Monthly Archives: Outubro 2011

A Wikileaks está em dificuldades

Julien Assange (infoescola.com)

Julien Assange (infoescola.com)

Quando, em dezembro do ano passado, a Wikileaks divulgou que uma “Santa Aliança” da grande Banca internacional, liderada pela Visa, Mastercard e pelo Paypal estava a bloquear todos os financiamentos à organização. De facto, quase um ano volvido, a Wikileaks está de joelhos e o seu líder, Julian Assange declarou que teria que suspender o site enquanto durasse esse bloqueio. Se o problema não se resolver até meados de 2012, o Wikileaks terá mesmo que fechar definitivamente as portas, avisa Assange.

O silenciamento do Wikileaks cumpre assim o propósito de alguns senadores e congressistas norte-americanos que instaram os Bancos a fazerem este bloqueio contra a organização de Assange. Para já, não serão publicados os 251 mil documentos diplomáticos e os ficheiros dos prisioneiros de Guantanamo, que tanto temia o Poder norte-americano.

Curiosamente, a Visa, Mastercard ou a Paypal nunca bloquearam os pagamentos para o Ku Klux Klan ou outros grupos extremistas. Aparentemente, a Wikileaks é mais perigosa.

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/oct/24/bankers-wikileaks-free-speech

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Juliet Shor: Uma proposta para a redução das Horas de Trabalho e consequências da mesma

Juliet Schor (www.bostonbookfest.org)

Juliet Schor (bostonbookfest.org)

Um dos discursos mais recorrentes nos agentes políticos atuais é o de que para sair da crise temos que “trabalhar mais”. Por tal, assume-se geralmente que seja explicitamente “mais horas” e implicitamente (sobretudo) “mais horas extraordinárias não remuneradas”. Mas “trabalhar mais” nao é necessariamente um sinónimo de “trabalhar melhor”. Bem pelo contrário. No Fórum da PASC de 21 de setembro, o economista José Tavares exprimiu a sua estranheza perante a quantidade de horas extraordinárias não remuneradas que se praticam nas empresas portuguesas e o diferente que essa prática era no resto da Europa. Estranhou igualmente o laxismo e a ausência de fiscalização deste fenómeno por parte das autoridades…

Recentemente, a economista norte-americana Juliet Schor no yesmagazine.org publicou um texto em que defende que a redução das horas de trabalho podem ter benefícios muito palpáveis e concretos, mesmo no atual contexto económico.

A economista defende que “durante a Era Industrial, a redução da quantidade de horas foi pelo menos tão importante como contributo para o Emprego como o crescimento do mercado.” Contudo, desde 1990 que se observa um grande e poderoso impulso por parte dos agentes económicos para reverter o processo de redução das horas de trabalho… Nos Estados Unidos, em 2006, os norte-americanos trabalharam mais 180 horas por ano que em 1970. Mas contrariando este impulso, alguns americanos optaram deliberadamente por reduzirem as suas jornadas diárias de trabalho em troca de remunerações inferiores.

Os benefícios da redução do número de horas remuneradas e efetivas são múltiplos:
1. Se essa redução de horas de trabalho se efetivar pela adição de mais um dia de descanso semanal, haverá uma redução muito sensível dos custos ambientais, de CO2 e de combustíveis fósseis.
2. Vários estudos económicos apontam para que “quando as famílias despendem mais tempo ganhando dinheiro, compensam esse esforço consumindo mais nos tempos livres e recorrendo mais a alimentos processados, que têm um peso ambiental, energético e de emissões de CO2 maior que os alimentos preparados no lar.
3. A redução das horas remuneradas de trabalho propiciam ao recrutamento de novos funcionários nas empresas e, logo, à redução do desemprego, o grande flagelo do Ocidente desenvolvido.
4. Esta redução compele as organizações a reorganizarem os seus métodos de produção, por forma a otimizarem os seus processos de forma mais eficiente, reduzindo (pela redução da quantidade de horas de atividade) os seus custos de funcionamento.
5. A redução da jornada diária de trabalho vai aumentar o tempo de lazer e tempo livre, dinamizando todo este setor económico e entregando aos cidadãos tempo (que hoje as empresas sequestram) que podem depois investir em famílias mais estáveis e saudáveis e em atividades cívicas e associativas.
6. A redução – especialmente acima dos 45 anos – irá facilitar a transição para a reforma e reduzir os casos em que os trabalhadores se reformam em estado de exaustão física e mental e acabam por ter uma qualidade de vida baixa, plena de problemas de saúde e uma vida mais breve do que o necessário.

Este movimento para a redução das horas remuneradas só pode ser, contudo, realmente produtivo se as horas assim libertadas sejam investidas na melhoria da qualidade e de intensidade de vida dos cidadãos. As romarias às catedrais de consumo em que hoje se empenham tantas famílias aos fins-de-semana e que nada fazem para promover a qualidade da vida familiar podem ser substituídas assim (dada a maior abundância de tempo) por melhor qualidade de vida: o regresso à saudável arte da maçonaria, do artesanato, da leitura e da criação de bens e serviços culturais melhorará a qualidade de vida dos cidadãos e das suas famílias, resultando em famílias mais estruturadas e equilibradas, e logo, em menores níveis de delinquência infantil e juvenil.

Um estudo do “Center for the New American Dream” (newdream.org), citado por Juliet Schor revelou que 4 em 5 americanos que escolheram trabalhar menos horas admitem que se sentem hoje mais felizes do que antes. Outros estudos indicam que as longas jornadas de trabalho multiplicam os erros, reduzem a produtividade-hora e intensificam os problemas de saúde.

Fonte:
Fundação E. F. Schumacher
http://www.neweconomics.org

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Agostinho da Silva: Sobre o papel futuro dos homens de língua portuguesa

Agostinho da Silva (http://ocanto.esenviseu.net)

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

“Ou os homens de língua portuguesa inventam qualquer coisa, criam qualquer coisa que tire o mundo da confusão em que está hoje, da escravidão em que vive quase toda a gente, escravidão de várias espécies, e o liberte para uma vida que seja verdadeiramente humana, e até mais humana, ou então o papel dos homens de língua portuguesa vai ser muito restrito no mundo”.
Agostinho da Silva em “In Memoriam de Agostinho da Silva”

Sabemos que vivemos numa das sociedades mais apáticas da Europa: os elevados (e crescentes) níveis de abstenção, as baixas taxas de vida associativa e comunitária indicam isso mesmo. Portugal tem que despertar desta asfixia de participação cidadã em que vegeta há décadas. Essa é a “coisa que homens de língua portuguesa têm que inventar” para “tirar o mundo da confusão em que está hoje”: em que a democracia é cada vez mais formal e aparente e menos ativa e participada.

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Do Estado da Ciência em Portugal e alguns caminhos para o Futuro

http://t3.gstatic.com

História Recente:

Nos últimos anos da monarquia, Portugal tinha sérias lacunas no domínio da educação. Com efeito, o país era listado nesta área como um dos mais atrasados da Europa. Era esta situação que a Primeira República ambicionava mudar com a introdução de uma educação pública e universal. Para os republicanos, o valor da ciência e do desenvolvimento científico era central para o Estado, algo que decorria da importância da filosofia positivista para o ideário republicano. Contudo, as dificuldades financeiras, a bancarrota de 1911, a instabilidade governativa criada pelo “Rotativismo democrático” e a Primeira Grande Guerra impediram o prosseguimento desse desígnio. Nos anos que antecederam o Estado Novo, a situação da Ciência e da Investigação Científica era pouco diferente do fim da monarquia. As primeiras décadas do Estado Novo não introduziram grandes alterações. Em 1930, o analfabetismo era de 60% entre os maiores de 7 anos. Cinquenta anos depois, já no ocaso do Estado Novo, o valor descera para 26%, num ganho notável, mas que colocava o país atrás da maioria em qualquer comparação internacional.

