António Marques Bessa: “A política externa espanhola assenta na invasão de capital com as contrapartidas conhecidas no controle de empresas chave, mobiliárias e imobiliárias, terras de regadio e na difusão da cultura castelhana por meio do Instituto Cervantes”

“Os laços mais apertados com a Espanha decorrem naturalmente da política europeísta e da opção da União Europeia. Capitais espanhóis começaram a afluir a Lisboa e a sua poderosa agricultura asfixia a incipiente agro-pecuária existente no país. A política externa espanhola assenta na invasão de capital com as contrapartidas conhecidas no controle de empresas chave, mobiliárias e imobiliárias, terras de regadio e na difusão da cultura castelhana por meio do Instituto Cervantes. A política externa portuguesa não percebeu ainda que tem a montante um gigante económico, que pode cortar a agua, impedir a passagem de eletricidade e colonizar numa ou duas gerações Portugal.”

António Marques Bessa
As Grandes Linhas da Política Externa Portuguesa nos Últimos Anos
Finis Mundi, número 3

A grande consequência – nunca admitida – da adesão à União Europeia (ex-CEE) para Portugal foram efetivamente não o afluxo dos fundos estruturais, nem a abertura de fronteiras, nem sequer a incorporação das diretivas europeias no corpo legislativo nacional, mas a abertura escancarada fronteiras económicas com Espanha.

Portugal afirmou a sua identidade nacional sempre contra Espanha. Espanha, por sua vez tentou varias vezes anexar o nosso país, buscando incorporar na sua colecção privativa de Nações ibéricas castelhanizadas. Diz Agostinho da Silva que o grande feito da Historia portuguesa não foram os Descobrimentos nem a Expansão, mas essa resistência ao intenso magnetismo castelhano.

Ora se alguém aproveitou com a abertura de barreiras comerciais em Portugal, esse alguém foi Espanha. Nunca se destruíram tantas empresas agrícolas nacionais, substituindo-as pela produção agro-industrial espanhola, nem comércio, nem industria e, sobretudo, nem pesca, aproveitando Espanha a operação setores onde a “invasão” espanhola foi absolutamente avassaladora. Mas supremamente malsana e imbecil de destruição da nossa frota pesqueira (patrocinada por Cavaco Silva). O deserto assim criado foi rapidamente preenchido pela frota pesqueira espanhola que aproveitou a abertura do nosso Mar para  saquear os seus recursos piscicolas.

Portugal tem que despertar desta seu vício europeu e recordar-se de todas as afrontas que Espanha nos fez: que ocupa ainda e sempre os dois concelhos portugueses de Olivença, de todos os milhões de litros de água potável que rouba aos nossos rios, das suas pretenso anexadoras das Ilhas Desertas e do seu mar, e sobretudo recordar-se de todos os entraves que Madrid coloca à entrada de empresas lusas no mercado espanhol e da forma colonial como – de forma oposta – as empresas de retalho espanholas ocupam cada vez mais o setor terciário português.

De Espanha nem bom vento, nem bom casamento. Especialmente se este for patrocinado pela União Europeia e Espanha insistir sendo uma potencia colonial e intolerante, com bem se constata hoje na sanha que deita sobre a Galiza procurando sob todos os meios destruir a identidade nacional dos nossos irmãos. Da outra banda do rio Minho.

Categories: Economia, Lusofonia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | Etiquetas: | 8 comentários

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8 thoughts on “António Marques Bessa: “A política externa espanhola assenta na invasão de capital com as contrapartidas conhecidas no controle de empresas chave, mobiliárias e imobiliárias, terras de regadio e na difusão da cultura castelhana por meio do Instituto Cervantes”

  1. Portugal e Espanha sempre tiveram relações conturbadas pelo visto isso não mudou muito nos últimos seculos, interessante o que Portugal planeja fazer para enfrentar esses problemas.

  2. Excelente artigo!

  3. Riquepqd

    Esses dias eu tive uns pensamentos esquisitos, seria roteiro de um filme vencedor de Oscars, tomara que nunca se concretizem, apenas na ficção. mas devido a contextos históricos, podem um dia acontecer.

    Pensei que futuramente os países hispanófonos sul-americanos esqueceriam suas diferenças e se uniriam em prol de um objetivo, invadir belicamente o Brasil para tentar acabar com o desenvolvimento em curso do Brasil, e assim tentar acabar de vez com as diferenças entre a América hispanófona e a lusófona.

    Mas é claro que a desculpa oficial para entrarem em litígio com o Brasil seria a de sempre, que os problemas deles são causados pela politica externa e econômica do “império brasileiro”, e teriam que se unir para poder enfrentar o Brasil e dividi-lo, como foi dividida a América espanhola, para poderem assim equilibrar as forças no continente, e além de atacarem com suas FFAA, também apoiariam movimentos insurgentes de secessão no Brasil.

    E neste momento a Espanha aproveitaria a união hispanófona para tentar novamente anexar Portugal a força. Seria triste e desastrosa demais uma guerra dessas proporções, mas venderia muitos bilhetes no cinema.

