Sobre as consequências gravosas para Portugal que resultaram da adoção do Euro

“A partir de 1999, com a entrada na fase de transição para o euro (a adoção da nova moeda ocorre materialmente em 2002, depois de um período de controlo e adaptação), Portugal é obrigado a adoptar certas regras impostas pelo Tratado de Maastricht: inflação indexada à dos países aderentes com menores taxas; défice orçamental abaixo dos 3% do PIB; divida pública próxima dos 60%; e taxa de cambio estável.
Neste período, o PIB cresce a uma taxa média anual de 1.2% (1.0%, no caso do PIB per capita), enquanto a inflação se cifra numa média de 2.5%. Este é o momento, dos analisados, de menor crescimento da economia nacional, registrando-se quebras do PIB em 2003 (0.85%) e, pela primeira vez, em dois anos seguidos: 2008 (-0.04%) e 2009 (2.7%). A globalização da economia afeta drasticamente setores industriais tradicionais (como o têxtil, o calçado e o vidro), obrigando à reconversão da base industrial do País. Globalmente a diferença entre importações e exportações é claramente negativa, o que significa que o País importa bem mais do que exporta. Para este saldo negativo contribui a componente dos bens, pois a balança dos serviços, graças sobretudo ao efeito do turismo, é positiva.”

Portugal: Os Números
Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

Os números não podiam ser mais claros: a adoção da moeda única foi uma autêntica catástrofe económica para Portugal. Induziu diretamente a um aumento desregrado dos padrões de consumo privado e público, criando um gigantesco défice da Balança Comercial e viciou toda uma sociedade no crédito e na divida. O facto de se tratar de uma moeda com uma taxa de câmbio muito desfavorável, destruiu a competitividade externa das nossas exportações. O facto de existir um cambio fixo (nulo) com os dois maiores parceiros comerciais portugueses (Espanha e Alemanha) fez o resto ao restante tecido produtivo luso… Hoje, Portugal é um país intensamente tercializado, dependente como nunca de todo o tipo de importações (mas sobretudo de alimentos) e que empobreceu notoriamente depois de 2000.

Decerto, a moeda única não é a culpada de todos os males da economia portuguesa. Mas ao tornar o crédito demasiado barato, irresponsabilizou consumidores e credores, ao ser demasiado cara deu o golpe final (?) Nos setores primário e secundário. Ao ser única, com Espanha, escancarou o nosso país às poderosas empresas de distribuição espanholas.

Urge preparar um plano de saída do euro e de recuperação da nossa soberania monetária. Experimentámos o que era usar uma moeda forte e estável e a experiência falhou. Seria estúpido (e até antipatriótico) se não tirássemos agora as devidas consequências e salvassemos Portugal desta moeda que foi tao perniciosa para o nosso país e preparássemos de forma gradual, ponderada e exigente o regresso ao Escudo. Não será fácil, dado o alto grau de integração europeia, nem pelo facto de a maior parte da nossa gigantesca divida externa estar precisamente em euros, mas há que sair. Sair para uma moeda que possa ser estável, mas que seja cotada nos mercados internacionais em valores mais ajustados à robustez da nossa economia, que possa incentivar à aparição de indústrias de substituição e que dissuada as importações alimentares. Uma moeda estável, com a estabilidade que poderia advir do regresso ao padrão Ouro ou do seu assentamento com outras unidades monetárias da CPLP. Uma moeda portuguesa, para Portugal, que nos permita regressar aos níveis de crescimento e independência nacional de antes da adesão ao SME.

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | Deixe um comentário

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