O Estado Novo foi caraterizado por uma atitude muito conservadora e temerosa em relação à Educação. Enquanto Salazar se manteve na presidência do Conselho de Ministros, o deprimente panorama nesta área  herdado da Primeira República não sofreu alterações significativas. O regime temia que  a universalização do Ensino Secundário e (sobretudo) do Ensino Universitário, abrissem espaços de contestação e procurou manter os escalões mais altos do ensino reservados a uma elite económica e social de onde saiam a maioria dos seus quadros dirigentes. O regime nao hesitava em afastar todos aqueles cientistas que lhe pareciam menos “domesticáveis” tendo ficado famosas as duas purgas de intelectuais de antes e de depois da Segunda Grande Guerra. Desta forma, ao afastar alguns dos mais brilhantes cientistas da época, o Regime anulou a maioria das vantagens que se poderiam ter obtido do ambicioso programa de bolsas e estímulos científicos promovidas pela Junta de Educação Nacional… Apenas na sua fase final, em 1971, com Veiga Simão no ministério da Educação é que se lançaram as bases de uma verdadeira “educação universal” no Ensino Superior.

A primeira década depois da Revolução de Abril de 1974 não trouxe muitas melhorias a este panorama. A este respeito, uma das métricas mais reveladoras a este respeito era o número de doutoramentos por ano, já que uma tese de doutoramento deve incluir sempre algum trabalho científico original. No começo da década de oitenta, havia pouco mais de uma centena de doutoramentos por ano. Um número tão escasso traduzia-se numa fraca produção científica, uma das mais baixas do continente europeu. De forma reflexa, faltavam também os professores capazes de reproduzir o conhecimento científico e o interesse pela Ciência pelo resto da sociedade.

A situação começou finalmente a inverter-se a partir da viragem do milénio depois da publicação do “Manifesto para a Ciência em Portugal” de Mariano Gago. Ministro de 1995 a 2011, este professor de Física conseguiu colocar em prática a maioria das ideias desta sua obra, reestruturando de forma brilhante o sistema científico nacional. Com Mariano Gago, a Ciência deixou de ter um papel subalterno e tornou-se no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Hoje, entretanto, o ministério foi de novo despromovido a secretária de Estado algo que não augura nada de bom…
As políticas de Mariano Gago tiveram vários efeitos de curto prazo. Em 2008, registaram-se já perto de 1500 doutoramentos, contando apenas com os obtidos em Portugal. Esta “massa crítica” académica levou a um aumento da produção científica. Em 2008, o número de investigadores ativos era de 7 por mil, havendo então mais de 40 mil. O número de artigos científicos publicados em revistas científicas de renome internacional também se multiplicou: em 2008 publicaram perto de 7 mil artigos sendo que entre 2000 e 2009 apenas o Luxemburgo cresceu a um ritmo mais intenso. Comparativamente, em 1982, publicaram-se apenas três centenas de artigos. Em 2007, o país tinha uma percentagem de estudantes de doutoramento nas áreas de ciência e tecnologia superior à média europeia e bem adiante de países como Irlanda, Dinamarca ou Espanha. Infelizmente, contudo, a percentagem de recursos humanos em ciência e tecnologia era de apenas 22%, entre a Roménia e a Turquia, nem longe da média dos países d União isto, juntamente com a grande precariedade do emprego científico e o estrangulamento financeiro das maioria das universidades públicas portuguesas são os três grandes problemas da ciência em Portugal.

Outro indicador positivo do estado atual da Ciência em Portugal prende-se com a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) que é dedicada à Investigação e Desenvolvimento. Em 1982, esta percentagem era das piores de todo o continente europeu, com uns notáveis (pela negativa) 0,3%. Em 2008, contudo, a situação conhecerá já uma melhoria muito assinalável: 1,5% do PIB, uma percentagem bem acima da de Espanha, Itália ou Irlanda. Esta melhoria resultava de das novas políticas para a ciência, mas também de uma intensa aposta realizada nas duas últimas décadas na Educação, com gastos explícitos de 7% do PIB, um valor excepcional entre os países europeus, onde a média é de apenas 4%. O investimento privado em ciência, inicialmente muito modesto é hoje semelhante ao público. A tendência é positiva e crescente nas últimas décadas, mas ainda estamos longe dos 2/3 de investimento privado dos EUA ou do Japão…

Para além do aumento do investimento na Educação, a melhoria da situação da Ciência em Portugal a partir do começo do século XXI beneficiou também do aumento dos financiamentos europeus por via dos vários programas comunitários de promoção da ciência e da investigacao científica. Hoje, Portugal é o país da OCDE com maior rácio professor-aluno e maior custo salarial por aluno e existem mais de um milhão de licenciados, metade dos quais do sexo feminino, um indicador invejado por muitos países desenvolvidos.

Este investimento de governos sucessivos colocou Portugal no clube europeu das nações que mais apostam na Ciência para o seu desenvolvimento económico e social. A multiplicação de investigadores, produção científica e licenciados em várias áreas científicas fez aumentar a presença da Ciência nos Meios de Comunicação, onde os artigos de divulgação científica nos jornais, revistas e televisão também conheceram um assinalável incremento, sinal de que o impacto da Ciência na sociedade está a aumentar a patamares nunca previamente registados na sociedade portuguesa. Mas nem tudo é perfeito… As temáticas ligadas à Ciência e à Investigação Científica ainda estão muito longe do discurso político, mesmo em períodos eleitorais e não existe atualmente nenhuma revista exclusivamente dedicada a temas de ciência sendo publicada em Portugal.

Numa época de profunda crise financeira e grave crise económica a Ciência pode assumir-se como uma alavanca crucial para retirar o país da trágica situação que atravessa. Muitos países conseguiram vencer situações tão dramáticas como a nossa através de um investimento continuado e consistente na Ciência, e isto mesmo quando esta aposta se materializar nos ramos de ciência mais básicos como a Física ou a Matemática pura, de retorno mais difícil a curto prazo, mas que criam as bases para a chamada “ciência de desenvolvimento” a médio prazo.

Contudo, paira no horizonte uma nuvem de dimensões ainda desconhecidas… Existe na comunidade científica nacional uma grande preocupação com os cortes orçamentais impostos pela Troika FMI/BCE/CE e o seu impacto na investigação científica em Portugal. A Ciência deveria constar entre os desígnios nacionais de todos os partidos políticos portugueses, de forma transversal e unânime permitindo a sustentação de um acordo suprapartidário que definesse uma estratégia de promoção da Ciência e da sua aplicação industrial de longo prazo. Seria assim fatal, para os bons resultados obtidos nos últimos anos, se as restrições orçamentais impostas pela Troika comprometessem essa continuidade, dando morte antecipada a projetos que começaram na década passada e que se encontram hoje em plena maturidade e prestes a dar frutos.

O Estado não pode portanto reduzir a escala de investimento na Ciência. Num país praticamente desprovido de recursos nacionais, a massa cinzenta, o conhecimento e a inteligência dos seus cidadãos acaba por ser o seu maior recurso. Desinvestir na Ciência e na produção de conhecimento científico é pois desinvestir assim em Portugal, no seu futuro e numa soberania que está hoje cada vez mais ameaçada em várias frentes. Continuemos esse processo, e estabeleçamos incentivos para que o conhecimento científico fique em Portugal e que empreendedores nacionais o utilizem para alicercarem novas empresas, geradoras de Emprego, produção e exportações.

Portugal deve assim elaborar um Plano Estratégico Científico, de longo prazo e que obtenha o apoio consensual das principais forças políticas representadas na Assembleia da República. Este plano deve incluir:

Lusofonia:
1. Legislação que simplifique a livre circulação de quadros técnicos e científicos entre os países e regiões da Lusofonia (sem esquecer Malaca, Goa e a Galiza).
2. Legislação e mecanismos ágeis e eficientes (no seio da CPLP) que permitam a partilha e transferência de tecnologia e conhecimento entre os países lusófonos.
3. Fundação de uma Agência Lusófona para a Exploração do Mar e do Espaço, que complemente (sem excluir) a presença do país na ESA, mas que aproxime a investigação  e as empresas credenciadas pela ESA a participarem no programa espacial brasileiro, contribuindo assim para uma muito precisada dinamização.
5. A formacao de uma “Ciberuniversidade lusófona” com matérias e avaliações realizadas somente no mundo virtual, permitiria criar cursos universitários de Ciências comuns a todos os utilizadores de língua portuguesa, com custos mínimos de funcionamento (sem edifícios ou salas de aula), absolutamente idênticos a todos os estudantes de Timor ao Recife e fortemente orientados para a área científica.