    Mas no caso de sermos atacados, claro que neste filme lusófono a vitória lusófona se concretizaria, com o Brasil expandindo seu território em direção a uma saída para o Oceano Pacífico, através da tomada de territórios litorâneos e da Cordilheira dos Andes, dos bolivianos, peruanos e chilenos, reanexando a Cisplatina, e tornando-a o 27º Estado da Federação, libertando a Guiana Francesa, tornando-a independente, caso a França apoie os hispanófonos, e anexando a Guiana e as Ilhas Malvinas, tornando-as também em Estados brasileiros, caso a Commonwealth apoie os hispanófonos, o que dificilmente aconteceria, a Commonwealth ficaria no mínimo neutra, devido aos problemas entre Venezuela e Guiana e Argentina e Reino Unido.

    Também pensei que os PALOPS seriam solidários a Brasil e Portugal, enviando tropas para ajudar a combater, com isso, após expulsarem os hispanófonos do solo brasileiro, milhares de lusófonos brasileiros e africanos partiriam do litoral nordestino rumo a Península Ibérica, em milhares de embarcações, para ajudar a resistência portuguesa a expulsar os invasores castelhanos do solo português, chegariam tomando de assalto o litoral português, e as forças lusófonas empurrariam os castelhanos de volta a Madrid.

    E Brasil e Portugal ajudariam os movimentos insurgentes da Catalunha, Navarro, Galiza e País Basco a tornarem-se independentes, para assim criarem um corredor de segurança entre Portugal e Espanha, para diminuírem ao máximo as fronteiras em comum entre os dois países.

    Brasileiros e Portugueses seriam os libertadores das “espanhas”. A ONU seria neutra, A OTAN também não se meteria porque teria membros dos dois lados do conflito, apenas enviaria tropas para a fronteira da Espanha com a França, Gibraltar e Andorra, para garantir que a guerra hispano-lusófona não ultrapassasse os limites da Península Ibérica. Mas a UE é claramente a favor da Espanha, já que Portugal é menos relevante economicamente para a UE do que a Espanha, e nesta guerra Portugal se aliou a “não europeus”, e segundo a UE tropas de um BRIC combatendo na Europa seria um risco para todos os europeus.

    No final do conflito, Brasil, Portugal e toda a CPLP selam um pacto de união e auto-defesa, tornando-se o inicio da UL, e devido ao poder bélico e principalmente de resistência demonstrado pela união dos lusófonos, conquistam um assento lusófono definitivo no Conselho de Segurança da ONU.

    Agora que o Otus me metralha, calma corujão, é só ficção, não quero o Brasil invadindo o país de ninguém, muito menos o surgimento de mais uma guerra, já temos tantas no mundo. Mas em um filme ficaria legal, principalmente o final, com o surgimento de uma grande nação formada por todos os países lusófonos.

    • Estou a ver que andaste pensando muito no tema, Riquepqd! 🙂
      Nao creio, contudo que seja este o tempo de guerras de larga escala como essa do teu “pesadelo”… As ligacoes economicas e financeiras dominam hoje a politica e obstam a qualquer conflito generalizado desse tipo. As guerras do futuro serao sempre (creio eu) assimetricas, como a do Iraque, Afeganistao ou Libia. Guerras abertas entre grandes paises sao cada vez mais impossiveis, pela densa teia de ligacoes economicas que os une e pela perda de importancia atual do politico para com o aspeto economico da vida humana.

  4. Penso que o alcaide de Olivença está a fazer um grande favor ao reacender as hostes anti castelhanas, e de facto Portugal está a precisar de um pretexto concreto para encetar uma acção de desgaste para o objectivo da desagregação da Espanha.
    Não acredito que Espanha nos colonize nem em duas nem em nenhuma geração, pelo simples facto que não tem a força nem a unidade necessária para o fazer, além disso Portugal sempre teve tradição de ser um país aberto ao mundo, o português é universalista por excelência e não é umas frutas e legumes espanhóis nos nossos supermercados que nos vai fazer virar para o outro lado, creio sim que estes comentários de António Marques Bessa, visam espicaçar a identidade nacional criando o inimigo, e o inimigo sempre foi e é a Espanha.
    Qualquer país para se manter alerta tem que permanentemente ter presente o seu inimigo, ora devido aos políticos que temos tido, alguns infiltrados iberistas, esse conceito foi-se esbatendo, agora está novamente a vir ao de cima e será bom que venha para bem de Portugal.
    Este sentimento fará com que haja agora um movimento inverso ou seja de empresas portuguesas pressionando a sua entrada no mercado espanhol, por isso é importante que Portugal faça alianças estratégicas nesse sentido com capitais brasileiros e chineses, o Brasil por razões óbvias mas a China sim por todos os motivos e mais alguns, porque nunca nos demos mal negociando com os chineses durante mais de 500 anos, Macau é um excelente exemplo do intercâmbio entre as duas culturas e a China vê com bons olhos uma associação mais activa com Portugal.
    A primeira derrota espanhola, já se fez sentir justamente no Brasil com o braço de ferro entre a PT e Telefónica, e agora uma derrota da Iberdrola na EDP, ficando a sua posição apenas para chinês ver.
    Penso que a ordem deverá ser dada para atacar o mercado espanhol com empresas sediadas em Portugal com capital luso-brasileiro e chinês, a curto médio prazo será certamente uma estratégia que irá dar os seus frutos e esta é a altura ideal que eles estão mais debilitados.
    A Espanha está nervosa e já se nota, nos estamos serenos…

  5. Muitos galegos também sentem-se um pouco Portugueses , alguns deles sentem que fazem parte do mundo Lusófono.

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