Daily Archives: 2012/01/26

A decisão do vencedor do F-X2 vai ser tomada até julho de 2012

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

O ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, declarou recentemente que a decisão sobre a escolha do vencedor do concurso F-X2 vai ser anunciada durante o primeiro semestre de 2012. A ser verdade, o processo de compra de 36 novos caças para a FAB será finalmente desbloqueado.

Sacrificado em 2011, a prol da redução da despesa pública, o programa parece agora retomar os eixos, pressionado pelo aumento exponencial dos custos de. manutenção dos Mirage 2000, atualmente usados na FAB, que serão especialmente elevados a partir de 2013: “Os nossos Mirage no final de 2013 não poderão continuar, ou a manutenção vai se tornar excessivamente cara. No fundo você deixa de gastar de um lado e gasta do outro”.

A noticia vem animar os concorrentes: Dassault (Rafale), Boeing (Super Hornet) e Saab (Gripen) já que a vitoria do seu aparelho numa época de grande turbulência financeira será muito importante para os seus balancetes financeiros. Especialmente carente de uma venda está o Rafale. Apontado na Presidência Lula como favorito, a sua linha de produção está hoje em risco, depois do governo francês ter dito em finais de 2011 que deixaria de financiar a sua produção caso não fosse encontrado nenhum cliente externo. Isto e o facto de ser a proposta que garante mais transferência de tecnologia mantém o aparelho francês como favorito…

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1036661-amorim-diz-esperar-decisao-sobre-cacas-no-1-semestre.shtml

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Portugal, ainda e sempre um “país de emigrantes”

“Embora a partir de 1993 se tenha dado a inversão do sinal do saldo migratório (passou a positivo), Portugal continua a ser um país de emigrantes. Entre 1993 e 2003, estima-se que tenham emigrado aproximadamente 300 mil pessoas (uma média de cerca de 27 mil pessoas por ano).”

Portugal: Os Números
Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

Estes números subiram de forma muito notável nos últimos anos. O facto de termos tornado a ter um numero de saídas superior ao de entradas nos últimos anos indica desde logo que houve um retrocesso das condições de vida e, sobretudo, da empregabilidade em Portugal. Sinal disso mesmo é, aliás também o discurso cada vez mais repetido e institucionalizado por parte do atual governo PS-PSD de apelo à emigração (como forma de reduzir os números do desemprego, presume-se).

A emigração tornou a ser comum, é novamente uma solução para muitos cidadãos portugueses e especialmente para os mais jovens e/ou melhor qualificados. O Estado, as famílias dispendem autenticas fortunas na formação destes jovens que, depois, o próprio Estado encoraja a emigrar, esvaziando o pais e tornando ainda mais deficitária a nossa demografia. Portugal é um país que desaparece e se desertifica… E em lugar de se procurar inverter o processo, apela-se à emigração. Este é o Portugal de hoje.

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Movimentos em preços específicos e no nível geral de preços

Variações frequentes em preços específicos são normais em economias de mercado, mesmo que no geral exista estabilidade de preços. Alterações de procura ou oferta podem produzir variações nos preços. Por exemplo, esse fenómeno verificou-se nos preços dos telemóveis e computadores desde a década de 90, que desceram em flecha, ou nos preços dos produtos petrolíferos que ascenderam de forma notável desde 1999.

No global, a inflação nos países mais industrializados permaneceu baixa e estável, ainda que com estas variações especificas, já que estas se compensaram entre si sem alterar o nível geral de preços.

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O que é a estabilidade de preços?

A Inflação e a Deflação

A inflação e a deflação são fenómenos económicos importantes com efeitos graves na economia. Essencialmente, por inflação entende-se o aumento geral dos preços dos bens e serviços num período relativamente longo que produz uma diminuição do valor da moeda e logo, do seu poder aquisitivo.

A deflação é o oposto de inflação, em que o nível geral de preços desce num período relativamente longo.

Quando não existe nem inflação, nem deflação diz que estamos em estabilidade de preços.

