Sobre a necessidade imperativa e urgente de estabilizar militarmente a Guiné-Bissau

O último golpe de estado militar na Guiné-Bissau é apenas o último de uma sucessão aparentemente interminável de intentonas e golpadas militares que assolam regularmente este país lusófono desde o fim do regime monopartidário do PAIGC.

A última golpada militar teve lugar há alguns dias quando por volta das oito horas da noite algumas dezenas de militares armados com AK-47 e RPG-7 atacaram a residência do primeiro-ministro e candidato presidencial do PAIGC Carlos Gomes Júnior. Vários foguetes terão sido lançados contra as paredes da residência e houve troca de tiros, aparentemente entre polícias e paraquedistas que defendiam o edifício e os militares golpistas. Sem que se saibam detalhes, os defensores parecem ter-se rendido, abandonando as instalações sem serem detidos, já que o primeiro-ministro está agora detido num quartel a cerca de 60 kms de Bissau.

Como é usual neste tipo de eventos, as rádios foram ocupadas ou silenciadas e o mesmo aconteceu à sede do maior partido guineense, o PAIGC.

Na direta razão deste último golpe militar estão as declarações do antigo presidente (ironicamente deposto, também ele, num golpe militar) e agora candidato presidencial, Kumba Yala que terá apelado ao boicote militar na segunda volta das eleições… Estas declarações, contudo, não teriam sido suficientes para fazer eclodir este golpe, o qual encontra de facto as suas maiores motivações no fim abrupto da missão militar angolana na Guiné-Bissau, a MISSANG.

Os eventos que precipitaram o golpe terão começado em 3 de abril, quando num conselho de ministros, o Governo guineense decidiu manter em solo guineense a missão militar angolana de apoio à reforma dos setores de Defesa e Seguranca guineenses, recusando assim ceder às pressões das chefias militares que então já se faziam sentir de forma particularmente aguda. Nesse conselho de ministros, ter-se-á mesmo decidido expandir o âmbito da missão angolana, dotando-a de meios e objetivos mais amplos e que passariam inclusivamente… pela defesa das instituições democraticamente eleitas e, caso de golpe militar. Mas no dia seguinte, tudo parece ter sido anulado, com um recuo governamental em toda a linha às pressões dos militares: ao contrário do previsto, os 200 militares angolanos já não receberiam – como previsto – o seu armamento individual nem haveria extensão alguma do seu quadro de missão. Confrontado com esta inesperada cedência, Eduardo dos Santos terá dado ordem para o cancelamento total da MISSANG e decretado o regresso de todos os militares angolanos a Luanda.

Em suma: as chefias militares guineenses só estão dispostas a tolerar a presença de militares estrangeiros no seu solo desarmados e desprovidos de um mandato que possa interferir com o seu poder absoluto e liberdade plena para anularem ou suspenderem a democracia a seu belprazer, capricho ou em defesa das suas ligações ao narcotráfico colombiano e nigeriano que hoje recruta varias altas patentes guineenses, autênticos “senhores da guerra” completamente independentes e mais fiéis às máfias nigerianas e colombianas que à República Guineense.

Os militares guineenses parecem assim irredutiveis nos seus objetivos de se manterem acima de toda a legalidade e – devida – submissão ao poder político democraticamente eleito.

Chegados a este ponto, os comandos militares guineenses provam que só resta uma saída para este país lusófono e que esta passa pela total desmobilização do exercito guineense.

Recordemos assim Francisco Fadul, antigo primeiro ministro da Guiné-Bissau e ex-Presidente do Tribunal de Contas que em 2009 defendeu o envio de uma força lusófona de estabelecimento de paz (que tecnicamente teria uma missão mais alargada que uma missão de “manutenção de paz”) e que fosse capaz de garantir a vigência da legalidade e da constituição guineense.

Urge assim organizar rapidamente a Força Lusófona de Manutenção de Paz e trabalhar em prol da Construção de um Estado de Direito Democrático na Guiné-Bissau.

