Daily Archives: 2012/02/20

Resposta a Enoque sobre a Aproximação Lusófona

“Mas se há alguém que defenda a restauração do império colonial português, que o tal fique sabendo que Portugal não conseguirá ter de volta as suas ex-colônias. Nem a China devolverá Macau, nem a Índia devolverá Goa e outras ex-possessões portuguesas, não creio que Angola ou Moçambique queiram voltar ao domínio luso e principalmente o Brasil, depois de quase 200 anos separados, agora é muito tarde para recolonizá-lo. Também é igualmente patético alguém achar que será formado um império brasileiro através da CPLP, às custas dos escombros do antigo império ultramarino português.”

– não, obviamente que não. Não conheço ninguém que no seu perfeito juízo defenda a restauração do Império. Esse tempo já passou e de resto, Portugal nunca teve um “império” como tiveram alemães, russos ou ingleses: o nosso império foi sempre comercial e marítimo, raramente territorial (excepção para o Brasil) e sempre dependeu muito mais das alianças e de forças locais e indígenas do que qualquer outro império europeu. Como exemplo, no século XVII e XVIII, quase todo o comercio no imperio portugues do Oriente (de Mocambique a Macau) era interno e praticamente todos os militares e navios de guerra eram indígenas, sendo oficiais apenas metropolitanos reinóis (e uma boa dose de nascidos no oriente)

“Proibições e fechamentos? Por favor, pode explicar melhor?”

– excluindo os povos vizinhos. Excluindo o mercosul (latente, na atualidade) e a europa. Esta aproximação lusófona não deve repelir os contextos regionais dos países da lusofonia, antes inclui-los e não lhes virar nunca as costas, excluindo todas as formas de exclusão e… Fechamento.

“Concordo. Os países de língua portuguesa vão ganhar muito com uma grande aproximação comercial.
“Defendemos a constituição de um acordo multilateral sobre Dupla Tributação extensivo a todos os países da CPLP, dispensando os complexos e incompletos acordos bilaterais atuais.”
Mas a realidade de cada país difere da realidade dos demais. Por exemplo, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe não têm a mesma estrutura econômica de Angola. Nem de Moçambique. Acho que as necessidades de cada nação deve ser levada em consideração, e um acordo multilateral pode desconsiderar tais necessidades. Por enquanto, prefiro os acordos bilaterais.”

– por isso mesmo acho que devemos começar com acordos bilaterais, muito concretos e especificos. Sempre negociados no contexto da CPLP e tendo em conta a sua extensão posterior a mais países.

“Defendemos a progressiva supressão de todas as barreiras alfandegárias entre todos os países da CPLP no que concerne a exportações de setores produtivos que não sejam concorrentes. Nos demais, haveria que definir quotas, a partir da ultrapassagem das quais, se iriam aplicando de forma escalar taxas alfandegárias.”
Concordo!”

– Ora bem!

“Constituição de uma moeda de comércio única que simplificasse o comercio inter-lusófono. Esta moeda poderia começar por ser apenas virtual (como foi o ECU europeu entre 1979 e 1999). Esta moeda seria de câmbio fixo entre os países aderentes e poderia regressar à estabilidade do Padrão-Ouro (o “Escudo CPLP” que alguns MIListas advogam) como forma de permitir o uso extra lusófono da moeda.”
Discordo!”

– Porque… Podes explanar? A moeda seria virtual e a usar apenas nas relacoes economicas bilaterais e eventualmente em ajudas ao desenvolvimento e em resposta a crises humanitárias.

“Aposta sistemática, continuada e profunda no desenvolvimento dos Portos, das ligações ferroviárias e rodoviárias dos mesmos às massas continentais (América do Sul, Sul de África e Europa). Grande aposta na construção naval, de alta tecnologia, mas elevado rendimento, por forma a devolver aos países lusófonos um lugar de destaque no comércio mundial. Investigação nas possibilidades técnicas de utilização de grande Zeppelins para o transporte aéreo de mercadorias pesadas a grandes distâncias.”
Concordo!”

– como terá reparado já sou um grande admirador das coisas da aviação… E acho que a Era dos grandes zepellin está longe de ter terminado!