A estratégia para a investigação científica nacional deve delinear pontos fulcrais ou eixos de desenvolvimento que possam produzir aplicações industriais de curto prazo, sem descurar projetos de mais largo espectro e duração, ligados à Ciência Fundamental, como a presença de investigadores portugueses no CERN ou na ESA. Em termos estratégicos, e porque os recursos são escassos e preciosos o foco da investigação científica portuguesa deve assentar em duas vertentes: Independência Energética e Exploração dos recursos do Mar. Nos últimos dez anos houve um grande aumento da produção científica ligada às Ciências do Mar com uma duplicação do número de doutorados e mestrados, sendo hoje um dos países com maior producao nessa area do globo. Contudo, o país não tem sabido aproveitar esta produção de conhecimento, criando novos produtos e bens transaccionáveis a partir de uma exploração racional e sustentável dos recursos do Mar.

Estas orientações estratégicas não podem levar Portugal a abandonar a ciência fundamental, para a qual existem já hoje bons laboratórios em Portugal e muito produtivas parcerias internacionais. Não devemos embarcar numa estéril “ciência do desenvolvimento” já que isso teria danos sérios na ciência aplicada a médio prazo, pelos efeitos culturais e educacionais de uma tal restrição.

Contudo, sem absolutismos nem dogmatismos, devem definir-se prioridades e nestas, projetos principais:

1. Promover trabalhos científicos numa campanha nacional de mapeamento das  potencialidades geológicas do território nacional continental e marítimo.

2. Estimular e financiar projetos estratégicos para o Mar, com financiamento e capital parcial do Estado e em parceria com universidades e investidores privados:
2.1. energia das ondas
2.2. extração de minerais do leito oceânico (em fumarolas inativas)
2.3. Investigação de algas para biocombustível
2.4. aquacultura offshore
2.5. energia eólica offshore
2.6. Promovendo novas biotecnologias ligadas à indústria transformadora de pescado
2.7. Tecnologia ligada ao desenvolvimento dos portos nacionais
2.8. Projetos de desenvolvimento dos transportes marítimos
2.9. Projetos de construção e reparação naval, nomeadamente desenvolvendo projetos nacionais de:
2.9.1. navios de cruzeiro
2.9.2. navios de passageiros
2.9.3. navios mercantes de pequeno porte
2.9.4. navios militares e vigilância da costa
2.9.5. embarcações de recreio
2.9.6. Plataformas offshore para produção de energias renováveis e aquicultura de mar aberto
2.9.7. Desenvolvimento de plataformas fixas e móveis autónomas de vigilância marítima, com helidrones elétricos alimentados a energia solar e das ondas
2.9.8. Desenvolvimento de software ligado a tecnologias navais e à economia do Mar
2.9.9. Desenvolvimento de plataformas  offshore multiusos, com várias funções, sobretudo para operações de transhipment entre navios de mercadorias.
2.10. Desenvolver projetos de biotecnologia marinha

3. Espírito Empreendedor
A sociedade portuguesa tem um dos índices de empreendedorismo mais baixos do mundo ocidental. As razoes são de várias ordem, e passam por uma economia demasiado dominada pelo Estado (que controla mais de 60% da economia e que cativa os melhores quadros), por um setor bancário demasiado focado no crédito imobiliário e ao consumo e por razões culturais muito antigas (que recusam à inquisição). Não é fácil inverter esta tendência. Sendo cultural, é estrutural e portanto, muda apenas muito lentamente… Resta apenas manter o esforço na Ciência e na Investigação Científica (um dos legados positivos do socretismo) e concentrar os recursos do Estado nos projetos estratégicos acima listados e promovendo a aparição de ninhos de empresas:

3.1. Uma vez estabelecidas as prioridades estratégicas para o setor do Mar, o Governo deve criar o ambiente propício a que surjam investidores e empreendedores privados capazes de criar novas empresas e desenvolver as já existentes explorando as oportunidades estratégicas de negócio identificadas pelos estudos de viabilidade produzidos pelas universidades. O meio universitário, pode ser, aliás, o meio mais adequado a que se criem “ninhos de empresas” onde projetos de alunos e professores possam ter continuidade, beneficiando de preços baixos de escritório, armazenagem e laboratórios comuns e de fundos provenientes de um “fundo de desenvolvimento do Mar” com capitais públicos e privados.

4. Investigação e Exploração do Espaço

Portugal é hoje membro de pleno direito da ESA (“Agência Espacial Europeia”) desde novembro de 2000 tendo em 2010 o Estado português investido apenas 8 milhões de euros, as 28 empresas nacionais certificadas pela Agência conseguirem recuperar com projetos seus, perto de 99% desse investimento, criando assim conhecimento e uma especialização que usaram para outros negócios e empreendimentos não ligados diretamente à ESA.

Conclusão

Portugal tem hoje mais cientistas em atividade do que teve em todo o seu passado milenar, entre os quais se conta uma legião de sete mil bolseiros da FCT e muitos investigadores profissionais (mas apenas contratados a prazo). Muitos, infelizmente acumulam com funções enquanto professores universitários, dividindo tempo e dedicação e prejudicando, eventualmente, ambas as tarefas. Falta especialização e uma concentração das entidades que fazem investigação em Portugal, não geográfica, mas organizativa. Apesar de todo o progresso recente (destacando-se aqui o programa “Ciência Viva” criado em 1996) o interesse pela ciência e tecnologia ainda não chegou à maioria da população. Um estudo de 2010 do Eurobarómetro colocou os portugueses no fim da tabela do “interesse pela ciência” apenas à frente da Roménia, Lituânia e Bulgária. O mesmo estudo revela que os portugueses são os europeus que menos visitam museus ou centros de ciência (6% no último ano!)

Promovendo a Ciência e a Investigação científica, assim como a passagem deste conhecimento para a economia real e para o mundo empresarial, Portugal pode criar as condições para uma recuperação económica assente em dois pilares estratégicos fundamentais: o reforço dos laços de todo o tipo, mas especialmente científicos, com os países lusófonos e o desenvolvimento das ciências do Mar, com a preocupação de estimular o empreendedorismo empresarial e especialmente fomentar neste setor o empreendedorismo científico simplificando os processos legais de registo de patentes e disponibilizando capitais de risco públicos ou parcialmente privados. Só assim se pode promover o desenvolvimento económico de um recurso que equivale a 18 vezes o território continental e para o qual temos – desde 1986 – vivido de costas voltadas.

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Agostinho da Silva: “Talvez seja bom para nós não sabermos produzir mas sabermos utilizar aquilo que os outros produzem”

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

“Talvez seja bom para nós não sabermos produzir mas sabermos utilizar aquilo que os outros produzem. Os chamados povos industrializados têm produzido muita máquina e têm destruído muitas pessoas. Espero que os portugueses produzam menos máquinas mais saibam mais desenvolver pessoas.”
Agostinho da Silva em “In Memoriam de Agostinho da Silva”

O apelo que Agostinho da Silva aqui produz é um apelo a favor de uma “vida conversável”, a uma vida imersiva em que cada um mergulhe profundamente no seu próprio Eu, desenvolvendo todas as suas capacidades (regressando à criança em nós, diria o filósofo) criativas e em que todos os membros da comunidade participam ativamente do seu governo, assumindo formas de democracia muito próximas do auto-governo.

No tipo de cidadão que Agostinho antevê para o futuro não será central ao seu modo de vida o ciclo produtor-consumidor que hoje escraviza as populações: cada individuo será acima de tudo um cidadão, plenamente desenvolvido e atuante. Acabarão as “amebas pensantes” e será a concretização na Terra do Reino do Espírito Santo de Joaquim de Fiora e da Ilha dos Amores de Camões, em que não haverá mais separação entre governados e governantes e todos alcançaremos o grau último do nosso desenvolvimento individual e coletivo.

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Agostinho da Silva: “A nossa coragem de recomeçar (…) tem de se haver com a obra de descentralizar e democratizar a administração e a organização política”

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

“A nossa coragem de recomeçar (…) tem de se haver com a obra de descentralizar e democratizar a administração e a organização política: Portugal e Brasil têm de reestabelecer o poder municipal em toda a sua plenitude, entregando-lhe o fundamental da máquina administrativa, da economia e da educação”
Agostinho da Silva em “In Memoriam de Agostinho da Silva”

Na visão reformista do filósofo a Democracia deverá transformar-se por forma a aproximar o cidadão do Estado descentralizando-se e devolvendo aos municípios os poderes que estes detinham durante a Idade Média portuguesa, antes da imposição do Cesarismo e do ideário de Maquiavel no Renascimento e da erosão do direito foraleiro promovida por Dom Manuel.

