Sobre o desinvestimento da Jerónimo Martins (Pingo Doce) em Portugal e nos Portugueses

Boicote ao Pingo Doce !

Boicote ao Pingo Doce !

Tem-se falado muito (até por aqui) da expressão de supremo anti-patriotismo por parte dos empresários que levam os impostos que pagavam em Portugal para a Holanda, sendo destes, o caso mais recente o de Manuel dos Santos e do Pingo Doce (para apoiar o “Boicote ao Pingo Doce” clique AQUI). Mas falou-se muito menos que sendo a escassez de Capital o problema crónico de Portugal, um dos portugueses com mais Capital, precisamente Manuel dos Santos, do Pingo Doce foi um dos empresários que proporcionalmente, em 2012, mais vais investir no estrangeiro e menos em Portugal.

Com efeito, em novembro de 2011, a Jerónimo Martins (Pingo Doce) declarou que iria investir 800 milhões de euros: 400 na Colômbia, 300 na Polónia e apenas 100 milhões de euros em Portugal. Ou seja, o “nosso” (dele) Pingo Doce reserva para o “seu” (?) apenas um oitavo do investimento total.

Portugal neste momento difícil só pode sair da profunda crise em que se encontra através da racionalização das despesas do Estado (descontroladas desde os consulados Cavaco Silva), com austeridade q.b., claro, mas também com investimento. E este não pode ser público (dada a dimensão atual da divida pública), mas privado. Resulta assim chocante ver como um dos homens mais ricos de Portugal (e que enriqueceu em Portugal) levar agora esse dinheiro que ganhou connosco para a Colômbia e a Polónia sem o investir em atividades produtivas em Portugal.

Da próxima vez que pensar em comprar os seus produtos num Pingo Doce, pense que sete oitavos do dinheiro que Manuel dos Santos fizer com o lucro dessa venda vão direitos para a Colômbia e Polónia e que o dono da empresa que está a enriquecer já não paga impostos em Portugal, nem acredita no país, nem sequer em si, enquanto português e capaz de dar a volta a mais esta grave crise nacional.

Se o Pingo Doce não quer Portugal, os portugueses não querem o Pingo Doce.

Adira ao Boicote ao Pingo Doce clicando AQUI !

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Categories: Economia, Portugal | 26 comentários

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26 thoughts on “Sobre o desinvestimento da Jerónimo Martins (Pingo Doce) em Portugal e nos Portugueses

  1. Como acontece quando um portugues sai do país para ganhar a vida? chega a outro país com “uma mao na frente e outra atrás” e lá começa do zero, fazendo qualquer coisa. Faz pao, costura, faz sapato, oferece apenas o seu trabalho vende o que sabe fazer e se concentra 100% na produçao, com um único objetivo, aumentar, tostao a tostao, o seu pequeno patrimonio, que com o tempo passa a ser suficiente, para comprar um terreno, construir a sua casa, comprar o seu carro e enfim aumentar a sua familia. Nao foi necessário investimento, mas trabalho.
    Esse tal do investimento faz parte de um sistema capitalista onde o capital é usado para escravizar quem trabalha para o sistema.
    Nao ! amigos do MIL se lembrarem dos objetivos dos jesuitas que chegaram ao Brasil para construir a sociedade do novo mundo, sabem que nas Missoes os indios chegaram a exportar a sua produçao, eram livres e donos da própria terra. É sempre bom lembrá-los pois foram mártires dos interesses economicos da corte e daqueles que tinham investido seus capitais querendo manter os escravos a darem lucros astronomicos para eles…dizem até que o terremoto de 1755 foi castigo de Deus ao que fizeram com as missoes…
    Nao incentivem o investimento externo…”por amor de Deus”…incentivem os portugueses a sairem desse sistema, a começarem suas atividades autonomamente ou em conjunto onde nao tem patroes e ganham pelo que fazem investindo no seu próprio negócio. Pois só assim terao a sua dignidade, liberdade e prosperidade! E Portugal será um Jardim, onde TODOS se sentirao bem.
    Deus e Cristo querem que façamos o reino de Deus aqui mesmo, na terra em vida ! e nao adiante resistir.

    • Antonio Vieira é um dos inspiradores do MIL e nele, a sua passagem pelo Brasil, enquanto jesuita e defensor dos direitos dos indios e dos negros.
      Mas essa é realmente a grande questao e prioridade desta regeneracao de Portugal que urge cumprir: recuperar a Producao, a todos os niveis e contra os interesses (de tercializacao) que nos querem impor de fora, a partir da Europa.

