O que é a estabilidade de preços?

A Inflação e a Deflação

A inflação e a deflação são fenómenos económicos importantes com efeitos graves na economia. Essencialmente, por inflação entende-se o aumento geral dos preços dos bens e serviços num período relativamente longo que produz uma diminuição do valor da moeda e logo, do seu poder aquisitivo.

A deflação é o oposto de inflação, em que o nível geral de preços desce num período relativamente longo.

Quando não existe nem inflação, nem deflação diz que estamos em estabilidade de preços.

Como medir a inflação? Existem milhões de preços específicos numa economia e não é possível medi-los a todos. Assim, a maior parte dos países adotou uma abordagem simples usando o “Índice de Preços no Consumidor” (IPC) que determina padrões de consumo determinando quais são os bens e serviços habitualmente adquiridos pelos consumidores e que sejam representativos do consumidor médio de uma economia. Incluem o que os consumidores compram numa base diária (pai e leite) mas também bens duradouros como computadores e automóveis e transacções frequentes, como o pagamento de rendas. Assim se obtém um cabaz de compras que depois é monitorizado por um grupo de “auditores de preços” que visita regularmente vários estabelecimentos comerciais comparando os preços deste cabaz ao longo do tempo e determinando assim a série do índice de preços.

Contudo, é preciso ter em conta que a evolução do nível de preços reflete apenas a situação de um consumidor médio ou representativo e que alguns indivíduos poderão ter um cabaz de compras mais alto ou mais baixo que esta média.

Problemas na medição

Com o passar do tempo um cabaz de compras torna-se cada vez menos representativo porque os consumidores vai substituindo os bens mais caros por bens mais baratos. Por exemplo, os preços da gasolina mais altos levam alguns a conduzir menos. Se os pesos relativos no cabaz não forem adaptados o IPC ficara sobrevalorizado. Por outro lado, as variações na qualidade são difíceis de incluir num índice de preços já que se um produto ao longo do tempo aumentar de qualidade e o preço consequentemente, subir tal deve-se não à inflação mas à maior qualidade do produto consumido. Este fenómeno observou-se nas ultimas décadas, por exemplo, nos automóveis e nos computadores. Assim, aumentos de preços resultantes do aumento da qualidade não devem ser considerados geradores de inflação, uma vez que não reduzem o poder de compra da moeda. De resto, variações na qualidade são frequentes em períodos de tempo longos.

Outro aspecto importante é a inclusão de novos produtos no cabaz de compras. Por exemplo, quando apareceram no mercado os leitores de DVD demorou algum tempo antes que estes pudessem ser incluídos uma vez que era necessário algum tempo para captar informação sobre as quotas de mercado, canais de distribuição, marcas mais populares, etc.

Variáveis Nominais e Reais

Quando existe inflação, um certo montante de dinheiro permite comprar uma quantidade decrescente de bens. A moeda desce então de valor ocorre um decréscimo do poder de compra. Assim chegamos à diferença entre variáveis nominais e reais. As variáveis nominais são medidas a preços correntes. Por regra, as suas evoluções acompanham o nível dos preços e logo, a inflação. Ou seja, são lhes imunes. Já as variáveis reais, como o rendimento real e os salários reais são variáveis às quais são deduzidos ou retirados os efeitos da inflação. Por exemplo, com um determinado aumento do salário nominal, quanto maior for a taxa de inflação, menores serão os bens que o trabalhador poderá adquirir.

Benefícios da Estabilidade de Preços

As desvantagens e os custos associados à inflação e à deflação são consideráveis. A estabilidade de preços evita que estes custos se materializem e traz importantes benefícios para todos os cidadãos. Há varias formas para a estabilidade de preços contribuir para que sejam obtidos níveis elevados de bem-estar, nomeadamente sob a ocorrência de altos níveis de emprego.

A estabilidade de preços permite que os consumidores identifiquem mais facilmente as variações de preços em termos de outros bens Já que estas variações deixam de ser mascaradas por flutuações no nível geral de preços. Numa situação de deflação geral, os consumidores poderão não se dar conta do facto de que uma queda no nível de preços de um único produto reflete, simplesmente, a evolução geral dos preços e não uma descida do preço relativo desse bem ou serviço. Logo, os consumidores poderão pensar que compraram demasiado desse produto.

