Sobre o “Remorso do Homem Branco”

“Uma política externa tímida face às elites dos povos descolonizados. Sem a subserviência do antigamente, os governos não se conseguiram emancipar daquilo a que Pascal Bruckner chamou o remorso do homem branco e que está nos antípodas do sentimento experimentado e difundido pelo Kipling do If e que nos falava em tons heróicos do fardo do homem branco. Esta política para com as antigas colónias sempre comprometeu muito capital politico do Estado dificilmente recuperável, e também capital económico que não se vê como receber de volta, enquanto outros Estados que não o nosso, parceiros de excelência, extraem as riquezas verdadeiras e ganham as mais-valias com um realismo assustador. Por causa das comparações falaciosas com as práticas de outros, como os boers, os líderes desta política martirizaram os povos, enriqueceram os chefes locais e enfastiaram-nos pela sua incompetência. Nunca perceberam, salvo raras excepções, o que estavam a fazer e ainda hoje a cooperação com os Palops se encontra mal desenhada e dispersa.”

António Marques Bessa
As Grandes Linhas da Política Externa Portuguesa nos Últimos Anos
Finis Mundi, número 3

Não há dúvida de duas coisas: de que o “Homem Branco” tem razões legitimas para sentir remorso em relação ao seu passado recente em África, nem de que este remorso tem sido usado e abusado por alguns africanos. Não querendo diminuir nem esse remorso nesse abuso, temos que ser capazes de reconhecer que não será possível inaugurar uma nova era nas relações entre os povos lusófonos sem cortas as correntes dessas duas pesadas âncoras. O remorso pelo esclavagismo e pela exploração colonial deve ser arquivado e o uso do mesmo por alguns lideres africanos corruptos e ineptos que o usam para justificar as suas malfeitorias e incapacidade deve ser esquecido.

Uma nova era de Convergência Lusófona (principal objetivo do MIL: Movimento Internacional Lusófono) só pode ser erguida sobre uma base sólida e sã, sem ressentimentos ou alusões de superioridade moral ou cultural. O tempo já curou muitas feridas da Guerra Colonial, mas nem por isso esta deixa de ser usada como pretexto para a má governança de alguns países africanos de língua oficial portuguesa. Isso tem que acabar. Desde 1975, África teve tempo para corrigir o que os europeus deixaram mal e as suas populações tempo para expulsar do poder ditadores, tiranetes e demais abusadores. Se não o fizeram, seguindo exemplos na Tunísia, Líbia e Egito, foi porque não o quiseram. Não por causa dos “colonizadores” europeus que saíram em 1975.

A emancipação africana não foi cumprida com o processo (apressado) de descolonização de 1975. Será apenas plenamente concretizada quando os africanos libertarem também a sua consciência individual e coletiva do rancor pelo “Homem Branco” e quando este perder todo e qualquer remorso pelos seus pecados passados e passar realmente a olhar para o seu irmão africano e lusófono com olhos de irmão: reconhecendo de igual modo os seus defeitos e virtudes, num espírito de sã fraternidade e plena comunhão.

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono | 5 comentários

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5 thoughts on “Sobre o “Remorso do Homem Branco”

  1. Caro QUINTUS

    Vou lançar aqui no teu blogue a seguinte idéia.

    Como se aproxima o 25 de abril, porque não convocar atraves da net, criando no facebook uma página, uma convocatória para afrontarmos os palhaços que nos desgovernam no dia da liberdade.

    Tanto na AV. DA LIBERDADE, ou na ASSEMBLEIA DOS PALHAÇOS DEPUTADOS, ou caso o ANIBAL SE ESCONDA EM BELEM na frente da casa dele, uns bons milhares de PORTUGUESES COM COLHÕES PRETOS, A GRITAREM A plenos pulmões os nomes deles , e a chama-los de LADRÕES COMO MERECEM SER CHAMADOS.

    Fica aqui a idéia, me retorne se achar conveniente.

    Um abraço.

    Ramiro Lopes Andrade

    • Fica a ideia. .. mas parece-me bem que os tempos da revolta e da indignacao ainda nao esto chegados.,, a maioria nao se manifesta em relacao a nada que nao seja Bola e cada vez menos têm ação civica ou politica.

  2. Genicio

    O colonialiosmo foi um mal em sí mesmo. Sem justificação plausível dos seus autores.Visto que Deus Criador do género humano não mandou a ninguém para escravisar outros povos. Jesus Disse Ide e Ensinai. Mas não ordenou a ninguém que fizesse a escravatura com proporções nunca mais vistas. Ensinou-nos a ser irmãos, os povos de africa foram tão hospitaleiros para com estranjeiros desde sempre mas não receberam a devida recompensa. Isso é triste. o mais triste ainda é quando potências inteiras impedem ou dificultam o desenvolovimento dos paises colonizados fazendo politicas económicas que não favorecem o seu desenvolvimento. Ao menos favorecer, ensinar a fazer a coisas, não impor politicas, ajudar porque o continente parou mesmo durante mais de 2 séculos e retirados os seus melhores cientistas para as américas como escravos, o continente parou mesmo, agora ainda não tem pernas para andar sozinho. esses males devem ser reparados com um sentimento comum de que somos a mesma familia que Deus semeiou na terra, o sangue que circula em nos é o mesmo a diferença é da cor da pele dos homens que não deve ser vista como um mal mas uma diversidade do homem.

    • Reflita no passado antes do passado

      A Africa vivia em escravidão por mais de 5 mil anos, guerras entre tribos. A diferença é que o homem branco tinha mais poder ibélico e mais conhecimento. entrou na briga pela conquista do território africano que acabou vencendo de todas as tribos.

      • E sem inventar a escravatura (que ja era praticada localmente à milenios) tornou-se em apenas mais um agente desse sistema. Mas com uma grande e grave diferença: a capacidade para o massificar e o levar a uma escala nunca antes vista.

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