“O António José Saraiva dizia que Portugal viveu até ao século XVIII à volta do que ele chamava o mito da cruzada”

Dom Manuel Clemente (http://www.agencia.ecclesia.pt)

Dom Manuel Clemente (gencia.ecclesia.pt)

“O António José Saraiva dizia que Portugal viveu até ao século XVIII à volta do que ele chamava o mito da cruzada. Portugal tinha um destino de cruzada mundial que havia de protagonizar. Quando começaram as naus e as caravelas a regressar e a não partir outra vez, foi-se afirmando o contra-mito da decadência. Afinal Portugal não tem possibilidades para tanta coisa, e mesmo quando teve algumas, acabou por não ser capaz de as agarrar.”
Dom Manuel Clemente
Jornal de Negócios
13 de janeiro de 2012

O Mar e a Navegação foram elementos matriciais da própria portugalidade, da vontade e expressão de ser português praticamente desde o primeiro momento em que se consolidaram as fronteiras terrestres nacionais. Portugal fez-se para o Mar. Quando findo o ciclo colonial este se fechou, o país ficou sem desígnios nacionais dignos desse nome. Durante algum tempo, a Europa e o projeto de unificação europeia pareceram serem capazes de substituir este eixo estratégico nacional, mas a evidente incapacidade da União Europeia em lidar com a crise da dívida e a sua perigosa deriva autoritária e para um “império” germânico, demonstrou que a Europa não pode substituir o Mar.

Portugal, uma vez desfeito o “sonho europeu”, tem que se reencontrar a si mesmo. Esse reencontro tem que ser fundacional e compatível com as matrizes culturais e civilizacionais de Portugal: o Mar estará então no centro de um novo desígnio estratégico e é nesta direção que temos – coletivamente – de avançar.

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Categories: História, Os Descobrimentos Portugueses, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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