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Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Lusofonia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 39 comentários

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39 thoughts on “Sobre a necessidade imperativa e urgente de estabilizar militarmente a Guiné-Bissau

  1. Um dos pontos mais lamentáveis nessa situação é ver a mídia tradicional brasileira ignorar totalmente essa situação e concentrar a sua atenção em acontecimentos tolos e insignificantes.

  2. Enoque

    O porta-voz dos partidos da oposição da Guiné-Bissau mandou um recado a Portugal.
    http://www.tvi.iol.pt/noticia/internacional/guine-bissau-guine-partidos-portugal-portugueses-tvi24/1341059-4073.html

    A acusação contra a CPLP infelizmente é correta, Clavis. 😦

    • Mas que partidos? São apenas alguns pequenos partidos e nao contam nem com o paigc nem com o prs, que juntos têm mais de setenta por cento dos votos! Não passa de gente mais ou menos ligada às narcomafias que controlam os militares.

      • Enoque

        Mas não adianta eles quererem nos fazer ameaças! Até os Estados Unidos vão ficar do lado de Portugal, Brasil e Angola, se decidirmos intervir na Guiné-Bissau. O mais inteligente para eles é aceitar negociar a paz e e reforma do Estado quase falido da Guiné-Bissau. Mas tudo bem, apóio a exigência deles em pedir permissão primeiro para entrar lá e resgatar os estrangeiros, como forma de respeito a soberania territorial deles. Se eles não cederem por bem, aí entra-se à força. Se a CPLP quer ter alguma credibilidade, não pode admitir que quem estiver no poder faça o que quiser com o povo em geral. A tal da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem que deixar de ser uma comunidade de enfeite, e fazer algo de útil e proveitoso pelos povos dos países membros menos favorecidos. Já basta de tanta negligência, de tantas fantasias. Ou a CPLP começa a funcionar de verdade ou vamos dar fim a ela. 👿

        • Ora bem! é isso mesmo. A CPLP tem nesta crise uma oportunidade única para se afirmar e passar ao “nível seguinte”. Usemos esta grave crise para alavancar a democracia na Guiné, colocar os militares no seu devido lugar e para reforcar a CPLP. Ao fim ao cabo é para isso que servem as crises: para servirem de oportunidades!

      • Enoque

        http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5716740-EI17615,00-Brasil+expressa+grave+preocupacao+com+crise+em+GuineBissau.html

        CP, te enviei um e-mail.

    • otusscops

      eles razão tem, mas tem o dever de proteger os portugueses (brasileiros e demais estrangeiros).
      caso tal não suceda, Portugal ou qualquer outro país com interesses nesse não-país pode e deve intervir, mas sair de seguida e deixá-los entretidos a brincar aos soldados e aos traficantes.
      depois resolve-se o assunto com sanções internacionais. precisamente dirigidas a estes “dirigentes”.

      estamos fartos de chefes tribais…

      • Enoque

        As nações da CPLP têm que respeitar princípios. Independente dos militares serem traficantes, a Guiné-Bissau é um país independente (ao menos teoricamente, formalmente). Os países têm que pedir permissão sim a quem está no comando de lá até para retirar os seus cidadãos. E ações militares para interferir nos assuntos internos da Guiné-Bissau, só em último caso. Os países da CPLP, a União Africana, a União Européia, a OTAN, seja quem for, tem que usar todos os meios diplomáticos possíveis. Se os indivíduos não quiserem conversa, a solução é levar o caso ao CS da ONU. A minha repreensão à CPLP é que a comunidade não faz nada de muito relevante. Não passa dum fórum de “bate-papo” entre os governantes lusófonos.

        • otusscops

          Enodin

          “Não passa dum fórum de “bate-papo” entre os governantes…”
          bem lusófono, isso.
          e cheio de vaidade, sumptuosidade, cargos bem remunerados, destas, palavras vãs e vacuidades.

        • Por isso é que o CS da ONU deve dar primeiro esta autorizacao. Pelo menos enquanto os paises da cplp nao inscreverem nas suas constituicoes uma clausula “automatica” que autorize uma intervencao em caso de ocorrencia de um grave ataque à normalidade democratica.

