Daily Archives: 2011/09/22

Vítor Bento sobre a Bolha Especulativa de 2008

Economia, Moral e Política; Vítor Bento (portoeditora.pt)

Economia, Moral e Política; Vítor Bento (portoeditora.pt)

“A criação da bolha especulativa (de 2008) é um processo típico de “loucura coletiva”, desencadeado quando um período de prosperidade funda comportamentos baseados em expetativas adaptativas (…) acabando por gerar a falsa convicção de que a valorização dos ativos (financeiros e reais, como o imobiliário) é imparável. Tal convicção vai atraindo cada vez mais gente, alimentando um boom que muitos acreditam ser infindáveis e que vai gerando uma incomensurável riqueza artificial (i.e. sem sustentação económica), até que… não há mais ninguém para entrar no jogo e alimentar o boom! Quando isso acontece, gera-se o pânico, dando-se origem a um crash desordenado.”

> é o fenómeno das pirâmides especulativas que ainda não há muito tempo (década de 90) arruinaram a economia albanesa pós-comunismo e que esteve na base do famoso caso “Dona Branca” na década de 80, em Portugal. É absolutamente notável que sendo um fenómeno económico tão conhecido e estudado, os economistas do sistema não tenham sido capazes de antever a violência e escala da tempestade global que haveria de varrer o mundo em 2008, iludida até 2011 com injeções massivas de dinheiros públicos para regressar em força agora, em 2011 e 2012.

“De quem é a culpa? De muita gente, ainda que com quotas de responsabilidade diferentes. Dos reguladores, que não viram a tempo, e por isso não previram, as condições que alimentaram a insustentável inflação dos ativos; dos bancos centrais, que mantiveram taxas de juro excessivamente baixas por demasiado tempo, favorecendo o enchimento da bolha; de gestores e profissionais pouco escrupulosos, que criaram e venderam gato por lebre, acreditando, ou fazendo os outros acreditar, numa nova alquimia; de teóricos que acreditaram, e levaram outros a acreditar, na infinita capacidade auto-reguladora dos mercados”.

> reguladores, bancos centrais, empresários são, de facto os grandes responsáveis por esta crise que se abateu sobre todos nós desde 2008 e que continua a não dar mostras de abrandar, bem pelo contrário. Mas perante a escala do desastre, num mundo em que a Justiça e a Lei fossem mais que palavras vãs teríamos camadas e camadas de reguladores, responsáveis por bancos centrais e gestores nas prisões. Mas neste mundo, onde os políticos se deixaram comprar pelos interesses da alta finança encontramos Vítor Constâncio sendo premiado com a criminosa incompetência nos casos BPN, BCP e BPP com o cargo de vice-presidente do BCE…

“E, claro, dos especuladores – apostadores de risco. Só que os especuladores não são apenas aqueles sujeitos, ricos e gananciosos, que a imaginação popular representa como exploradores da ingenuidade e da boa-fé dos incautos cidadãos. São também todos aqueles que puseram de lado a prudência e assumiram riscos excessivos para as suas capacidades: endividando-se para além dos limites razoáveis; explorando promessas de ganhos fáceis e rápidos; apostando a segurança do futuro no conforto do presente.”

> sejamos claros. Esses especuladores são também muitos de nós. Na década de 90, os bancos pagavam aos depósitos a prazo juros miseráveis, frequentemente abaixo da inflação, como forma de aumentarem o interesse por múltiplos tipos de “fundos de investimento”. Muitos transferiram então todas as suas poupanças para estes veículos que lhes diziam ser absolutamente seguros e muito rentáveis… a sapiência da opção era confirmada pelos Media que repetiam até à exaustão o discurso do “pensamento único” sobre a “nova economia”, sobre as capacidades infinitas de crescimento e sobretudo, sobre as virtudes infinitas de todas as desregulações e a “mão invisível” do Mercado. Esses, também, foram reciclados e hoje contam-se na linha da frente dos críticos do sistema financeiro… e sem responsabilizações ou punições, como os seus cúmplices reguladores, governadores de bancos centrais e gestores bancários… todos soltos, todos impunes.

Quem pagou, paga e pagará esta crise são as crianças que perderam apoios sociais, os reformados que perderam poupanças, as famílias que desesperam com o desemprego dos pais e com a precariedade laboral dos filhos. Porque os outros, os responsáveis, esses, já foram reciclados pelo sistema.

 

Fonte:
Economia, Moral e Política
Vítor Bento

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Vítor Bento: “Os resultados imediatos, trimestre a trimestre, tornaram-se uma quase obsessão dos gestores, que a esse objetivo transitório, e frequentemente ilusório, tudo sacrificam”

“Os resultados imediatos, trimestre a trimestre, tornaram-se uma quase obsessão dos gestores, que a esse objetivo transitório, e frequentemente ilusório, tudo sacrificam. Obsessão desencadeada por uma espécie de competição ostentatória, permanentemente estimulada por analistas, media e investidores, e reforçada pelos incentivos remuneratórios e sancionatórios que estimulou. Não será por acaso, que, além dos avolumados bónus a premiar o desempenho mediato haja sido sacrificado, se encurtou a permanência média de um CEO, ao ponto de, num terço das empresas americanas, estão não exceder os três anos.”

Economia, Moral e Política
Vítor Bento

Ao contrário do que advogam os arquitetos do neoliberalismo, importa (e muito) regular a forma como são pagos os bónus e pagos os vencimentos aos gestores de topo das empresas privadas. Foi este culto para-religioso (porque dogmático e surdo a críticas) pelo curto prazo e por valorizações bolsistas de curto prazo, que esteve na base de uma sucessão de erros de gestão que afundaram tantas empresas financeiras desde 2008.

Aos Estados cabe regular o que está desregulado, impondo limites máximos às remunerações dos gestores, calculados em função do vencimento mais baixo da sua organização e proibir o pagamento de bónus que recorram apenas a métricas financeiras de curto prazo. Se os Privados não se souberam auto-regular (e os “bail-outs” monumentais provam-no) então, devem ser os Estados a impor moral, decência e bom senso onde este tem faltado.

Regular os prémios de gestão, os bónus e os vencimentos dos gestores é também uma forma de o próprio Estado se defender e impondo formas de gestão de maior prazo, proibindo os funestos “contratos a dois anos”, de tantos gestores de topo impedir que tenha mais tarde que acorrer a fundos públicos para salvar bancos falidos, assumir as consequências económicas das falências e os subsídios de desemprego que esses gestores desbragados e obcecados pelo curto prazo deixam atrás de si.

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