Estado das Forças Armadas da Guiné-Bissau (Exército, Marinha e Força Aérea)

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Em começos da década de 90, o exército guineense contava com cerca de 5700 homens no exército, divididos por um batalhão de tanques, 4 batalhões de infantaria (5 em algumas fontes), um batalhão de artilharia, um de reconhecimento e uma unidade de engenharia. A infantaria estaria armada principalmente com espingardas de assalto AK-47, algumas FN FAL, diversos modelos de metralhadoras pesadas e lançadores de granadas RPG-7. O batalhão de tanques seria composto por 10 T-34 (do tempo da Guerra Colonial), os 30 T-54 e T-55 estariam já fora de uso há alguns anos e 12 PT-76s seriam os que restavam dos 15 originais. Os T-34 também não são vistos há alguns anos. Os batalhões de infantaria e o esquadrão de tanques seriam complementados por 55  BTRs-50/60 e alguns 152 e BRDM-2. A artilharia seria composta por cerca de 30 peças de artilharia de 85, 105 e 122 mm estariam disponíveis, assim como armas anti-aéreas de 23 mm e alguns morteiros de 82 mm e 8 morteiros 120 mm. Em termos de defesa aérea estariam disponíveis alguns SA-7 e Strella-2. Um relatório de 2008 da ONU indicava que nos três ramos, existiam 4 mil homens. Outras fontes mencionavam um total de 4430 homens sendo que esta discrepância se pode dever à inclusão (ou não) dos 2 mil homens da “Guarda Nacional” neste efetivo. Por seu lado, em 2007, a CIA, no seu “CIA World Fact Book” estimava que existiriam 9250 homens. No total, a Guiné-Bissau gastaria por ano 9,46 milhões de dólares ou seja 3,1% do seu magro PIB em Defesa.

Especial interesse tem agora (no que concerne à eventual oposição armada a uma força de interposição da ONU/CPLP) a marinha guineense que, em meados da década de 90, tinha 275 militares que serviam 2 POLUTCHAT-1 ex-soviéticas, unidades que já foram desativadas há muito, assim como um torpedeiro ex-soviético SHERSHEN (Project 206 Shtorm). Esta lancha tinha como único armamento anti-superfície torpedos, mas sem o radar de controlo que armava o modelo nas marinhas do Pacto de Varsóvia. Não tinha nem sonar, nem a capacidade (planeada) de transporte de cargas de profundidade, nem armamento (canhão ou metralhadora). O navio foi doado em dezembro de 1978, mas sem os tubos de torpedo e não há indícios de que tenha estado alguma vez operacional. O essencial da marinha guineense de hoje assenta em duas lanchas de construção francesa PLASCOA 1900, as lanchas Cacine e Caió doadas por França em finais da década de 90. Construídas no começo dessa década como “vedetas de vigilância” e tendo 19m40 de comprimento e uma deslocação de 34 toneladas e duas hélices alimentadas por dois motores Detroit Diesel (GM) 12 V 71 turbocompressores de 671 kw. Estes navios foram concebidos para uso pelos serviços franceses de alfândegas e têm um uso idêntico na Guiné-Bissau estando uma delas permanentemente baseada em Cacheu, onde tivemos ocasião de a visitar em março de 2011. Na atualidade, a Marinha Guineense conta assim com cerca de 350 militares (quase mais uma centena que na década de 90, mas com muito menos meios) e 3 patrulhas em estado incerto de operacionalidade sendo que as lanchas Caine e Caió (modelo PLASCOA 1900) estariam operacionais embora o seu armamento (uma metralhadora pesada na proa) nunca seja visto instalado e cerca de meia dúzia de lanchas Semi-Rígidas de Fiscalização. A Caió estava em reparação e não tem sido vista no mar. O Navio Balizador Samboia encontrava-se no Cais da Marinha na Guinave e não é certo que tenha sido reposto em estado operacional.

A Força Aérea Guineense tinha em finais da década de 1980, 6 MiG-17, 2 transportes Do-27 (doado pela Alemanha), 2 Yak-40, 1 transporte de turbo-hélices HS-748 de origem britânica de finais da década de 50, 1 Cessna 337 e um avião de transporte VIP Mystère Falcon. Em termos de helicópteros possuía 2 Alouette II (ex-portugueses) e um único Mi-8 ex-soviético. Desse inventário, mantido por cerca de 100 militares entre 3 a 5 MiG-17F se manterão num estado teórico de operacionalidade. Na década de 90 foram também recebidos 8 helicópteros A-318 e SA-319 de França. Na prática, há alguns anos que nenhum MiG-17 ou 21 realiza qualquer voo operacional ou de treino. Os dois MiG-15 UTI não estão certamente operacionais e estarão armazenados pelo menos desde a década de 90. Em 1978, França ofereceu um Reims-Cessna FTB.337 de patrulha marítima e um terceiro Allouette III, que será hoje o único ainda utilizável (embora também não voe há algum tempo). Um Dassault Falcon 20F para uso VIP, doado por Angola seria vendido aos EUA na década de 80. Há relatos de que os 3 ou 5 MiG-17 foram substituídos por num número equivalente de MiG-21MF em finais da década de 80, mas não existem provas de tal substituição. Um avião de transporte AN-24 e um terceiro Yak-40 foram entregues também na mesma data. Posteriormente, na década de 90 foram entregues alguns (número indeterminado) PZL-Mielec Lim-6 Fresco, a versão polaca do MiG-17, aparelhos abatidos das forças aéreas polaca e alemã oriental, mas não é certo que tenham voado alguma vez com as cores da Guiné-Bissau, sendo possivelmente usados apenas para peças de substituição. Segundo todas as informações, não existe nenhum avião a reação operacional na força aérea guineense, atualmente.