      • Aqui nem sao os chefes tribais o problemas, mas os altos comandos militares dependentes de grupos (por vezes rivais) narcotraficantes colombianos e nigerianos.

        • otusscops

          resumindo:
          – altos comandos militares
          – traficantes
          – colombianos (coisa estranha em áfrica, hein???)
          – Nigerianos (uiiiiiiiiiii)

          coisa pouca…
          por isso digo e repito: NÃO SE METAM NISSO!!!

          • Os altos comandos militares guineenses sao unanimente detestados pela populacao e os narcotraficantes nigerianos e colombianos metem a sua droga na europa via Bissau. Vamos deixa-los impunes e rindo na nossa cara? É essa a tua alternativa?…

            • otusscops

              a minha posição é não nos metermos nesse vespeiro.
              não podemos fazer nada por eles, é um assunto da sociedade guineense.
              existem mais narco-estados pelo mundo.
              não me venhas armado em bom samaritano, estás interessado nos guineenses apenas porque pensas que lá é lusofonia (outro engano) e nutres sonhos de império perdido.
              sabes bem que a luta ao narcotráfico resolvia-se em 3 tempos, mas isso não interessa a muitos lobbies:
              armas, empresas de vigilância e de componentes electrónicos, polícias, psiquiatras, industria farmaceutica, etc…

              lamento muito pelas pessoas, pelos cidadãos que são espezinhados e a quem o futuro lhes é roubado diariamente por políticos e militares corruptos, que tem sido legitimados ao longo de décadas por aqueles que agora querem “libertá-los”…

              hipocrisis generalidade apenas.

              • Podemos fazer a diferenca, com poucos meios e de forma duradoura. A populacao local nnao apoia os narcomilitares e pede ajuda. A tua opcao é fingirmos que somos surdos?
                Quanto à minha suposta inclinacao “neoimperial” ela, francamente, é ofensiva e inteletualmente mal construida: decide-te, ou me acusas de estar ao servico do imperio brasileiro sobre Portugal ou ao servico da restauracao do imperio luso sobre as antigas colonias, as duas coisas ao mesmo tempo é que não…

                • Otus scops

                  “Quanto à minha suposta inclinacao “neoimperial” ela, francamente, é ofensiva e inteletualmente mal construida”
                  não te quero ofender, bem sabes. já o disse aqui várias vezes que te prezo imenso e tenho uma profunda admiração por ti, fá-lo-hei SEMPRE que te sentires ofendido e magoar-te por mim, NUNCA é a minha intenção fazê-lo. (“sempre” e “nunca” são palavras que evito o mais possível, vê lá o que me fazes escrever…) 😉

                  andas confuso, estás ao serviço do imperialismo brasileiro e queres restaurar o Império versão 1815 – 1822, o por dos 2 mundos!!!
                  esclarecido???
                  😈

                • Esse tempo, o dos “imperios” ja passou. não existem hoje as assimetrias militares e economicas que sustentavam esse obsoleto modelo de dominacao. os tempos sao outros, mas o mundo nao está ainda preparado para o tipo de “uniao lusofona” que defendo, sei-o bem. Isso nao significa que esteja errado, apenas que este é o momento de persistir e melhorar propostas, nao o de desistir e embarcar num rumo suicidario de “federalismo” europeu ou de esteril isolacionismo salazarento e bafiento.