Agostinho da Silva promovia ativamente todas as formas de aproximação entre Portugal e o Brasil, tendo sido um dos fundadores da CPLP e defendendo a União Lusófona que hoje é um dos desígnios estratégicos defendidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. Esta citação do filósofo permite-nos contudo antever um aspecto dessa aproximação: Agostinho acreditava que essa união só poderia suceder pela transformação dos dois países em “federações de municípios independentes”, através de processos intensos de descentralização municipalista, em que os cidadãos aumentassem a sua presença na Sociedade Civil pela redução da distancia entre eles e o poder representativo, em sede municipalista.

Na visão agostiniana, os municípios agregariam o essencial das competências administrativas, económicas, fiscais e de educação pública. Para o Estado central restariam todas as restantes, com excepção da diplomacia, defesa e orientação geral e estratégica, competências que seriam da exclusiva responsabilidade dos organismos centrais da União Lusófona, com sede em Cabo Verde (conforme outros segmentos do filósofo).

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Agostinho da Silva: “A revolução não virá de movimentos de massas e de associacoes organizadas e conferencias internacionais e de discussões teológicas ou filosóficas”

Agostinho da Silva (http://www.educ.fc.ul.pt)

Agostinho da Silva (http://www.educ.fc.ul.pt)

“A revolução não virá de movimentos de massas e de associações organizadas e conferências internacionais e de discussões teológicas ou filosóficas. Tal ideia é totalmente absurda.”
Agostinho da Silva

A Revolução virá, bem pelo contrário, do interior de cada um de nós. Antes de pensarmos em irmos para a rua, segurando cartazes e clamando gritos de ordem, devemos olhar para dentro de nós e refletir sobre o que podemos mudar acerca das nossas atitudes, o que devemos aprender por forma a sermos cidadãos mais atuantes e a contribuirmos de forma mais ativa para o necessário despertar da Sociedade Civil.

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tQuids S1

Para aceder ao último Quid (A Mentira Sagrada, Luís Miguel Rocha), clicar AQUI.

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Agostinho da Silva: “Portugal como uma rede municípios republicanos e democráticos”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“Portugal funcionou durante muito tempo, e o melhor, com uma Côrte errante, o que não implicava que não fosse sedentárias as administrações concelhias? E tinham sede em São Bento as Côrtes?”
Agostinho da Silva, citado em Visões de Agostinho da Silva de Renato Epifânio

A aproximação entre os órgãos democráticos e os cidadãos, em Agostinho, é realizada através da descentralização municipalista que o Professor defende em tantos dos seus textos. Para Agostinho, as Côrtes seriam providas não de representantes da Nobreza e do Clero (conforme sucedia na Idade Média portuguesa), mas por delegados democraticamente eleitos nos municípios e depois enviados para as Côrtes.

Estas Côrtes (de delegados uni-nominalmente eleitos, presume-se) não tinham sede, antes de deslocavam livremente de município em município, sem favorecer nem privilegiar nenhum em particular. Assim se garantiria a paridade entre todas as regiões e cidades e dispensariam as “capitais”, que sempre favorecem centralismo e desertificações do interior reforçando assim o pilar da cidadania e o despertar da sociedade civil numa sociedade demasiado centralista e onde as instituições democráticas começam a dar sinais de um preocupante envelhecimento… nomeadamente nas taxas crescentes de abstenção e no malsano “rotativismo democrático” que nos rege desde 1975.

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Porque é que no meio de tanta sanha fiscal, não se atacam as PPPs?

Hospital de Braga (http://img0.rtp.pt)

Hospital de Braga (http://img0.rtp.pt)

Além das Fundações, Mais Valias Bolsistas e SGPSs, há um outro grande foco de Despesa que este governo – em plena sanha fiscaleira – tem deixado em paz: Tratam-se das temíveis, babilónicas e fantasmáticas “Parcerias Público-Privadas” (PPP). É delas que provém hoje a maior pressão sobre a estabilidade da despesa pública. Segundo um relatório elaborado pela Direção-Geral do Tesouro, as PPP vão criar um buraco orçamental de mais de 15 mil milhões de euros. Uma quantia incrível que corresponde a 3 vezes os cortes salariais na Funcao Publica e que nos próximos anos irá muito provavelmente ultrapassar os 26 mil milhões de euros.

As PPPs assumem-se assim como a grande ameaça para as finanças publicas nos próximos anos e, pior, uma ameaça em relação à qual nada se fez, nem fará no OE2012. O monstro das PPPs foi inventado por Cavaco, enquanto Primeiro Ministro (Lusoponte), mas Sócrates levou o conceito até ao limite mais absurdo e insustentável. Uma tal situação deveria exigir a imediata renegociação de todos os contratos das PPPs, uma profunda acariação da natureza e extensão dos prejuízos para o Estado e um apuramento criminal de todas as responsabilidades e manchas de corrupção que enfermam as PPPs.

Se Passos Coelho diz que tem que atacar o “Monstro”, deve dizer logo de seguida que esses “Monstro” são as PPPs. São nestes contratos altamente lesivos para o Estado, de segurança de rendimentos total para o investidor e que garantem ao mesmo lucros seguros e constantes em troca de custos 4 vezes superiores, para pontes, estradas, ferrovias e hospitais do que os que seriam registados se o Estado assumisse ele próprio essas obras.

Perante contratos tão desastrosos, o Estado devia estar ja em negociações para uma revisão profunda dos pagamentos e, se estas nao forem bem sucedidas, assumir corajosamente – e a bem do interesse nacional – a nacionalização destas obras ruinosas.

Fonte:
www.publico.pt

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Agostinho da Silva: “Para Agostinho aquilo a que chamou Império sempre se pôs como algo inteiramente distinto do projeto barroco-sebastianista de Vieira”

Agostinho da Silva (http://i2.ytimg.com)

Agostinho da Silva (http://i2.ytimg.com)

“Para Agostinho aquilo a que chamou Império sempre se pôs como algo inteiramente distinto do projeto barroco-sebastianista de Vieira. Era objetivo, antes do mais, que se deveria alcançar no mais íntimo de cada um, e que, se concretizando coletiva e historicamente, haveria de ser social, política e religiosamente difuso, sem centros de poder político, e sobretudo, sem centros de poder religioso e ortodoxo.”
Pedro Agostinho, filho de Agostinho da Silva, 1991.

O filho de Agostinho da Silva deixa aqui o testemunho em primeira pessoa da mundovisão agostiniana: um mundo novo (ou “quinto império sem quinto imperador”) em que a revolução interior e pessoal a cumprir por cada cidadão seria a verdadeira revolução. Em vez de um império terreal e material, o Professor sonhava com um “império” interior e pessoal.

A expressão exterior desta revolução interior de consciências e de liberdade cidadã acabaria por ter reflexos na organização política e poderia, também, ser favorecida pela descentralização municipalista que assentava no centro da reforma do Estado proposta por Agostinho da Silva. Mas este Estado seria muito diferente das formas que hoje conhecemos: muito mais difuso, solto e controlador. Mais livre, autonómico e descentralizado. Mais humano, porque mais centrado no Homem que nas estruturas piramidais convencionais, mais próximo, porque mais descentralizado, mais responsável, porque mais vigiado de perto por cidadãos ativos e por uma sociedade civil muito mais exigente e participante.

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tQuids S1: Os Portugueses na Índia, M. N. Pearson

Os Portugueses na Índia, M. N. Pearson (http://www.mediabooks.com)

Os Portugueses na Índia, M. N. Pearson

1. Em meados do século XVI, partiam todos os anos para o ultramar entre
a. 1 a 2 mil portugueses
b. 3 a 4 mil portugueses
c. 6 a 10 mil portugueses

2. Nos começos do século XVII no Algarve os escravos chegaram a constituir quantos % da população?

3. Quem disse que “O descobrimento da América e o da passagem para as Índias Orientais pelo Cabo da Boa Esperança são os dois maiores acontecimentos registados na história da humanidade”

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Irrita-me sobremaneira

Há uma coisa que os políticos em Portugal parecem não ter ainda – decididamente – aprendido: que é preciso fazer ajustar o discurso à ação, a promessa à governação e a palavra ao gesto. De cada vez que um político em campanha falha nesta necessária conciliação, a credibilidade da Política decai um pouco mais. O abstencionismo cresce e a cidadania ativa sobre um novo golpe.

Quando Passos Coelho passou uma campanha inteira a acumular promessa atrás de promessa para depois – alcançado o poder – as quebrar uma após a outra provou que urge estabelecer sob a forma de Lei esta ligação entre Promessas eleitorais e Ação Governativa: Uma Lei que puna efetivamente, com multas pesadas os partidos e os dirigentes partidários que coloquem por escrito num “contrato eleitoral” os seus compromissos de campanha, que o depositem no Tribunal Constitucional e que aplicará as devidas sanções em caso de incumprimento.

Irrita-me que quem fez campanha dizendo que “conhecia a situação das Finanças” da Republica, que tanto apregoava contra aquilo que era então um “absurdo” como um imposto extraordinário no subsidio de Natal, meses depois, o tenha não aplicado como dito que o iria repetir ate 2012, se não mesmo depois. Indefinidamente, já que os impostos têm aquela desagradável tendência para irem ficando…

Irrita-me sobremaneira ter falado tanto de que “importava controlar o défice pelo lado da Despesa”, mas depois, ter lançado imposto atrás de imposto, todas as semanas, durante quatro meses e não ter feito praticamente nada para controlar a Despesa, na exata contradição do seu discurso eleitoral.

Irrita-me também que o Primeiro Ministro esteja mais preocupado em agradar servilmente à Troika, cumprindo acima das suas draconianas e severas exigências, fazendo-se ausente nos cenários internacionais onde se traça realmente o destino de Portugal (porque é que o PM e o MNE não estão em périplo, concertando posições com outros países europeus?!), aceitando e fazendo flip-flops para as teses dessa grande inimiga da Europa e do reich alemão, que é Merkel.

Irrita-me que Passos esteja mais preocupado em agradar à Troika e aos interesses dos Especuladores e dos Credores que se acoitam por detrás dela do que em renegociar uma dívida que todos sabem já que nunca poderá ser paga, mas sobre a qual pagamos juros cada vez maiores e mais especulativos.

Irrita-me que em 2012 este Primeiro Ministro esteja a preparar-se para lançar sobre o país o orçamento mais recessivo, menos promotor do investimento e – sobretudo – menos reformador da estrutura da despesa de que precisamos! Onde esta a reforma dos Institutos, da sucessivas camadas de “boys” da Administração Publica, das Fundações sem nome mas orçamento. Um orçamento que não tenta sequer compensar o saque fiscal com o reforço da rede social e que arrastará o país até uma situação de desespero absoluto muitos portugueses.

Irrita-me que Passos veja com satisfação e com ate um certo sentimento de alivio a saída diária de dezenas de portugueses – outra vez – para a imigração, sangrando assim o país de alguns dos seus melhores quadros, dos seus mais dinâmicos futuros empreendedores e agravando ainda mais um coeficiente demográfico de substituição que já era um dos mais baixos da Europa (1.8 quando devia ser 2.1).

Irrita-me ser (des)governado por um Primeiro Ministro que recusa ver que a receita austera derramada sobre a Grécia mais não fez do que agravar a situação, intensificando a recessão, aumentando a necessidade de cobrar sempre mais impostos, enquanto os Banqueiros franceses e alemães recebem os seus juros impunemente e sem nunca pagaram o preço do risco das suas descabeladas ações.

Irrita-me que se ache normal que o nosso padrão de consumo desça ate meados da década de 70, que metade dos portugueses (eu incluído) não tenham comprado uma peca de roupa no primeiro semestre deste ano, que quase 800 mil portugueses estejam no desemprego (e mais 100 mil para o ano), que o subsidio de desemprego dure cada vez menos tempo.

Irrita-me sobretudo que todo este esforço não sirva para nada, porque daqui a uns meses estarão a dizer que “como a recessão foi mais profunda que o previsto” terão que aumentar ainda mais impostos e que destruir um pouco mais o Estado que resta.

Não duvido que tenhamos que TODOS pagar um preço: que passemos a consumir menos e a recorrer muito menos ao crédito. Mas esses sacrifícios têm que se estender também aos rendimentos do Capital e às grandes pensões. E não podem ser inúteis. Não podem ser gastos a pagar juros de empréstimos que já se sabe que não há condições de serem pagos. Nem a rastejar atrás de anões mentais como Merkel ou Sarko. Não duvido de que tenhamos que assumir sacrifícios, com coragem e determinação: coragem para dizer NÃO aos especuladores e aos federalistas europeus que querem explorar a crise para aplicar sobre nos o seu Reich. Não duvido também que seremos capazes de vencer. Mas não o faremos babando e rastejando atrás de Merkel.

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Vítor Bento: “A resolução da presente crise financeira implica, antes do mais, o esvaziamento da bolha financeira”

“A resolução da presente crise financeira implica, antes do mais, o esvaziamento da bolha financeira. O que, por sua vez, implica a destruição da riqueza artificialmente criada, mas que, tendo sido percebida como real, fundamentou um padrão de consumo e de investimento. Padrão esse que agora terá de ser também ajustado para níveis assentes em valores de riqueza e rendimento sustentáveis”

> Esta é a grande verdade: não existem fórmulas mágicas que nos permitam evitar as consequências do estouro da bolha especulativa de 2008 que tentamos evitar – em vão – desde há 4 anos. Para a adiar, os Estados injetaram centenas de milhões de euros em Bancos falidos e em “programas de estímulo” e deixaram crescer até patamares insuportáveis as dívidas públicas. O estouro da Bolha é pois inevitável e, agora, inadiável. Com ele, evaporar-se-ão também aqueles rendimentos abstratos e artificiais de muitos investidores, alguns bem pequenos, à nossa escala, acumulados desde 1990. Os mais afortunados talvez consigam recuperar o investimento inicial… os menos perderão a sua maior parte, ainda que os banqueiros, esses continuem na posse dos seus bónus dos últimos vinte anos.

“Um tal ajustamento não pode, pois, deixar de arrastar consigo uma retração temporária da atividade económica, do rendimento e do emprego, pondo em marcha uma inevitável recessão – já iniciada – e cuja profundidade e duração ainda não consegue ser prevista com suficiente segurança.”

>  Crer que é possível impedir a natural e inevitável oscilação cíclica dos processos económicos equivale ao absurdo de enviar dom quixotes contra moinhos de vento. O que os Estados fizeram em 2008, correspondeu precisamente a este absurdo: na vã tentativa de tentarem minorar a crise ou de anteciparem a sua resolução, injetaram (quase sempre sem controlo) biliões de euros de fundos públicos em Bancos levados à falência por gestores e accionistas impunes e imorais. A consequência foi o salvamento de milhares de Bancos que a saudável lógica da economia deveria ter dado como mortos, mas que com esses fundos públicos, se tornaram em zombies, alimentados a soro pelos nossos impostos.

A saída para a crise de 2008 – que perdura até hoje – deveria ter passado pela falência em cadeia de todas essas instituições moribundas, pela concentração de recursos públicos no pagamento a depositantes dos seus depósitos e de indemnizações a pequenos accionistas (porque ao aderir à desregulamentação financeira, o Estado foi cúmplice no crash das Bolsas) e no estímulo a uma purga do setor financeiro QUE AINDA NÃO ACONTECEU e por uma perseguição dura e persistente contra as fortunas de todos aqueles gestores e accionistas que por gestão danosa levaram a economia mundial a esta grave crise global.

“Deixado apenas à espontaneidade do mercado, o ajustamento processar-se-á de uma forma violenta e desordenada, envolvendo enormes (e desnecessários) custos sociais, pois que um tal processo, dispondo de um intrínseco potencial de auto-alimentação através das expetativas, entrará facilmente numa espiral contraccionista, indo muito além do necessário.”

> É muito curioso observar como o mantra da regulação dos Mercados começa hoje a reentrar na gramática corrente dos economistas, quase com a mesma força com que estes – na década de 1990 – defendiam a desregulamentação total dos mercados financeiros. Sem dúvida que importa regular, para estabilizar os fluxos financeiros, que importa estabelecer uma taxa Tobim global, que importa acabar com os Offshores, taxar os dividendos na mesma escala com que se taxam os rendimentos do trabalho, etc, etc, mas, caramba! A crise já dura desde 2008 e ainda não foi aprovado nenhum pacote regulatório digno desse nome nem nos EUA nem em nenhum outro país do mundo! Os políticos parecem paralisados pela pressão dos Especuladores (que financiam, de resto, as suas campanhas) e à medida que a situação global se vai agravando, nada se faz para regular os mercados selvagens que passam de onda de pânico, em onda de pânico, sempre em roda livre e colocando cada vez mais em risco a estabilidade social não de países, mas de todo o planeta.

“É precisamente para suster, e reverter, essa espiral de sobre-ajustamento que as autoridades económicas dos vários países, bem como as instâncias supranacionais, se empenharam. Compensar a queda da procura privada, induzida pela destruição da riqueza artificial e pela alteração das expetativas, foi uma das tarefas prioritárias dos governos e das autoridades monetárias. Aumento dos gastos públicos e/ou criação de incentivos para o aumento da despesa privada – através de descidas de impostos, descida das taxas de juro dos bancos centrais, criação de moeda, etc – foram os instrumentos usados para o efeito. (…) Acabando por desencadear uma nova onda de crise, a crise das dívidas soberanas”.

> Obviamente, esta opção de procurar resolver o problema, atirando mais dinheiro sobre ele, não resolveu nada. O sistema económico mundial está doente. E ao contrário do que disse César das Neves no Fórum da PASC de 21 de setembro de 2011, a crise mundial nao é uma crise da Europa e dos EUA: é uma crise mundial, porque o globo está hoje economicamente integrado a um nível sem precedentes na História Mundial e na direta razão desta crise que se arrasta desde 2008 (a “retoma” de 2009 foi artificialmente induzida) está a desindustrialização do Ocidente e a continuação do elevado padrão de vida. O fosso entre um Ocidente cada vez mais deslocalizado, com elevado desemprego e cada vez mais importador foi iludido com doses crescentes de crédito. Mas essa ilusão esgotou-se e agora o globo está confrontado com esta flagrante contradição: como sustentar economias desenvolvidas como as ocidentais sem Produção? Como permitir que a China se torne na “fábrica do mundo” enquanto todo o resto do globo ou saqueado (em busca de recursos para a “fábrica do mundo”) ou sem endivida para comprar esses produtos? Como manter o “Estado Social europeu” sem empresas nem contribuintes para o suportar?

A solução final para esta crise não passa (só) pela austeridade nem por apelos ocos ao “mar”, à “inovação” ou à relocalização de indústrias: passa pelo regresso das barreiras alfandegárias que protejam o Ocidente dos múltiplos dumpings chineses (ambientais, laborais e de direitos humanos), pela recuperação da soberania monetária (contra um Euro caro que serve os interesses do norte da Europa) e por uma aposta global concertada e decidida contra o predomínio da “economia de casino” sobre a Economia Real.

Fonte:
Economia, Moral e Política
Vítor Bento

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Agostinho da Silva: “O menino que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas (…) na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que sobrevivem”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“O menino que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas (…) na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que sobrevivem.”
Agostinho da Silva, O Império do Espírito Santo entre os Homens

E contudo as “amibas que sobrevivem” constituem hoje de facto a esmagadora maioria da sociedade civil portuguesa. Portugal apresenta dos índices de vida associativa e comunitário mais baixos do mundo desenvolvido e se durante muito tempo foi possível encontrar a justificação para essa anomalia no “paternalismo de Estado” e na Inquisição Católica, hoje em dia tais causas não explicam a desmobilização e o amorfismo crónico das novas gerações.

A formatação do ensino pode contudo explicar esta formação de gerações sucessivas de “amibas que sobrevivem”: o Ensino está orientado na base do Saber que é adquirido não de forma empírica mas autoritária e unidireccional. Os aspectos experimentais e laboratoriais – nos primeiros ciclos – sao raros, quando deviam ser dominantes. Os planos curriculares são extensos e irrealistas, deixando pouco tempo para o saudável questionamento e para a formacao livre, original e espontânea de pensamento. Tudo isto tem que ser mudado e no mesmo local onde os Republicanos acreditavam (com razao) ser possível forjar uma nova geração de cidadãos, ativos e conscientes: a Escola Pública.

Incentivemos pois, nos primeiros dois Ciclos, todas as formas de questionamento do Saber, de produção natural e espontanea de Saber a partir de informações e dados previamente disponibilizados às crianças, por forma a que possam tirar elas próprias as suas conclusões. Estimulemos o debate, o confronto de opiniões contrárias e o estabelecimento de consensos e acordos, logo desde tenra idade. Alimentemos a saudável curiosidade infantil com Saber e ferramentas de produção de conhecimento.

Sigamos Agostinho: não deixemos que nos matem a criança que há em nós e deixemo-nos ser permanentemente questionadores e insubmissos perante todas as formas de opressão (económica, social, mediática ou política) realizando assim a plenitude da nossa Humanidade e despertando esta Sociedade Civil passiva e inerte que carateriza o Portugal de hoje.

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Pela primeira vez, o saldo da balança comercial portuguesa foi positivo

Pela primeira vez – desde que há registos – o saldo da balança comercial portuguesa foi positivo. Este evento teve lugar em setembro, o primeiro mês em que as exportações ultrapassaram as importações. Contudo, é cada vez mais difícil para as empresas obterem financiamento junto da Banca portuguesa e algumas estão já a recorrer a bancos estrangeiros para fazerem face às suas necessidades de financiamento. Esta seca de financiamento vai travar o progresso nas exportações registado nos últimos meses. O facto de tradicionalmente as PMEs portuguesas não estarem habituadas a criarem parcerias e alianças em projetos de internacionalização vai também lançar mais escolhos para o progresso das nossas exportações.

Em suma, ou o Governo encontra muito rapidamente formas de recapitalizar as empresas, forçando por exemplo que os 12 mil milhões de euros cedidos pela Troika sejam injetados diretamente na Economia, em crédito às empresas ou então o único setor que tem corrido bem na economia portuguesa nos últimos meses irá também juntar-se ao estado vegetativo que carateriza Portugal neste momento. Se os Bancos preferirem usar esse capital – obtido a troco de grandes sacrifícios exigidos a todos os portugueses, note-se – para pagamento de bónus, para especularem ou para pagamento de dividendos, então só resta recorrer à solução In Extremis de os Nacionalizar ou de os deixar simplesmente falir entregando esse capital à CGD com o compromisso de que esta irá recolocar esse capital na economia real.

Fonte:
http://economico.sapo.pt

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Agostinho da Silva: “Sem fim a que aponte a alma da maioria dos homens flutua na vida com a fraca vontade e a gelatinosa consistência das medusas”

Agostinho da Silva (http://www.nefasto.eu)

Agostinho da Silva (http://www.nefasto.eu)

“Sem fim a que aponte a alma da maioria dos homens flutua na vida com a fraca vontade e a gelatinosa consistência das medusas; um dia se sucede a outro dia sem que o viver represente uma conquista, sem que a manhã que renasce seja uma criação do nosso próprio espírito e não o fenómeno que passivamente se aceita e que por hábito nos impele a um determinado número de ações; desfez-se a crença em que o mundo é formado pelo homem, em que o reino de Deus terá de ser obtido, não como uma dádiva dependente do arbítrio de um ente superior, mas como a paciente, firme, contínua construção dos seus futuros habitantes.”
Agostinho da Silva, Diário de Alcestes

Esta é a anomia, a crónica indiferença dos dias que pouco a pouco corroí a nossa sociedade, forjando gerações de “amebas que sobrevivem”, que atravessam a vida como se nunca chegassem a ter nascido.

O Homem que recusa o dever de agir concretamente na sociedade e que enjeita o cumprimento do seu lugar na sociedade é apenas meio humano, porque é pela ação que o Homem se faz e é pela plena e participada integração na sua comunidade que se obtém a felicidade que sempre resulta da realização das capacidades plenas de cada indivíduo.

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Agostinho da Silva: “O menino é um monstro de perguntas, de curiosidade, de inteligência actuante”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“O menino é um monstro de perguntas, de curiosidade, de inteligência actuante. Então, o povo português achou que digno de imperar no Espírito Santo (quer dizer, de ser o Rei, a figura principal do império futuro, da futura idade do mundo), era a criança. Com a sua imaginação, a sua alegria, a sua capacidade de perguntar, todas essas coisas.”
Agostinho da Silva, O Império do Espírito Santo entre os Homens

Este é o modelo de cidadão do futuro antevisto por Agostinho: eternamente questionador, apuradamente informado pela forma como a “coisa pública” é regida, este “cidadão completo” agostiniano buscava na criança a inspiração para este novo tipo de cidadania ativa na sua imaginação, eterno questionamento da realidade e intervenção ativa na sociedade civil.

