Sobre as desistências do ensino em Portugal

“As desistências precoces do percurso escolar mantêm-se elevadas: um em cada três jovens (18-24 anos) já não está a estudar e não atingiu o nível de ensino secundário em 2009. Este é o valor mais alto da União Europeia. Fica assim claro o longo caminho que há a percorrer para se atingir os níveis dos outros países europeus – em média, nos 27 países, em 2008, só 15% dos jovens se encontravam nessa situação de “abandono precoce da escola”.

Portugal: Os Números
Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

O Ensino foi em 1911 uma das grandes prioridades do novel regime Republicano e agora, volvidos já mais de cem anos, continua a ser o grande bloqueio do nosso sistema democrático. Uma população globalmente boçal, indevidamente instruída, desinteressada pela expressão e ação cidadã será sempre presa fácil de todos os populismos e manipulações que os “senhores dos Media” quiserem exercer sobre ela.

Para que haja uma democracia plena e não apenas informal ou superficial é absolutamente imperativo que brote um pensamento critico, uma ação cívica constante e vigilante e que ambos se vulgarizem entre as massas governadas. Em suma, só pode haver democracia plena num clima social que favoreça à aparição e desenvolvimento da cidadania.

No que respeita à expressão cidadã, o tradicional modelo representativo aparenta estar esgotado: usurpado por clãs familiares que se alternam no Poder, rotativamente e servindo sempre lógicas corporativas, internas ou os perigosos lobbies financiadores. A renovação da Democracia só pode assim ser realizada pela via do estabelecimento de formas de Democracia Direta, sem intermediações nem profissionalismos. Mas tal formato pode apenas sobreviver num contexto em que a esmagadora dos seus agentes toma decisões de forma informada, racional e consequente. Para tal, a Educação é fundamental… Regressando assim a grande prioridade governativa da Primeira República: a instrução pública, como primeira e última de qualquer governo democraticamente eleito e civicamente consciente.

Categories: Economia, Educação, Política Nacional, Portugal | 1 Comentário

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One thought on “Sobre as desistências do ensino em Portugal

  1. É uma situação preocupante, por isso o artigo é muito pertinente e interessante.
    Só colocaria um item a mais, o fato de muitas orientações universitárias sejam tendenciosas a ponto de impedirem o real desenvolvimento científico e a própria liberdade de pensamento. Exemplos temos a medicina, com sua visão pasteuriana e organicista, as universidades financiadas por Rockfeller deram todo o apoio à teoria de Pasteur para poder desenvolver os interesses da industria famacêutica e ocultou o cientista da mesma época Antoine Béchamp e oculta hoje Norberto Keppe. A mesma coisa fizeram com Nikola Tesla…e em todos os campos as universidades são visadas pelos mesmos poderes corruptos que controlam a midia, os governos, etc. Situação infeliz em que nos encontramos mas que precisamos estar cientes.

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