Consequentemente, se os preços permanecerem estáveis, as empresas e os consumidores não correm o risco de interpretarem mal as variações no nível geral de preços como variações nos preços relativos e podem tomar decisões de consumo e investimentos mais informadas. A incerteza quanto à taxa de inflação pode assim levar as empresas a tomarem decisões erradas no que respeita ao emprego.

Por exemplo, se num contexto de inflação elevada, uma empresa pensa que um aumento de 5 por cento nos preços de mercado dos seus artigos como uma descida dos preços relativos pode não se aperceber que uma queda recente da taxa de inflação influiu nessa variação e decidir assim investir menos e despedir trabalhadores para reduzir a sua capacidade produtiva. Mas essa decisão está errada se devido a uma inflação mais baixa o aumento dos salários nominais dos empregados pode ser menor que o pressuposto pela empresa. Estamos assim perante uma “afetação inadequada” de recursos, desperdiçando-os.

Um desperdício de recursos idêntico ocorreria se os trabalhadores tivessem incerteza quanto à inflação futura e exigissem um aumento dos salários reais.

A estabilidade dos preços reduz a incerteza quanto à inflação e logo ajuda a evitar a afetação inadequada de recursos. Assim, estes podem ser canalizados para onde são mais precisos e produtivos. Desta forma. A estabilidade dos preços duradoura aumenta a eficiência da economia e logo, o bem-estar das famílias.

Por outro lado, se os credores estiverem confiantes de que os preços permanecerão estáveis ao longo do tempo não exigir ao uma remuneração adicional (o dito”prémio de risco de inflação”) para compensar os riscos de inflação. Ao reduzir estes prémios de risco garantem-se assim taxas de juro nominais mais baixas e assim a estabilidade de preços contribui para incentivar o investimento. Assim se estimula a criação de emprego e logo, o bem-estar económico.

Os sistemas fiscais e de segurança social podem estimular a distorção do comportamento económico. Em alguns casos, essas distorções são amplificadas pela inflação ou deflação já que, normalmente, os sistemas fiscais não permitem a indexado das taxas dos impostos para a seguranca social à taxa de inflação. Assim, os aumentos salariais destinados a compensar os trabalhadores pela inflação podem levar a taxas de impostos mais altas (o que chama de “progressão a frio”). A estabilidade dos preços reduz estas distorções.

A inflação comporta-se como um imposto sobre a detenção de moeda. Quando o nível de preços sobe, as pessoas com numerário constatam uma redução nos seus saldos monetários reais e logo, perdem riqueza financeira real, como se fosse um imposto. Logo, quanto maior for a taxa de inflação esperada, mais baixa será a procura de liquidez por parte das famílias.

A manutenção da estabilidade dos preços evita que surjam problemas sociais e económicos decorrentes da redistribuição arbitrária da riqueza em períodos de inflação e deflação. Isto ocorre sobretudo se as variações no nível de preços forem difíceis de prever e em relação aos grupos da sociedade com maiores dificuldades para protegerem os seus ativos nominais contra a inflação. Por exemplo, salários, depósitos ou obrigações de divida publica. A riqueza transfere-se assim dos aforradores para os mutuários já que o dinheiro da amortização do empréstimo permite comprar menos bens que o esperado quando o empréstimo foi tomado.

Se ocorrer deflação quem detiver ativos nominais ganha por que estes (salários, depósitos e obrigações) aumentam. O problema é que em épocas de deflação, os devedores tendem a abrir falência o que prejudica toda a sociedade e leva à falência as empresas que detêm os créditos.

Geralmente, os grupos sociais mais desfavorecidos são os que mais sofrem com a inflação e deflação, uma vez que não tem as mesmas possibilidades de se defenderem. Os preços estáveis contribuírem para a estabilidade social como se viu na Europa do século XX sempre que se registaram períodos de inflação elevada.

Por fim, reavaliações súbitas de ativos, por variações inesperadas da inflação podem afetar a solidez dos bancos. Se um banco concede empréstimos a longo prazo a uma taxa fixa financiados por depósitos a curto prazo, se for confrontado com uma inflação elevada vai sofrer uma descida do valor real dos ativos. Pode assim ficar insolvente, com os consequentes efeitos em cadeia. Assim, a estabilidade dos preços preserva o valor real dos ativos nominais e a saúde do sistema bancário.

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Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

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