Miguel Real: “Desde a queda do Império em 1975, a desconfiança e o ressentimento entre as classes politicas dirigentes dos diversos países e comunidades de língua portuguesa têm travado a realização prática da Lusofonia”

Miguel Real (http://images.wook.pt)

Miguel Real (http://images.wook.pt)

“Desde a queda do Império em 1975, a desconfiança e o ressentimento entre as classes politicas dirigentes dos diversos países e comunidades de língua portuguesa têm travado a realização prática da Lusofonia. Dito de outro modo, não a História com maiúscula, essa toda favorece a Lusofonia, mas a história com minúscula, isto é, o jogo político conjuntural, tem de facto frustrado o anseio de Lusofonia.”

O Futuro da Lusofonia
Miguel Real
In Revista Nova Águia, número 8

Já passou muito tempo desde 1975. Mas, apesar disso ainda existem muito ressentimentos latentes entre os PALOPs e Portugal, especialmente entre Angola e Portugal. Do lado angolano, existe uma reação crescente em certos segmentos da sociedade angolana contra a presença crescente de imigrantes portugueses em Angola. Nalguns casos, resvalasse mesmo para o racismo e essa atitude é particularmente evidente nas redes sociais… Em Portugal, nota-se atitude semelhante (mas menos extremada) numa reação à presença crescente de capital angolano na economia portuguesa.

Nas relações entre Portugal e o Brasil existem questões semelhantes. Existem em Portugal mais de 200 mil emigrantes português, um décimo do numero de emigrantes portugueses que viverão hoje no Brasil. Existe algum tipo de sentimento racista em algumas camadas (de menores níveis académicos) na sociedade portuguesa, mas o fenómeno é raro e de baixa intensidade.

A aproximação lusófona tem também aqui algum espaço ainda por percorrer. Mas este espaço é cada vez menor à medida que mais cidadãos lusófonos migram de uns países para os outros, já que é pela via direta do conhecimento pessoal que estas barreiras da incompreensão melhor se vão demolindo…

Anúncios
Categories: História, Lusofonia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 14 comentários

Navegação de artigos

14 thoughts on “Miguel Real: “Desde a queda do Império em 1975, a desconfiança e o ressentimento entre as classes politicas dirigentes dos diversos países e comunidades de língua portuguesa têm travado a realização prática da Lusofonia”

  1. Enoque

    “Nas relações entre Portugal e o Brasil…”
    Bem, o Brasil está independente a quase 200 anos, é diferente das relações entre Portugal e os Palop. O que acontece é que o fenômeno da imigração não é tranquilo. Quando o Brasil recebia imigrantes, havia muita xenofobia por aqui também. Hoje mesmo há casos de rejeição de brasileiros de uma região do Brasil contra outros brasileiros de outra região do Brasil. E principalmente o tipo de imigrante que um país recebe pode-se criar um estereótipo que nem sempre condiz com a totalidade da sociedade do país de origem do imigrante. Eu acredito que até a mão de obra especializada que agora vem, até mesmo os norte-americanos que vêm trabalhar no Brasil vão ser rejeitados por alguns elementos da sociedade brasileira que vão se sentir prejudicados pela concorrência no mercado de trabalho. E não adianta eu e você tentarmos convencer um xenófobo de que a imigração não é totalmente ruim porque pessoas xenófobas são pouco inteligentes. Xenófobos baseiam suas análises sociais na generalização da culpa.

    • Há estudos que dizem que quando a percentagem de imigrantes nu, a dada sociedade passa uma certa percentagem (julgo que os 6 por cento) a xenofobia torna-se um problema… é pois assim normal a erupção desses problemas. A questão é saber combate-los e não os deixar em terrenop fértil. Felizmente que Portugal e o Brasil têm uma base multietnica muito forte que retira as bases a esses fenomenos e impede que alcancewm os excessos comuns noutras paragens. ..

