Daily Archives: 2012/02/26

Israel está prestes a atacar o Irão?

Aviões israelitas F-15I (http://israeli-weapons.com)

Aviões israelitas F-15I (http://israeli-weapons.com)

Segundo o responsável máximo pela Inteligência militar israelita, o general Aviv Kochavi, afirmou numa conferencia de imprensa que o Irão já conseguiu fabricar urânio enriquecido numa quantidade suficiente para construir quatro bombas nucleares.

Segundo o general, o Irão terá cerca de 100 kg de urânio enriquecido a 20%, uma quantidade suficiente para as ditas 4 bombas e capacidade para as fabricar num ano, a partir do momento em que essa decisão seja tomada, não se sabendo se já o foi ou não… Oficialmente, República Islâmica continua a negar, mas com o novo bloqueio europeu às exportações de petróleo iraniano e com as ameaças do regime dos ayatollahs de fecho do Canal de Ormuz, as possibilidades de que essa ordem seja dada aumentam exponencialmente… E se esta for dada, Israel tem menos de um ano para fazer algo, porque sabe-se bem qual será o alvo prioritário desses engenhos, como de resto sucedeu também com os Scud iraquianos durante a Guerra do Golfo.

Israel poderá estar assim prestes a desencadear um ataque em larga escala às instalações nucleares iranianas. Se não o fizer, e for atacado, terá que preservar a capacidade de reacção para poder responder com uma das 300 ogivas que o estado judaico tem armazenadas.

Qualquer ataque aéreo israelita será contudo muito difícil… Em primeiro lugar, as defesas aéreas iranianas não estão “amolecidas” por décadas de bombardeamentos, como sucedida com o Iraque de Saddam, estão relativamente bem distribuídas, espalhadas pelo extenso território iraniano e bem equipadas… E Israel não tem as quantidades de mísseis terra-terra ou de aeronaves que os EUA dispõem para conduzir um ataque de saturação que torne inoperantes as defesas iranianas. E, sobretudo, Israel terá que combater no limite do raio de acção dos seus aparelhos e contra alvos muito bem protegidos e altamente reforçados contra os mais duros bombardeamentos. Assim sendo, a eficácia deste eventual ataque israelita é muito incerta… Ainda que a existência de uma dura retaliação não o seja.

Fonte:  
http://www.spacewar.com/reports/Iran_has_material_for_4_nuclear_bombs_Israeli_general_999.html

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Portugal como “Porta Lusófona”

“Desenvolveu-se em Portugal entre os governantes a “teoria da porta”. Seria por Lisboa que todos os membros da lusofonia falariam com o centro e seria por Macau que falariam com a China. Pobre teoria da porta. Deviam saber que o Brasil ou Angola ou Moçambique, teriam força suficiente para escolher diretamente os seus interlocutores e que a China se ocuparia de Macau quando isso lhe interessasse.”
António Marques Bessa
As Grandes Linhas da Política Externa Portuguesa nos Últimos Anos
Finis Mundi, número 3

A tese da “porta” foi muito exagerada… Nenhum país Lusófono precisa de Portugal para “entrar” na Europa. Nem Angola, nem o Brasil têm que primeiro exportar para Portugal para depois poderem reexportar para outro país da União Europeia e acreditar que assim pode ser é regressar à tese da exclusividade dos portos que perdemos aquando das Invasões Francesas.

Mas Portugal pode ser efetivamente uma “porta”. Não por aquilo que é, mas por aquilo que pode ser. Portugal pode eleger como desígnio nacional o Mar e utilizar a sua incontornável posição geográfica estratégica como vantagem a ser favor, potenciar assim as suas ligações emocionais e linguísticas com Angola e Brasil e servir como eixo portuário para a Europa. Numa tal estratégia tornaremos a ser o país marítimo que nunca devíamos ter deixado de ser (e que o cavaquismo deixou destruir a troco de subsídios europeus).

A estratégia para Portugal pode ser a de transformar o país numa “ponte lusófona” entre dois dos países lusófonos economicamente mais dinâmicos da atualidade com quem temos laços emocionais, culturais e até económicos muito fortes. Mas não devemos esperar que estes fatores cheguem para sermos escolhidos como “ponte” por parte desses nossos parceiros na CPLP. Devemos investir e estrategicamente escolher esse desígnio:
1. Construir uma via de alta velocidade de mercadorias que ligue o porto de Sines ao norte da Europa.
2. Reconstruir uma marinha mercante, com navios costeiros de pequena dimensão e altamente competitivos.
3. Continuar a desenvolver o melhor porto de águas profundas da Europa: o porto de Sines.
4. Construir uma rede de portos oceânicos offshore capazes de receber ainda antes de chegar à nossa costa os grandes porta-contentores oceânicas e de realizar aqui o transbordo para a rede de pequenos e médios cargueiros que depois distribuirá essas mercadorias pelo continente europeu.

Com estas três soluções, Portugal poderá assumir essa função de “porta europeu” com argumentos sólidos e consistentes inaugurando uma nova era de desenvolvimento e prosperidade assente na Economia do Mar e nas ligações económicas e civilizacionais para com os restantes estados lusófonos.

