Sobre as “ordens algorítmicas” na Bolsa de Lisboa, o Poder dos Mercados e a Fraqueza dos Políticos

“Um relatório da CMVM realça que um grande numero de ordens de bolsa não se materializam em negócios efetivos. Em média, há uma transacção em cada oito ordens. O rácio chega a ser muito superior em algumas cotadas, chegando às 265 e 481 em dois casos. Segundo o regulador, este desvio “permite supor a existência de ordens algorítmicas”. Estas ordens são desencadeadas por computadores, de forma muito rápida e intensa, com base em modelos matemáticos de interpretação das condições de mercado. Este tipo de operação visa sobretudo os títulos mais liquidos, como é o caso do BCP, que segundo os corretores têm sido um alvo preferencial dos “day traders”, investidores que procuram tirar partido das variações de preço intradiárias.

Jornal de Negócios
13 de janeiro de 2013

Muitas coisas estão mal no atual predomínio do sistema financeiro especulativo sobre a economia real, aquela que gera riqueza efetiva e sustentável e, sobretudo, emprego e exportações. Desde a década de 90 que uma percentagem sempre crescente do capital existente nas economias tem sido absorvido pela especulação financeira.

Na especulação financeira têm-se multiplicado – sobretudo desde 2000 – os mecanismos automáticos e ferramentas opacas. Imensamente complexas estruturas e programas informáticos que respondem automaticamente perante as mais ligeiras flutuações de preços (algumas delas criadas por outros algoritmos automáticos). O Mercado Financeiro é isto, hoje em dia: um conjunto de programas informáticos que falam uns com os outros, sem intervenção humana, que arrasam economias à velocidade da luz e completamente separado da economia real.

Impõe-se uma severa reestruturação dos mercados financeiros, que aplique aqui taxas de impostos não inferiores (como atualmente) ou idênticas às pagas pelos verdadeiros empresários (aqueles que criam empresas, empregos e bens), mas superiores, por forma a desviar esses capitais que desaparecem na economia virtual e a fazê-los regressar à economia real. Obviamente, tal tipo de revolução fiscal não pode ocorrer apenas num único pais, já que assim este seria imediatamente alvo de uma retaliação violenta por parte dos investidores, mas terá que ser global ou, pelo menos, regional… E aqui é que reside a grande dificuldade desta necessária correcção que urge fazer. Chegou a altura dos políticos eleitos assumirem a sua missão e recuperarem o controlo sobre os mercados: regulem, acabem (à escala global) com os offshores, imponham uma taxa às transacções financeiras (uma taxa de 0.025% na Europa representaria mais de 200 mil milhões de euros) e, sobretudo, parem de financiar os Estados de forma independente e adotem as Eurobonds… Mas será uma europa que decide em julho de 2011 e que depois aplica (quando aplica!) em meados de 2012 capaz desta coragem?…

Categories: Economia, Política Nacional | 2 comentários

Navegação de artigos

2 thoughts on “Sobre as “ordens algorítmicas” na Bolsa de Lisboa, o Poder dos Mercados e a Fraqueza dos Políticos

  1. voza0db

    isto não vai lá com taxas…

    • Nao, mas pode comecar a ir por ai mesmo… E depois regular, voltando aos niveis de regulacao da decada de 90.
      E impondo as muito esquecidas leis anti-trusts, agora tao (convenientemente) esquecidas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: