Resposta a Pedro Álvaro sobre a Convergência Lusófona

“O maior aprofundamento económico tem a ver com a falta de impulsionamento político e neste momento o único país que teria as melhores condições para o fazer seria o Brasil, Portugal está sob resgate internacional, ou seja na melhor da hipóteses Portugal só poderá ter algum espaço de manobra a partir de 2014 e é preciso que não hajam complicações até lá. Creio que o Brasil a classe política brasileira já “pendeu” sob influência germânica e francófona, para não dizer outra coisa.”

– Não tenho dúvidas de que o apelo lusófono entre a maioria dos quadros políticos e até da elite inteletual brasileira é muito fraco. Gostaria que fosse de outra forma,  considero que o Brasil é o primeiro a perder com esta deriva isolacionista e solipsista, mas as coisas são como são e não como gostaríamos que fossem. Isso não quer dizer que devemos desistir de trazer de volta o Brasil para o espaço lusófono: pelo contrário tais dificuldades devem fazer-nos preserverar… este mesmo blogue testemunha a existência de muitos brasileiros convictos no destino lusófono do Brasil o que anima nessa senda. Agora não excluo que a almejada “União Lusófona” se faça primeiro com Cabo Verde ou com Angola antes de com o Brasil.

“Está claro que a esses países não lhes interessa o ressurgimento de uma força lusófona no mundo e estão usando tudo o que está ao seu alcance para que isso não aconteça, nomeadamente enlaçando o Brasil em parcerias económicas e pior que isso militares no caso da França, é evidente que alguém está ganhando com isso…”

– E o próprio Brasil se sente seduzido por esse namoro das grandes potencias… é bom para o ego brasileiro, sem dúvida, mas afastando-o dos seus irmãos lusófonos enfraquecem o Brasil e afastam-no dos seus aliados naturais.

“Se estamos esperando que o Brasil assuma esse papel de locomotiva lusófona neste momento, podemos esperar sentados como se diz na gíria. Portanto caberá sempre a Portugal empreender essa tarefa, porque embora neste momento haja na classe política portuguesa quem se deixe “seduzir” pelo eixo franco-germânico, haverá sempre também quem assuma o nosso papel histórico no mundo e ambicione sempre ir mais além, ao contrário do que vejo na elite política brasileira infelizmente.”

– Concordo. Receio bem que os tempos para que o Brasil assuma uma posição de liderança na erecção de uma União Lusófona ainda não tenham chegado. Existe muito pouca consciência lusófona na maioria dos brasileiros,  isto é, na sua maioria nao sabem nem querem saber que pertencem a uma realidade cultural e linguística que transcende a sua própria nacionalidade. Existe um pouco mais (mas em crescendo) desse sentimento em Portugal,  Cabo Verde e Angola e menos,  nos outros países lusófonos. Mas é um processo… requer tempo, paciência e muita divulgação. É isso que tento fazer no Quintus,  com muita paciência e insistência, minha e dos leitores do Quintus,  aos quais agradeço muito a sua paciência para me aturarem nesta caminhada tantas vezes solitária, mas agora mais acompanhada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

“Essa tarefa será feita a dúvida é quando e geralmente as nações movem-se sempre por três motivos, o financeiro, comercial e económico. Se Portugal se vir forçado pela pressão da conjuntura financeira internacional, e quando falo em pressão da conjuntura financeira internacional, estou falando dos dois pólos aglutinantes e que realmente influem no mundo económico, comercial e financeiro, ou seja Wall Street e a “City ” de Londres, ambos trabalhando arduamente para que o domínio anglo-saxónico no mundo continue a prevalecer, a pedir o segundo resgate ao FMI e ao BCE (ao que parece estão à “vontade” para emprestar novamente), então a classe política portuguesa que vier a seguir (esta que está no poder terá os seus dias contados) terá que equacionar seriamente e rapidamente alternativas ao projecto europeu.
Não uma saída da UE ou do euro, porque isso seria um erro estratégico enorme, mas sim promover um contra-balanço ao projecto europeu a partir do Atlântico.
Terá de ser uma estratégia inteligentemente elaborada tendo em conta que teremos de arranjar uma solução alternativa de sustentabilidade, estando inseridos na UE, não será fácil mas não é nada que uma equipa com as melhores pessoas capazes e com experiência internacional em áreas chave e não só na economia, mas também na jurisdição internacional, relações internacionais, comércio, defesa, engenharia e tecnologia, etc…
Uma equipa de alto nível trabalhando juntando sinergias durante apenas um mês, traria a solução ideal para que Portugal estando na UE, pudesse estabelecer outras diretrizes no sentido do a aprofundamento da linha lusófona e o seu enquadramento real na convivência com as outras potências actuais e emergentes da Ásia.
De certa maneira um segundo resgate faria com que o problema de fundo de Portugal saísse da esfera estritamente partidária e política e teria, aliás o povo exigiria que fosse debatido na sociedade civil.
Certo dia perguntaram a alguém porque razão Portugal não avançava, essa pessoa sábia respondeu “enquanto as melhores pessoas de facto deste país não forem discutir durante uma semana para as minas de Jales o que há para discutir, nunca avançaremos”.

– Dizem que todas as crise encerram em si a sua própria solução, conforme nos recorda o ideograma chinês para a palavra. Não é exceção com aquela que já é a mais profunda crise financeira dos últimos cem anos. Nunca se registou uma queda tão grande no nível de vida dos portugueses,  nunca se perderam tão depressa tantos direitos sociais, nunca se evaporou tão depressa o tecido produtivo e empresarial. A gravidade excecional da situação em que vivemos colocou em causa o grande paradigma das ultimas décadas: a convergência europeia. Com efeito, só uma opção extra-europeia pode alavancar a recuperação de Portugal desta situação crítica em que hoje se encontra. E a promoção desta opção é hoje a grande prioridade do MIL.

Fonte:
https://ogrunho.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=26204&action=edit

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Categories: Lusofonia, Política Nacional, Portugal | 17 comentários

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17 thoughts on “Resposta a Pedro Álvaro sobre a Convergência Lusófona

  1. Enoque

    Clavis Prophetarum,
    desta vez vou confrontar algumas de suas posições e, acredito que o Otus scops vai apoiar essas posições suas contra as minhas. Ninguém é obrigado a concordar comigo, e não espero que compreendam a minha linha de raciocínio como cidadão brasileiro, pois nenhum de vocês está no Brasil, portanto, nenhum de vocês dois vai conseguir perceber o que eu desejo para o Brasil.

    Sobre a relações entre o Brasil e as nações lusófonas: As nações lusófonas devem ser vistas pelo Brasil como um dos seus principais laços de relacionamentos geopolíticos. Mas não o único, como você já demonstrou concordar. Mas sim, a Lusofonia devia estar entre as prioridades brasileiras. É muita insensatez da parte dos líderes brasileiros não reconhecer a devida importância da Lusofonia. Mas discordo que o Brasil tenha o dever de liderar o processo de criação da aliança lusófona mundial. Se algum país tem legitimidade para tomar a iniciativa, é o seu país. Portugal, o fundador da Lusofonia global. Vocês alegam que Portugal está sob resgate, mas vocês mesmos sabem que essa crise aí na Europa não vai ser eterna, dentro de alguns anos, Portugal vai voltar a crescer, vai voltar a prosperar. Quando a crise passar, Portugal decide se é conveniente se voltar mesmo para Lusofonia, ou se é preferível se fechar à Europa, ou o que deve ser feito para Portugal prosperar o máximo que puder. O papel do Brasil agora é ser mais participativo da CPLP, como a crise na Guiné-Bissau, por exemplo. Mesmo que o Brasil tenha as suas mazelas internas, é estupidez não tentar ajudar os demais países lusófonos com investimentos, com comércio, e não ficar propondo uma união política entre países para ser acusado como “imperialista” e “neocolonialista”.

