Sobre o aparente imobilismo da Sociedade Civil em Portugal

Se refletirmos sobre as razões que explicam o estado de Bancarrota efetiva desde abril de 2011, o imobilismo democrático e os elevados níveis de abstenção crónicos na democracia portuguesa, temos que colocar a questão: Porquê?

Qual será a justificação para estes baixos níveis de participação cívica, esta inerte Sociedade Civil que deixa eleger e manter no Poder uma elite politica e económica triplamente inepta, corrupta e ignorante? Não pode, naturalmente, haver uma explicação única, que tudo esgote ou agregue. Mas elaborando um diagnóstico, encontramos as raízes para esta displicência cívica em vários eixos.

Esta quase total ausência de participação cívica e de uma sociedade ativa, com os decorrentes baixos níveis de associativismo, intervenção cívica e politica e voluntariado encontra raízes numa estrutura de longo prazo da sociedade portuguesa e, mediterrânea, em geral. As origens desta estrutura mental são obscuras, mas encontram eco em Roma, e antes dela nos modelos autoritários de Esparta e Tebas, sem serem contudo uma sua invenção, já que o autoritarismo latente na região do Mediterrâneo tem raízes mais profundas (e por isso muito sólidas) nas monarquias absolutas de Creta e nos regimes tribais solares e guerreiros da Idade do Ferro. A norte, a matriz civilizacional sempre foi muito mais “solta” (raiz etimológica de “celtas” e “eslavos”), individualista e libertária do que nas sofisticadas e muito estratizadas sociedades hidráulicas do Mediterrâneo.

Esta matriz autoritária muito antiga foi profundamente enraizada na mentalidade portuguesa, onde a romanização foi muito profunda e duradoura, após a resistência inicial (a qual, de resto foi protagonizada pelos elementos mais celtizados da população) e permeou todas as fases da História portuguesa tornando excepcionais as revoluções sociais de base realmente popular.

Estão assim Identificados, estes eixos principais para o estado latente da Sociedade Civil portuguesa, importa agora elaborar um programa de ação, simultaneamente corretivo e inovador para nos fazer sair deste torpor.

Não há obviamente soluções rápidas ou sem custo. O grau de ausência de vida cívica ou politica na nossa sociedade é hoje tão grande que qualquer reversão será sempre lenta e complexa, tendo que vencer um sem número de inércias e resistências. Mas o desespero em que a grave crise económico mergulhou muitos de nós, o desemprego galopante, os sucessivos apelos governativos à emigração e a falta de perspetivas de vida estão a levar os portugueses a uma situação de limite que criará condições para um despertar da sociedade civil da atual condição dormente e diminuída em que esta se encontra.

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Categories: Política Nacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

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