Álvaro Ribeiro: “A inveja, ou invídia, consiste em não poder ver o diferente no semelhante, e é portanto um vício inteletual, uma confissão de estupidez, um fator de maledicência”

Álvaro Ribeiro (http://www.ofilosofo.com)

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“A inveja, ou invídia, consiste em não poder ver o diferente no semelhante, e é portanto um vício inteletual, uma confissão de estupidez, um fator de maledicência.” (…) “O invejoso não quer ver, e para dar força à vontade pede auxilio da razão que logo lhe propõe o ideal da igualdade ou a igualdade do ideal, acima de todos os desmentidos da experiência.”

Álvaro Ribeiro, citado em:
Exilado do Mundo
António Carlos Carvalho
Revista Nova Águia, número 8

Um dos grandes males da sociedade portuguesa foi, é e será (?) com efeito, a Inveja. De tal já se queixava Camões, aliás… Não é fácil tentar compreender onde radica este pernicioso fio de atitudes que atravessa todo o percurso histórico da sociedade portuguesa, mas entre a sociedade lusoromana, visigótica ou tardo-medieval é mais difícil encontrar este tipo de atitude generalizada. Algo parece ter-se “quebrado” na alma coletiva portuguesa que terá lançado, solto, o corrosivo demónio da “invídia” (termo preferido de Álvaro Ribeiro) na nossa sociedade, deixando bem alimentado e hiperativo até hoje.

Julgamos localizar esse “algo”, esse ponto de viragem (para pior) da nossa sociedade no momento em que Dom Joao III introduz a Inquisição em Portugal. A partir daí todos aqueles que sentiam inveja perante a prosperidade, sucesso ou fama de um dos seus vizinhos, conterrâneos ou familiares sentiram-se com rédea solta para exercerem a sua inveja, denunciando-os à Inquisição. Os efeitos na alma coletiva foram tremendos e ecoaram durante gerações: o “pecado” foi associado ao “sucesso”, o “enriquecimento” ao “judaísmo” e, daí, ao novamente, ao “pecado”. Todos passaram a desejar não sobressaírem a não se destacarem nem a terem uma intervenção social ou civicamente muito relevante, como forma de não se destacarem da mole anónima e bovina e assim, se furtarem ao interesse letal do longo braço inquisitorial. Assim se fez a massa passiva e silenciosa que hoje carateriza a sociedade portuguesa, profundamente imersa nessa funesta “igualdade” de idiotia que tanto chocava a Álvaro Ribeiro.

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2 thoughts on “Álvaro Ribeiro: “A inveja, ou invídia, consiste em não poder ver o diferente no semelhante, e é portanto um vício inteletual, uma confissão de estupidez, um fator de maledicência”

  1. Creio que esse mesmo mal tenha sido infelizmente transplantado para todas as demais colônias portuguesas, inclusive o brasil. Cá estamos-nos a sofre por sua causa desde mal desde esses tempos e vai demorar muito para que esse mal seja sanado. Bem vamos aguardar.

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