      • CP

        que irritação: ele NÃO defendeu os negros. 👿
        (não podemos levar-lhe a mal porque era um pensamento vigente da época)

  2. defendeu… os escravos negros que eram mal tratados pelos colonos… mas é certo que não o fez com o mesmo ardor com que defendia os índios. Admito. Mas o problema era mais grave com eles: os índios escravizados tinham uma mortalidade muito elevada, enquanto que os africanos resistiam mais aos ardores da escravatura, ou pela sua mais robusta compleição física ou pela sua maior habituação às agruras da escravatura (que os portugueses não inventaram em África, ao contrário do que se diz nalguns círculos).

    • Enoque

      Escravidão… uma sujeira na história da humanidade. Apenas mais uma das muitas impiedades do homo sapiens, além da destruição à natureza, ao meio ambiente, homens investem pesado em armas e veículos militares sofisticadíssimos enquanto milhões passam fome, outros estão doentes, outros abandonados sem amparo, outros completamente analfabetos e sem esperanças de uma vida decente… quando o ser humano vai aprender que o caminho é a paz, é o altruísmo, o respeito ao próximo? Por que o ser humano se inclina com tanta facilidade para praticar o mal? 😦

      • Enoque

        tenho escrito aqui várias vezes isso.
        mas o mais grave é que AINDA existe escravidão desta abjecta, física, pelo mundo fora.
        à luz dos valores contemporâneos isso é insuportável e inadmissível.

      • Ainda que o Homem esteja tendencialmente inclinado a praticar o Bem, o Mal está sempre à espreita… Vejamos o caso da escravatura: existe desde que há registos escritos e provavelmente tambem ja existia antes, no Neolitico.

    • CP

      Padre António Vieira (PAV) NÃO defendeu os negros da escravatura ao contrário dos índios.
      o que ele combatia eram os maus tratos, a dureza do tratamento, a desumanização no processo de escravatura.

      1. os índios eram considerados os habitantes do paraíso, estavam imaculados, não conheciam o pecado, era lhes tudo tolerado.
      2. os negros não, tinham os cultos animistas e estavam “maculados” pelo islão, eram corruptos espiritualmente mas era lhes concedida a redenção através da escravatura, uma espécie de purgatório em vida.

      mas não vou condenar o PAV por isso, se fosse hoje sim, mas naquele tempo até estava muito à frente em termos de sensibilidade humana.

  3. Lusitan

    Para ja e preciso perceber que em termos de comparaçao de populaçao a Polonia e quatro vezes maior que Portugal e a Colombia 4,5 vezes maior, logo em termos de investimento per capita e quase igual em Portugal e na Polonia e inferior na Colombia. Isto apesar do investimento na Colombia incluir a edificaçao de infra-estruturas ate hoje inexistentes.
    Depois e preciso pensar e nao embandeirar por campanhas de nacionalismo bacoco e troglodita. Nao podemos defender um movimento universalista e depois exigir que as nossas empresas nao beneficiem desse mesmo universalismo. Nao podemos defender os investimentos brasileiro e angolano em Portugal (apesar de muita populaçao desses paises viver em condiçoes degradantes) e depois achar ignobil que os portugueses invistam fora de Portugal.
    Tambem nao podemos confundir a empresa Jeronimo Martins, que tem responsabilidades para com os seus accionista e que por isso tem de investir onde tiver melhor retorno, e o seu presidente Alexandre dos Santos, que e um dos maiores mecenas da ciencia em Portugal e que continua a pagar os seus impostos individuais em Portugal.

    • Passo ao lado do “bacoco” e concentro-me no essencial: em epocas de crise, todos temos o dever patriotico de ajudar o país. Dos Santos é portugues e construiu (e bem) a sua fortuna em Portugal e é aqui que devia concentrar os seus investimentos, nao na area da distribuicao (que disse ja estamos em saturacao) mas na producao (onde nao tem presenca). Isso é basicamente o que quero aqui sublinhar.

    • Otus scops

      Lusitan

      concordo com (quase) tudo aí escrito mas queria dizer 2 coisas:

      1. “…que e um dos maiores mecenas da ciencia em Portugal” estou-lhe muito grato pelo Pordata (a sério) mas essa ideia de ser um dos maiores mecenas é um claro exagero.
      além demais, ASSantos é um explorador, seja para os seus empregados seja para os fornecedores, digamos que é dinheiro ganho de forma algo… ignóbil.
      alem demais, esta gente vem do tempo o condicionamento industrial do Estado Novo, tem mérito mas não é assim tanto…

      2. a reacção à saída da Jerónimo Martins só é polémica pelo seguinte, este tipo ASS, andou a fazer política e a maldizer do país, dos seus concidadãos, do governo anterior (com muita razão diga-se), a mostrar aos portugueses que não valem nada e ele é que é o maior, deu lições de patriotismo e agora isto. merecia um GBM pela cabeça a baixo!!!
      seria o mesmo que o nosso querido CPzinho comecasse a gora a defender a vertente Iberista ou anglo-saxónica para o nosso amado Portugal: ERA UM HIPÓCRITA!!! 😀

      • Lusitan

        Mas não vejo ninguém apelar ao boicote ao Continente, quando Belmiro de Azevedo é tão mau ou pior que ASS em termos de hipocrisia, andando sempre nos corredores do poder a comprar leis e políticos. Além de que o Continente já está na Holanda há mais tempo.
        Se o apelo ao boicote fosse a todos os grandes hipermercados eu não protestaria contra o apelo. Agora sendo o apelo contra um único grupo, então isso sim cheira-me a hipocrisia e a campanha de marketing de outro grupo. E contra a hipocrisia cá estou eu pra vos dar na cabeça!

        • Apelo eu… A pagina do facebook tem um “e outros fujoes” precisamente para nos recordar da fuga anterior da Sonae para a Holanda… A pagina é contra todos os que tendo capital fogem com ele de um pais onde como muito bem apontava Luciano Amaral (precisamente num livro da fundacao manuel dos santos) o grande problema era a baixa intensidade do capital.

      • Otus scops

        Lusitan

        quanto a campeonatos sobre hipocrisia é assunto que não domino, tipo “o teu patrão é mais hipócrita que o meu”.

        se ninguém se queixou sobre o Belmiro é porque ele esteve caladinho, come e cala, mas o Sr. Alexandre não se conteve, julga-se alguém, julga-se importante, mas pior do que tudo julga que é educador das classes, que é um modelo, que é digno da nossa admiração, que existe.
        no fundo é um vaidoso que andava com falta de reconhecimento…
        esse ordinário do Mário Crespo deu-lhe os 60 min. de atenção e ele ufano nuca mais se calou, daí a contestação.

        mas atenção, eu também o elogiei, calma aí!!!
        nem tudo é mau, pelo contrário, a sua acção na Terra tem um balanço bastante positivo.
        um exº sei que é uma pessoa que dá emprego A TODA A GENTE sem discriminar cor, nacionalidade, condição social ou física (o Pingo Doce tem uma percentagem de empregabilidade de pessoas com deficiência enorme – é fantástico).
        além demais é um grupo excelente naquilo que faz tal como o Belmiro, conseguiram com que os gigantes mundiais da distribuição não tivessem conseguido implantar-se em Portugal.

        quanto a “Agora sendo o apelo contra um único grupo, então isso sim cheira-me a hipocrisia e a campanha de marketing de outro grupo. ” não me parece.
        esta ideia parece mais vinda de alguém que está ao do Pingo Doce, está eivada de parcialidade e até de cegueira “de quem veste a camisola” por uma empresa.

        “E contra a hipocrisia cá estou eu pra vos dar na cabeça!”
        acho muito bem, para isso e mais coisas. (embora o CP não seja hipócrita, é um puro quanto muito)

        • Eu “puro” so se for no sentido cátaro! 🙂

        • Otus scops

          CP

          como era isso da pureza Albigense???

          • Nao me leves à letra… Ha coisas nos “puros” ou “verdadeiros cataros” que me atraem, como o viver em comunidade, comer peixe mas nao carne, vida frugal, mas ha outras que nao…

          • pensava que era alguma coisa mais exótica… ora bolas isso é estoicismo ou espartanismo.

            vai lá comer um peixinho… 😉

            • Sendo que tambem admiro essas duas correntes, pois! 🙂

            • eu sei.
              eu também admiro e respeito mas sou mais epicurista, ou melhor, socrático-epicurista!!!
              (que pretensioso sou…) 😀

              • Nope, por temperamento sou mesmo estoico… Socratico? Sim, mas tu es apenas naquilo que concerne à duvida metodica a tudo o que mete a frase “lusofonia”! 🙂

              • CP

                claro que não é “só” a Lusofonia!!! 🙂

                mas a forma como a vejo aqui por ti e pelo MIL parece-me nalguns casos bastante fora da realidade do terreno, mas se aqui ando (e pelo MIL) é porque estou MUITO INTERESSADO nela.
                com isto não quero dizer que estou correcto e “vós” errados. vês o método socrático aplicado a mim também??? nem eu escapo!!! 😀

                • A duvida metodica deve estar incorporada em qualquer forma de pensamento… Nao duvido disso, mas nao se deve perspetivar os objetivos, isto é, pode (e deve-se) duvidar dos meios, mas questionar tambem os fins, implica exercer um (sao e livre) direito à diferenca. O que digo é, em suma, se se discordar de tudo, é-se tudo, menos “lusofono”, pelo menos na forma que o MIL inscreve tal conceito na sua declaracao de principios.
                  Obviamente, nao advem dai nenhum mal… Nao ha mal em ser pro-europeu, federalista, espanholista, iberista, etc. Mas pode ser-se e defender a convergencia lusofona? Pode defender-se simultaneamente a pertenca de portugal à ue e a uma comunidade lusofona? Tenho serias duvidas.

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