Como medir a inflação? Existem milhões de preços específicos numa economia e não é possível medi-los a todos. Assim, a maior parte dos países adotou uma abordagem simples usando o “Índice de Preços no Consumidor” (IPC) que determina padrões de consumo determinando quais são os bens e serviços habitualmente adquiridos pelos consumidores e que sejam representativos do consumidor médio de uma economia. Incluem o que os consumidores compram numa base diária (pai e leite) mas também bens duradouros como computadores e automóveis e transacções frequentes, como o pagamento de rendas. Assim se obtém um cabaz de compras que depois é monitorizado por um grupo de “auditores de preços” que visita regularmente vários estabelecimentos comerciais comparando os preços deste cabaz ao longo do tempo e determinando assim a série do índice de preços.

Contudo, é preciso ter em conta que a evolução do nível de preços reflete apenas a situação de um consumidor médio ou representativo e que alguns indivíduos poderão ter um cabaz de compras mais alto ou mais baixo que esta média.

Problemas na medição

Com o passar do tempo um cabaz de compras torna-se cada vez menos representativo porque os consumidores vai substituindo os bens mais caros por bens mais baratos. Por exemplo, os preços da gasolina mais altos levam alguns a conduzir menos. Se os pesos relativos no cabaz não forem adaptados o IPC ficara sobrevalorizado. Por outro lado, as variações na qualidade são difíceis de incluir num índice de preços já que se um produto ao longo do tempo aumentar de qualidade e o preço consequentemente, subir tal deve-se não à inflação mas à maior qualidade do produto consumido. Este fenómeno observou-se nas ultimas décadas, por exemplo, nos automóveis e nos computadores. Assim, aumentos de preços resultantes do aumento da qualidade não devem ser considerados geradores de inflação, uma vez que não reduzem o poder de compra da moeda. De resto, variações na qualidade são frequentes em períodos de tempo longos.

Outro aspecto importante é a inclusão de novos produtos no cabaz de compras. Por exemplo, quando apareceram no mercado os leitores de DVD demorou algum tempo antes que estes pudessem ser incluídos uma vez que era necessário algum tempo para captar informação sobre as quotas de mercado, canais de distribuição, marcas mais populares, etc.

Variáveis Nominais e Reais

Quando existe inflação, um certo montante de dinheiro permite comprar uma quantidade decrescente de bens. A moeda desce então de valor ocorre um decréscimo do poder de compra. Assim chegamos à diferença entre variáveis nominais e reais. As variáveis nominais são medidas a preços correntes. Por regra, as suas evoluções acompanham o nível dos preços e logo, a inflação. Ou seja, são lhes imunes. Já as variáveis reais, como o rendimento real e os salários reais são variáveis às quais são deduzidos ou retirados os efeitos da inflação. Por exemplo, com um determinado aumento do salário nominal, quanto maior for a taxa de inflação, menores serão os bens que o trabalhador poderá adquirir.

Benefícios da Estabilidade de Preços

As desvantagens e os custos associados à inflação e à deflação são consideráveis. A estabilidade de preços evita que estes custos se materializem e traz importantes benefícios para todos os cidadãos. Há varias formas para a estabilidade de preços contribuir para que sejam obtidos níveis elevados de bem-estar, nomeadamente sob a ocorrência de altos níveis de emprego.

A estabilidade de preços permite que os consumidores identifiquem mais facilmente as variações de preços em termos de outros bens Já que estas variações deixam de ser mascaradas por flutuações no nível geral de preços. Numa situação de deflação geral, os consumidores poderão não se dar conta do facto de que uma queda no nível de preços de um único produto reflete, simplesmente, a evolução geral dos preços e não uma descida do preço relativo desse bem ou serviço. Logo, os consumidores poderão pensar que compraram demasiado desse produto.

Consequentemente, se os preços permanecerem estáveis, as empresas e os consumidores não correm o risco de interpretarem mal as variações no nível geral de preços como variações nos preços relativos e podem tomar decisões de consumo e investimentos mais informadas. A incerteza quanto à taxa de inflação pode assim levar as empresas a tomarem decisões erradas no que respeita ao emprego.

Por exemplo, se num contexto de inflação elevada, uma empresa pensa que um aumento de 5 por cento nos preços de mercado dos seus artigos como uma descida dos preços relativos pode não se aperceber que uma queda recente da taxa de inflação influiu nessa variação e decidir assim investir menos e despedir trabalhadores para reduzir a sua capacidade produtiva. Mas essa decisão está errada se devido a uma inflação mais baixa o aumento dos salários nominais dos empregados pode ser menor que o pressuposto pela empresa. Estamos assim perante uma “afetação inadequada” de recursos, desperdiçando-os.

Um desperdício de recursos idêntico ocorreria se os trabalhadores tivessem incerteza quanto à inflação futura e exigissem um aumento dos salários reais.

A estabilidade dos preços reduz a incerteza quanto à inflação e logo ajuda a evitar a afetação inadequada de recursos. Assim, estes podem ser canalizados para onde são mais precisos e produtivos. Desta forma. A estabilidade dos preços duradoura aumenta a eficiência da economia e logo, o bem-estar das famílias.

Por outro lado, se os credores estiverem confiantes de que os preços permanecerão estáveis ao longo do tempo não exigir ao uma remuneração adicional (o dito”prémio de risco de inflação”) para compensar os riscos de inflação. Ao reduzir estes prémios de risco garantem-se assim taxas de juro nominais mais baixas e assim a estabilidade de preços contribui para incentivar o investimento. Assim se estimula a criação de emprego e logo, o bem-estar económico.

Os sistemas fiscais e de segurança social podem estimular a distorção do comportamento económico. Em alguns casos, essas distorções são amplificadas pela inflação ou deflação já que, normalmente, os sistemas fiscais não permitem a indexado das taxas dos impostos para a seguranca social à taxa de inflação. Assim, os aumentos salariais destinados a compensar os trabalhadores pela inflação podem levar a taxas de impostos mais altas (o que chama de “progressão a frio”). A estabilidade dos preços reduz estas distorções.

A inflação comporta-se como um imposto sobre a detenção de moeda. Quando o nível de preços sobe, as pessoas com numerário constatam uma redução nos seus saldos monetários reais e logo, perdem riqueza financeira real, como se fosse um imposto. Logo, quanto maior for a taxa de inflação esperada, mais baixa será a procura de liquidez por parte das famílias.

A manutenção da estabilidade dos preços evita que surjam problemas sociais e económicos decorrentes da redistribuição arbitrária da riqueza em períodos de inflação e deflação. Isto ocorre sobretudo se as variações no nível de preços forem difíceis de prever e em relação aos grupos da sociedade com maiores dificuldades para protegerem os seus ativos nominais contra a inflação. Por exemplo, salários, depósitos ou obrigações de divida publica. A riqueza transfere-se assim dos aforradores para os mutuários já que o dinheiro da amortização do empréstimo permite comprar menos bens que o esperado quando o empréstimo foi tomado.

Se ocorrer deflação quem detiver ativos nominais ganha por que estes (salários, depósitos e obrigações) aumentam. O problema é que em épocas de deflação, os devedores tendem a abrir falência o que prejudica toda a sociedade e leva à falência as empresas que detêm os créditos.

Geralmente, os grupos sociais mais desfavorecidos são os que mais sofrem com a inflação e deflação, uma vez que não tem as mesmas possibilidades de se defenderem. Os preços estáveis contribuírem para a estabilidade social como se viu na Europa do século XX sempre que se registaram períodos de inflação elevada.

Por fim, reavaliações súbitas de ativos, por variações inesperadas da inflação podem afetar a solidez dos bancos. Se um banco concede empréstimos a longo prazo a uma taxa fixa financiados por depósitos a curto prazo, se for confrontado com uma inflação elevada vai sofrer uma descida do valor real dos ativos. Pode assim ficar insolvente, com os consequentes efeitos em cadeia. Assim, a estabilidade dos preços preserva o valor real dos ativos nominais e a saúde do sistema bancário.

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