“Com esta abordagem para produzir uma aproximação comercial lusófona, a vertente económica da Lusofonia cumprir-se-ia, dando abertura a outras aproximações menos materialísticas e mais culturais.”
Infelizmente não se pode fazer nenhum tipo de união entre povos se o fator economia não for o motivo central no sistema que existe no mundo de hoje. A aproximação cultural só será plenamente possível se houver a comercial.”

– é verdade, mas hoje temos a Internet… Nunca como hoje foi tão fácil comunicar e intercambiar (e produzir) cultura! As sociedades estão alias num caminho muito rápido para a virtualização de todos os bens culturais, o que so vai facilitar a aproximação cultural dos povos e especialmente daqueles que comungam (como nós) da mesma língua e de tantos traços culturais comuns.

“Eu não culpo e não sou favorável a penalização da geração de hoje pelo colonialismo no passado.”

– no caso brasileiro há de qualquer modo que ter em conta que os colonos portugueses do passado eram de facto, brasileiros e que o Reino Duplo tornou no seculo XIX, Portugal uma dependência – de facto – do Brasil, nao uma metrópole colonial. Não são raros os brasileiros que falam da “exploracao” portuguesa, do imperialismo, da colonização, etc, mas ignoram as especificidades unicas do império lusobrasileiro (designacao historicamente mais correta) e julgam que a Portugal esteve para o Brasil como, por exemplo, Inglaterra esteve para os EUA… Como se Portugal tivesse tido alguma vez os recursos humanos, financeiros e militares de qualquer uma das grandes potencias europeias. Portugal, por exemplo, nao derrotou os holandeses no Pernambuco: foram os colonos (coligados com escravos e indios) que os expulsaram contra a oposição de Portugal, que preferia assinar uma paz com os Paises Baixos em troca da cedência desse territorio brasileiro.

“E enxergo na aliança lusófona uma oportunidade de ajudar os africanos de língua portuguesa também. Mas eu repensei e, não concordo mais em transformar todos num super-estado intercontinental de língua portuguesa. Acho que os povos devem ter o seu próprio governo, a sua própria moeda, a sua própria constituição e demais códigos de leis, acho que os aliados ideais não estão exclusivamente na Lusofonia.”

– cada povo fará sempre como for o seu melhor entendimento, naturalmente… Mas por exemplo Cabo Verde e Guiné, com São Tomé têm tudo a ganhar em se aproximarem, e o mesmo com Angola e Mocambique. E Timor, se se quiser manter independente tem que se afirmar contra a poderosa Indonésia, ou é de novo absorvido! Portugal e o Brasil, irão aproximar-se… Inevitavelmente, nao sabemos é até onde.

“Para Portugal mesmo, ainda é válido ter relações sólidas com nações européias. Para o Brasil, além dos PALOP, há outros países interessantes como a Nigéria, a África do Sul, o Egito, a República Democrática do Congo, a Argélia. Tem também na Ásia, como a Índia, a Indonésia, a Malásia, países do Oriente Médio, entre outros no mundo.”

Ora aí está exatamente o que queria dizer quando dizia que esta união não se deve fazer com proibições ou fechamentos radicais ou fanáticos! 🙂

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Obama: A “revolução comercial” isolacionista em curso nos EUA

Ainda que a velha e paralisada “europa” pareça ainda não ter percebido o atual curso dos tempos, nos EUA não estão parados… Recentemente, Obama no seu discurso sobre o Estado da União mencionou 13 propostas que vai apresentar ao Congresso. Ora destas 13 propostas, nada mais nada menos que 6 delas vão no sentido de proteger a economia americana da concorrência estrangeira e a criar incentivos diversos a uma relocalização da produção deslocalizada para a China nas ultimas décadas.

Não é seguro que Obama consiga fazer passar estas propostas num congresso basicamente vendido aos interesses das grandes corporações multinacionais que têm ganho fortunas imensas com a deslocalização e as desregulações comerciais e financeiras, mas é seguro que estamos perante um fecho global de fronteiras já à muito em pratica efetiva na China e ao qual agora os EUA e o Brasil se juntam. O proteccionismo está de volta e apenas a União Europeia parece não ter percebido isto, o que alias explica o seu gigantesco défice comercial externo e a dimensão estrondosa de uma divida externa que nunca terá condições de pagar. Produzir localmente o que se consome localmente será cada vez mais o mantra da nova economia e os últimos a perceberem isto estão a ser os europeus.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=534189&pn=1

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Encontro Público PASC “A Importância da Lusofonia”

Um pedido:
Acede a http://www.facebook.com/events/239175736162190/
e Convida os teus amigos:
Dia 24 (esta sexta-feira) temos um Encontro da PASC / MIL na Sociedade de Geografia de Lisboa. Participa e Divulga !

