Miguel Real: “Se a Lusofonia se restar aninhada numa visão estritamente politica, criando no seu interior grupos de países contra outros grupos de países, pouco terá valido a pena a sua edificação”

Miguel Real (http://www.dn.pt)

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“Se a Lusofonia se restar num patamar de regulação de interesses económicos ou de concertação conjuntural, período a período, de interesses políticos e militares, pouco valerá a pena. Ter-se-á tornado mais uma comunidade internacional entre tantas outras existentes, perfeitamente substituíveis por tratados bilaterais entre Estados.
Se a Lusofonia se restar aninhada numa visão estritamente politica, criando no seu interior grupos de países contra outros grupos de países, pouco terá valido a pena a sua edificação.”
O Futuro da Lusofonia
Miguel Real
In Revista Nova Águia, número 8

A União (ou Comunidade) Lusófona terá que ser algo de substancialmente diferente de qualquer outra “união politica” jamais experimentada na História. Se não for não vale o esforço de a fundar. Terá que ser aquilo que a União Europeia parecia poder ser na década de 80, antes da sua “fuga para a frente”, com a vaga descontrolada de adesões a Leste, abrindo apenas novos mercados à indústria alemã e as portas a vagas de emigrantes indesejáveis e enriquecendo as elites corruptas do Leste. A União Lusófona não pode jamais ter diretórios dos “grandes” ou dos “ricos” que mandem nos “pequenos” e “pobres”. Terá que ser rigorosamente paritária, sem contudo cair no excesso oposto, na “ditadura das minorias”. Será moralmente inatacável, sem Guantánamos, nem apoios à ditadura iraniana ou chinesa, sendo implacável com todas as formas de repressão e imperialismo praticadas no globo.

A União Lusófona será a primeira verdadeira união da História: um verdadeiro país pluricontinental que servirá de farol exemplar aos países vizinhos, cativando-os a si e inaugurando novas formas de relacionamento social e económica. Com uma permanente prioridade ao desenvolvimento local (economias e moedas locais) e à integração global em formas de governação económica e política, a União Lusófona será o protótipo a partir do qual se unirão posteriormente os povos de fala castelhana, depois, os de fala latina até que, por fim, e cumprindo esse exato sonho de Agostinho da Silva o mundo todo estará firme e convicto numa União Mundial, a materialização na Terra do Reino do Espírito Santo, o domínio da paz, da prosperidade e do pleno desenvolvimento do Homem.

Categories: Europa e União Europeia, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 11 comentários

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11 thoughts on “Miguel Real: “Se a Lusofonia se restar aninhada numa visão estritamente politica, criando no seu interior grupos de países contra outros grupos de países, pouco terá valido a pena a sua edificação”

  1. Gisela

    É importante ver pessoas assumirem publicamente essa realidade da humanidade, pois não temos qualquer opção senão essa união e a realização do Reino Divino na Terra. Afinal a criação existe por e para isso. E o quanto antes se conseguir menos sofrimentos teremos.

    • esse é o sonho agostiniano e vieirino do Quintop Império que absolutamente nada tem a ver com uma suposta anacronica, absurda e irrealista “restauracao” do império colonial portugues.

  2. Enoque

    CP,

    “A União (ou Comunidade) Lusófona terá que ser algo de substancialmente diferente de qualquer outra “união politica” jamais experimentada na História. Se não for não vale o esforço de a fundar…A União Lusófona não pode jamais ter diretórios dos “grandes” ou dos “ricos” que mandem nos “pequenos” e “pobres”. Terá que ser rigorosamente paritária, sem contudo cair no excesso oposto, na “ditadura das minorias”…A União Lusófona será a primeira verdadeira união da História: um verdadeiro país pluricontinental que servirá de farol exemplar aos países vizinhos, cativando-os a si e inaugurando novas formas de relacionamento social e económica. Com uma permanente prioridade ao desenvolvimento local (economias e moedas locais) e à integração global em formas de governação económica e política…”
    – Querido CP, é necessário ter muita paciência. Nós seres humanos não estamos em tão alto nível de evolução e nem de iluminação. Ainda não atingimos o Samadhi. Ainda não somos despertos como Sidarta Gautama. Você não está muito exigente com o Brasil, com Angola e os demais? Veja o comentário do sr. Miguel Souza Tavares no telejornal da SIC:

    Eu insisto que você devia visitar o Brasil, conhecer de perto como é o brasileiro médio. Igual você fez na Guiné-Bissau.

    O brasileiro é ensinado desde a infância a guardar rancor devido ao passado colonial do Brasil. Eu sou um que analisa a história por outros ângulos, então não tenho ressentimentos. E vejo enormes vantagens também para o Brasil numa UL. Mas nem todo mundo aqui no Brasil está de acordo. Na verdade, poucos estão. Você fica escandalizado com o comportamento diplomático do Brasil, mas você se esquece que a atual geração de brasileiros, de portugueses, de angolanos, de moçambicanos, de guineenses, de caboverdianos, de são-tomenses, de timorenses e de galegos não está preparada para a UL. O que o MIL pode fazer hoje é semear a união para as gerações futuras colherem. Quem sabe, quando o seu filho mais velho (caso tenha filhos) tiver a sua idade já não seja uma realidade?

