Daily Archives: 2012/05/08

Sobre a recuperação da Letónia da crise de 2008-2009

Entrevista a Andrid Vilks Ministro das Finanças da Letónia, país que em 2008 e 2009 viu a sua economia afundar, mas que em 2011 cresceu 5.3 %.
“O que é importante é tomar o máximo de medidas no inicio: superar as expectativas dos credores e fazer rápido as medidas do ajustamento. Esta rapidez é importante porque caso se chegue a um ponto de fadiga com a austeridade, é difícil de sair desse ciclo. É o caso da Grécia. Fizemos mais que nos pediam no primeiro ano do ajustamento.”

– não existem hoje grandes duvidas de que o modelo de desenvolvimento assente no credito barato e na tercialização pior que esgotado foi grandemente pernicioso e que urgia altera-lo: uma política de endividamento publico e privado constante alimentada com o crédito barato acabou. Nunca mais será possível realizar uma política de investimentos públicos massivos, nem sustentar um défice estrutural crónico em que todos os meses o Estado tem que ir aos Mercados (ou Troika) buscar 1.2 mil milhões de euros. As despesas do Estado têm que descer e de forma realmente sensível: deve ser realizado um estudo aturado e isento aos quadros salariais da função pública e sempre que um determinado vencimento, numa determinada função for superior à média da mesma função no setor privado,  esse desequilibro deve ser corrigido. As pensões devem ser corrigidas,  determinando um teto máximo (seguindo o modelo suíço) e a antecipação das reformas definitivamente terminada.

“Cada país tem a sua especificidade. Estávamos muito dependentes das importações e dos fluxos de investimento. Perdemos o nosso poder produtivo nos tempos do “boom”, agora estamos a recuperar.”

– Portugal também perdeu o essencial do seu tecido produtivo nas primeiras décadas após a adesão à União Europeia e, sobretudo, depois da nefasta adoção do Euro. Como Portugal, também a Letónia importava mercadorias e… capital sob a forma de crédito.

“Cortamos salários em 25% e pusemos 25% dos funcionários em lay off. Hoje, fazendo as mesmas funções estamos a gastar menos 40%. Temos a mesma qualidade, menos pessoal. O sector privado também respondeu rapidamente e cortaram um terço do pessoal. Aliás, cortaram tanto, que depois tiveram que readmitir alguns. Mas há setores que só reduziram salários. A crise foi terrível para a Letónia mas agora estamos muito confortáveis, estamos à frente do ciclo. “

– se existem estudos que indicam que – para a mesma função – um funcionário público aufere mais que um funcionário de uma empresa privada,  então há que nivelar essa desigualdade. É preferível reduzir vencimentos do que despedir, como se fez na Letónia, ja que fazer aumentar ainda os atuais números de desemprego seria socialmente trágico e, provavelmente, acabaria por produzir um patamar de contestação social que poderia levar a uma situação incontrolável. Se atualmente,  cerca de 60% da despesa pública consiste no pagamento de salários e pensões, resulta evidente que é aqui que deve ser realizado o essencial do esforço de correção e não nas despesas sociais ou no investimento. Mas esta compressão de despesas salariais públicas não pode ser cega naquele que é – desde 2011 – o país mais desigual da OCDE. Deve ser concentrada nos escalões mais altos e ser vestigial nas mais inferiores. E deverá ser uma compressão definitiva e não meramente provisória sendo posteriormente sempre possível realizar aumentos superiores aos valores da inflação se a recuperação da economia o justificar. Com esta redução da despesa publica será possível reduzir a carga fiscal (uma das mais intensas do continente europeu) e estimular assim o crescimento económico.

Fonte:
Diário Económico
5 de abril de 2012

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | Deixe um comentário

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