  3. Ricardo Silva

    Penso, que apesar de custar encarar a situação, no caso da Guiné deveremos colocar a seguinte questão real:
    – a Guiné Bissau é um país onde apenas uma pequena elite urbana fala português; a restante população fala essencialmente línguas nacionais, incluindo o crioulo e mal fala (quando fala) o português. Como exemplo disso, o CEMFA guineense (o do golpe) no início deste ano quando visitou Angola precisou de intérprete.
    Tendo em atenção que é um país pequeno, sem grandes recursos, vai sempre atrair pouco investimento e a tendência é a integração na zona francófona onde já se integra em termos culturais e religiosos (aliás, de onde retirado todo o exemplo de comportamento, incluindo golpes de estado).
    Assim sendo, a tendência é precisamente a extinção do português.
    Parece-me que Guiné-Bissau no seio dos PALOP é mero exercício de estilo e de história, com o seu “quê” de quixotesco.
    Insistir no assunto, passa forçosamente por entrar à força no país, desarmar e desmobilizar a tropa guineense e reformar todo o estado, formando tudo de novo a partir do zero.
    Isso implica muito tempo e dinheiro, sem qualquer perspectiva de retorno.
    Brasil, Portugal e Angola vão embarcar numa solução destas sem existir vontade de colaboração da própria Guiné?
    Parece-me mais realista investir na Guiné Equatorial, que mostra vontade, tem melhores perspectivas de futuro como estado e melhor posição estratégica.
    Infelizmente em África e falo precisamente como angolano, há países que são inviáveis porque não há cultura de estado, por muito que nos custe admitir isso.

    • Enoque

      Como brasileiro, eu entendo que a CPLP não deve negligenciar ajuda ao povo da Guiné-Bissau. E nem a ONU. Concordo que haverá um alto custo se for só para Brasil, Portugal e Angola, mas não creio que ajudar a construir do zero o Estado na Guiné-Bissau ficaria restrito a países de língua portuguesa. Assim como foi no Timor Leste, onde a língua portuguesa também está ameaçada de extinção, os países lusófonos vão conseguir ajuda da comunidade internacional para o povo da Guiné-Bissau. E a falta de grandes recursos para atrair investimentos vai ser um grande problema para se resolver depois que a Guiné-Bissau estiver estabilizada politicamente. Infelizmente. Mas alguma coisa tem que ser feita. É o que eu acho.

      • A Guiné tem condicoes para ser auto-sustentavel em termos alimentares e para ser – até – exportadora… num pais onde nada existe, as oportunidades sao imensas. Assim haja estabilidade e a tropa seja desmobilizada (e substituida por uma guarda nacional) ou regresse definitivamente aos quarteis.

    • Estive na Guiné-Bissau em março do ano passado e fui para la com a mesma opinião, mas falei com muitas pessoas, de varias etnias e camadas sociais e o portugues é entendido praticamente toda a gente, mas mal, especialmente nos mais jovens. Nos que têm mais de 50 anos ainda se encontra um razoável dominio do portugues…

    • Otus scops

      Ricardo Silva

      “…há países que são inviáveis porque não há cultura de estado…”
      realmente o petróleo faz milagres.
      quando acabar, vamos ver o que será de Angola e da quimbundização da sua sociedade.

      • Ricardo Silva

        🙂 Essa da “quimbundização” não faz nenhum sentido, caro Otus scops.
        Se me falar de uma matriz cultural “crioula/mestiça” urbana que se pretende usar como base para a consolidação do Estado Angolano, não está muito longe da verdade.
        Se com “quimbundização” quiser dizer que essa matriz cultural é mais assumida pela etnia Kimbundo, está também perto.
        A etnia Kimbundo, apesar de não ser a mais numerosa, além de ser a única únicamente contida no território angolano, é a que tem maior historial de contacto com portugueses e a sua cultura, existindo por isso uma grande aculturação (fácilmente visível nos nomes das pessoas, na religião católica e nos costumes do dia a dia, incluíndo o uso da mandioca e batata doce como base da alimentação, originárias do Brasil), isto ao longo de mais de 500 anos.

        No entanto, se quiser realmente entender Angola com os seus problemas e modo de actuar, deverá entender também o seguinte:
        – Angola é dos países africanos com menos relevância tribal ao nível da sociedade, política e organização do Estado e com mais preponderancia do Estado sobre a vida pública, “abafando” os regionalismos.
        – Não há clivagens étnicas marcadas em Angola como há nos outros países africanos, não só pela herança colonial, como também por certos cuidados que sempre existiram na estruturação do Estado Angolano por parte do MPLA que sempre tem governado o País:
        ex 1: nunca os ministros da Defesa e Interior, pelo menos enquanto militares, foram da mesma etnia, e nunca foram kimbundo (já foram mestiços, cabindas, kwanhamas); Algo único em África
        ex 2: o recente CEMFAA é originário na ex-FALA (Unita) e a nomeação não levantou qualquer polémica,

        Aliás, e esse foi sempre um dos enormes erros do Portugal político, raramente se entendeu isso, porque sempre se tentou analizar as questões angolanas com base em estéreotipos africanos.
        Nunca se entendeu quem era o interlocutor que mais tinha em comum com a “Lusofonia” e com a “CPLP”.
        Por isso, ainda hoje, Portugal tem dificuldades em entender as acções Angolanas a nível estratégico quer regional, continental ou mesmo mundial e fica sempre surpreendido com certa convergência de actuação de Angola com o Brasil.
        Aquilo que lhe posso dizer, sem alongar muito este tipo de conversa é que, eno que respeita a questões estratégicas, Angola sempre teve coerência nas suas acções regionais/continentais (SADEC, Golfo da Guiné e Grandes Lagos), mundiais (CPLP).
        Por detrás disto tudo existem algumas linhas gerais que moldam toda a actuação:
        – Língua portuguesa como matriz Nacional
        – Estrutura de Estado baseada na matriz do estado Português
        – Parceiros preferênciais em termos económicos: Brasil, Russia, China e Portugal.
        – Parceiros militares: Russia, Brasil e Portugal

        Há mais sobre isto, mas penso que basta para se ter uma idéia sobre o assunto.
        Na CPLP há 2 países que sabem realmente o que querem desse assunto e têm a vantagem de terem “liberdade” para actuar e esses países são Brasil e Angola.
        Portugal tem que definir bem o que realmente pretende da CPLP, coisa que ainda não fez, infelizmente, porque seria importante para todos agir a “três”.
        Analize a história Angolana desde os últimos 50 anos e veja os movimentos, as influências internas e externas e vai ver que existe coerência de actuação nos pontos que indiquei.

        • Otus scops

          Ricardo

          queria dizer previamente 2 coisas:

          1. não se aborreça comigo se a minha escrita lhe parecer pouco amistosa, é por limitação intelectual e não por provocação pessoal.
          2. agradeço a sua resposta, é completa, estruturada e de elevada qualidade sintáctica, nunca o poderei igualar.
          reparei que é novo aqui e que tem ideias e qualidade a usar o teclado, muito bem!!!

          no entanto vou esboçar um comentário ao comentário.
          pelo que li revela uma visão luandocêntrica acentuada, Angola é Luanda mas não só.

          Angola é tribal, não sei se é mais ou menos que outros, não encontrei nenhum tribalímetro para os medir a todos (a Europa também é tribal, provavelmente o Mundo inteiro) mas que me tem a dizer sobre os Bakongos???
          esse cenário algo idílico “de clivagens étnicas pouco significativas” está longe de ser verdadeiro.

          em Angola, com esta gente no poder, tudo o que vá contra os seus interesses é abafado de forma implacável, veja-se o genocídio esquecido e abafado por todos o 27 de Maio de 1977
          http://www.dw.de/dw/article/0,,6545394,00.html
          http://27maio.com/

          só não vê quem não quer…

          logo os tribalismos, regionalismos, divisionismos apareceram imediatamente assim quee o ogre do Zédu morrer esta corja do MPLA seja banida.
          sobre a suposta bonomia inter étnica isso é apenas a táctica do MPLA (inteligente por sinal) de “dividir para reinar”.
          vai metendo alguns “diferentes” para que conste que Angola é una e homogénea, nada mais enganador.
          hoje em dia, nenhum “pula” ou mesmo “latons” entram para a administração pública, só “bumbos”, é um regime racista, sectário que dá óbvias preferências aos quimbundos.
          nas ruas ouvem-se provocações diárias aos brancos e aos estrangeiros que lá moram e vivem, na escola a história de Angola é ensinada com ódio ao período colonial, as ciranças só aprendem que os brancos agrilhoaram os negros e os levaram de barco para o Brasil (que não é mentira).