A única revolução que pode produzir efeitos duradouros e perenes será aquela que for cumprida no seio de cada um de nós, na forma como conduzimos a nossa vida, como recusamos uma vida passiva e bovinizada e nos deixamos conduzir pelos arreios puxados por “fazedores de opinião”, líderes ou maiorias mais ou menos acéfalas. Cada cidadão deve ser pleno, participar ativamente na vida social, associativa, cívica ou política da sua comunidade, tornando-se num condutor da sua própria vida e na prosperidade da comunidade em que está inserido. Só pela via da Cidadania Ativa pode ocorrer o despertar da Sociedade Civil, do torpor que agora a carateriza e que se contra no cerne da atual grave crise em que Portugal se encontra hoje mergulhado.

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Angola cai adquirir UAVs Heron 1 a Israel

Angola vai adquirir alguns UAVs a Israel. As negociações decorrem atualmente e visam a aquisição de aparelhos Heron 1 à IAI Israel Aerospace Industries. A IAI tem estado ativa demonstrando as capacidades do UAV ao governo angolano e queniano.

Crê-se que Angola vai optar pelo Leasing deste UAV capaz de operar a altitudes médias (mais de 9 km) e de longo raio de ação e concebido para missões de reconhecimento a longas distâncias. O Heron 1 consegue descolar e aterrar de forma automática e a confirmar-se será o primeiro aparelho deste tipo a ser usado pela força aérea angolana.

Fonte:
http://stratsisincite.wordpress.com/2011/08/16/angola-to-purchase-drones-from-israel/

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Cartelização na Euribor?…

http://www.glogster.com

Uma das condições para que qualquer economia seja eficiente e produtiva é a existência de concorrência leal e sã. Nada pior, portanto, que a existência de cartelização de preços, em que um determinado setor económico acerta os preços dos seus produtos e serviços na retaguarda, em flagrante prejuízo dos interesses dos consumidores, do Estado e das próprias economias.

Ora é precisamente isto que a Comissão Europeia diz que está a acontecer na Europa com alguns dos maiores bancos do continente estando atualmente a decorrer uma serie de inspeções em busca de provas desse conluio criminoso. A Comissão, contudo, não divulgou o nome desses Bancos. O que a Comissão Europeia procura nestas inspeções são provas de cartel nos juros aplicados aos produtos financeiros.

Segundo se suspeita, os Bancos estariam a manipular a Euribor em flagrante violação das leis anti-trust europeias e forçando a uma taxa mais elevada do que uma saudável concorrência de Mercado ditaria. A questão está agora em saber há quanto tempo existe esta cartelização e que tipo de punição será aplicada a estes Bancos… E se esta bastará para compensar os particulares e os Estados de todos os danos criados por estes “arranjinhos” entre banqueiros.

Fonte:
www.publico.pt

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Bento Carqueja: “Em Portugal, a descrença política é uma dolorosíssima realidade”

Bento Carqueija (http://sigarra.up.pt)

Bento Carqueja (http://sigarra.up.pt)

“Em Portugal, a descrença política é uma dolorosíssima realidade. Tantas vezes os erros de administração têm passado sem protesto, tantas vezes os abusos de poder têm passado sem condenação, tantas vezes as ficções constitucionais têm passado como coisa trivial, tantas vezes a ofensa à lei tem passado sem punição, que a consciência pública descreu do remédio para tão grandes males sociais e lançou-se num indiferentismo pecaminoso, que é o pior de todos os males.”
Bento Carqueja, O Futuro de Portugal, 1900.

Incrível. Esta descrição do quadro político e social do Portugal do virar do século XIX para o XX é espantosamente semelhante com a situação que vivemos nos dias de hoje.

O abstencionismo crónico é de facto um sintoma deste mesmo indiferentismo do Portugal de 1900: perante um acumular de graves erros de governação nas últimas décadas que permitiram a destruição do nosso setor produtivo, perante a multiplicação impune de casos de corrupção ou de tráfego de influências, os portugueses de 1900 e os de 2011 desinteressaram-se da gestão da coisa pública e desocuparam a sociedade civil, deixando-a livre para a ação saqueadora de todo o tipo de predadores imorais.

É no solo fecundado por esta indiferença coletiva que temos que plantar as nossas sementes: fazendo florescer o pensamento crítico, uma cidadania ativa e interessada e uma nova sociedade e economia que recoloque o Homem no centro de uma sociedade demasiado desumanizada e mecanizada.

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tQuids S1: As Aventuras de Hergé, Bocquet, Fromental e Stanislas

As Aventuras de Hergé (http://images.portoeditora.pt)

As Aventuras de Hergé (images.portoeditora.pt)

1. Bob de Moor encontrou Hergé em 1950. Trabalhou na remontagem de alguns álbuns e depois nos cenários dos seguintes. Desapareceu em 1992 sem realizar o sonho da sua vida, desenhar o último album de Tintin:
2. Quem é que Hergé vai receber ao aeroporto de Zaventem em 1981?
3. Como se chamava a colorista que entrou nos Estúdios Hergé em 1956 e em 1977 haveria de casar com o autor?

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O “Yéti” de Kemerovo

O "yéti" de Kemerovo (http://files.abovetopsecret.com)

O "yéti" de Kemerovo (http://files.abovetopsecret.com)

Há alguns dias surgiram na imprensa “oficial” algumas notícias que davam conta da descoberta de “provas irrefutáveis” da suposta existência do Yéti na região de Kemerovo, na Federação Russa. Na conferencia de imprensa, responsáveis políticos pelo governo regional de Kemerovo afirmaram que “Durante uma expedição à gruta Azasskaia, os participantes reuniram provas irrefutáveis que demonstram que o ‘Homem das Neves’ vive na Shoria montanhosa”. Nesta “expedição”, terão estado presentes “cientistas” da Rússia, Estados Unidos, Canadá, Suécia e Estónia, tendo. Estes “cientistas” terão encontrado “diferentes marcadores” com os quais a criatura define o seu território. Terão também sido encontrados cabelos e pegadas numa gruta em Shoria. Um destes “cientistas”, o sueco Ingemar Ramel, acredita que se trata da mesma criatura que nos EUA é conhecida como “Big Foot”.

O objetivo desta “descoberta” é claro: obter dinheiro. Por um lado pela via do afluxo de turistas a Shoria, por outro através do financiamento público a estas “investigações” e a estes “cientistas”. Essa parece ser a preocupação de curto prazo e o motivo verdadeiro para a convocação desta conferencia de imprensa.

É deprimente ver como o Publico (e os outros Media, nacionais e internacionais) imitaram a fonte desta noticia e a papaguearam de forma acrítica. Sem investigarem os créditos ou currículos dos “cientistas”, que numa breve busca na Internet aparecem sem qualquer credibilidade académica e desligados de qualquer instituição cientifica minimamente credível. O artigo do Publico também não questiona a validade das provas “irrefutáveis” (pelos) que não foram entregues a nenhum laboratório independente nem das fotografias, difusas e inconclusivas… e é pena porque no artigo elas aparecem como “irrefutáveis”.

Fontes:
http://www.10kanal.ru/news/13254.html
http://www.publico.pt/Sociedade/cientistas-afirmam-ter-provas-irrefutaveis-da-existencia-de-um-yeti-na-siberia-1515729?utm_source=feedburner

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Para Agostinho da Silva, a escola do futuro deve ser “o lugar cívico da educação e de vida em que o criar vá muito além do saber em que o jogar se encontre com o trabalho”

Agostinho da Silva (http://www.revista.agulha.nom.br)

Agostinho da Silva (www.revista.agulha.nom.br)

Para Agostinho da Silva, a escola do futuro deve ser “o lugar cívico da educação e de vida em que o criar vá muito além do saber em que o jogar se encontre com o trabalho, em que a liberdade crie sua própria disciplina e em que o contemplar domine o agir, e o adorar se sobreponha ao poder”.

A Escola Pública deve ser o palco onde se forjam as novas gerações de cidadãos ativos e dinâmicos. A Escola deve ter como prioridade formar bons cidadãos e seres humanos realizados: críticos, capazes de julgarem por si próprios e livres de todas as prisões impostas pelas tiranias de vários tipos que hoje florescem nas sociedades.

Mais que “saber”, a Escola será o lugar do “criar”: o conhecimento enciclopédico e memorizado será menorizado a favor da apreensão independente e experimental de Conhecimento. Em vez de memorizadores compulsivos teremos jovens criadores, predispostos para o permanente questionamento do mundo e da sociedade.

