Portugal como “Porta Lusófona”

“Desenvolveu-se em Portugal entre os governantes a “teoria da porta”. Seria por Lisboa que todos os membros da lusofonia falariam com o centro e seria por Macau que falariam com a China. Pobre teoria da porta. Deviam saber que o Brasil ou Angola ou Moçambique, teriam força suficiente para escolher diretamente os seus interlocutores e que a China se ocuparia de Macau quando isso lhe interessasse.”
António Marques Bessa
As Grandes Linhas da Política Externa Portuguesa nos Últimos Anos
Finis Mundi, número 3

A tese da “porta” foi muito exagerada… Nenhum país Lusófono precisa de Portugal para “entrar” na Europa. Nem Angola, nem o Brasil têm que primeiro exportar para Portugal para depois poderem reexportar para outro país da União Europeia e acreditar que assim pode ser é regressar à tese da exclusividade dos portos que perdemos aquando das Invasões Francesas.

Mas Portugal pode ser efetivamente uma “porta”. Não por aquilo que é, mas por aquilo que pode ser. Portugal pode eleger como desígnio nacional o Mar e utilizar a sua incontornável posição geográfica estratégica como vantagem a ser favor, potenciar assim as suas ligações emocionais e linguísticas com Angola e Brasil e servir como eixo portuário para a Europa. Numa tal estratégia tornaremos a ser o país marítimo que nunca devíamos ter deixado de ser (e que o cavaquismo deixou destruir a troco de subsídios europeus).

A estratégia para Portugal pode ser a de transformar o país numa “ponte lusófona” entre dois dos países lusófonos economicamente mais dinâmicos da atualidade com quem temos laços emocionais, culturais e até económicos muito fortes. Mas não devemos esperar que estes fatores cheguem para sermos escolhidos como “ponte” por parte desses nossos parceiros na CPLP. Devemos investir e estrategicamente escolher esse desígnio:
1. Construir uma via de alta velocidade de mercadorias que ligue o porto de Sines ao norte da Europa.
2. Reconstruir uma marinha mercante, com navios costeiros de pequena dimensão e altamente competitivos.
3. Continuar a desenvolver o melhor porto de águas profundas da Europa: o porto de Sines.
4. Construir uma rede de portos oceânicos offshore capazes de receber ainda antes de chegar à nossa costa os grandes porta-contentores oceânicas e de realizar aqui o transbordo para a rede de pequenos e médios cargueiros que depois distribuirá essas mercadorias pelo continente europeu.

Com estas três soluções, Portugal poderá assumir essa função de “porta europeu” com argumentos sólidos e consistentes inaugurando uma nova era de desenvolvimento e prosperidade assente na Economia do Mar e nas ligações económicas e civilizacionais para com os restantes estados lusófonos.

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 3 comentários

Navegação de artigos

3 thoughts on “Portugal como “Porta Lusófona”

    • E porque nao? Se o Ocidente quer que os BRIC assumam um papel mais ativo na partilha de responsabilidades e na saida da presente crise ocidental da divida, esse aumento deve ser correspondido, por exemplo, com a presenca da India e do Brasil como membros permanentes do CS da ONU e na proxima rotacao do FMI depois da europeia La Garde.

      • Nota: pessoalmente, defendo que somente organizacoes regionais deviam ter assento permanente no CS, como a asean, a ue, o mercosul, a cplp, a uniao africana, a nafta, etc, nao paises, por grandes e influentes que estes sejam.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: