A Índia vai começar a construir um Reator Nuclear a Tório

A Índia está a trabalhar numa central nuclear que usa um combustível mais seguro que o Urânio: o Tório. Atualmente, decorre o processo de identificação do local onde a central será construída até 2020.

Já foram feitos vários estudos sobre centrais a Tório nos EUA e na antiga União Soviética, mas sempre sem que se produzisse um reator viável. O facto do Urânio ser uma das matérias primas para bombas nucleares fez também preferir os reatores a Urânio sobre todas as outras alternativas, como o Tório. O conceito é uma espécie de “santo graal” da física nuclear moderna, quer pela maior segurança, quer pela abundância relativa do mineral.

Os trabalhos estão a ser conduzidos pelo “Bhabha Atomic Research Centre” (BARC) de Bombaim, que  terminou com sucesso uma serie de testes ao conceito de um reator a Tório e que ultima agora a conceptiva de um reator comercial, sobretudo na questão tecnicamente mais difícil: a da ignição do reator, que deverá ser realizada através do uso de Urânio. Este primeiro gerador deverá ser capaz de produzir 300 MW de eletricidade, ou seja, cerca de metade de um reator convencional.

Os reatores a Tório, além de serem mais baratos, da sua matéria-prima ser mais abundante e da sua operação ser mais simples, apresentam ainda duas outras vantagens: o seu subproduto não pode ser usado para construir armas nucleares e, sobretudo, não cria os resíduos radioativos com a duração de milhares de anos, mas resíduos de vida muito mais curta. É assim uma tecnologia muito interessante que seguiremos com especial atenção aqui no Quintus…

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/environment/2011/nov/01/india-thorium-nuclear-plant

Categories: Ciência e Tecnologia, Economia | Etiquetas: , | 6 comentários

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6 thoughts on “A Índia vai começar a construir um Reator Nuclear a Tório

  1. Caro Quintus
    Na década de 60, no Brasil, estava em adiantado estadio de pesquisa este reator á tório, mas infelismente fo abandonado pelos militares que queriam uranio enriquecido para armas nucleares.
    Hoje, se as pesquisas tivessem continuado , de certeza haveria reatores já em funcionamento.
    Espero que tenham visão os indianos, e continuem e concretizem os sonhos deles.

    um abraço.
    Ramiro Lopes Andrade
    http://ramirolopesandrade.blogspot.com

    INFORMAÇÃO
    Grupo do Tório e Água Pesada
    Nesta fase perdemos iniciativas promissoras como foi o Grupo do Tório, no qual entre 1965 e 1970, um grupo do Instituto de Pesquisas Radioativas de Belo Horizonte conseguiu desenvolver um projeto de um reator alimentado a tório de 30 MW.
    A idéia nasceu de um trabalho intitulado “Necessidades de Combustível para um Programa Nucleoenergético da Região Centro-Sul”. No documento a razão que levaria à opção nuclear e seus desdobramentos era um pretenso esgotamento hidráulico da região Centro-Sul.
    Pelo desconhecimento de reservas de urânio e conhecimento de jazidas de tório o grupo baseou sua pesquisa na transformação do tório em urânio 233. O grupo desenvolveu várias pesquisas e chegou a projetar um protótipo de reator capaz de operar com 3 misturas de combustível em água pesada: urânio enriquecido e tório (Projeto Instinto), urânio natural (Projeto Toruna) e plutônio-tório (Projeto Pluto).
    Sobrou o Toruna e o projeto completo de um reator e das demais unidades de uma central nuclear (Projeto Toruna/Protótipo).
    A flexibilidade levava em consideração o preço dos combustíveis no mercado internacional, caso o Brasil não tivesse autonomia em matéia-prima, poderia se optar por uma mistura ou outra de acordo com a disponibilidade e preço.
    Segundo o relatório final do Grupo do Tório, “foi desenvolvido o projeto preliminar de referência de um reator (…). A tecnologia ligada ao projeto poderá ser desenvolvida no Brasil já que não é muito complexa (…) Tudo indica que o mais apropriado para o país é a opção urânio natural, seguida de opção plutônio-tório para o prazo mais longo.”
    Pronto o trabalho, o grupo foi dissolvido.
    O IPR passou a se chamar Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear e os estudos sobre a utilização do tório como combustível nuclear passaram a ser feitos em cooperação com o Centro Nuclear de Jülich da Alemanha.
    Outra pesquisa nacional era realizada pelo Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento da Água Pesada (1964) no Instituto Militar de Engenharia, que desde 1954 com a criação do Curso de Introdução à Engenharia Nuclear veio a se transformar num instituto de pós-graduação de engenharia. O objetivo era desenvolver técnica para produção de água pesada e assim até mesmo um acordo com Israel (1972) foi estabelecido para o desenvolvimento conjunto de uma usina-piloto com base num processo de troca isotópica hidrogênio-amina.
    Logo depois o Governo adotou o projeto de uma usina nuclear a água leve e urânio enriquecido (acordo com os EUA), o que arrefeceu os trabalhos do GPD e após 1974 foram cancelados (com o acordo Brasil-Alemanha).

  2. Viriato

    Se não tem os inconvenientes das centrais nucleares comuns, e fôr muito segura e mais barata, será uma aposta de futuro. Um problema que vislumbro será o previsível abandono do investimento actual nas energias alternativas.

  3. Jose Mario HRP

    Aqui no Brasil já estamos na fase final do refino do uranio e talvez não haja “clima” mais para esse tipo de pesquisa.
    Mas as vantagens são claras!
    O fato definitivo é que nossa constituição de 88 que não permite uso ou construção militar ofensiva, artefatos nucleares.
    O submarino que teima em não sair do papel não estaria incluído nessa proibição por “clasula pétrea”.
    Mas ogivas, não há a possibilidade de se construir.
    Que venha o tório!

  4. LORANT

    O URÂNIO 233 PODE SIM SER USADO NA CONSTRUÇÃO DE BOMBAS ATÕMICAS

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