Sobre a adesão da Guiné Equatorial à CPLP

Theodore Obiang, o presidente "vitalício" da Guiné Equatorial (www.voafanti.com)

Theodore Obiang, o presidente "vitalício" da Guiné Equatorial (www.voafanti.com)

“Em 2010, a Guiné Equatorial esteve prestes a integrar a CPLP como nono Estado-membro. Contudo, em parte devido a protestos espontâneos da opinião publica em vários países lusófonos contra a entrada da ex-colónia espanhola; as delegações dos Estados-membros decidiram adiar a decisão sobre a adesão até à cimeira em Maputo, em 2012, condicionando-a ao “pleno cumprimento das disposições estatutárias da CPLP, particularmente no que respeita à adoção e utilização efetiva da Língua Portuguesa.”
Na tentativa de dar um mínimo de credibilidade à implementação e difusão do português na Guiné Equatorial o regime de Obiang aceitou introduzir o português no leitorado da universidade nacional.

A expansão do ensino português é louvável, seja onde for, contudo é completamente absurdo confundi-lo com uma implementação efetiva como língua oficial. Em África; Centros de Língua Portuguesa e leitorados já existem na África do Sul, Etiópia, Namíbia, Nigéria e no Senegal. A ninguém passaria pela cabeça que, por esta razão, estes países pudessem ser considerados de língua oficial portuguesa. A língua oficial de um país é utilizada na instrução escolar, nos tribunais; na administração, no parlamento e na comunicação social. Na Guiné Equatorial; a utilização efetiva não sucedeu com o francês em 1997 nem acontecerá com o português agora.

Mesmo assim, os defensores da adesão desta ex-colónia espanhola à CPLP querem fazer crer que a imposição do português como língua oficial (…) não foi o resultado da livre vontade da sua população, mas de uma imposição de um dos regimes mais corruptos, cleptocratas e repressivos de toda a África.

Não há dúvidas que a entrada da Guiné Equatorial como membro de pleno direito não pode credibilizar a CPLP como organização que respeita os seus próprios princípios orientadores ou compreendeu as lições da Primavera Árabe. E muito menos pode dignificar a língua portuguesa.”

Gerhard Seibert
Público, 31 outubro de 2011

A questão da eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP é muito polémica, praticamente desde o primeiro dia. Existe um certo aspecto lisonjeador no interesse da Guiné Equatorial em aderir à CPLP e de facto o regime de Obiang só teria interesse em proceder com tal adesão se esta fosse prestigiante para um regime que – pela sua natureza ditatorial – é hoje pouco mais que um pária universal.

A CPLP ganharia influencia e presença no mundo com esta adesão? Sim, mas a um preço demasiado alto. A CPLP só pode aspirar a ser o ponto de partida para aquilo que desejamos: uma União Lusófona, se mantiver o respeito aos seus próprios estatutos, que consagram o respeito pelos Direitos Humanos e pelo são exercício democrático. A Guine Equatorial pode aderir (e deve) desde que respeito ambos os conceitos. Se o regime tem assim tanto desejo em aderir então que faca como fez a União Europeia para com a Turquia: que exija o cumprimento destas regras básicas. Uma Guine Equatorial respeitadora dos Direitos Humanos e da Democracia é bem vinda. A atual, não. Nem que fale português.

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9 thoughts on “Sobre a adesão da Guiné Equatorial à CPLP

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  3. Thor

    Clavis Prophetarum!
    Estou aqui para lhe dizer que estou contra a entrada da Guiné Equatorial na CPLP. Exijo respeito aos princípios democráticos dentro da CPLP. O PT está a tempo demais no governo do Brasil, passou da hora de sair. O PSD está empurrando Portugal para ser membro integrante do futuro Superestado Europeu, ou Federação da Europa, e ninguém faz nada para impedir. Se é essa a vontade da nação, então eu respeito! O Zé Dudu está a tempo demais no comando de Angola. Vamos mudar o sistema, em homenagem a UL. O FHC vai ser o próximo presidente de Angola, e o Passos vai ser o próximo PM. Na Guiné Bissau, o Lula vai ser o próximo presidente e o Sócrates o próximo PM. Todos eleitos pelo voto. 😀

    • 🙂 também estou contra a adesao da guine equatorial… a cplp podia ter forçado o regime a regenerar-se se deseja assim tanto a adesao, mas nao o fez e contentou-se com requisitos tecnicos e linguisticos… o MIL, aliás, irã pronunciar-se em breve sobre este tema.

  4. otusscops

    CP e Thor

    ai, duas virgens ofendidas!!!
    então e Angola??? é u supra-sumo da hipocrisia, a “democracia” angolana e vosso silêncio sobre o assunto.!!!
    ao que sei – pode ser errado – os guineenses-equatoriais vivem MUITO MELHOR que os angolanos (na generalidade).
    logo Obiang é … mais simpático!

    isto para não falarmos da anedota trágica que é a Guiné-Bissau, um amor assolapado do CP… ó santa paciência!!!

    Thor

    tás doidão de todo, mas assim é que eu gosto de ti!!!
    :mrgreen:

    P.S. – o Sócrates e o Passos Coelho não gostam de “países com moscas”, pá…

    • Thor

      “…ai, duas virgens ofendidas!!!”
      Quem que é virgem aqui, ô? Nem parece que viu aquelas fotos no feiçebuque! Eu tenho um martelo. E você? 😀

      O meu silêncio sobre o assunto? Vou conversar com o vice-presidente de um certo movimento aí sobre a democracia em Angola. A Guiné Bissau não está esquecida por mim. Não engoli o desaforo dos golpistas. A vingança é um prato que é mais saboroso servido frio. 😈 Mas uma coisa não justifica a outra. Os abusos de poder têm que acabar! Cansei de todo os dias ver taparem o sol com peneiras. Irei infernizar a CPLP até que a mesma funcione de forma a justificar a sua existência. 😈

      • otusscops

        o Feiçebuque???
        que é isso???
        😉

        “Vou conversar com o vice-presidente de um certo movimento aí sobre a democracia em Angola”
        isso, isso e vamos lá sacar uns dólares!!!

        “Irei infernizar a CPLP até que a mesma funcione de forma a justificar a sua existência.”
        não te canses muito…

        😀

        • Thor

          “o Feiçebuque???
          que é isso??? 😉 ”
          Erro de tradução do Google Translator. 😀

          O correto é Facebook.

    • Silencio? Reitero: nao gosto do regime do MPLA em Angola, embora conheca e respeite alguns dos seus militantes e acho que Angola teria muito a ganhar com algum rotativismo democratico, mas nao vejo na oposicao ninguem com qualidade bastante para gerir um dos maiores paises de Africa.

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