É a Alemanha que se está a europeizar ou a Europa que se está a germanizar?

União Europeia (http://dre.pt)

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“Na década de 1990, quando era estudante universitário, durante as minhas aulas de cultura alemã e não só, questionava-me se era a Alemanha que se estava a europeizar ou a Europa que se estava a germanizar.”

Rumar Portugal, Considerar a Europa, Pensar a Lusofonia
António Jose Borges
Nova Águia, número 8

Se algo parece claro nos últimos meses é precisamente a esta questão: a Europa está a germanizar-se e de forma acelerada. França continua a iludir-se a si própria julgando que ocupa ainda um local central no quadro europeu. Mas de facto, o jogo da austeridade, que propicia a uma fuga massiva de capitais da periferia para a Alemanha, Suíça e Holanda, empobrece todo o continente, impondo uma contenção orçamental que muito agrada a alemães, mas sem a abundância de capitais de que ela goza.

A Europa perde carácter e torna-se cada vez numa “Grande Alemanha”, em que todos os demais Estados transferem parcelas crescentes de soberania para a Alemanha, o papel e a influencia da Comissão Europeia desvanece-se e os países periféricos transformam-se cada vez mais em gigantescos “club meds” sem real influencia ou condução nos destinos da cada vez menos “comum” casa europeia.

Categories: Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | 8 comentários

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8 thoughts on “É a Alemanha que se está a europeizar ou a Europa que se está a germanizar?

  1. Maria Salgado

    Pois já não é nada que não me tivesse passado pela cabeça. Europa cada vez mais pobre e em grandes dificuldades e Alemanha & Companhia em ascendência, é caso para perguntar: – para onde vai então o dinheiro? Está à vista e só não vê quem não quer, não porque seja cego.
    Onde está a grande mudança para a Europa, talvez passe por excluir quem nos vem passando a mão pelo pêlo e depois é o que sabemos. A Europa precisa de se reorganizar, mas não com aqueles que nos desorganizam. O passado é lição. Então olhemos para trás de cada país que faz parte da Europa e sabemos assim do que eles são capazes de fazer. O sangue corre nas veias e em qualquer altura dá-se-lhes a velocidade que queremos. É preciso voltarmos a ser cada um ou seja: Portugal ser Portugal, Grécia ser Grécia e etc., e assim chega-se a algum porto. Difícil? Sim, mas para cada um de nós. Andar com as pernas dos outros, apenas se chega onde eles querem e não onde NÓS QUEREMOS E SOMOS CAPAZES!

    • Comcerteza que somos capazes. Desde logo somos uma nacao milenar, enquanto que a “garbosa” alemanha data apenas do seculo XIX… e sem duvida que qualquer futuro que passe pela anulacao das patrias ou das nacoes europeias, absorvidas pela alemanha “imperial” nao tem futuro. O federalismo – que os europeistas de hoje encaram como a unica saida para a crise atual – nao tem terreno fertil sem que exista uma verdadeira e forte “nacionalidade europeia”.

  2. Riquepqd

    Por outro lado, se a UNASUL chegar a ser um dia uma UE, o Brasil não corre o risco de se transformar no que muitos países europeus do sul estão se transformando, em fantoches dos países germânicos.

    É mais fácil o Brasil se transformar na Alemanha da UNASUL. E o curioso é que se isso acontecer, tenho certeza que receberá uma ferrenha resistência hispanófona liderada pela Argentina e pelo Chile, muito provavelmente as pequenas Guiana e Suriname que foram colonias de Grã-Bretanha e Holanda também não se sujeitariam a isso.

    Já a Alemanha parece que reina soberana na UE, sem qualquer resistência dos demais…

    • Enoque

      “…o Brasil não corre o risco de se transformar no que muitos países europeus do sul estão se transformando, em fantoches dos países germânicos.

      É mais fácil o Brasil se transformar na Alemanha da UNASUL…”

      Eu, como brasileiro, não concordo que o Brasil faça com os seus vizinhos o que a Alemanha faz com os europeus do sul. Eu não tenho o direito de fazer aos outros o que eu não quero que os outros façam comigo. 😉

    • Nao creio que haja essa possibilidade. Desde logo, a unasul nao parece ter força animica para ser alguma vez mais que uma alianca economica. E na America do Sul a matriz é hispanica, de facto, enquanto que o Brasil é lusofono. Na europa nao existe essa dicotomia, mas uma muito maior amplitude cultural que favorece o predominio germanico (que assim tem que se sobrepor nao a um eixo cultural, mas a varios, muito mais dispersos)

  3. Riquepqd

    Eu também não quero, mas países tem interesses, é evidente que os mais fortes sempre vão tentar sobrepujar os mais fracos, e nessa questão, se tivermos que escolher, é melhor ser na atualidade um alemão do que um grego.

    • Enoque

      Por maior que seja o meu respeito pelos gregos, pela história da Grécia, eu concordo. Atualmente é melhor ser um alemão do que ser um grego. É verdade.
      E sim, os mais fortes sempre teimam, sempre querem dominar os mais fracos.

    • E alguma vez nao foi?… bem, talvez na epoca classica…

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