    Oxalá que você viva para ver a UL como uma realidade! Eu faço votos!

    Tenha esperanças porém tenha paciência também. Não vai ser já no governo da Dilma que a UL vai ser criada. Há muitos interesses políticos e econômicos em todos os países que emperram o processo de união. O que compete ao MIL é a persistência com paciência. Ânimo! Porém, paciência! 🙂

    “…a União Lusófona será o protótipo a partir do qual se unirão posteriormente os povos de fala castelhana…”
    – Antes eu cria assim, hoje eu tenho as minhas dúvidas sobre os hispânicos, em especial os das Américas. 😦

    • Sou realista (e nao um louco idealista embrigado por sonhos restauracionistas, como sugere o Otus) sei da dificuldade do caminho e dos obstaculos tremendos que ele oferece. Mas sei que a prazo o mundo caminha para a supressao de todas as fronteiras estatais e que a UL pode e deve ser um dos percursores desse movimento que terminara definitivamente com todas as guerras e com o imenso desperdicio economico e humano que representam, dando-nos entao tempo e meios para cumprir a ultima vocacao humana que é a de partir para as estrelas…
      O tempo fara o seu papel, assim se mantenha o esforco de promocao e divulgacao das ideias e a propria irrealidade e absurdo dos atuaios isolacionismo, bilateralismo ou federalismo europeus se tornarem patentes.

      • Otus scops

        CP
        nunca disse que eras louco, mas é um conceito a não rejeitar no futuro…
        😈

        concentra-te em Portugal, é isso que advogo.
        tudo o resto são delírios, o Brasil e restante CPLP tem tantas diferencas e similitudes como a Europa.
        se és crítico com muita coisa da Europa (e que te acompanho) deves sê-lo com outras coisas que se passam na CPLP (raramente o és).
        é cegueira (com todo o respeito) filosófico-idealista, sobretudo com o Brasil.
        já o escrevi aqui, o Prof. Agostinho da Silva nem sequer sabia ir ao banco, tinha uma pessoa que lhe tratava de tudo que fosse do quotidiano mais
        só sabia pensar e fazer festas aos gatos, nada mais.
        ele não pode ser seguido literalmente com risco de sermos parecidos com os radicais que “interpretam” os livros “sagrados”.

        Portugal tem de seguir o seu caminho, não precisa de ninguém mas precisa de todos.

        boa parte do futuro está na Ásia.

        • A questão é de desígnios: onde estamos, ja sabemos (estamos falidos e num modelo de desenvolvimento insustentavel), resta saber para onde vamos, e como. Nao confio nesta europa onde se prepara um imperialismo germanico mascarado de “federalismo”. Concordo quando dizes que importa para ja apostar em Portugal e na reconstituicao da nossa economia, do nosso tecido produtivo e da necessaria reducao das importacoes (e nivel de vida). Depois, virão outros voos. Ja o disse e escrevi aqui.

          • Otus scops

            reduzir o nível de vida???
            de quem???
            só se for o teu…
            ou dos banqueiros, políticos de subvenções vitalícias etc…

            nem parece teu.
            a propaganda já está a erodir-te o discernimento, só pode:
            http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=547929&tm=6&layout=122&visual=61

            • De todos, a comecar pelos maiores rendimentos. Portugal era em 2008 o terceiro pais mais desigual da Europa, em 2011 tornou-se o mais desigual.
              Defendo a imposição de um teto maximo para todas as pensoes de reforma (1500 euros, como na Suiça) e uma carga fiscal gradual mais severa que a atual, com uma contabilizacao do agregado familiar (diminuindo-a proporcionalmente em familias mais numerosas) e um reforco de todas as formas de combate à fuga do fisco.
              E eu já dei o mewu contributo: desde 2006 para cá encaixei uma quebra de mais de 60% do rendimento familiar.

              • Otus scops

                então se perdeste 60% de rendimento porque escreves coisas destas “redução do nível de vida”???
                quem te empobreceu está a nadar em dinheiro e não está a pagar a crise!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

                CONVIDO TODOS OS FREQUENTADORES E VISITANTES DO QUINTUS A VEREM ESTE VÍDEO:
                http://www.donosdeportugal.net/

                aqui poderão perceber a causa do empobrecimento generalizado e das desigualdades gritantes que actualmente afectam a maioria dos portugueses .

                • O nosso nivel de vida era absolutamente insustentavel e mascarado apenasa por dosesa massivas de credito barato. Isso é hoje insofismavel.
                  Restam assim duas saidas: ou se mete rapidamente este pais a produzir e de tudo, o que é muito dificil com a esacassez e preços atuais do credito ou se reduz radicalmente os niveis de consumo e as importacoes.
                  Nao havendo a primeira opcao (ainda por cima com um Euro sobreavaliado) so resta a segunda: reducao drastica dos rendimentos. E essa reducao tem que ocorrer na area publica, nas pensoes sociais e nos ordenados mais altos da função publica, por forma a preservar o essencial do sistema.

    • E hei de ir ao Brasil… o presente contexto economico nao me vai permitir aventuras financeiras nos proximos tempos, mas irei…

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