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QuidsLusófono T1: Conhece a Literatura Brasileira?

Clique Aqui!

Pontos:
Clóvis Alberto Figueiredo (3) [Kristang, São Tomé e Príncipe, Guerra Civil em Angola]
Luis Brântuas (2) [Agostinho da Silva, Literatura Brasileira]

Regulamento:
1. Todos os quids valem um ponto
2. Os Quids são lançados a qualquer momento do dia ou da noite, de qualquer dia da semana
3. Os Quids terminam quando um concorrente chegar aos 20 pontos
4. Sai vencedor do Quid o primeiro concorrente a acertar em todas as respostas
5. Cada participante só pode responder uma vez

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António Marques Bessa: “A política externa espanhola assenta na invasão de capital com as contrapartidas conhecidas no controle de empresas chave, mobiliárias e imobiliárias, terras de regadio e na difusão da cultura castelhana por meio do Instituto Cervantes”

“Os laços mais apertados com a Espanha decorrem naturalmente da política europeísta e da opção da União Europeia. Capitais espanhóis começaram a afluir a Lisboa e a sua poderosa agricultura asfixia a incipiente agro-pecuária existente no país. A política externa espanhola assenta na invasão de capital com as contrapartidas conhecidas no controle de empresas chave, mobiliárias e imobiliárias, terras de regadio e na difusão da cultura castelhana por meio do Instituto Cervantes. A política externa portuguesa não percebeu ainda que tem a montante um gigante económico, que pode cortar a agua, impedir a passagem de eletricidade e colonizar numa ou duas gerações Portugal.”

António Marques Bessa
As Grandes Linhas da Política Externa Portuguesa nos Últimos Anos
Finis Mundi, número 3

A grande consequência – nunca admitida – da adesão à União Europeia (ex-CEE) para Portugal foram efetivamente não o afluxo dos fundos estruturais, nem a abertura de fronteiras, nem sequer a incorporação das diretivas europeias no corpo legislativo nacional, mas a abertura escancarada fronteiras económicas com Espanha.

Portugal afirmou a sua identidade nacional sempre contra Espanha. Espanha, por sua vez tentou varias vezes anexar o nosso país, buscando incorporar na sua colecção privativa de Nações ibéricas castelhanizadas. Diz Agostinho da Silva que o grande feito da Historia portuguesa não foram os Descobrimentos nem a Expansão, mas essa resistência ao intenso magnetismo castelhano.

Ora se alguém aproveitou com a abertura de barreiras comerciais em Portugal, esse alguém foi Espanha. Nunca se destruíram tantas empresas agrícolas nacionais, substituindo-as pela produção agro-industrial espanhola, nem comércio, nem industria e, sobretudo, nem pesca, aproveitando Espanha a operação setores onde a “invasão” espanhola foi absolutamente avassaladora. Mas supremamente malsana e imbecil de destruição da nossa frota pesqueira (patrocinada por Cavaco Silva). O deserto assim criado foi rapidamente preenchido pela frota pesqueira espanhola que aproveitou a abertura do nosso Mar para  saquear os seus recursos piscicolas.

Portugal tem que despertar desta seu vício europeu e recordar-se de todas as afrontas que Espanha nos fez: que ocupa ainda e sempre os dois concelhos portugueses de Olivença, de todos os milhões de litros de água potável que rouba aos nossos rios, das suas pretenso anexadoras das Ilhas Desertas e do seu mar, e sobretudo recordar-se de todos os entraves que Madrid coloca à entrada de empresas lusas no mercado espanhol e da forma colonial como – de forma oposta – as empresas de retalho espanholas ocupam cada vez mais o setor terciário português.

De Espanha nem bom vento, nem bom casamento. Especialmente se este for patrocinado pela União Europeia e Espanha insistir sendo uma potencia colonial e intolerante, com bem se constata hoje na sanha que deita sobre a Galiza procurando sob todos os meios destruir a identidade nacional dos nossos irmãos. Da outra banda do rio Minho.

Categories: Economia, Lusofonia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal, união europeia | Etiquetas: | 8 comentários

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