          sobre este tema e sobre as FALA e supostos ex-UNITA, todos sabemos que o ex-governadores eleitos em 1992 bandearam-se todos para o MPLA.
          em 1992:
          MPLA – 50%
          UNITA – 40%
          (com fraudes)

          em 2008:
          MPLA – 81%
          UNITA 10%
          (nem foi preciso fraudes, bastou uns ataques selectivos, muitas “passeatas”, T-shirts e rebuçados para o povo)

          um partido que tem mais de 80% numa democracia é preocupante.
          se fosse um povo e um país próspero e desenvolvido, ainda poderiamos dar o benefício da dúvida, mas infelizmente não é isso que se passa…

          o Portugal político não tem dificuldades nenhumas em entender Angola, o Portugal ético crítica e exerce a liberdade de pensamento e de expressão e o Portugal dos negócios, da corrupção e dos interesses obscuros dá-se muito bem por essas paragens, ou não fossem eles os professores dos actuais dirigentes angolanos.

          de resto concordo com a leitura que faz da situação.

  4. otusscops

    não se metam nisto…

    a Guiné-Bissau não é um estado, não é uma nação nem é um estado-nação, nem uma nação-estado, nuca o foi nem nunca será, é uma artificialidade. é como o Líbano.

    esqueçam…

    CP, só tu é que vês falantes de português por todo o lado na Guiné-Bissau.
    sem querer desvalorizar o teu conhecimento do terreno (já lá tiveste e eu não) mas foste de visita guiada com trajectos pré definidos e desconfio que não contactaste verdadeiramente com as populações, viste uma certa Guiné que não representa a maioria da realidade no terreno.
    “penso eu de que…”

    • Contactei, sim… é impossivel nao estar algum tempo na Guiné sem falar com pessoas “comuns” e da “rua”. É A “vida conversavel” de Agostinho tornada prática.
      Os guineenses (e falei com muitos, cá e lá) sentem-se “guineenses” e têm um sentimento de pertenca a uma coisa comum.
      O Estado é que não funciona (além de Bissau) e o exército age como um Estado dentro do Estado, sem controlo…

      • otusscops

        “É A “vida conversavel” de Agostinho ”

        pronto!!!
        é a visão corrigida com lentes quintoimperianas…

        P.S.- sabias que há uma etnia na G-Bissau (não sei qual é) que não consegue pronunciar os “JJ”???
        exº Zona Zota (jota)…
        😈

        • Todos temos uma mundovisao propria… esta é a minha forma de sonhar com um mundo melhor.

          • Otus scops

            totalmente de acordo (sobre a Weltanschauung de cada um)!!!

            então fica-te pelo sonho:

            (é para cantares, ok???)
            😉

  5. Enoque

    http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5729137-EI17615,00-Paises+de+lingua+portuguesa+pedem+forca+da+ONU+na+GuineBissau.html

    • Para a cplp esta crise é um autentico “agora ou nunca” para ganhar relevancia e credibilidade na cena internacional!

      • Otus scops

        muito típico dos portugueses, fazer as coisas sobre pressão e desesperadas, depois sai asneira… é o nosso fado.

        • Mas é também onde nos saímos melhor: no ultimo minuto, somos os infewlizes genios da improvavel arte de fazer tudo ultimo minuto.
          E assim será de novo, nesta crise, estou absolutamente convicto disso.

          • Otus scops

            nunca vi tal coisa.
            a melhor coisa que fizemos, os Descobrimentos, foi uma notável operação de estado, organizada, metódica, secreta, rigorosa,que envolveu quase todos os sectores da sociedade.

            estás convicto que nos vamos desenrascar, safar, desembaraçar, num usual “salve-se quem puder” , improvisar…

            assim não vamos lá, não sairemos nunca da cepa torta.

            • Mas nao vamos acabar. A menos que emigremos todos e dai, nem ai, porque entao Portugal continuara a existir, ja que como ja disse sempre foi mais uma ideia de estar no mundo (Agostinho) do que um pais como a Belgica ou a Suíça.

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