Sobre a iminente (?) adesão da Guiné Equatorial à CPLP

Cabo Verde e Guiné-Bissau juntaram-se a Angola para formar um “núcleo duro” que defende a adesão da Guiné Equatorial à CPLP. A força combinada destes países (a que deve juntar São Tomé e Príncipe e Moçambique, muito próximos da diplomacia de Luanda) deverá bastar para a aprovar a adesão deste país já na próxima cimeira da CPLP, em Maputo.

Sinais de que essa entrada está já praticamente assegurada foram dados quando na recente visita de Estado a Luanda, o Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, admitiu que a adesão do país à CPLP foi discutida com o Presidente angolano, acrescentando ele próprio que “na próxima cimeira possivelmente a Guiné Equatorial será país membro”.

A pressão combinada dos países africanos de expressão oficial portuguesa parece assim ser suficiente para levar a que o polémico regime de Obiang entre na CPLP. Se essa adesão não for acompanhada de um conjunto de exigências quanto à democraticidade e liberdade de expressão, cuidadosamente monitorizadas e balizadas no tempo, então tenho que expressar a minha oposição à adesão. O regime de Obiang está isolado e a admissão na CPLP serve um dos objetivos prioritários da sua diplomacia que é precisamente o que quebrar esse isolamento. Sabedora desta necessidade os Estados da CPLP (livres e democráticos) poderiam usá-la para forçar a mudanças radicais no regime, como a liberdade de imprensa, a libertação dos presos políticos e o fim das perseguições por motivos políticos. Poderiam monitorizar todo o processo, com observadores seus; enquanto davam um prazo para que o regime realizasse essas reformas. Findo esse prazo, a CPLP poderia aferir do seu sucesso e decidir, enfim, da adesão ou não da Guiné Equatorial. Mas, infelizmente, parecemos estar perante uma adesão incondicional… e a isso, só podemos estar contra.

A CPLP só se pode afirmar na cena internacional pela diferença. Já é diferente das suas “congéneres” francófonas e anglófonas, porque não tem uma potencia colonial procurando reafirmar-se pelas vias neocoloniais. Tem que ser também diferente sendo coerente com os seus estatutos e exigindo que todos os Estados aderentes tenham critérios exigentes de democracia interna, respeito pelos Direitos Humanos e Liberdade de Expressão.  Adesão do regime de Obiang vai macular esse registo até agora impecável da CPLP e prejudicar a afirmação internacional dos países que a compõem… esperemos assim que tal adesão não se venha pois a materializar em Maputo.

Fonte:
http://sicnoticias.sapo.pt/Lusa/2011/11/26/cplp-cabo-verde-e-guine-bissau-esperam-haver-condicoes-para-adesao-da-guine-equatorial-em-2012

Categories: Lusofonia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 7 comentários

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7 thoughts on “Sobre a iminente (?) adesão da Guiné Equatorial à CPLP

  1. Fernando

    Não creio que o Brasil criará algum óbice para o ingresso da Guiné Equatorial na CPLP, uma vez que já aceitamos a entrada da Venezuela no Mercosul, país cujo líder se destaca pelo autoritarismo e perseguição de opositores. Outro precedente dessa lamentável política externa conduzida pelo Itamaraty foi a admissão de Cuba na recém criada CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), ignorando solenemente a “cláusula democrática”, comum à maioria dos tratados internacionais atualmente. Resumo da ópera: Seja Bem-vinda Guiné Equatorial, o palco é de vocês!

    • Na pratica e dada a tremenda pressão que Luanda está a colocar nesta adesão, parece-me praticamente impossível que ela não tenha lugar… Angola é a terceira grande potencia da Lusofonia e a sua influencia não para de subir à medida que a situação de Portugal se degrada e os seus recursos naturais reforçam o seu orgulho nacional.

  2. O que justifica a Guiné Equatorial se tornar membro da CPLP ? Fala-se português lá, pelo menos ? Porque senão, daqui a pouco até o Sudão do Sul pode querer entrar.

    • Vai-se falando… Mas pouco. Sobretudo é uma questao de agradar aos PALOPs que fazem muita pressao neste sentido e de o Brasil e Portugal ganharem assim uma “moeda de troca” que mais tarde poderao usar numa qualquer negociacao na CPLP.

      • Pelo que pesquisei na Net, a Guiné Equatorial adotou oficialmente o português como terceiro idioma do país. Seu maior interesse é que seus estudantes sejam admitidos e venham a estudar em países lusófonos.

        Aqui no Brasil, este tipo de notícia não chega, apesar de ser uma mostra do prestígios que os países lusófonos e a Língua Portuguesa vão granjeando. É uma pena, pois o Brasil tem muito a ver com isso.

        • Mas a questao é que ao que sei, o Portugues nao é ainda ensinado nas escolas primarias e secundarias da Guiné… Para mim, so depois e depois de (sobretudo) a GE ter aplicado os principios de democracia e respeito pelos Direitos Humanos é que poderia aderir à CPLP. Poderia alias, exigir-se tal transformacao no processo de adesao… Algo que nao foi feito, ate porque o processo está a ser conduzido por Angola, que nao está propriamente imaculada nesse campo.

  3. O Natal em Natal foi aberto oficialmente na noite desta quinta feira 8 na maior região da capital, a zona Norte.

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