Notas sobre o Encontro com a Comunidade do Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza de 27 de novembro em Lisboa

Armando Guebuza (http://www.itnewsafrica.com)

Armando Guebuza (www.itnewsafrica.com)

Tive hoje o privilégio e a honra de ser convidado para o encontro do Presidente da Republica de Moçambique, Armando Guebuza com a comunidade moçambicana radicada em Portugal.

Não vou resumir aqui o discurso do presidente, nem dos demais governantes e responsáveis governativos que acompanharam Guebuza nesta sua viajem. Deixou aos repórteres profissionais e às televisões que estavam presentes. Mas vou deixar aqui, no Quintus, algumas notas que me impressionaram muito particularmente:

1. O Presidente esteve durante todo o evento sem qualquer segurança visível. Confiou inteiramente a sua segurança pessoal e a da sua equipa governamental que incluía ministros tão importantes como dos Negócios Estrangeiros, das Finanças, das Obras Publicas, para alem de vários diretores gerais, ao grupo de proteção de VIPs da PSP. A opção denota uma elevada confiança em Portugal e nos Portugueses que não encontramos em muitos chefes de Estado de grandes países europeus “amigos” que nunca dispensam a sua segurança pessoal.

2. Durante o encontro, o Presidente moçambicano fez varias intervenções. Em nenhuma (ao que pude observar) seguiu um discurso escrito. Independente do trabalho de assessores especializados em que outros Presidentes estão viciados (e lembro-me de certo Presidente que mora para os lados de Belém) Guebuza falou sempre de improviso. Franco, direto, espontâneo, evitando os arabescos discursivos, os ocos tecnicismos e recorrendo abundantemente às analogias e ao discurso popular, o Presidente moçambicano repetiu em Lisboa o faz no seu país: adaptou o discurso aos seus ouvintes, sem pudores nem falsos intelectualismos.

3. Logo no discurso de abertura o Presidente fez questão de passar o microfone aos ministros e diretores gerais que o acompanhavam e estavam sentados nas primeiras filas. Um por um, disseram o seu nome e cargo aos presentes, passando depois o microfone para o governante sentado ao lado. Desculpem a estranheza, mas nunca vi este informalismo e proximidade na Europa… e gostei.

4. O encerramento do encontro consistiu na intervenção de oito participantes, saídos da audiência, sete moçambicanos radicados em Portugal e uma portuguesa, Luís Janeirinho da associação Sphera Mundi e do Conselho Consultivo do MIL. Os intervenientes falaram para o microfone do palanque, com pedidos diretos, uns pessoais a propósito da legalização de familiares, do fim dos voos da LAM para Lisboa, dos problemas com os financiamentos dos bolseiros, da necessidade de rotatividade partidária em Moçambique, etc, etc. Pelo meio Guebuza ia tomando notas e enviando membros do governo para obter mais dados junto dos intervenientes. Estes apelos – que numa leitura europeia podem ser considerados “ingénuos” – de facto são um reflexo de uma sociedade onde o informalismo do Poder ainda é dominante e onde a separação entre a elites políticas e as massas governadas não é tão grande como a europeia.

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | Deixe um comentário

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