora seguir a CPLP, a Comunidade Lusófona e a Lusofonia têm que assumir um papel central.

O que Portugal for daqui a cem anos, depende daquilo que hoje botarmos à terra, fertilizado pela presente deriva europeia e por uma crise que aparenta no curto prazo ser impossível de vencer. Os caminhos não se traçam de um momento para o outro, perante o imediatismo das crises, mas a prazo e a distâncias tão longas como a de uma centena de anos. O que escolhermos fazer hoje, coletivamente e enquanto indivíduos vai determinar esse Portugal do futuro.

As escolhas de hoje, que têm que ser o produto de pensamento próprio, original e autónomo e não o resultado de qualquer importação conceptual ou de qualquer futuro “chave na mão” são assim determinantes não somente para a saída de Portugal da mais grave crise financeira dos últimos cem anos, mas também para definir o que será Portugal daqui a cem anos.

O que será Portugal daqui a cem anos terá que ser algo substancialmente diverso que somos hoje. O exaurir da dita “opção europeia”, oferecida como “via única” para o desenvolvimento dita uma de duas saídas: a autonomia ou a integração num novo eixo de alianças. Portugal é – em linguagem geopolítica – uma potencia média, logo, uma potencia incapaz de exercer a sua influência regional ou global fora de um circuito internacional de dependências cruzadas e alianças. O despertar do fátuo e insustentável sonho de riqueza europeia, alimentado pela injeção de fundos europeus e pelo crédito barato vai fazer-nos acordar num contexto de maior contenção e racionalidade de consumos e num padrão de vida mais adequado à nossa real capacidade produtiva. Nesse sentido, qualquer destino futuro do país terá sempre que passar por um grau reforçado de autonomia e independência económica, financeira e política que o atual e, naturalmente, por uma redução sensível dos padrões de consumo. Com efeito, décadas de transferência de soberania para um centro europeu ademocrático e livre do escrutínio eleitoral produziram muito pouco além de uma sociedade economicamente insustentável e dependente. O que formos nas próximas décadas dependerá sempre daquilo que formos capazes de produzir e do grau de independência económica que lograrmos conquistar.

Urge começar uma autêntica revolução de desconsumo. Não há dúvidas de que o atual processo de austeridade imposto pela “Troika” não resolverá o essencial do nosso problema da dívida e que em 2013 estaremos praticamente na mesma situação em que nos encontrávamos em 2010: com uma gigantesca dívida externa e com um crescimento económico anémico que não a permite pagar. Se nada fizermos, a situação em 2111 será basicamente a mesma: uma dívida externa colossal e um serviço da dívida asfixiante. A saída só pode assim passar pela recusa do pagamento da mesma e da devolução aos credores daquilo que eles querem que nós assumamos: o risco de conceder empréstimos. Não duvidemos: o Portugal daqui a cem anos, não pode ser um Portugal esmagado por uma dívida externa colossal, não a podendo pagar, pela nossa pobreza endémica em recursos e pela nossa demografia negativa, só nos resta assim exercer a derradeira liberdade de todos os devedores: declarar a bancarrota e recusar aos banqueiros espanhóis e alemães o continuado saque que querem exercer sobre nós nas próximas décadas. O Portugal de 2111 será um Portugal falido, decerto, mas livre para crescer à custa das suas próprias capacidades e sobre a sua própria potencia produtiva.

Reencontrado o Portugal que consegue viver na direta proporção dos seus reais rendimentos e capacidades, recuperados os alicerces sólidos de um desenvolvimento duradouro e sustentável baseado na soberania alimentar, na autonomia industrial e tecnológica, Portugal, recredibilizado, remoralizado e restaurado depois de décadas de protetorado castrador e moralmente depressivo pode abalançar-se em voos mais altos, olhar mais além, para a outra banda do Mar Oceano e buscar um novo espaço de crescimento e desenvolvimento entre os países da Lusofonia. Acreditamos que esta reaproximação lusófona vai ter lugar ainda antes de 2111 e os primeiros sinais adivinham-se já com a multiplicação dos laços migratórios para os países da lusofonia, com a intensificação do comércio inter-lusófono e com a crescente presença do termo “lusofonia” no discurso mediático, cultural e jornalístico.

Daqui a cem anos, Portugal terá já reencontrado um padrão de consumo mais adequado à sua real riqueza, redescoberto o seu Mar e regressado à agricultura, recusado o pagamento de uma dívida impagável e recentrando os seus desígnios estratégicos sobre o Mar e a Lusofonia, promovendo a evolução dessa instituição bloqueada, burocratizada e artrítica que é hoje a CPLP até à verdadeira Comunidade ou União Lusófona que é hoje um dos principais objetivos do MIL: Movimento Internacional Lusófono. Portugal será assim daqui a cem anos, mais Portugal, mais independente, soberano e livre para se abalançar ao seu grande desígnio estratégico que é o do aprofundamento dos laços com os países lusófonos e a fundação dessa União Lusófona antecipada por António Vieira, Fernando Pessoa, Agostinho da Silva.

Publicado na Revista Nova Águia, nº 9

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Política Nacional, Portugal | 12 comentários

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