Sobre aquele pilar económico da CPLP que ainda falta desenvolver

Um dos campos onde a CPLP mais poderia ter avançado e onde menos progressos se registaram desde a sua fundação foi precisamente o campo económico. Recentemente, o secretário executivo da organização lusófona, Domingos Simões Pereira reconheceu que “a CPLP tem falhado como comunidade económica, sublinhando a importância de um estudo sobre cooperação económica nos oito países lusófonos que está a ser elaborado por um conjunto de peritos.” As sugestões destes peritos serão analisadas num Conselho de Ministros Extraordinário, a ter lugar em Lisboa, a 6 de Fevereiro e integrado no programa de inauguração da nova sede da organização.

Ignoramos em que consistirão exatamente estas propostas. Mas temos a certeza de que os países da CPLP têm tudo a ganhar e nada a perder de uma maior integração económica. Ela, aliás está de resto a acontecer, com uma multiplicação dos investimentos de capital português e brasileiro em Portugal e com o aumento continuo e sustentado das exportações portuguesas para África e Brasil. Esta convergência económica lusófona está contudo ainda muito longe de alcançar a sua plenitude. Países como Portugal e o Brasil estão condicionados pelas alianças regionais em que estão inseridos (Mercosul e União Europeia), mas podem servir no seio destas organizações de “ponte” e como “facilitadores” à entrada e saída de produtos da África lusófona e entre estes é possível estabelecer acordos bilaterais que facilitem as trocas e a circulação de pessoas, bens e serviços. É possível já hoje estabelecer uma “zona livre de comércio”, limitada a um bem determinado leque de produtos e serviços, que impulsione o desenvolvimento agrícola e industrial africano ao mesmo tempo que abre mercados de exportação para os países lusófonos mais desenvolvidos. Acordos bilaterais, limitados a certos produtos e serviços, fora do âmbito do Mercosul e da União Europeia podem produzir desenvolvimento partilhado e sustentado em todos os países da CPLP.

A aparição de uma moeda virtual, a usar unicamente em trocas entre os países da comunidade, pode também ser util para a prossecução deste objetivo, assim como o estabelecimento de taxas alfandegárias mais favoráveis. Uma longa de partilha e interdependência pode e deve substituir a da concorrência e da competição, entre os países da CPLP e assim constituir esse pilar económico que está ainda tão longe de concretizar.

Fonte:
http://www.dnoticias.pt/actualidade/mundo/305614-abrir-portas-da-europa-a-lusofonos-pode-ser-exercicio-complicado

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono | Etiquetas: | 2 comentários

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2 thoughts on “Sobre aquele pilar económico da CPLP que ainda falta desenvolver

  1. O maior aprofundamento económico tem a ver com a falta de impulsionamento político e neste momento o único país que teria as melhores condições para o fazer seria o Brasil, Portugal está sob resgate internacional, ou seja na melhor da hipóteses Portugal só poderá ter algum espaço de manobra a partir de 2014 e é preciso que não hajam complicações até lá.
    Creio que o Brasil a classe política brasileira já “pendeu” sob influência germânica e francófona, para não dizer outra coisa.
    Está claro que a esses países não lhes interessa o ressurgimento de uma força lusófona no mundo e estão usando tudo o que está ao seu alcance para que isso não aconteça, nomeadamente enlaçando o Brasil em parcerias económicas e pior que isso militares no caso da França, é evidente que alguém está ganhando com isso…
    Se estamos esperando que o Brasil assuma esse papel de locomotiva lusófona neste momento, podemos esperar sentados como se diz na gíria.
    Portanto caberá sempre a Portugal empreender essa tarefa, porque embora neste momento haja na classe política portuguesa quem se deixe “seduzir” pelo eixo franco-germânico, haverá sempre também quem assuma o nosso papel histórico no mundo e ambicione sempre ir mais além, ao contrário do que vejo na elite política brasileira infelizmente.
    Essa tarefa será feita a dúvida é quando e geralmente as nações movem-se sempre por três motivos, o financeiro, comercial e económico.
    Se Portugal se vir forçado pela pressão da conjuntura financeira internacional, e quando falo em pressão da conjuntura financeira internacional, estou falando dos dois pólos aglutinantes e que realmente influem no mundo económico, comercial e financeiro, ou seja Wall Street e a “City ” de Londres, ambos trabalhando arduamente para que o domínio anglo-saxónico no mundo continue a prevalecer, a pedir o segundo resgate ao FMI e ao BCE (ao que parece estão à “vontade” para emprestar novamente), então a classe política portuguesa que vier a seguir (esta que está no poder terá os seus dias contados) terá que equacionar seriamente e rapidamente alternativas ao projecto europeu.
    Não uma saída da UE ou do euro, porque isso seria um erro estratégico enorme, mas sim promover um contrabalanço ao projecto europeu a partir do Atlântico.
    Terá de ser uma estratégia inteligentemente elaborada tendo em conta que teremos de arranjar uma solução alternativa de sustentabilidade, estando inseridos na UE, não será fácil mas não é nada que uma equipa com as melhores pessoas capazes e com experiência internacional em áreas chave e não só na economia, mas também na jurisdição internacional, relações internacionais, comércio, defesa, engenharia e tecnologia, etc…
    Uma equipa de alto nível trabalhando juntando sinergias durante apenas um mês, traria a solução ideal para que Portugal estando na UE, pudesse estabelecer outras directrizes no sentido do a aprofundamento da linha lusófona e o seu enquadramento real na convivência com as outras potências actuais e emergentes da Ásia.
    De certa maneira um segundo resgate faria com que o problema de fundo de Portugal saísse da esfera estritamente partidária e política e teria, aliás o povo exigiria que fosse debatido na sociedade civil.
    Certo dia perguntaram a alguém porque razão Portugal não avançava, essa pessoa sábia respondeu “enquando as melhores pessoas de facto deste país não forem discutir durante uma semana para as minas de Jales o que há para discutir, nunca avançaremos”.
    Aproxima-se pois esse dia em que tenhamos que ir para uma “gruta” qualquer discutir e arranajar as soluções para que este país avance novamente audaz e sem medos.

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