A Escola Agostiniana, contemplativa (porque concebida para o pensamento e desenvolvimento da criatividade e inteligência), dialogante, porque favorece o ideal da “vida conversável” e limpa das formatações autoritárias da cátedra, será mais dinâmica e livre que as atuais.

Com este conceito de escola “lugar cívico da educação e da vida” teríamos uma sociedade mais ativa e participante – quase em regime de auto-governo – na Sociedade Civil e a escola em vez de palco de eternas guerrilhas corporativas poderia ser o espaço da regeneração social que os Republicanos da Primeira República quiseram fundar, mas que por via da grande instabilidade política e de dificuldades financeiras constantes, nunca conseguiram erguer.

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tQuids S1: Visões de Agostinho da Silva, Renato Epifânio

Agostinho da Silva (http://www.cm-sintra.pt)

Agostinho da Silva (http://www.cm-sintra.pt)

1. “paradoxalmente, apenas haverá um Quinto Império se não existir um X (…) o tal Império do Espírito Santo que, no fim de contas, não é império nenhum”
o que, ou quem, é X?

2. “capacidade de vir a liderar o futuro humano, quando se desembaraçar de tudo o que lhe foi útil na educação europeia e exercer, com o esplendor e a vigorosa força de criação que pode demonstrar as suas capacidades de simpatia humana, de imaginação artística, de sincretismo religioso, de calma aceitação do destino, de inteligência psicológica, de ironia, de apetência de viver, de sentido da contemplação e do tempo”
a que se refere Agostinho?

3. “Não creio que a situação económica de Portugal melhore, por maior que seja a “política de austeridade”, a rede de imposto, os empréstimos estrangeiros que só comprometem o país com um mundo rico e podre; Portugal nunca se aguentou por si próprio, embora talvez tenha atingido com Dom Dinis um certo equilíbrio na pobreza, o que hoje ninguém quer”. Em que ano escreveu Agostinho esta carta dirigida a António Quadros?

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Obama prepara-se para avançar contra a desvalorização artificial do Yuan?

Obama (www.puppetgov.com)

Obama (www.puppetgov.com)

Obama fala. Fala para o interior dos EUA e não tem sido ouvido, havendo falhanços clamorosos nas suas promessas na área da Saúde, da Regulação Financeira e do Emprego. Agora, Obama fala para fora. Fala para a China e diz que quando Pequim desvaloriza artificialmente a sua moeda, o Yuan, está a atacar diretamente os EUA: “A China tem sido muito ofensiva, ao distorcer as trocas comerciais em seu benefício e à custa dos outros países, particularmente dos Estados Unidos“.

Obama diz que a manipulação da cotação do Yuan “torna as exportações deles mais baratas e as nossas mais caras. Temos visto algumas melhorias, com uma apreciação ligeira (do yuan) no ano passado. Mas isso não é suficiente”. Em consequência, o Senado norte-americano vai aprovar um conjunto de sanções contra a China. Contudo, a Câmara dos Representantes, dominada pelos republicanos, tradicionalmente mais servis aos interesses de Pequim ameaça bloquear essas sanções.

Obviamente, os EUA não são as únicas vitimas das golpadas chinesas. A Europa, a braços com uma colossal “crise da dívida soberana” que afeta praticamente todos os países cumprindo a sua tradição de nada decidir não segue o exemplo americano e nem sequer pensa em sanções. Com efeito, grande parte do problema da Divida resulta da destruição do setor produtivo europeu pelos múltiplos Dumpings chineses e urge implementar medidas que corrijam a distorção competitiva imposta pela China: sanções (como nos EUA), barreiras alfandegarias que protejam setores estratégicos e alinhamento com os EUA na pressão pelo realismo cambial chinês.

Fonte:
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=30336

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Afinal, a NASA sempre vai ter um lançador pesado

O novo lançador pesado da NASA (http://www.redorbit.com)

O novo lançador pesado da NASA (http://www.redorbit.com)

Depois de um momento em que os EUA pareciam ter abandonado os projetos para um novo lançador pesado pela NASA surgiram informações de que afinal sempre vai existir este foguetão.

A ideia é construir um foguetão ainda com mais capacidade que o Saturno V, das missões Apollo. Este lançador pesado será capaz de levar astronautas até à Lua, a um asteroide ou mesmo até Marte. Os primeiros testes devem ocorrer em 2017 e a sua propulsão será alimentada por hidrogénio e oxigénio líquidos. O foguetão não dependerá somente de motores líquidos, tendo também motores auxiliares de combustível sólido.

Este novo lançador pesado será capaz de colocar em órbita cargas de até cem toneladas, inicialmente, mas o objetivo é levar o foguetão até à capacidade de 150 toneladas. O foguetão deverá ser capaz de transportar cápsulas com até seis astronautas e representa um notável aumento em relação à capacidade máxima atual de 25 toneladas e mesmo dos Shuttle com as suas 27 toneladas.

Desenvolver um foguetão pesado deste tipo deverá ficar em 18 mil milhões de dólares… um valor elevadíssimo em época de crise financeira e que levou muito tempo a ser negociado no Congresso… Para poupar custos, serão reutilizadas tecnologias já existentes sempre que possível: algumas da época do cancelado programa Constellation, outras, da cápsula Orion.

Este lançador pesado deverá realizar o primeiro voo tripulado em 2021 e a primeira missão humana a um asteroide terá lugar apenas em 2025.

Fonte:
http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/nasa-apresentou-o-foguetao-mais-poderoso-de-sempre-para-ir-a-asteroides-e-a-marte_1511956

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Fujão Barroso sobre a criminalização dos gestores da Banca e Da Divisão dos Grandes Bancos

Fujão Barroso e Merkel (http://t3.gstatic.com)

Jufão Barroso e Merkel (http://t3.gstatic.com)

Foi o próprio Fujão Barroso que admitiu que que desde 2008 os Estados europeus já derramaram sobre os Bancos o equivalente a cinco vezes o valor atual do “Fundo Europeu de Estabilização Financeira”. Em 2008, muitos economistas defendiam que os responsáveis pelos erros de gestão colossais do setor financeiro na aquisição desbragada e irresponsável de ativos tóxicos deviam ser criminalizados. Agora, é o próprio Barroso que regressa ao tema. Este valor corresponde a uns espantosos 4 milhões de milhões de euros e isto contabilizando as ajudas indiretas, já que a diretas se ficam pelos 500 mil milhões de euros.

Isto significa que desde 2008 a Europa gastou toda a sua força anímica e as suas reservas financeiras não a estimular o setor dos bens transacionáveis, como devia, mas a evitar que Bancos incrivelmente mal geridos abrissem falência. Na pratica, está-se a sacrificar toda a economia, para manter Bancos ineptos e avidos à tona de água. Em vez da Produção, do Emprego e da Economia, salvaram-se os bónus dos gestores financeiros, bancos falidos, especuladores e fundos de ações, etc, etc.

Sem dúvida que sem os Bancos não há Capital a fluir para a Economia. Mas estes Bancos não o tem feito desde que a recessão eclodiu em 2008, de qualquer maneira. E há alternativas a salvar estes monstros gigantescos e moribundos, que caminham cambaleantes pelas nossas economias como gigantes zombie, tudo destruindo à sua passagem. Desde logo, deviam ter sido extintos. Os seus créditos e débitos transferidos para novos Bancos, Públicos (temporariamente), os seus gestores punidos por gestão danosa e as suas estruturas globais e nacionais divididas em dezenas de pequenos Bancos, de âmbito local, municipal ou regional, dando ao sistema um dinamismo e uma resiliência que estes grandes Bancos globais de hoje já não têm.

Este pequenos Bancos poderiam devolver liquidez às economias locais, livres da obsessão global que distrai os grandes bancos multinacionais da atualidade e estimular o desenvolvimento e a aparição de empresas de bens transacionáveis nas comunidades locais onde estivessem inseridos.

Esta é a revolução financeira que urge fazer. Continuar a derramar mais e mais fundos públicos sobre um setor que se apressa a malbarata-los tentando colmatar passivos tóxicos colossais não é, e não deve ser, opção. Segmentar os grandes Bancos, deixando que os grandes especuladores percam a totalidade dos seus investimentos e que as empresas e pequenos e médios particulares recuperem os seus depósitos, sim; é a Via. Porque “Small is Beautiful“.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/crime-disse-ele-barroso_128532.html

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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