O envelhecimento da revolução

Existe um ponto comum em todas as revoluções e revoltas sociais de todos os tempos, eras e locais: a sua vanguarda, o seu ponto focal e o seu detonador é sempre constituído por um grupo inicial – relativamente reduzido – de jovens, estudantes ou desempregados que a dado momento decide que chegou ao limite da sua paciência ou passividade e parte para a rua, impondo a sua vontade, com sucesso diverso.

Apesar das manifestações dos “indignados” e de outros fenómenos relativamente isolados ou inconsequentes, nada de paralelo decorre agora no Ocidente. O hedonismo ou um epicurismo decadente materializados em varias formas de alienação química, sensorial ou de manipulação de massas entorpeceu e anulou o essencial da capacidade de reação da maioria da juventude ocidental. Apesar de notáveis exceções, a maioria dos jovens deixam-se vegetar numa torpe inatividade, adiando o seu futuro com vidas académicas cada vez mais longas e perdidas e recusa cumprir o papel de renovação urgente que a falta de perspetivas pessoais a prazo lhes poderia tornar evidente como única saída. Os níveis de participação cívica (não remunerada), de voluntariado e de vida cívica, são extremamente baixos entre os jovens de hoje. Sem esta vanguarda jovem, não há condições para realizar uma modificação do quadro económico e social que levou o Ocidente (Europa e EUA) à situação de hoje e as condições para uma erupção social violenta, desenquadrada e improdutiva tornam-se cada vez mais pesadas.

Categories: Política Internacional, Política Nacional, Portugal, Sociedade | 12 comentários

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12 thoughts on “O envelhecimento da revolução

  1. Enoque

    Uma homenagem do rock brasileiro dos anos 80 ao tema “revolução” .

  2. Enoque

    E outra do saudoso* (o original) Guns ‘N’ Roses.

  3. Enoque

    Um vídeo para reflexão

  4. Enoque

    Depois “dos três hinos de louvor”, agora vem a “pregação”. 😀

    Meu jovem Clavis Prophetarum, um rapaz com grandes ideais. Um gajo com louváveis princípios. A intepretação que eu faço do seu texto é que você se queixa da juventude dos dias atuais não dar início a uma revolução em nenhum dos países ocidentais em crise.

    Nos três vídeos do Youtube, eu tenho na verdade uma mensagem sobre o tema “revolução” que implicaria em conflito armado, na pior das hipóteses, em guerra civil.

    Vamos imaginar um globo terrestre. Os mapas dos países. Mas afinal, o que são países? Um país é uma região geográfica considerada o território físico de um Estado soberano, ou de uma menor ou antiga divisão política dentro de uma região geográfica. Um país é nada mais que uma demarcação de território de um grupo específico da humanidade, na maioria dos casos, o idioma é o factor (escrevo algumas palavras na vossa ortografia pra não doer a cabeça do Otus Scops) que mais caracteriza um país. Você não vê cães ou gatos se comunicando num idioma em Portugal e noutro idioma na Espanha. Países são criações puramente humanas. É uma forma de dividir, de separar a humanidade. É uma desculpa idiota que os humanos usam pra odiar, pra discriminar, pra serem etnocêntricos e egoístas, para se sentirem melhores do que outros grupos da humanidade. Tal sentimento se manifesta na forma de nacionalismo, de chauvinismo, de xenofobia…

    Vejamos as revoluções do passado:
    1ª- A revolução inglesa no século XVII: forçou o fim do absolutismo e a transição para o Parlamentarismo. Tanto derramamento de sangue para ainda hoje uma elite estar no poder manipulando as massas, quase 400 anos depois;
    2ª- A revolução francesa no século XVIII: também forçou o fim do absolutismo, o fim dos abusos do clero católico para nos dias atuais uma elite econômica estar no poder manipulando as massas, a aproximadamente 250 anos depois;
    3º- A revolução russa de 1917: Primeiro foi a revolução menchevique e logo depois a bolchevique. E depois foi criada no lugar do Império Russo dos czares a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que também teve os seus czares como Estaline, e chegou em 1991, caiu o tão indesejável e incômodo regime, e hoje, a dupla Putin-Medvedev serem os donos daquele país fantástico.

    Na vossa terra, em 1910 estavam insatisfeitos com a Monarquia e proclamaram a República. Depois ficaram insatisfeitos de novo, e veio o António de Oliveira Salazar com o Estado Novo dele. Anos mais tarde, ficaram insatisfeitos de novo e veio o 25 de Abril de 1974. E hoje, estão insatisfeitos de novo.

    Pra quê que algum jovem português vai deixar de viver a vida dele, deixar de curtir a namorada tuguinha dele, dar à ela belíssimos presentes, beijá-la, cantar lindas canções de amor pra ela, pra se envolver numa revolução na qual ele tem grandes probabilidades de morrer? Pra quê derramar o próprio sangue por um mundo*(sociedade humana) que é estragado por natureza e não tem conserto? Um jovem português geralmente é mão de obra especializada, pode emigrar pra outro país, conhece pelo menos inglês, pode aprender alemão e ir trabalhar na Alemanha, ou aprender francês e ir trabalhar na França, e nas férias pode trazer a namorada tuga dele ao Brasil, este país com praias e paisagens naturais espectaculares, pá!

    Para quê lutar por pátrias, países? Por que não fazer um pacto global para melhorar a vida de toda a humanidade, de todos os povos e as demais formas de vida que habitam a Terra?

    Agora, “um hino de louvor pra finalizar o nosso culto de hoje. Antes de saírem, temos que consagrar os vossos dízimos e vossas ofertas nesta nossa igreja.” 😀

  5. Fenix

    • Fenix

      A árvore e menino
      Nesta rua caotica da india se deu uma revuloção.A rua estava bloqueada pela queda de uma àrvore milinar que resolvera cair e morrer ali mesmo,aos olhos todos os quantos por ali passavam.A confuçao e o caos estavam estalados.Das nuvens do céu cai chuva, como chorado a morte da árvore ali caida.Todos protestavam sem nada fazer para tirar dali a árvore.da rua.Foi de quem menos se esperava veio o exemplo.Timidamente o menino se aproxima da árvore como um David de Golias olhado-a metedo-lhe uma mão depois a outra tentado-a mover. Admiração pelo gesto do menino se espalha pela rua.Outros meninos lhe seguem o exemplo tentão também eles mover a árvore do caminho.Os adultos que até então nadam tinham feito a não ser protestar, também eles se aproximam da árvore e saiem do conforto dos seus carros e lares. vão para a chuva e tentam também eles mover a árvore do caminho.Depois do esforço todos a árvore lá é tirada da rua.E sol volta ao céu como brindado o heroismo de todos.Novos e velhos todos eles saem contentes pelo seu acto e seguem o seu caminho.

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