Da Inevitável reestruturação da Dívida Soberana portuguesa

Um artigo recente do jornal New York Time dá conta de que os “mercados. financeiros estão preocupados com Portugal” e de que a maioria dos especuladores estão a apostar que a. dívida portuguesa será reestruturada como agora se está a fazer com a da Grécia. Acredita o articulista do jornal norte-americano que, logo que a Grécia concluir o seu processo de reestruturação, será a vez de Portugal.

Neste contexto, a teimosia do governo em cumprir e até exceder o dito “acordo da troika” resulta absurda, imensamente nociva e até prejudicial para a saída de Portugal da grave crise em que se encontra. Não há muitas duvidas que logo que os lobos dos mercados perceberem que a Grécia saiu da questão, renegociando, vão concentrar o seu fogo sobre Portugal, apostando na sua falência e elevando os juros da divida soberana portuguesa no mercado secundário até à estratosfera. Daqui a menos de um mês, estará claro para todos que não haverá condições para que Portugal regresse sozinho ao mercado da divida em 2013. A economia estará a viver a sua mais profunda recessão das últimas décadas, os juros da divida representarão uma parcela crescente do orçamento de Estado, e sem crescimento, a divida passada (quanto mais a futura) serão impagáveis.

A reestruturação da divida portuguesa é pois inevitável. Não é contudo possível negar a necessidade de realizar alguns ajustamentos na despesa do Estado. Nesse sentido, temos até concordado com algumas medidas de austeridade do Governo, especialmente com aquelas que visam reduzir a despesa corrente (todos os meses, Portugal acumula um défice de 1.3 mil milhões de euros, dos quais 60% para pagar salários e pensões). Mas levar mais longe a austeridade é errado e fazê-lo sem criar condições de financiamento para as empresas e para a economia é extremamente perigoso num contexto de desemprego elevado e de redução dos apoios sociais. Estamos à beira de uma contestação e revolta social sem precedentes e esta austeridade desnecessária – especialmente agora que se sabe que a reestruturação é inevitável – está a criar condições para um caos social a uma escala nunca antes vista em Portugal.

Fonte:
www.publico.pt

Categories: Economia, Portugal | Deixe um comentário

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