      • Otus scops

        onde é que Portugal tem uma base multiétnica muito forte???
        CP desculpa,mas estas tuas alusões constantes à etnia e raças são algo preocupantes, mas o pior de tudo são falsas.

        lá por termos na nossa base genética uma certa variedade de genes provenientes dos mais variados pontos do globo – parece que ainda temos o Homem de Neanderthal a correr nas veias, o que explica muito do primitivismo dos nossos concidadãos – não temos nada de base multiétnica forte, há mais de 600 anos que não recebemos “inputs” genéticos significativos.
        deves de parar com esta demagogia, a realidade não mostra nada do que dizes nem existem estudos que comprovem o que dizes.
        e essa tolerância histórica que os portugueses tem exibido ao longo do tempo é mais na terra dos outros do que em Portugal.
        não queiras comparar sequer a diversidade étnica do Brasil com a nossa, lá é muito maior, seja em número de indivíduos, seja na variedade étnica-rácica.
        nós não temos nem uma nem outra. para o bem e para o mal…

        • Falo da mestiçagem e da sua importancia para as atitudes e comportamentos grupais de uma comunidade e, naturalmente, do seu reflexo na existencia de atitudes racistas ou xenofobas nesta comunidade. Penso que nao negas a riqueza e pluralidade dos contributos geneticos que fomos recebendo ao longo do s seculos e ate em epocas recentes (Lisboa no seculo XVII teria um quarto da populacao negra e o Algarve em epoca das Invasoes Francesas, perto de 20%), falo do facto de um portugues “tipico” (moreno, pele e olhos escuros) ir a Marrocos, Egipto, Grecia, Italia ou Espanha e ser confundido com os naturais. Isso nao acontece com os germanicos e nordicos e introduz uma noção de alteridade, de respeitop pelo Outro (que somos tambem “nos”) que nao se observa facilmente nesses povos do norte.

          • Otus scops

            CP

            não nego nada da mesticagem.
            sabes que são assuntos que não valorizo, para mim somos todos animais, sem distinções.
            raças é para cães, vacas, cavalos, etc.

            já falamos isso por aqui, os africanos que existiam nesses tempos eram escravos e não se misturavam, eram segregados, não eram integrados na sociedade, não deixavam marca, não deixavam NADA!!!
            mete isso na cabeça, não tinham a importância que insistem em dar, eram electrodomésticos.
            sabes onde é a Rua do Poço dos Negros em Lisboa???
            sabes o que era e o que significava???

            mas também tivemos inputs genéticos bem mais recentes de brancos do norte da Europa, com franceses sobretudo.
            aliás, na formação de Portugal, vieram europeus colonizar o país, vê quantas terras existem com o topónimo “Francos”.

            se queres dizer que somos misturados genéticamente, sim somos. se queres dizer que somos diversificados étnicamente, não não somos.

            sobre isso induzir alguma tolerância à diferença, não te sei responder.
            talvez seja por termos sido sempre pequenos demais para as empreitadas que encetámos tornamo-nos pragmáticos e optamos por usar autóctones, independentemente de de terem outros tons de pele, religiões, credos, culturas, desde que isso servisse a Coroa Portuguesa.
            apenas isso, não tem nada de espiritual ou de desígnio filosófico…

            • Sei o que era rua sim, mas sei tambem que esses negros se diluiram no nosso sangue de hoje e que assim, todos somos negros, de facto, aos olhos de puristas “arianos” de olhos azuis e pele clara.

              • Otus scops

                “sei tambem que esses negros se diluiram no nosso sangue de hoje”
                RESIDUALMENTE SEM IMPACTO
                (nesses tempos, hoje não, a mestiçagem está por aí aos olhos de todos)

                ” e que assim, todos somos negros, de facto, aos olhos de puristas “arianos” de olhos azuis e pele clara.”QUE INTERESSA QUE “O QUE OS ARIANOS” PENSAM SOBRE NÓS??? AFECTA-TE??? TENS ALGUM COMPLEXO???
                (as generalizações são demagógicas e injustas, CP. há muitos alemães que não são racistas. há uma percentagem enorme de casais alemães miscigenados, sobretudo com asiáticas)

                • Nao falo nunca dos individuos. Para op fazer teria que conhecer (e muito bem) cada alemão. a minha posição é que existe algo na mundovisao germanica que os levou a deixar eleger e a deixar viver (e apoiar) um regime como o nazi.
                  algo esta eticamente “quebrado” na Alemanha e eles sabem disso, como se observa facilmente na forma ambivalente com que lidam com a sua propria História recente.

  2. Bem o mesmo ocorre entre os países de língua Inglesa e francesa então o português não seria uma exceção, mas existem meio de se combater tais ressentimentos e garantir a integração para o bem mutuo entre os países lusófonos. Isso é um dever dos governos e das sociedades de cada país que tem muito a ganhar com essa integração.

  3. Otus scops

    CP

    duas coisas:
    1. tem havido vários comentários teus que não dão a possibilidade de responder directamente.
    dá a sensação que a WordPress está a “borregar” outra vez.

    2. vou responder aqui ao teu comentário nº 127527:

    essa analogia com as ditaduras é lamentável.
    assim todos os portugueses são salazaristas, esclavagistas.
    a única coisa que a Merkel disse sobre a 1ª volta das presidenciais francesas foi que estava atónoita com o progresso da extrema-direita.
    isto arrasa com tudo o que dizes sobre a tua mundovisão sobre a weltanschaung dos alemães. agora embirraste com eles.
    é pura birra.

    sabes bem que Hitler usurpou o poder, coagiu, eliminou milhares de opositores à sua política, dizer que os alemães são na sua maioria genocidas é maldade pura.
    Marx e Engels, os maiores teóricos da esquerda são o quê, brasileiros???

    • Ora, a partir do momento em que os vizinhos judeus comecaram a desaparecer em massa achas sinceramente que eles nao sabiam o que se passava? Sabiam e calaram, embevecidos com um programa que tinha uma ressonancia perfeita no seu quadro mental.

    • E os alemaes nao sao na sua maioria genocidas. a geracao da guerra simplesmente nao quis saaber, foi indiferente, e isso pode ser ainda pior.

  4. Otus scops

    achas isso???
    gostava de te ver na Alemanha dos anos 30 de peito cheio a bradar pelos vizinhos que iam desaparecendo.

    além demais, eles tiveram o cuidado de fazer os campos de extermínio fora da Alemanha, como sabes.

    é pura má vontade tua contra uma página negra da história desse país, além demais passaram-se 67 anos, acho que já basta, não???

    em memória de todas a vítimas do nazismo, sejam os deportados, sejam os silenciados para sobreviverem:

    Bertold Brecht (1898-1956)

    Primeiro levaram os negros
    Mas não me importei com isso
    Eu não era negro
    Em seguida levaram alguns operários
    Mas não me importei com isso
    Eu também não era operário
    Depois prenderam os miseráveis
    Mas não me importei com isso
    Porque eu não sou miserável
    Depois agarraram uns desempregados
    Mas como tenho meu emprego
    Também não me importei
    Agora estão me levando
    Mas já é tarde.
    Como eu não me importei com ninguém
    Ninguém se importa comigo.

    Martin Niemöller, (1892-1984)

    Um dia vieram e levaram o meu vizinho que era judeu.
    Como não sou judeu, não me incomodei.
    No dia seguinte, vieram e levaram outro vizinho que era comunista.
    Como não sou comunista, não me incomodei .
    No terceiro dia vieram e levaram o meu vizinho social-democrata.
    Como não sou social-democrata não me incomodei.
    Quando vieram buscar os sindicalistas não disse nada
    não sou sindicalista
    Quando vieram e me levaram
    já não havia ninguém para se ouvir…

    ( Este poema tem numerosas variantes. Na época de McCarthy o termo “comunista” desapareceu do poema. Esta versão é a de 1976)

    http://ponteeuropa.blogspot.pt/2009/07/os-solipedes-nao-aprendem.html

    • Nao é ma vontade. A arrogancia da Alemanha de hoje, acusando-nos de despesismo quando eles foram tao culpados como nos (europeus do sul) justifica essa recordacao, porque se “pecamos”, entao eles pecaram muito mais. E os gregos que o digam que os milhoes roubados pelos nazis do banco central grego nunca foram devolvidos…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: