A Alemanha Imperial está de volta

A Alemanha está empenhada em nomear um comissário europeu para “controlar” o orçamento grego. A proposta aparece ao mais alto nível, num  porta-voz do ministério das finanças germânico, Martin Kotthaus que diz que se pretende “exercer um maior controlo e uma maior supervisão orçamental” dos programas de ajustamento da UE e do FMI.

Os gregos, obviamente, estão furiosos com as pretensões germânicas e o seu ministro das finanças já respondeu aos germanos: “Quem põe um povo perante um dilema entre a ajuda financeira e a dignidade nacional, ignora as lições históricas fundamentais”. A pressão germana vem obviamente em resposta à necessidade de Atenas de um novo pacote de resgate de 130 mil milhões de euros e que parece ter que ser aumentado para 145 mil milhões. Tudo isto ocorre em plena reestruturação da dívida grega, com duras negociações com os credores privados que a devem descer até ao patamar de 120% do PIB e parece inserir-se numa estratégia alemã para tornar Atenas numa sucursal do ministério das finanças alemão.

Recordemo-nos de que a soberania de um país se exerce num dado território sob duas formas: o monopólio da violência, pela polícia e pelo exército e pelo direito à cobrança de impostos. Se a Alemanha (mascarando-se atrás da Comissão Europeia) anexar a competência fiscal do Estado Grego, absorve metade da soberania grega. O precedente seria tremendo, dificilmente terminaria aqui, estendendo-se rapidamente à Itália, Irlanda, Espanha, Bélgica e… Portugal. A “união” europeia tornar-se-ia noutra coisa que não numa união, mas numa organização multinacional tutelada diretamente a partir de Berlim.

Se é isto que a Alemanha quer para a Europa, então Berlim não tem lugar na Europa e decididamente não aprendeu nada em duas guerras mundiais, provando que os povos que esquecem a Historia estão condenados a repetir os mesmos erros, vezes e vezes sem conta.

Fonte:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/grecia-soberania-alemanha-soberania-orcamental-eurogrupo/1321313-1730.html

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Categories: Economia, Política Internacional, Portugal, união europeia | 4 comentários

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4 thoughts on “A Alemanha Imperial está de volta

  1. De facto a Europa está a regressar ao feudalismo assim cada país será controlado pelo(s) dono(s) lá do sítio e esses apenas tem de reportar ao líder europeu neste caso a Berlim. Pois nesta Europa os portugueses não devem ter cabimento e cada vez mais terão de ter uma atitude fiscalizadora para com as acções do governo nesse sentido.

    • Está de facto a regressar. Mas nao tem que ser assim. Ainda tudo pode ser revertido, basta que os cidadaos sejam conscientes do seu poder e participem massivamente nos atos eleitorais… Pelo menos! O que nao acontece, como ficou bem provado nas ultimas eleicoes, de resto.

    • concordo com o comentário do Pedro (infelizmente) e com o do CP.

      mas gostava de dizer duas coisas:
      1. Portugal tem MUITAS culpas pela actual situação, os políticos encheram os bolsos e distribuíram pelos amigos e correligionários políticos os milhares de milhões de €uros que os europeus disponibilizaram durante um quarto de século. façamos um acto de contrição.
      2. há sinais no horizonte que prometem, a Europa pode começar a virar à esquerda, ou seja, a democracia não está morta.

      • “Infelizmente”?… és tramado!
        Gostava de ser tao otimista. Receio bem que tudo tenha ainda que piorar (bastante) para que antes possa tornar a melhorar. Existem condicoes, sobretudo em Portugal, para que haja um revolta social inedita: as noticias de privilegios em alguns segmentos da funcao publica (bp, casa da moeda), a injustica da justica, a desigualdade de rendimentos, a reducao draconiana do estado social, os pensionistas de luxo, etc

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