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Categories: DefenseNewsPt, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono | 16 comentários

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16 thoughts on “Estado das Forças Armadas da Guiné-Bissau (Exército, Marinha e Força Aérea)

  1. É com isso que os golpistas tentam manter o controle de todo o país?

    • Sim… mas atenção: tem bons comandos e infantaria bem armada e treinada, os senegaleses de 1998 que o digam que os tiveram que enfrentar levando pancada atrás de pancada…

      • Ricardo Silva

        Não pretendo lançar polémica, e até acredito que tenham razoáveis comandos e alguma infantaria relativamente bem armada. Mas continuamos a falar de tropa de um País inserido numa zona que não tem conhecido senão de conflitos baixa intensidade, habituados mais a “bater” na população que fazer guerra a sério, e sempre que foram colocados à prova em confrontos sérios não resistiram. Para o Estado Maior Guineense entrar em pânico com 3 “tanques”, alguns canhões antiaéreos montados em pickups e coletes à prova de bala que a MISSANG recebeu na última rotação de efectivos (segundo o comunicado emitido e segundo o site da Voz da América)… Não em parece que a combatividade seja elevada perante tropas com experiência, treino, coordenação e melhor armamento como as tropas angolanas ou mesmo portuguesas (se tiverem que intervir). Trata-se de um nível de guerra que nunca existiu na zona e pela experiência recente, o comportamento de nigerianos, costa-marfinenses, congoleses, etc nos últimos tem deixado muito a desejar.

        • Compreendo, mas eu recordo-me que em 1998, aquando da intervencao da CEDEAO os senegaleses que tinham um exercito bem treinado e armado (para os padrões locais) e foram surpreendidos pelo engenho, competencia e capacidade dos “velhos”, os oficiais (os oficiais narcotraficantes e revoltosos de hoje).Em combate homem a homem e terrestre, os militares guineenses continuam a serem temiveis. No ar e no mar, as ameaças não passam de bazofias, é certo, mas em terra podem nao estar à altura das forças especiais de Portugal ou Angola, mas nem por isso deixam de ser isso mesmo: combatentes de respeito.

          • Nelson Herbert

            “as ameaças não passam de bazofias, é certo, mas em terra podem nao estar à altura das forças especiais de Portugal ou Angola”

            E so uma questao das forcas especiais de Portugal e de Angola tentarem… logo se sabera. Alias forcas especiais de Portugal, tivemo-la na Guine durante a guerra pela libertacao. E o resultado e o que se sabe. A independencia e uma guerra perdida !

            Quanto ao resto, e conversa pra fazer boi adormecer.

            Orgulhosamente guineense !

          • Nelson Herbert

            “competencia e capacidade dos “velhos”, os oficiais (os oficiais narcotraficantes e revoltosos de hoje)”

            Ou a Guine reconcilia-se com a sua historia, e faz justica aos obreiros da sua indepdencia…muitos deles, hoje definhando na indigencia, algures nas entranhas da nossa mitica Cantanhez, ou estaremos condenados a esses episodios ciclicos.

            Nao lhe parece estranho, que seja o proprio PAIGC, de que as FARP foram e em certa medida continuam a ser..uma especie de apendice…aquele que menos fez por esses homens ???

            A expressao nem e nossa,mas serve…ja e tempo de chamar os bois pelo nome, naquela minha Guine.

            Mantenhas

            Nelson Herbert
            Jornalista

            • O exercito guineense está em completa roda livre, sem qualquer controlo ou supervisao legal ou judicial.
              Por mim, a melhor opcao é mesmo essa: derramar dinheiro, ou seja, reformar toda a gente com patente acima de capitao e desmobilizar todo o exercito recrutando tudo de raiz, enquadrando em exercitos lusofonos.
              Este era alias o plano que a Missang devia implementar mas para o qual nunca houve dinheiro suficiente!

        • Nelson Herbert

          “e sempre que foram colocados à prova em confrontos sérios não resistiram. ”

          Ja agora um exemplo ilustrativo nao lhe ficaria mal !

          Nelson Herbert

        • Nelson Herbert

          “Para o Estado Maior Guineense entrar em pânico com 3 “tanques”, alguns canhões antiaéreos montados em pickups e coletes à prova de bala que a MISSANG recebeu na última rotação de efectivos ”

          Veja o problema de um outro prisma. Nao lhe parece caricato que umas forcas armadas de um pais soberano, cuja historia se confunde com a do proprio estado pos colonial..por razoes historicas evidentes ..esteja praticamente sob o comando de uma forca estrangeira, neste caso, a MISSANG.

          E mais,as FA de um pais e normalmente delegada a missao de manter a inviolabilidade das fronteiras e a integridade territorial. Armamento pesado nas maos de um exercito paralelo, num pais que nao esta em guerra… nao me parece razoavel..

          Concentremo-nos nos factores objectivos da reivindicacao e alegacoes dos militares guineenses … so por ai saber-se-a se a razao os assiste ou nao…

          Mantenhas

          Nelson Herbert

          • As informacoes que tenho de gente no local sao de que houve um cruzamento de fatores que levaram a esta crise: o factor balanta e as incitacoes de Kumba Yala, a recepcao de material pesado pelos angolanos (que a Guine se tem, esconde muito bem…) e um protocolo secreto entre o governo: certos avancos que se estariam a fazer contra o narcotrafico e a missang que dava a esta a missao de proteger os orgaos de soberania.

      • Espero que a normalidade regresse a esse país lusófono por meios pacíficos e um governo que venha a cumprir os seus deveres para com o povo possa governá-lo. Embora isso pareça muito difícil.

        • Na verdade, acho que ha condicoes para um conflito com a força lusofona de interposicao (com meios da ecowas). A menos que todos os altos comandos aceitem serem reformados com pensoes chorudas (o que alias era o plano)

  2. Imperador

    Eu conheço as Forças Armadas Guinenses operei com muitos militares desse pais e na verdade alguns são corajosos e bons militares mas esses que até pertenceram muitos ao Batalhão Bufalo estão velhos e destreinados…hehehehe e tambem não tenhem intensões de voltar a guerra querem é que paguem uma reforma e viverem em paz, muitos inclusive midaram-se para angola. Esses que fazem as porcarias na Guiné são uns ambiciosos que deveriam é ser julgados e condenados…

  3. Riquepqd

    Falando em forças especiais portuguesas, angolanas e do outro lado as guineenses, bem que as forças especiais do Brasil também poderiam integrar uma força lusófona para redemocratizar a Guiné-Bissau.

    Visto que as forças especiais do Brasil estão no mesmo nível das suas congêneres entre as principais do mundo.

    Em 2009, as forças especiais e os comandos do Exército Brasileiro venceram o Exercício Força Comandos, uma competição criada pelo exército dos EUA e que nesta ocasião foi realizada em Goiânia e recebeu equipes integradas pelos sete militares operadores de forças especiais e de comandos mais bem preparados de 21 forças armadas das Américas, entre os que enviaram tropas estão EUA, Canadá, México, Peru, Chile, Argentina e a Colômbia,

    http://www.forte.jor.br/2009/06/26/eb-vence-exercicio-forca-comandos/

    Mais forças especiais do Brasil atuando…

    E no Haiti, o 1º Batalhão de Forças Especiais e o 1º Batalhão de Ações de Comandos são as únicas unidades que enviam tropas em todos os contingentes desde 2004, e foram decisivas para estabilizar o país, visto que foram a ponta de lança para derrotar uma grande milicia formada por ex militares das desmobilizadas forças armadas haitianas e que atuava como uma guerrilha urbana.

    http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=896

    http://www.reebd.org/2011/09/critica-do-livro-dopaz-como-tropa-de.html

    http://www.objetiva.com.br/arquivos/capas/896.pdf

    Ainda sobre forças especiais do Brasil…

    Em 1991, mesmo não havendo qualquer tipo aparente de animosidade entre o Brasil e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, um destacamento guerrilheiro das FARC com 40 integrantes, auto-denominado de Comando Simon Bolívar, atacou de surpresa um pequeno posto de fronteira do Exército Brasileiro, às margens do Rio Traíra, em Vila Bitencourt, interior do Estado do Amazonas.

    Mataram três soldados brasileiros e deixaram mais alguns feridos, roubaram todo o armamento e equipamentos.

    Alguns dias depois… O Exército Brasileiro envia forças especiais, comandos e um batalhão infantaria de selva no encalço dos guerrilheiros em território colombiano, apoiados por helicópteros da aviação do Exército e da Força Aérea, que também enviou caças bombardeiros, a Marinha fez a retaguarda com um navio patrulha fluvial embarcado de fuzileiros navais, possivelmente comandos anfíbios.

    O resultado imediato foram 20 narco-guerrilheiros mortos e a recuperação de todo o armamento e equipamentos roubados.

    O resultado a longo prazo, foi que não se soube de nenhuma outra invasão armada das FARC em território brasileiro, muito menos um novo ataque a tropas brasileiras, já são 21 anos anos de “respeito” das FARC em relação ao Exército Brasileiro.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Tra%C3%ADra

    Então, Exército Brasileiro na Guiné=Bissau já.

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