    Sobre as relações do Brasil com a França e a Alemanha: Clavis Prophetarum. O Brasil fala português, um dialeto do português que alguns daí consideram “abastardamento”, mas o Brasil não é Portugal. Pior do que o Brasil querer proximidade do eixo Franco-Alemão é Portugal ser membro da OTAN (ou NATO como vocês preferem), apoiando o imperialismo dos EUA sobre o mundo. De longa data, os EUA têm explorado e parasitado o Brasil e outros, e vocês são aliados deles através da NATO. Porque? Porque para a situação de Portugal, é a melhor opção. Nessas horas o que vale é o interesse, e não a amizade ou o parentesco entre os povos. A mesma coisa a posição do Brasil. A melhor forma do Brasil se libertar de verdade da hegemonia dos EUA é tentar uma aliança com países como a França e a Rússia. A formação de um eixo Franco-Alemão-Russo seria o ideal para o Brasil integrar e fazer oposição ao eixo Anglo-Americano, de forma a equilibrar a balança no mundo. O Brasil tem que fazer como fez antes da IIGM, quando explorou a rivalidade Anglo-Americana com a Alemanha Nazi em seu benefício próprio. E a França tem armas nucleares. A França tem uma indústria bélica de excelente qualidade. A França tem uma indústria aeronáutica e aeroespacial de excelente qualidade. A Alemanha tem tecnologia avançada. A Rússia tem experiência também em aeronáutica, indústria bélica e aeroespacial e tem armas nucleares. As nações da CPLP têm essas indústrias, essa tecnologia de forma a substituir a França e a Rússia? Em quem o Brasil deve confiar? Na China? É claro que não! Nos EUA? São os primeiros a não quererem o progresso tecnológico nacional do Brasil. O Japão também tem tecnologia avançada, mas está demasiado aliado aos EUA devido ao seu contexto geopolítico, o que é natural. Israel também tem tecnologia avançada, mas está ligado demais aos EUA devido ao seu contexto regional geopolítico? A quem o Brasil deve ser aliar? À Coréia do Norte? É a pior opção do mundo. Deve se aliar ao Irã(o)? Seria um completo desastre.
    Qual é o menos pior aliado geopolítico para o Brasil? É a França, CP! Eu sei que os franceses e os alemães só querem o que é melhor para os seus países, querem se beneficiar as custas de outros. Mas a França é um país democrático de longa data, um Estado de direito, e desde a queda de Napoleão Bonaparte nunca mais o Brasil e a França estiveram de lados opostos em alguma guerra. Os EUA não vão se incomodar tanto com uma aliança entre o Brasil e a França como se incomodariam se fosse entre o Brasil e a China, ou o Brasil e o Irã(o), entre o Brasil e Coréia do Norte, ou se fosse só entre Brasil e Rússia.
    Eu não quero os EUA como inimigos. Mas nem por isto eu quero o Brasil submisso aos EUA. O Brasil certamente não vai aderir ao euro, ao espaço de Shengen, a UE. O Brasil tem que se limitar a fazer alianças geopolíticas, negociar parcerias de exploração científica e comercial do espaço com a ESA e a Roscosmos, cooperação na área de aeronáutica, cooperação científica principalmente. Você está contra a forma como o Brasil se relaciona com a França e com a Alemanha porque você está em Portugal e vê a situação do ponto de vista de quem está em Portugal, e vê a Alemanha como uma ameaça neocolonialista através do euro. A Europa com toda a sua xenofobia, com todo o seu racismo é um conjunto de aliados melhores para o Brasil do que os EUA. Em especial a França.

    A Lusofonia deve ser uma das principais vertentes para o Brasil. Não a única. E a aliança do Brasil com o eixo Franco-Alemão é por outras razões. Nem para Portugal e nem para o Brasil a CPLP pode simplesmente substituir a Europa. Não cometa engano, CP! 😉

    • Sendo brasileiro e vivendo aí desde sempre não questiono a tua capacidade para ajuizar sobre o destino estratégico do Brasil. Sou portugues e isso condiciona tambem a minha propria mundovisao… nesta, o Brasil assume sem pudor, uma posição cada vez mais importante e influente no globo, mas fa-lo nao à custa de aliancas bilaterais, que se desfazem sempre ao sabor das conveniencias ou das fatuas necessidades do momento, mas integrando na sua estratégia de crescimento e projecao diplomatica a lusofonia como um alicerce seguro, duradouro e confiavel, porque assente em estruturas de longa duracao como a lingua e as proximidades culturais para obter esse “upgrade” da sua posição geoesatrategica no mundo.
      Esse é o melhor interesse a longo prazo do Brasil, ainda que reconheca hoje que Portugal nao deve esperar pelo Brasil para fundar a almejada Uniao Lusofona e buscar ja hoje essa convergencia em Cabo Verde e Angola… o resto (Brasil incluido) virá depois.

  2. Igor

    Discordo completamente desse texto.Primeiro,não fomos nós que ao entrar na União Européia demos as costas aos países da língua Portuguesa.Quem fez isso foram os Portugueses ,que ao entrar na União Européia foi seduzido pelo conto de fadas da potência alemã e hoje conhecemos o resultado desse conto. Nós temos o museu da língua portuguesa,nós criamos a reunião dos países Lusitanos,nós propomos o acordo ortográfico .Emprestamos dinheiro a países de língua portuguesa para que esses países tenham condições de combater o trafico internacional de drogas etc etc. Portugal tenta resgatar agora, o que deveria ter feito ha muitos anos atrás,seria uma integração de todos os países de língua Portuguesa.Seja por motivos financeiros ou para corrigir erros do passado Portugal tenta uma aproximação ou integração entre esses países,mais vejo que essa tentativa de integração hoje não é mais interessante para o Brasil, até por que eu creio que o Brasil exerce uma liderança muito maior no teatro internacional e também nos países lusitanos do que Portugal.

  3. Agradeço ao moderador Clavis Prophetarum pelo facto de se ter dignado a responder a posição sobre a convergência lusófono e se me é permitido dar mais uma achega tendo em conta aos comentários brasileiros diria o seguinte:

    A questão lusófona vai esbarrar quer queiramos quer não na nova posição do Brasil do mundo, até aqui o Brasil era de certa maneira tolerado pelas maiores potências do mundo ocidental mas a partir do momento em que substituíram os ingleses no ranking das economias mais poderosas, a questão muda de figura e é justamente aqui que o Brasil está cometendo um erro de principiante de quem anda nestas andanças, e creio que está desbaratando o facto de justamente Portugal poder ser útil.
    O Brasil não estuda a história e qualquer país que não estuda a história e mais grave que isso a história de seu próprio país, nunca poderá ambicionar a influenciar o mundo por muito que queira.
    Um país quando parte para um curso da sua história em que tenha uma posição dominante, tem de dominar senão o fizer rapidamente outros o farão.
    Outra lição da história é que qualquer império ou força dominante militarmente no mundo sempre foi auto-suficiente a nível de conhecimento, tecnologia e estratégia militar, podemos ver isso destes os tempos do Império Assírio, Romano, passando pelos impérios, português, francês, inglês, americano e agora o chinês.
    O Brasil comete de início dois erros o primeiro aparta-se das questões africanas e mais concretamente da África lusófona, ao invés Angola está a cimentar a sua posição na África austral e muito bem articulando essa posição com Portugal, é sabido que este continente jogará um papel importante quer a nível geo-político quer a nível de abastecimento de matéria prima e qualquer nação com estratégia global tem de ter um pé em África, Portugal pela sua história já entendeu isso há muito.
    O segundo erro é o de querer ser uma potência militar regional aliando-se a um país mais pequeno, a França e aqui reside também o busílis da questão, será que o Brasil não tem capacidade para produzir uma indústria militar ou outras, a resposta é, tem e agora mais que nunca e porque não o faz? A resposta seria um nome muito feio e que me abstenho de o dizer porque seria muito forte, pois como já disse anteriormente alguém está ganhando com o facto de o Brasil paradoxalmente, não estar produzir tecnologia, marcas e patentes que se vejam, neste caso concreto ganha a indústria de defesa francesa e ganham alguns políticos brasileiros por certo.
    O crescimento brasileiro será bom lembrar assenta em dois acontecimentos de projecção mundial que vão acontecer naquele país, o mundial de futebol e jogos olímpicos mas acima de tudo pelo crescimento da China que teve de ir ao mercado se abastecer de matéria prima que falta às suas indústrias e onde obviamente o Brasil é o seu maior abastecedor, portanto se o Brasil não criar tecnologia e conhecimento e produzir bens de valor acrescentado entretanto, a montanha parirá um rato daqui a uns anos.
    Se o Brasil se quer omitir do seu papel no seio da lusofonia e quer deixar esse papel a Portugal tudo bem, mas então sejam coerentes e deixem para Portugal também o papel de liderar o acordo ortográfico, não podemos querer comer sempre a carne e deixar os ossos para os outros, se comemos a carne há que comer os ossos.
    Em conclusão Portugal para cimentar a lusofonia terá de cimentar em primeiro lugar as relações com os países africanos de expressão portuguesa, Timor, Macau e regiões indianas e no pacífico onde ainda existem marcas portuguesas, antiga Ceilão, Damão, Dio, Goa. e terá de ir reactivar os seus relacionamentos seculares com países que se afastou, casos do Japão e países do médio oriente.
    Assim ganharemos mais espaço de manobra e não estamos dependentes de quem prometeu de vir e não veio.

  4. Enoque

    Clavis Prophetarum,
    eu vejo que o Brasil tem como leque de opções, a América do Sul, a África ao sul do Sahara, e os BRICS. Liderar a África vai ser papel da África do Sul, mas este país é propenso a ser um aliado do Brasil. E os países africanos de língua portuguesa poderiam ter um relacionamento privilegiado com o Brasil através da CPLP, mas não seriam os únicos países africanos a ter ligações econômicas/comerciais com o Brasil. Os países da América Latina estão praticamente em três grupos, um seguem o ponto de vista brasileiro que é o do meio-termo, outro grupo são os bolivarianos liderados pelo Hugo Chávez e anti-EUA e outro grupo é pró-EUA liderado pelo México. O grupo bolivariano apesar de radical, não é hostil ao Brasil, apesar das aventuras do Evo Morales contra a Petrobrás no passado. Mas que os “nuestros vencinos” são chatinhos, ah são sim. 🙂 Mas o Brasil tem condições de ser o líder da região aqui. O Brasil tem condições de ser potência hegemônica no Atlântico Sul.
    Outra opção de aliança geopolítica, os BRICS, principalmente a África do Sul e a Índia têm interesses em comum com o Brasil. A Rússia também seria um aliado interessante.
    O eixo franco-alemão é uma forma de reduzir a hegemonia dos EUA no Atlântico Norte, não é uma aliança absolutamente ruim. O que a Alemanha faz à Portugal, à Grécia, à Espanha… é porque os governantes europeus do sul deixam. Se as populações grega, portuguesa e espanhola exigirem o fim das medidas de austeridade, exigir mudanças, os alemães não vão optar pelo uso das armas. Vão querer negociar.
    Para podermos ter espaço para crescer, é necessário um mundo multipolar, e não um mundo onde só os EUA são a superpotência dominante. Ou só os EUA e a UE.

    “…considero que o Brasil é o primeiro a perder com esta deriva isolacionista e solipsista…”
    O Brasil não está se isolando, está se aliando com quem lhe convém no momento.

    “Isso não quer dizer que devemos desistir de trazer de volta o Brasil para o espaço lusófono: pelo contrário tais dificuldades devem fazer-nos preserverar…”
    Tudo bem! Não desistam! Mas não protestem com a postura geopolítica brasileira! Antes, tentem negociar, façam propostas!

    “E o próprio Brasil se sente seduzido por esse namoro das grandes potencias… é bom para o ego brasileiro, sem dúvida, mas afastando-o dos seus irmãos lusófonos enfraquecem o Brasil e afastam-no dos seus aliados naturais.”
    Não é uma questão de “ego”, é uma questão de ser conveniente para o Brasil neste momento da história mundial e da geopolítica. Quanto ao “afastamento” (que na verdade não é afastamento, mas falta de maior proximidade) dos demais países lusófonos, é falta de visão dos líderes brasileiros. Onde Portugal errou? Portugal após o 25 de Abril olhou para a Europa e só para a Europa. Esqueceu-se não só das demais nações lusófonas como de outras nações que falam outros idiomas que ainda hoje seriam parceiros estratégicos para Portugal. Por exemplo, os principais investidores em Portugal são os espanhóis. Existem outros, como os alemães. Mas, os líderes portugueses tem que aprender que um país tem que ter, além da indústria nacional, várias opções de investidores. E não seguir a proposta estúpida do Sócrates “Espanha, Espanha, Espanha.” Portugal tem que aprender a deixar diversos investidores de diversos países concorrerem entre si pelo mercado português. Portugal tem que aprender a ter um leque de opções, e não se pender só para uma opção. E é isso que o Brasil faz hoje. Trabalhar com um leque de opções. 😉

  5. Enoque

    Respondendo somente por mim.
    “está desbaratando o facto de justamente Portugal poder ser útil.”
    – Mas eu não nego o grande benefício que Portugal pode dar ao Brasil em termos de relações internacionais. Acho que o Brasil tem que ter a CPLP como uma de suas prioridades, mas não a sua única opção.

    “O Brasil comete de início dois erros o primeiro aparta-se das questões africanas e mais concretamente da África lusófona…sabido que este continente jogará um papel importante quer a nível geo-político quer a nível de abastecimento de matéria prima e qualquer nação com estratégia global tem de ter um pé em África”
    Concordo totalmente! Ignorar a África no século XXI é “dar tiro no próprio pé”.

    “O Brasil não estuda a história e qualquer país que não estuda a história e mais grave que isso a história de seu próprio país…”
    – Eu estudo. História Geral é uma das minhas matérias favoritas. E estudo a do Brasil também.

    “Outra lição da história é que qualquer império ou força dominante militarmente no mundo sempre foi auto-suficiente a nível de conhecimento, tecnologia e estratégia militar…”
    – Mas aqui está o “X” da questão. É aqui que o Brasil tem que consertar os seus erros, além das mazelas sociais.

    “…portanto se o Brasil não criar tecnologia e conhecimento e produzir bens de valor acrescentado entretanto, a montanha parirá um rato daqui a uns anos…”
    – Mas é claro! Mas na falta de mão de obra especializada, na falta de gente capaz de criar tecnologia, precisamos correr atrás de quem tem e possa ceder alguma coisa. A França no caso não cederia tudo, é lógico. Por exemplo, se o Brasil usa o Rafale na FAB, pode estudar o seu funcionamento, a sua forma de produção, até que os engenheiros aeronáuticos brasileiros possam criar caças melhores com tecnologia nacional e o Brasil tenha autonomia tecnológica. Assim com os submarinos como Scòrpennes, etc. O Brasil demorou muito para decidir qual modelo de caça comprar. Foi um erro grande, na minha opinião.

    ” erro é o de querer ser uma potência militar regional aliando-se a um país mais pequeno, a França e aqui reside também o busílis da questão, será que o Brasil não tem capacidade para produzir uma indústria militar ou outras, a resposta é, tem e agora mais que nunca e porque não o faz? ”
    Ok! Então a quem nos aliamos. Aos EUA? Já foi tentado no passado. A ninguém? Criar uma indústria militar com a mesma qualidade da Europa Ocidental ou dos EUA, o Brasil ainda não tem. Os nossos governantes não tiveram sabedoria para investir na formação de mão de obra especializada em grande quantidade, além do problema da fuga de cérebros para países onde os salários são melhores. O Brasil tem um problema sério de estrutura tributária e trabalhista que tem que ser resolvido o mais rápido possível, além da falta de mão de obra especializada.

    Um departamento ultramarino francês faz fronteira com o Brasil. É a Guiana Francesa. Lá está a base de lançamento da ESA. E a Rússia deixou de lançar do Cazaquistão para lançar da Guiana Francesa também. Dos países que fazem parte da corrida espacial, o Brasil é o mais atrasado e talvez o mais patético. No passado,a Rússia e a França ofereceram vantagens ao Brasil em troca do uso da base de Alcântara, no Maranhão. O que nós vemos por aqui é que o tempo passa, e o Brasil não progride na área aeroespacial. Assim como é necessário “ter um pé na África”, é necessário também “ter uma mão no espaço” para ser uma potência. Então, penso que o Brasil devia tentar tirar algum proveito da experiência européia e russa na área. Porque esses não iam se dobrar a oposição dos EUA. Mas posso estar equivocado quanto a tentar uma parceria com a França, Alemanha e Rússia.
    Mas apoiar a tentativa de receber algo da França não significa que o Brasil tem que virar as costas para a Lusofonia. Mas nem por isso deve se fechar só a Lusofonia também, há outros países importantes, como a Índia, os países do Oriente Médio, do Extremo Oriente Asiático.

  6. Bissaya Barreto um poeminente médico português dizia “um homem não se mede pelo números de amigos que tem mas sim pelo número de inimigos”.
    Não podemos ser ingénuos ao ponto de agradar a gregos e a troianos, posição assumida pelo Brasil, correndo o risco de com o correr do tempo a sua posição na cena mundial começar a cair em descrédito pelas outras “raposas” que também tem interesses no mundo.
    O Brasil não pode querer entrar dentro do covil e sair de lá incolme, ou então ficará sempre há porta que é este o caso.
    É óbvio que fazer uma CPLP forte terá como consequência a hostilidade do mundo anglo-saxónico, francofono e germânico e obviamente o Brasil não se quererá queimar, porque tem muito a perder com essa posição.
    Ao contrário curiosamente Portugal chegou a uma situação onde não tem nada a perder e como tal nunca esteve numa situação tão favorável de empreender tamanha tarefa.

    • A este respeito, sabe-se que o nigerianos (que dominam a cedeao) estão furiosos co, a atitude frontal e decidida da cplp (gracas à boa coordenacao que houve entre Angola e Portugal) e estão neste momento a jogar nas sombras para assumirem o controlo da situação.Fala-se que estarão a preparar uma intervencao militar (liderada pela Nigéria) que avancara sem a cplp e logo que a ONU der luz verde.

  7. Apenas um reparo gramatical, como escrevo directamente na caixa de comentário às vezes escapam umas gralhas e claro que vez de “há” é “à porta 🙂

  8. Enoque

    “É óbvio que fazer uma CPLP forte terá como consequência a hostilidade do mundo anglo-saxónico, francofono e germânico e obviamente o Brasil não se quererá queimar, porque tem muito a perder com essa posição.
    Ao contrário curiosamente Portugal chegou a uma situação onde não tem nada a perder e como tal nunca esteve numa situação tão favorável de empreender tamanha tarefa.”
    – Sim. Uma CPLP forte vai incomodar o mundo anglo-saxônico principalmente. E o Brasil ainda não chegou no nível de medir forças com eles. Ao eixo franco-alemão também vai incomodar. Mas os líderes portugueses percebem que Portugal chegou a uma situação onde não tem nada a perder? Vão concordar em trocar a UE por uma CPLP mais forte? O comportamento do Passos Coelho e do Paulo Portas não confirma que Portugal quer deixar a UE e reformar a CPLP para ser um megabloco lusófono.
    Porque as nações de língua portuguesa estando espalhadas pelos continentes, se decidirem formar um bloco, haverá possibilidade de emergir uma nova superpotência no globo, principalmente no aspecto comercial.

  9. Quando se diz que Portugal não tem nada a perder é justamente porque está numa situação em poderá fazer a virada sem que ninguém lhe possa apontar um dedo.
    Passo a explicar, como as principais fontes de pressão mundial dizem que Portugal caiu nesta crise porque não estava preparado estruturalmente para o crescimento económico e porque tinha um estado gastador, dado que pela despesa este governo está implementando um dos maiores cortes que há memória, relativamente ao crescimento económico o país se encontrar soluções fora da Europa e crescer, além de ser bom para o próprio país será benéfico para a Europa, e volto a repetir que defendo a não saída nem da UE nem do euro por parte de Portugal porque isso seria um erro, além de que será sempre uma mais valia para o mundo lusófono que Portugal faça parte como membro de pleno direito da UE.
    Creio que a breve trecho o país encontrará uma forma de se encontrar no mundo, estando na UE e no euro e fortalecendo a CPLP.
    Basta olhar para o mapa e ver que Lisboa é a única capital da Europa mais próxima de África, Estados Unidos da América e América Latina.
    Se no passado recente da CEE e depois UE, Portugal precisou da Europa e mais nomeadamente no pós período revolucionário, a Europa precisará de Portugal no futuro isso é óbvio, e como precisará aceitará aquilo que Portugal achar pôr em cima da mesa e isso passará pela aceitação por parte da Europa de que somos um país europeu por direito próprio há mais de 900 anos mas que também somos um país universal de há mais de 500 anos, ou seja temos mais tempo de universalidade que muitos países tem como nação, inclusive europeus.

    • Portugal caiu neste buraco porque entrou no Euro… depois da entrada o preço do crédito caiu em flecha e tornamo-nos gastadores quando antes éramos austeros por temperamento e matriz cultural.
      O euro arrasou as nossas exportacoes e confirmou a estrategia europeia de nos tornar numa economia de servicos, hiperdependente das importacoes de transaccionaveis e de alimentos.
      Hoje, temos mesmo que reduxir e muito as despesas do Estado, cortando salarios e pensoes publicas… o ajustamento é essencial. Mas está a ser mal feito, sem atacar os privilegios da PPP nem as grandes fortunas, nem as grandes pensoes e salarios, nem estimulando fiscalmente as empresas que mantem ou geram emprego. E sem colocar em perspetiva a cada vez mais inevitavel reestruturacao.

