Agostinho da Silva: “O grande mal do mundo de hoje é que não existe, para o desenvolvimento extraordinário que tomou a produção, uma organização nacional adequada”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

“O grande mal do mundo de hoje é que não existe, para o desenvolvimento extraordinário que tomou a produção, uma organização nacional adequada; todas as atividades humanas estão em atraso em relação às que permitiriam uma abundância maior do que em qualquer outra época da historia de tudo o que é preciso para a vida material do homem, a prestação de trabalho é defeituosa, porque a maquina impunha métodos novos que se não adotaram, o que traz fatalmente o esmagamento do operário, submetido a tarefas monótonas durante um grande numero de horas, e o desemprego de milhões de homens; depois, o ritmo de distribuição não mudou; continua a ser o que era para um numero de produtos infinitamente mais raros e mais caros; o resultado não pode ser outro senão uma enorme acumulação de produtos não distribuídos, na fabrica ou no campo, e a miséria entre aqueles que nao podem apresentar, para os comprar, as horas de trabalho que ninguém lhes dá.”

> A mecanização da produção industrial sem duvida que tirou muitos homens de uma vida de monotonia e repetições constantes. Assim, foram poupados à terrível desumanidade das tarefas repetitivas e recorrentes. Mas a automatização retirou a milhões o Emprego e a Sociedade não foi capaz de responder ainda a este desemprego cada vez mais cronico e irreversível de um numero crescente de pessoas potencialmente produtivas e criativas. Os teóricos do neoliberalismo defendiam que os empregos perdidos nos setores primários para a automatização e para as deslocalizações seriam compensados pelo aumento do emprego no setor dos serviços. E, de facto, durante algum tempo pareceu ser assim. Mas desde 2008 percebeu-se que economias quase totalmente convertidas ao setor terciário eram também economias dependentes da dívida externa e criadoras de balanças comerciais crescentemente deficitárias.

“A solução parecia ser simples: tratar-se-ia, por um lado, de exigir de cada um menor numero de horas de trabalho, o que permitiria empregar todos, e deixar mais tempo livre para o desenvolvimento inteletual e físico; por outro lado, de alargar os meios de distribuição, de modo a que todo o produto fabricado se pudesse consumir.”

> Já abordamos noutro antigo as vantagens da proposta de uma redução da jornada diária de trabalho: em termos da redução das emissões de CO2, do estimulo ao aumento da produtividade, do aumento da qualidade de vida e da economia do lazer e da cultura. Mas, como aqui recorda Agostinho, a redução da jornada diária de trabalho também criaria condições para a criação de postos de trabalho, exatamente como o seu aumento serve de dissuasor a essa criação de trabalho. Potenciaria a conversão desta atual “economia de coisas” para uma “economia do saber”, em que se satisfariam todas as necessidades básicas e essenciais (alimentação, vestuário e habitação) centrando a atividade das economias e das sociedades na auto-produção de saber e cultura. Deixando os cidadãos mais realizados, satisfeitos e abandonando uma sociedade de consumo a prazo insustentável já que hoje insiste em manter um padrão de consumo que exige três Terras para se manter…

Fonte:
Agostinho da Silva, Sanderson e a Escola de Oundle

Categories: Agostinho da Silva, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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