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Sobre as consequências gravosas para Portugal que resultaram da adoção do Euro

“A partir de 1999, com a entrada na fase de transição para o euro (a adoção da nova moeda ocorre materialmente em 2002, depois de um período de controlo e adaptação), Portugal é obrigado a adoptar certas regras impostas pelo Tratado de Maastricht: inflação indexada à dos países aderentes com menores taxas; défice orçamental abaixo dos 3% do PIB; divida pública próxima dos 60%; e taxa de cambio estável.
Neste período, o PIB cresce a uma taxa média anual de 1.2% (1.0%, no caso do PIB per capita), enquanto a inflação se cifra numa média de 2.5%. Este é o momento, dos analisados, de menor crescimento da economia nacional, registrando-se quebras do PIB em 2003 (0.85%) e, pela primeira vez, em dois anos seguidos: 2008 (-0.04%) e 2009 (2.7%). A globalização da economia afeta drasticamente setores industriais tradicionais (como o têxtil, o calçado e o vidro), obrigando à reconversão da base industrial do País. Globalmente a diferença entre importações e exportações é claramente negativa, o que significa que o País importa bem mais do que exporta. Para este saldo negativo contribui a componente dos bens, pois a balança dos serviços, graças sobretudo ao efeito do turismo, é positiva.”

Portugal: Os Números
Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

Os números não podiam ser mais claros: a adoção da moeda única foi uma autêntica catástrofe económica para Portugal. Induziu diretamente a um aumento desregrado dos padrões de consumo privado e público, criando um gigantesco défice da Balança Comercial e viciou toda uma sociedade no crédito e na divida. O facto de se tratar de uma moeda com uma taxa de câmbio muito desfavorável, destruiu a competitividade externa das nossas exportações. O facto de existir um cambio fixo (nulo) com os dois maiores parceiros comerciais portugueses (Espanha e Alemanha) fez o resto ao restante tecido produtivo luso… Hoje, Portugal é um país intensamente tercializado, dependente como nunca de todo o tipo de importações (mas sobretudo de alimentos) e que empobreceu notoriamente depois de 2000.

Decerto, a moeda única não é a culpada de todos os males da economia portuguesa. Mas ao tornar o crédito demasiado barato, irresponsabilizou consumidores e credores, ao ser demasiado cara deu o golpe final (?) Nos setores primário e secundário. Ao ser única, com Espanha, escancarou o nosso país às poderosas empresas de distribuição espanholas.

Urge preparar um plano de saída do euro e de recuperação da nossa soberania monetária. Experimentámos o que era usar uma moeda forte e estável e a experiência falhou. Seria estúpido (e até antipatriótico) se não tirássemos agora as devidas consequências e salvassemos Portugal desta moeda que foi tao perniciosa para o nosso país e preparássemos de forma gradual, ponderada e exigente o regresso ao Escudo. Não será fácil, dado o alto grau de integração europeia, nem pelo facto de a maior parte da nossa gigantesca divida externa estar precisamente em euros, mas há que sair. Sair para uma moeda que possa ser estável, mas que seja cotada nos mercados internacionais em valores mais ajustados à robustez da nossa economia, que possa incentivar à aparição de indústrias de substituição e que dissuada as importações alimentares. Uma moeda estável, com a estabilidade que poderia advir do regresso ao padrão Ouro ou do seu assentamento com outras unidades monetárias da CPLP. Uma moeda portuguesa, para Portugal, que nos permita regressar aos níveis de crescimento e independência nacional de antes da adesão ao SME.

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Breve nota biográfica sobre o mais recente homenageado do MIL: o Professor Adriano Moreira

Adriano Moreira (http://www.agencia.ecclesia.pt)

Adriano Moreira (www.agencia.ecclesia.pt)

Adriano Moreira será brevemente homenageado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono pela sua brilhante carreira académica e produção inteletual na área da lusofonia e trabalho recente em prol da aproximação dos povos de língua portuguesa. Importa assim compreender um pouco mais quem é esta figura da inteletualidade portuguesa contemporânea… Missão que nos iremos atrever a seguir nas próximas linhas.

Adriano Moreira nasce na pequena localidade de Grijó de Vale Benfeito, a 6 de Setembro de 1922. Entre 1960 e 1961, Adriano Moreira, então já um reputado académico, com obra publicada no campo da concessão de uma maior autonomia aos territórios ultramarinos, assume as funções de Subsecretário de Estado da Administração Ultramarina. Entre 1961 e 1963 serviria como Ministro do Ultramar. De observar que cumpriu essas funções sem que se tenha filiado no partido de governo.