      • Riquepqd

        “…quando antes éramos austeros por temperamento e matriz cultural…”

        Isto é verdade, no Brasil, imigrantes libaneses, judeus e portugueses tem além da fama de comerciantes natos, uma fama de serem bastante “austeros”, que não abrem a mão nem pra dar tchau, se é que me entendem… 🙂

        • E a matriz desse verdadeiro portugues continua bem presente… mascarada apenas por uma leve patina de “civilizacao europeia”…

          • Ricardo Silva

            Clavis, gostava de perceber o sentido de “União Lusófona”..
            é algo com sentido essencialmente cultural ou com sentido político e económico?
            Porque se tiver outro sentido sem ser só cultural, parece-me absurdo pensar nele sem que Portugal saia da UE.
            E é precisamente esse percurso recente de Portugal que o afastou dos restantes Países Lusófonos.
            Portugal não pode estar a jogar em duas mesas de jogo ao mesmo tempo, querendo assumir-se como “maestro” sobretudo quando não tem argumentos outros que não sejam mão de obra especializada e know-how (no caso de Angola) e estuto de igualdade de direitos (Brasil) para colocar na mesa da CPLP.
            Como angolano, recordo-lhe que a recente aproximação entre Angola e Portugal deve-se mais à persistência Angola que a acções de Portugal.

            O Reino Unido joga em dois tabuleiros, mas tem outro peso mundial e económico e é muito subtil nas suas acções.

            Portugal não pode fazer isso.
            Vejamos dentro da CPLP o peso específico de cada um:
            – Portugal é membro da UE, tem um bom padrão de desenvolvimento, mas que não é sustentado pela sua economia ; tem vivido recentemente dos Fundos de restruturação Europeus, como ao longo da sua História viveu sempre de fluxos de terceiros (colónias); neste momento está em crise e com fluxo de emigração para o exterior (de novo) e dependente de recusos financeiros externos para se tentar equilibrar.
            – O Brasil é um dos BRIC, com crescimento, busca tecnologia e tem mercado interno; tem dinheiro neste momento, resultante essencialmente de matérias primas e alguma tecnologia. Tem ambições regionais e mesmo mundiais. O brasileiro já não emigra como antes.
            – Angola é um exportador de matérias primas e com a atracção e fixação de 300/400.000 portugueses deve conseguir estabelecer um tecido industrial que não tem e impulsionar uma classe média dinâmica, que também não tem; tem perspectivas boas de crescimento ; tem dinheiro resultante de matérias primas.
            – Moçambique, apesar de estar a atrair bastantes Portugueses, é um país muito dependente e integrado com a Africa do Sul (sempre conduziram ao contrário, mesmo antes da independência).
            Penso que vai ser um país com um grande futuro, mas lento. Tem gás.
            – Guiné, é como grande parte dos países africanos, inviável. Vai ser sempre dependente de ajuda externa
            – Cabo Verde é um país que consegue aguentar-se, mas com crescimento e evolução lenta.
            – São Tomé, deve receber um impulso grande com o petróleo, mas é dependente de Angola (em muitos sentidos)
            – Guiné Equatorial é muito similar a São Tomé, mas tem a particularidade de estar isolado em termos de língua oficial e optou por fugir da “diluição” nos vizinhos .
            Tem petróleo, o que lhe dá boas perspectivas de evolução.
            – Timor é algo que não sei por quanto tempo se vai aguentar na CPLP, sobretudo após a entrada dos dividendos do petróleo.

            Daqui deduzem-se interesses e linhas de acção regionais e mundiais diversificadas. Onde pode haver convergência numa “União Lusófona” sem dano desses interesses/linhas de acção?
            Daí, se calhar, certas acções bi-partidas que vão surgindo.

            • otusscops

              Ricardo Silva

              apesar de simplista a análise país-a-país, gostei imenso dela mas não entendo a menção à Guiné-Equatorial.
              está a passar-se algo que desconheço???

              sobre Portugal, o caso quie melhor começo, essa análise é um cliché que os brasileiros tem, nomeadamente os média que não tem qualidade e falam de leviandades.
              Portugal não vive de fundos, os portugueses agora estão em crise porque TEM DE OS PAGAR e porque não os aproveitaram convenientemente sofrem por isso.
              payback time arrived!!!

              sobre o Brasil falta mencionar as enormes desigualdades sociais, economia baseada em commodities que não garantem estabilidade a médio longo prazo.
              o cluster tecnológico-industrial é a minha esperança no Brasil.

            • Ricaro, irei responder-lhe num Post dedicado (a resposta é extensa demais para a ferramenta que uso para responder aos comentarios)

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