A entrada de Adriano Moreira na carreira política, em 1961 como Subsecretário de Estado resultou de uma chamada de Oliveira Salazar para que pusesse em prática as críticas que fizera sobre a política ultramarina do regime e sobretudo aquelas que formulara em 1959, numa sessão da Assembleia Geral da ONU enquanto representante do Ministério do Ultramar. Aqui, Moreira mencionara a inevitabilidade de um conflito armado em África e que urgia preparar a guerra “que se travará em África, com os meios de propaganda, de infiltração subversiva, de descrédito e (…) de sedição”. Salazar aceita o ambicioso e audaz (para o regime) programa de “autonomia progressiva e irreversível” e Adriano Moreira arranca com uma extensa e muito rápida ação legislativa: em pouco mais de dois anos é revisto o Estatuto do Indígena, é promulgada uma nova Lei das Terras e um novo Código do Trabalho Rural. Mas este ímpeto reformista e que tinha como eixo central a concessão de maior autonomia e auto-governo aos territórios ultramarinos incomoda os setores mais conservadores do regime que pressionam Salazar a afastar Adriano Moreira, que é chamado novamente ao gabinete do ditador onde este lhe informa que é preciso “mudar de política” no que concerne à forma como se conduz a política colonial. Moreira recusa alterar a sua condução do ministério e responde a Salazar: “Acaba de mudar de ministro.”

Ainda hoje, Adriano Moreira continua a crer que teria sido possível na década de 60 resolver a “questão colonial” de uma forma diferente daquela seguida pelas restantes potencias coloniais europeias. O Professor acredita que o caso português era diferente e que poderia ter tido soluções especificas e mais adequadas aos interesses locais e de Portugal que a pura e simples independência. Moreira admite hoje que Salazar era “um centralista, que temeu perder o controlo administrativo dos territórios ultramarinos”.

Adriano Moreira tem hoje uma péssima opinião sobre o processo da descolonização que classifica como “uma debandada sem precedentes na História”, mas isso não o impede de acreditar na viabilidade e no futuro dos países africanos lusófonos e de elogiar muito em particular o caso de Cabo Verde: “um país mais perfeito que o Brasil do ponto de vista da integração étnica. Um cabo-verdiano nunca vê a cor da pele do seu interlocutor.”

Antigo presidente do CDS, Adriano Moreira tem hoje nos “Estudos Gerais da Arrábida”, um projeto para a cooperação com os PALOP e as comunidades portuguesas no estrangeiro.

O Professor pensa que Salazar acreditava que era possível manter as colónias em África em função do contexto da Guerra Fria ou da eclosão (que dava como certa) de Terceira Guerra Mundial. Os aliados estariam assim dispostos a apoiar as pretensões portuguesas em África em troca das bases e pontos de apoio que Portugal assim lhes asseguraria.

O programa de reforma das possessões portuguesas em África de Adriano Moreira produziu entre 1 de Abril e 15 de Maio de 1965 49 diplomas. O objetivo era então o de fazer evoluir o sistema colonial português até uma forma de associação pseudo-federalista, na mesma linha de Sarmento Rodrigues, Lopes Alves e até Henrique Galvão, que, na ONU se declararia contra a independência dos territórios portugueses uma vez que Galvão não acreditava que estivesse prontos para a independência e defendia a formação de uma confederação ou uma federação. Moreira defendia uma “autonomia progressiva e irreversível de todos os territórios para manter o povoamento europeu que já existia e sem o qual não haveria sociedade civil viável.”. Adriano Moreira acreditava que nos começos da década de 60 era ainda possível evitar a guerra e que “era possível a transição pacífica daqueles territórios. Queria uma solução em paz e o conceito que os militares ouviram do Governo era o de resistirem para dar tempo a uma solução política.”

Nessa época, Adriano Moreira convocou aquele que viria a ser o último plenário do conselho ultramarino da História de Portugal, o mesmo em que surgiu o documento de Marcelo Caetano onde o (então) académico defendia o conceito de uma “federação lusíada”. Moreira nunca defendeu na época – abertamente – essa opção, mas admite hoje que o regime nunca toleraria tal abordagem e que muito provavelmente fora essa possibilidade que levara ao seu afastamento por medo do enfraquecimento do controlo do poder central. Adriano Moreira acredita também que o seu afastamento e o fim da opção federalista resultara da crença do regime de que (a partir de dado momento) era possível vencer militarmente a revolta, quando no inicio se pedira apenas aos militares para ganharem tempo até que se encontrasse uma solução política.

Adriano Moreira acreditava que havia uma distinção profunda entre a presença portuguesa em África era muito diferente daquela das restantes potencias europeias: desde logo havia uma obra missionária muito profunda, depois, havia uma aceitação (até legal) da existência de filhos com habitantes locais e, sobretudo, havia na presença lusa um traço que era raro nos restantes europeus: quando um português partia para África não partia por um tempo, partir para lá passar a viver e seguia geralmente com a sua família. Isto só acontecia muito, contudo, com os colonizadores franceses e ingleses em África que frequentemente encaravam a sua presença em África apenas como temporária e que regressavam à metrópole na primeira oportunidade… Como diz Adriano Moreira: “o português quando emigrava para o ultramar era para ficar”.

Fonte Principal:
Entrevista de Adelino Gomes
“PÚBLICO” de 22 de abril de 1995

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X Fórum PASC: Encontro Público “A Importância da Lusofonia” (2)

Intervenção do Dr. Gentil Martins
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